Casablanca sem fumaça

Publicado por em nov 28, 2017 em Artigos, Blog | 1 comment

Casablanca sem Fumaça

 

Afonso Brito Chermont (*)

 

Recebi um vídeo, do meu amigo Fernando Martins Franco, conhecido no nosso Colégio Novo Friburgo como Feijãozinho, sobre o filme Casablanca.

Feijãozinho tinha um irmão, mais velho, que já estudava no CNF e que tinha o apelido de Feijão, então, passaram a chamá-lo pelo diminuitivo de feijão e aí ficou até hoje. Assim como eu era chamado de Chermontzinho, pois meu irmão, mais velho também, lá estudava. Paulo ganhou um apelido, Jack Palance, o que me permitiu libertar do Chermontzinho, que não fazia justiça devido ao meu tamanho avantajado.

Havia outros exemplos de apelidos de irmãos bastante notáveis: Os três Caminha – denominados: Caminha, Caminhão e Camionete; os Luz: Luz e Lamparina.

Voltando ao vídeo Casablanca, que o Feijãozinho mandou para mim: uma reprodução do filme famoso da década de 40 que se tornou um clássico do cinema. A atriz Ingrid Bergman, o ator Humphrey  Bogart,  o pianista Dooley Wilson e a música As Time Goes By são sucessos até hoje lembrados (pelos mais velhos, por aqueles que gostam de cinema, por quem gosta de música como o meu amigo Silvério Ortiz).

Casablanca, o filme, eu assisti mais de uma vez: no Eldorado, cinema tradicional de Nova Friburgo e vi, ainda, no cinema do CNF que passava toda quarta-feira e tínhamos direito a um drops na entrada de cada secção.

O filme passado em Casablanca, Marrocos, durante a segunda guerra, boa parte do tempo em um restaurante que era, também, uma casa noturna. O personagem de Bogart encontra sua antiga paixão e aí começa um drama de amor muito marcante, especialmente pela música, muito bonita e interpretada pelo cantor americano com voz rouca e aveludada.

O filme tinha outra característica: fumavam todos. O cigarro criava um ambiente que ajudava ou dava ênfase ao amor e ao drama. Quando estavam no restaurante havia uma fumaça branca que envolvia a tudo e a todos. Hoje tenho certeza de que a minha geração decidiu fumar achando ser a melhor coisa do mundo. A inspiração ficava exacerbada; as pessoas passavam a ser mais bonitas, e por aí vai. Eu decidi fumar, embora fosse ligado ao esporte, muito em função daquele filme. Achei, à época, que fumar era um ato que realçava as pessoas. Era charmoso fumar!

Tenho, hoje, convicção que o filme foi um marketing da indústria do cigarro. Hoje eu penso: como pode algo que faz tão mal a saúde, de odor terrível, causar uma atração e se tornar uma constante na vida das pessoas.

A propaganda ao invés de orientar, no caso do cigarro, levou uma grande parte das pessoas a adotar o produto que não tem nada de saudável à vida humana a se tornar algo de consumo atrativo. Consegui deixar de fumar faz mais de trinta anos e foi a melhor coisa na minha vida.

O vídeo em que Feijãozinho mandou o filme está remasterizado e não aparece a fumaça do cigarro. Recebi com muito gosto. Mandei para meus amigos e tenho, de volta, manifestações de que se trata de notável obra do cinema americano. Todos fazem menção a beleza da música e sua interpretação.

O vídeo é lindo e por ter passado pela limpeza tão importante da fumaça ficou ainda mais bonito.

 

Novembro de 2017

(*) CNF 58/64

  • Feijão Zinho

    Muito bom artigo, Afonso! Escreveu muito bem.

    Eu acho que comecei a fumar para parecer mais velho e entrar nos filmes impróprios para menores de 14 anos no Eldorado. Às vezes enganava…mas nem sempre.

    A gente viajava de Matão para São Paulo, onde ficávamos no Hotel Terminus na Av Ipiranga, centro da cidade. Éramos sete: O Lunardi, os tres Grossmans Johnny, Robbie e Ruddie (Grude), Patrick Sedon, meu irmão Eduardo e eu. E ali vendia-se cigarros americanos como LM e Malboro a preços convidativos. Todos nós comprávamos e chegávamos no CNF com alguns. Mas acho que paramos na capital somente em 56 e 57. Eu tinha apenas 10 ou 11 anos e já queria ensaiar fumar.

    Mas foi para entrar no cinema impróprio para menores de 14 anos que fiquei mais motivado. E fumei até fevereiro de 87. Nove meses depois, em novembro, fui atropelado por carros de assaltantes e polícia em perseguição. O dos assaltantes me derrubou da moto parada e o da polícia passou por cima me deixando com 46 fraturas. Acho que se não tivesse deixado de fumar não teria energia para sobreviver. Tenho a convicção que parar de fumar salvou minha vida!