Homenagem ao Professor Délio Freire

Publicado por em abr 21, 2015 em Blog, Destaques, Eventos | 2 comments

No dia 11 de abril de 2015, um agradável sábado de outono, aconteceu no Rio de Janeiro, com o tema musical do filme “Ao Mestre com Carinho”, uma homenagem ao Professor Délio Freire, uma pessoa muito especial, que atuou por muitos anos em Nova Friburgo como docente do Colégio Nova Friburgo da Fundação Getúlio Vargas, ou como a população friburguense o chamava carinhosamente “FUNDAÇÃO”.

Este evento não foi parte do projeto de reabrir o antigo Colégio, mas uma homenagem justíssima a um professor de Física do antigo 2º Grau, realizado por seus ex-alunos.

Havia bons motivos para agraciá-lo com:

  • uma placa de agradecimento,
  • uma Medalha de Mérito Cultural Austregésilo de Athaide, outorgada pela Academia de Letras e Artes de Paranapuã – ALAP.
  • uma cópia da tese de doutorado da Escola de Química da UFRJ apresentada, defendida e aprovada pelo agora Doutor Leandro Erthal. Isto mesmo! Uma tese de doutorado!

Esta história começou em 1976.

Um jovem estudante do CNF, aluno Leandro Erthal, propôs ao seu professor de Física do 1° ano do 2°grau, prof. Délio Freire, a confecção de um dispositivo simples de ensaio para apresentação na Feira de Ciências de Nova Friburgo daquele ano.

Esse dispositivo de ensaio era para comprovar que dois corpos de massas diferentes caem com a mesma aceleração (aceleração da gravidade – g).

Era utilizado o conceito de medição de tempo para a obtenção da aceleração por fórmulas já consagradas.

O dispositivo projetado era formado por uma placa de madeira, na qual eram fixadas duas bobinas elétricas. Estas eram formadas por um núcleo metálico que tinha uma de suas extremidades em formato côncavo para permitir o encaixe das esferas metálicas e era enrolado por uma fiação metálica de cobre. Por efeito eletromagnético, as esferas metálicas, de dimensões diferentes, seriam mantidas em estado de repouso. Para suspender as esferas seria utilizado um sistema de cestas e cordas. Outra corda deslocaria a cesta lateralmente para permitir a queda livre das esferas.

Ao ser acionado um interruptor, a energia elétrica do circuito seria desligada ocasionando a queda simultânea das esferas e o acionamento dos dois cronômetros. Os alvos (cestas), ao receberem os impactos, desligariam seus respectivos cronômetros. Pela medição dos tempos de queda das duas esferas e com a distância percorrida previamente conhecida seria possível avaliar suas acelerações pela aplicação de fórmulas matemáticas. Com os resultados experimentais seria possível comprovar que as acelerações das esferas de diferentes dimensões e pesos eram idênticas e próximas à da aceleração teórica gerada pela gravidade.

O Colégio Nova Friburgo da FGV, por meio do professor Délio Freire, apoiou e financiou a compra de trilhos de alumínio que fariam parte da sustentação da placa de madeira do dispositivo.

O projeto idealizado, analisando pela ótica de hoje, 2015, não era viável devido a dificuldades mecânicas a ele impostas na época. Com isso, não foi finalizado.

Aquelas ideias, que aparentemente teriam sido esquecidas, ficaram, porém, arquivadas na memória do Leandro.

Em 2012, esse mesmo aluno de outrora, agora um jovem senhor, precisava criar um dispositivo de ensaio para comprovar as ideias que levariam à realização da sua tese de doutorado. Sem perceber, ele retomou o projeto de 1976, agora com condições técnicas e financeiras adequadas para levá-lo à obtenção de resultados consistentes.

A concepção do projeto estudantil e do dispositivo de ensaios utilizado na tese foi a mesma: obter o tempo de queda de um corpo e, consequentemente, o valor da aceleração média durante a queda. A diferença é que agora o objetivo final era obter o valor de energia cinética final.

O projeto deu certo e a tese, como já dissemos, foi um sucesso.

Para comemorar, foi organizado pela Associação de Ex-Alunos, Professores e Servidores do Ginásio/Colégio Nova Friburgo da Fundação Getúlio Vargas um almoço de homenagem muito especial. Um momento raro, em que um profissional de educação pôde compreender todo o significado de sua profissão e de sua importância para gerações que ele influenciou e formou. Pena que um país rico e próspero não reconhece o valor dos profissionais que moldam e formam gerações, e que, em geral, não têm a oportunidade de saber sua importância e mérito. Muitos chegam ao final de suas carreiras sem perceber como foram importantes!

Foi um almoço de emoção, reencontro e alegria. Uma tarde de homenagem não só ao Professor Délio Freire como a todos os professores. Muitos dos que ali homenageavam aquele professor também eram professores, espelhados naquele exemplo.

Nos discursos, foi lembrada uma passagem emblemática. O professor Amaury, então Diretor do CNF, ao realizar a entrevista de boas-vindas ao professor Monteiro, recém-contratado, pergunta: “Professor Monteiro, o que o senhor veio fazer aqui no Colégio?” O professor Monteiro, muito sem graça pela resposta óbvia que iria dar, diz: “Ora, professor, vim ensinar inglês!” O que imediatamente foi rebatido pelo Diretor: “Não, senhor! O senhor veio formar Homens! Se der tempo, ensine inglês!”

Parabéns, professor Délio Freire! Que esta justa homenagem que lhe foi prestada seja estendida a todos os professores deste país. Que seu esforço, dedicação e, por que não dizer, sacrifício sirvam de exemplo para que muitos possam alcançar seus próprios objetivos.

O professor Délio Freire, representando todos os professores e servidores que ali passaram, honrou o trecho do hino do CNF que está no topo do nosso site e que diz:

“Do estudo um campo de batalha nós faremos… Para aprender… E triunfar.

 

 

Estiveram presentes:

Professor Délio Freire – o homenageado – CNF de 1958 a 1977

Professora Herly de Albuquerque Freire, sua esposa;

Suas filhas

Viviane com seu filho Marcelo e a namorada Júlia; e

Annie com o marido Jorge.

E os seguintes ex-alunos:


CRISTINA Mastrângelo Moreira – 69/70

FERNÃO Gondin da Fonseca – 59/65

LEANDRO Erthal – 73/77

MARIA ALICE Antunes – 59/60

PAULO César Machado Pinto de Souza – PAULINHO PEROBO – 56/62 e KATIA – que saíram antes das fotos.

Paulo Rogério da Silva MUSSI – 58/64

RAMIRO de Mattos Florence – 59/65

RÔMULO Keller Rodrigues – 73/77

SÍLVIO Henriques de Lira – 63/68

VITOR Henriques de LIRA – 58/64

 

Veja as fotos do evento

 

  • JOSE CARDOSO DA CUNHA FILHO

    Enorme alegria por essa justa e merecida homenagem. Aliás, homenageando Délio estamos igualmente homenageando todos os demais professores, funcionários, cônjuges, amigos e ex-alunos do Colégio Nova Friburgo. Felicidade maior ainda ao rever nas fotos pessoas queridas, saudáveis, bonitas, vivendo as suas vidas com a marca e a graça que somente o CNF soube proporcionar a todos os que, de alguma forma, passaram por ele, ou melhor, que tiveram o privilegio do CNF passar em suas existências, ficando na memoria PARA SEMPRE.

  • Afonso Chermont

    O caro professor Délio Freire não foi somente um bom
    professor de física e matemática. Foi um
    formador de caráter. Um exemplo de vida, um amante da arte de ensinar.

    Conheci o jovem professor em 1958 e o admiro aquele que sempre
    deu demonstrações de correção.

    Justa a homenagem ao grande homem: O Mestre Délio Freire.

    Desejo a si e a Profa. Herli e sua família muita saúde.


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