Os Heróis que Deixam de Fumar – Afonso Brito Chermont

Publicado por em mar 27, 2013 em Artigos, Blog | 1 comment

Os Heróis que Deixam de Fumar

Afonso Brito Chermont (*)

 

Outro dia contatei Bebeth (Elizabeth Araujo Jorge) que iniciou luta para parar de fumar e confessa que está sentindo alguns reflexos dessa mais do que certa decisão. É natural que, após anos como fumante, as sustâncias façam falta e provoquem na pessoa alguns desarranjos e incômodos.

Fui um fumante durante mais de quarenta anos e, quando me lembro disso, tenho arrepios por ter aprendido a fumar no ambiente do Colégio Novo Friburgo. Eu era ligado a esporte, gostava de jogar basquete, fazer atletismo, etc. e acho que poderia ter conseguido índices ainda muito melhores se não tivesse adotado a condição de fumante.

Nessa época, o homem que era macho tinha que fumar. Quem não fumasse era considerado bicha… Lembro-me dos filmes em que o mocinho beijava a linda mulher, enquanto ela demonstrava um amor incondicional, envolvido em cortina de fumaça de cigarro.  Isso era tudo que queríamos, naquela época!

Minha filha Larissa foi a primeira pessoa a me levar a mensagem de quanto o cigarro era negativo para a saúde. Não aceitei as primeiras ponderações e reagi com certa irritação: como poderia abandonar aquele companheiro das horas de solidão, de trabalho, de dúvidas, incertezas e outras mazelas que a vida nos proporciona?

No CNF, lembro-me da importância do fumo, uma vez que até foi criada uma sala especial para que, nos intervalos, os fumantes para lá se dirigissem e alimentassem a iniciação ao cigarro. Meu pai mandou, a pedido da direção do Colégio, uma autorização, via telegrama Western, para que eu pudesse fumar. Hoje eu não admito como as pessoas inteligentes, à época, não perceberam o mau que o cigarro fazia e administraram essa coisa de outra forma. Verdade, eu comecei a fumar não por que eu quisesse; fui levado por uma onda bem radical, que me fez admitir que, caso não viesse a fumar com 14/15 anos, eu estaria fora do contexto vigente.

Tudo era favorável à ideia do fumo. Uns poucos faziam algumas ligeiras observações, e que se faça justiça ao Grande Mestre Chianca (Prof. Eclécio Alves Chianca) que, com sua visão maior, me sugeriu não fumar logo depois de praticar esportes, sem estar alimentado, etc. Dentro do quadro, vejo o quanto isso me fui útil, pois passei disciplinar o uso do cigarro. Foi inútil, de outra forma, porque fumei, mesmo, de qualquer jeito.

Em dado momento, além da pressão mais do que saudável de minha filha, deixei de fumar influenciado pelos meus colegas do CNF. Um dia, no Rio, encontrei o Lopinho (Luiz Eduardo Simões Lopes) e o Paulista (Paulo Américo Rufino) e ambos haviam parado de fumar. O Maria da Toca (Rui Selligman) deixou e me disse que se sentia bem melhor. Pensei: esses caras começaram junto comigo e agora largaram; somente eu vou ficar com essa carga. Algum tempo depois deixei de usar essa droga que nenhum benefício me trouxe.

Está bem na minha mente o olhar do meu irmão Paulo Chermont que, quando foi levado para uma operação de emergência, exclamou, se dirigindo a mim: — eu devia ter parado de fumar. O aneurisma na aorta abdominal que meu irmão teve foi provocado pelo tabagismo. Ainda, não esqueci o olhar de meu falecido irmão!

A vida não é fácil principalmente considerando que a qualquer momento vamos desaparecer, mas ela é bem melhor se não houver o cigarro. Estou na torcida pela Bebeth, vou acompanhar o desfecho de sua decisão em parar. Seu ato heroico de se livrar dessa droga vai lhe permitir mais vida e  saúde.

(*) CNF de 1958 a 1964

Março de 2013

  • Afonso Brito Chermont

    Querido, é msm, fumar foi a maior estupidez da minha vida… q besteira! E pior, era no tempo do continental, lincoln, luis xv, os clássicos sem filtro! Q horror.
    Parei já tem uns 30, e tu?
    E como vai a Lia? Larix?
    Qdo pintas?
    Adorei falar com Zeno, tá ótimo, ñ?
    E me ajudou um monte, me deu mais segurança num momento mto difícil.
    Um baita abração pra ti!
    Paulo Rufino (Paulista)


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