Abalos da Lei – José Altino Machado

Publicado por em fev 18, 2017 em Artigos, Blog | 0 comments

ABALOS DA LEI

Chamada de capa em revista de circulação nacional nos traz: “Acelera, Fachin”. Tudo bem nada a opor, se o Brasil fosse um grande e divertido autódromo. Também tudo bem, não fora o tal Fachin um Ministro da mais alta corte brasileira, não nos sendo possível tê-lo como companheiro de arquibancada em jogos de torcida. Mais bem ainda, estariam as coisas se a imprensa como um todo se limitasse a noticiar, até mesmo denunciar o mau, sem, entretanto participar de ritos processuais ou julgamentos de acusados. Deveres estes exclusivos da Justiça…

O período que atravessamos, senão novidade ate então nos era incomum. Este novo estranho instrumento “jurídico”, onde acusado confesso em prisão, permuta atenuantes e regalias delatando os outros transformando sua palavra em poço de poder e verdades, têm ocasionado atropelos e dificuldades a verdadeira aplicação da justiça; principalmente com sua apressada divulgação ao público. Por outro lado se pássaros não mais colocamos em gaiola para que cantem magistrados de agora (alguns) o fazem, abusando da opinião publica e de seus clamores que lhes têm dado suporte, fazendo com que a  lei se torne solitária e postergada ao aguardo de melhores tempos ou homens.

Quanto a isso, a revolução francesa nos deu belo exemplo. Quando condenados políticos contrários aos desejos do poder que assumira eram degolados, o sangue jorrando levava a massa ao delírio, até que para ali também foram aqueles que antes os haviam enviado. E que se diga, a vibração da turba para eles foi a mesma dos anteriores.

E esta charada é inerente à humanidade, na história o imperador romano Teodósio quando vitorioso e vencida as dificuldades pelas quais fora denegrido, já afirmava: “O povo nem sempre é o melhor juiz de seus líderes”.

Em dias de hoje meio a tantos acusados, suspeitos ou mesmo safados, o que compromete políticos sérios e com bons propósitos, têm que se levar em conta que quase em maioria, possuem mandatos eletivos, com poderes conferidos pela própria sociedade. Mas, que se diga, nela reside o direito ao erro, principalmente por desinformação. Portanto, devemos cuidar para que condutas e exemplos de tais canalhas não venham a contaminar ou abalar as mais sagradas estruturas do país; principalmente aquelas nas quais o cidadão ancora todos os seus direitos e quiçá a própria vida.

Valores e patrimônios roubados se tornam bem mínimos, quando próximo a estes desarranjos proporcionados a nossas organizações e a moralidade nacional. Têm eles retirado prudência, ponderação e serenidade até para funcionamento dos poderes, aos quais, respeitos tem abandonado legando apenas temeridade por companheira.

Vaidades assumiram postos de relevância nas condutas de nossos mais preciosos guardiões da ordem e em todos os níveis. Aplausos, fama, simpatias e ambições se tornaram mais importantes que o bom cumprimento do dever, o que seria obrigação de qualquer um.

A preferência ao binômio “política-corrupção” acompanhado dos pretendidos castigos, com todos seus brilhos impressionáveis, tem deixado a sociedade ao abandono de atenções e prisioneira de verdadeiros e reconhecidos problemas de extrema gravidade.

É notável o agigantamento de organizações criminosas, o seu rico status, armamentos e expansão de seus domínios, sobretudo com aplicação de extrema violência. E têm sido, até aqui, incontroláveis. Em nossas prisões tais organizações promoveram uma insana carnificina jamais vista em nosso solo pátrio, e em poucos dias, praticamente ultrapassou o Estado Islâmico, “expert” no corte de cabeças. Quase trezentos subiram ou desceram aos infernos.

Em nossos órgãos de controles se tornou claro o alheamento, mesmo todos pressentindo que pouco demora em que assumam o país. O boquirroto Ministro responsável daquela hora, agora calado e “bonzinho”, como prêmio foi indicado para corte bem mais alta.

E deste contexto ninguém mais tem cuidado, talvez como devesse. Da própria barulhenta juventude em Ministério Público nem uma palavra, pois o assunto é ruim e não existem glamour nem participação de torcidas ululantes em multidões. Juízes de execuções penais, chocados e sem ação, preferem estar silentes e distantes deste assunto. Também polícias acuadas e vezes mal tratadas, preferem não se intrometer.

Restando a imprensa, onde vez por outra também me intrometo, noticias mais não dão e sequer buscam cobrar as devidas apurações das ditas crueldades.  Não induzem sequer a procura de responsáveis sanguinários destes bárbaros eventos. Impressiona parecer estarmos em estado de choque, com medo, ou em infindável guerra assumida.

Neste estranho comportamento com que o país vivência, tem se perdido segurança para criar família e confiança em nossos gestores de controles legais, que tanto nos tem assustado com seus procedimentos, alguns em proveito próprio.

Jose Altino Machado

E mail:zealtino@uol.com.br