Blog

Márcio Albano de Freitas Matos – Marreco

Postado por em ago 7, 2017 Blog, Notas de Falecimento | 1 comentário

Márcio Albano de Freitas Matos – Marreco

CNF de 1960 a 1971

A mais longa permanência de um aluno no Colégio. Doze anos de CNF.

 

Lamento informar a todos que o nosso querido colega “Marreco” faleceu em 25 de maio de 2016.

Segundo informação de seu filho, ele teve um AVE (acidente vascular encefálico) isquêmico seguido para hemorrágico. Ficou internado por cinco dias no CTI, até que seu coração não resistiu mais.

Infelizmente, só fui notificado agora.

Aí está uma foto dele.

Marreco

Caminhada II – Afonso Chermont

Postado por em maio 18, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Caminhada II

Afonso Brito Chermont (*)

O Portal da Amazônia é bom lugar para se caminhar muito, em função de Belém ter trânsito de automóvel bastante intenso. Na caminhada, nesse lugar menos conturbado, reflito sobre a vida, ou tendo maior pretensão, sobre a Economia do estado do Pará.
Isso me veio à cabeça motivado pela quantidade de navios que ancoram do outro lado da Bahia do Guajará e Rio Guamá, na expectativa de atracar no porto de Barcarena, para o carregamento dos lingotes de alumínio. Esses lingotes são produzidos, finalmente, nessa região, nas proximidades de Belém.
O processo industrial tem início, desde a mina, em Paragominas, onde é extraída a bauxita transportada para Barcarena e, posteriormente, transformada em alumina e, finalmente, chegar ao alumínio. No processo industrial, um dos insumos importantes, talvez o mais importante, é a energia despendida, vinda de Tucuruí. A complexidade do processo envolve uma quantidade de pessoas com qualificação. Desde a extração do minério, o transporte da mina até a indústria em Barcarena, o embarque em lingotes do porto para o exterior, nos dá certeza das tecnologias desenvolvidas e nos faz imaginar o quanto de conhecimento está contido nesse conjunto industrial.
Também reflito sobre as pessoas que habitavam essa região antes da descoberta de minérios. Eram ribeirinhos que viviam da coleta, da pesca artesanal e da criação de animais. Penso que hoje fazem parte do processo industrial do alumínio levando sua força física para o crescimento da atividade.
Hoje, tais pessoas estão ou continuam pobres como no passado. Se o setor industrial cresceu, se tecnologias foram adquiridas e adotadas, se há toda essa complexidade no processamento industrial, isso não significou desenvolvimento. Desenvolvimento no sentido amplo do conceito. Persiste a pobreza e ela se evidencia com os baixíssimos índices de desenvolvimento humano.
Lembro-me de um então Governador do Pará que dizia, revelando total indignação: — O Estado do Pará é tão rico (referindo-se aos recursos minerais) e tem um povo tão pobre.
Venho ao longo de minha vida profissional tentando explicação para essa circunstância. Duas justificativas se afiguram e de difícil solução: uma, que se refere à política tributária, que não admite impostos para os bens produzidos, que se destinam ao mercado externo. A chamada Lei Kandir isenta do imposto estadual (ICMS) o produto que vai para o exterior e, assim, o Governo não arrecada e não pode investir nas áreas consideradas prioritárias, o que mantém o povo, permanentemente, em nível de pobreza; a outra justificativa ou explicação é a que trata de tecnologia. Em plena Revolução Tecnológica nos no Pará, não percebemos a revolução que o mundo está atravessando. Não desenvolvemos tecnologias e entendemos que, comprando técnicas, muitas vezes de outros países, estamos resolvendo o problema da atividade industrial.
A crise pela qual passa o país, com a indignação sobre a identificação da corrupção que assola o Brasil, nos permite raciocinar que estamos muito distantes de uma reforma tributária que corrija essa distorção. Não há ambiente no Brasil para uma reforma dessa magnitude!
Então, temos que nos contentar, melhor, aceitar, ver o povo pobre, sem emprego, sem perspectiva, sem que nada possa ser feito para mudar esse quadro obscuro que atravessa. Que o estado do Pará é rico não temos a menor dúvida, basta ver as exportações crescentes que as estatísticas indicam, porém sem que haja benefícios ao povo paraense.
Quando estudei em Nova Friburgo tive a oportunidade de ser aluno de um professor que, nas aulas de Geografia Econômica, antevia que nas duas décadas seguintes o Brasil seria uma grande potência mundial. Isso, lá pelos meados do século XIX, deu-me a impressão, com o processo de industrialização que se iniciou com Juscelino Kubitschek, que o gigante havia despertado. O país, eminentemente agrícola, como escrevia Aroldo de Azevedo, havia se transformado em produtor de bens industrializados.
O Pará possui, hoje, nove regiões de extração de minérios, constituindo-se no estado de maior potencial de minérios e com riquezas no subsolo sem comparação no Brasil. A continuidade desse processo perverso de extração de minerais, sem agregação de valor, manterá duradouros os níveis de pobreza.

CNF de 1958 a 1964
Abril de 2017

 

Choppapo de maio

Postado por em maio 4, 2017 Blog | 3 comentários

O Choppapo de maio de 2017 foi muito bom, como sempre.

Tivemos a presença do Lino Barreira (irmão do Cid e do Sérgio) pela primeira vez. Seja bem-vindo, Lino. Venha sempre.

A Beany (filha dos Professores Ezequiel e Euny) veio de novo ao Choppapo e o abrilhantou com sua beleza e simpatia.

 

Os felizes Genefistas e Cenefistas presentes ontem, 3/5/2017 na Taberna Atlântica, em ordem alfabética, foram os seguintes:

 

BEANY Guimarães Monteiro – 73/77

DAVIS Tendler – PACHECO – 58/65

FERNÃO Gondin da Fonseca – 59/65

Henrique Guilherme BORK – 50/57

JULO de Miranda – 56/63

LINO Barreira da Fonseca – 59/65

RAMIRO de Mattos Florence – 59/65

Sérgio Joffily – ABACATE – 54/61

SILVÉRIO Minervino Ortiz Júnior – 56/62

 

Meu Deus, como me enganei! – Clóvis Cavalcanti

Postado por em maio 2, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Meu Deus, como me enganei!

Clóvis Cavalcanti

Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti – GNF e CNF de 1952 a 1959

Presidente da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE); cloviscavalcanti.tao@gmail.com

 

No dia 10/11/2002, saiu aqui no DP (Diário de Pernambuco) um artigo meu, de opinião, intitulado “Agora, mãos à obra!” Eu falava sobre a vitória de Lula, dias antes, no segundo turno das eleições presidenciais. Dizia: “É para se pensar como será o Brasil sob o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal, não é só alguém dos grupos subalternos de nossa sociedade que vai ascender à máxima instância do executivo nacional. Trata-se de um cidadão decente, ético, de passado respeitável em todos os sentidos. De alguém que, por exemplo, nunca teve uma empregada doméstica […]. De alguém que não pôde freqüentar escola, que teve de trabalhar quando criança, que foi retirante do Nordeste, que sobreviveu sem pai, criado, junto com mais sete irmãos, por mãe corajosa e digna (como tantas neste país). Estamos diante de uma situação absolutamente nova, especialmente porque Lula tem noção de tudo isso, nunca se afastou de suas raízes, e sua trajetória política forjou-se nos embates sindicais para defesa dos direitos de uma categoria profissional. Discreto, Lula mantém fora do foco de atenções sua vida familiar, sua prática religiosa. No dia do primeiro turno das eleições deste ano, conta seu amigo Frei Betto, para comemorar os 57 anos de Lula, na casa do presidente eleito, apagou-se uma vela, cortou-se um bolo, rezaram-se o Pai Nosso e o Salmo 72 na versão de Frei Carlos Mesters (‘o bom governante escuta os pedidos dos pobres’). E foi tudo. O Brasil precisa de dirigentes assim, austeros, frugais, tanto na vida pessoal – para exemplo da Nação – quanto nas escolhas para a realização do programa de governo”.

Empolgado, eu falava mais: “Essa mensagem de luta, de severidade […], de espírito titânico, representa requisito indispensável para que se enfrentem os problemas brasileiros atuais. Entretanto, Lula sozinho será incapaz de qualquer sucesso, se não contar com seguidores em seu modo de ser e de agir. As administrações petistas no Brasil […] devem procurar emular o grande líder eleito para governar o Brasil a partir de 2003. É necessário que todos trabalhem 24 horas por dia, tal como também faz, a propósito, o atual vice-presidente da República, Marco Maciel, uma figura austera e frugal. Fala-se muito em ‘austeridade fiscal’, porque é preciso gastar dentro dos limites rigorosos das contas públicas. O Brasil, porém, precisa de um choque de austeridade em estilos de vida esbanjadores que adota. É conhecida a farra da corte brasiliense com suas mordomias, com a facilidade com que permite que seus integrantes viajem sem nenhum pudor para cima e para baixo do território nacional (e para fora dele). Um presidente austero e trabalhador tem que disciplinar o uso das receitas públicas, submetendo-as a freios que sirvam de paradigma para todos os níveis da administração pública”.

Eu comentava que, na versão clássica “do Estado do bem-estar, proposta pelo economista inglês William Beveridge (1879-1963), cumpre ao governo espantar os demônios da doença, das privações, da fome, da miséria, da falta de teto. Não se trata, portanto, de criar situações de parasitismo, luxo ou opulência. O Brasil necessita de avanços sociais nítidos assim. Não se pode admitir que a exclusão persista, sobretudo nos níveis indecentes que o País ostenta. O compromisso de Lula é claramente com o combate às carências identificadas por Beveridge, que não foi nenhum revolucionário. A assunção ao poder de alguém com sua formação deve servir para que se realize entre nós um choque de valores humanos, aproveitando o que a sociedade tem de bom (e eu estou certo de que o potencial para isso é grande). Algum antídoto para a miséria tem que se amparar em mecanismos redistributivos” cuja importância “será percebida quando ficar patente que a redistribuição da riqueza levará a menos insegurança, a menos crianças de rua, a menos sobressalto. Que é o que nós desejamos. Não se pode é tolerar a convivência do festim perdulário de uns poucos em face das enormes carências […]. Lula aqui tem que fazer o que diz o Salmo 72 (ou será que é para jogá-lo fora?): ‘Que o rei faça justiça aos humildes do povo, salve os filhos do pobre’”.

Salientei: “Infelizmente, temos visto que o sofrimento das camadas despossuídas do País não comove os que alimentam crenças obsessivas no poder do mercado de resolvê-lo. Karl Polanyi (1886-1964), na Grande Transformação, já comentava o tipo de sociedade que se regula por esse ente, quando o certo seria a sociedade regular o mercado, submetê-lo ao interesse público. Esta percepção tem se manifestado no discurso de Lula, que não quer frustrar aqueles que lhe deram o voto consagrador. É certo que os limites da realidade impõem condicionantes duros […]. Para evitar que a insensibilidade à maneira de Margaret Thatcher (1925-2013), Ronald Reagan (1911-2004) ou Augusto Pinochet (1915-2006) prevaleça, a proposta do diálogo das partes interessadas ou pacto social que Lula tem enfatizado como parâmetro de seu governo é algo que merece a maior atenção. A sociedade toda tem que ser mobilizada, inclusive como forma de capitalizar a enorme energia social que sinaliza agora o desejo de mudanças. Mãos à obra, portanto!” Meu Deus, como me enganei! Como fomos trapaceados!

 

Artigo publicado no Diário de Pernambuco em 26 de abril de 2017.

Caminhada – Afonso Chermont

Postado por em abr 23, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Caminhada 

 

Afonso Brito Chermont(*) 

 

Eu, outro dia, resolvi caminhar. Sou desses que entende que uma caminhada faz bem para o físico e para a alma. Faz bem para a parte respiratória e ao espírito, que se enche de sonhos e pensamentos. 

Escolhi o Portal da Amazônia para esse meu esforço durante uma hora. O lugar é bonito e se enquadra bem para esse tipo de atividade. Está limpo e razoavelmente bem tratado. Eu estava estreando um tênis e o aprovei. Calçou bem e é confortável para os pés. Aprovei-o mais por tê-lo comprado por menos de R$200,00, quando eu vi, na mesma loja, tênis de pouco menos de R$1.000,00. 

Gostei muito de ter sido cumprimentado por um senhor, que em um ascender e descender de cabeça me desejou um bom dia. Lembrei-me de Belém antiga quando as pessoas, invariavelmente, trocavam sorrisos e a saudação era feita com enorme prazer. Recordei de Nova Friburgo, onde estudei e onde havia um lugar, na praça Getúlio Vargas, em que as moças e rapazes faziam um footing. Olhávamos as moças e as cumprimentávamos com sorrisos. Acho que isso era o flerte; era o início de um possível relacionamento e os sorrisos identificavam alguma possibilidade. 

Continuando minha caminhada vi um casal sentado em cadeiras leves, de alumínio, bem em frente ao rio como que contemplando o volume de água que estava à sua frente. A maré estava cheia e uma brisa forte soprava em direção à terra e isso satisfazia ao casal um tanto ocioso e fora de forma. 

Mais adiante vi um grupo de pessoas, a maioria de jovens, fazendo exercício sob o comando de um treinador, com uma música que vinha de um carro som e ditava o ritmo dos movimentos, fazendo o grupo parecer bastante satisfeito. 

Seguindo, havia uma quadra esportiva multiuso  e um técnico ensinava os movimentos de esporte chamado handball. Parei para ver: destacava-se uma jovem bem alta, cujos movimentos além de rápidos, como exige o esporte, eram precisos no lançamento da bola como que driblando o goleiro. A jovem usava roupas improvisadas e calçava sapatos inadequados para aquela prática. Lembrei-me do Colégio Nova Friburgo que, quando íamos para a prática de esportes, dispúnhamos de roupas e tênis de muito boa qualidade. Lembrei de que o Ginásio de Esportes, em Friburgo era de primeira linha: quadras de diversos usos, roupas próprias para cada esporte, iluminação e vestiários completos. Essa lembrança me fez pensar no destino daquela moça que ali se esforçava. Pelo seu jeito, ela, possivelmente, deve ter pensado no esporte para romper o estágio da pobreza. Essa jovem merecia um ginásio, um tênis, roupas bonitas de atleta e o conforto para se tornar uma . 

E lá vou eu já passando da metade de minha caminhada quando fui surpreendido com um forte cheiro de maconha. Vi uma pessoa nova, que enrolava um matinho acondicionando em um papel e que, carinhosamente, refazia um cigarrinho e o consumia com imenso prazer. O cheiro é bem menos desagradável que o do cigarro comum e o prazer eu não poso identificar, pois nunca experimentei essa erva. Na minha juventude não fui um careta, mas maconha não fazia parte do meu cardápio de consumo. Bebia bastante, festivamente, muito para ter coragem de tirar uma moça para dançar, mas não tive contato com essa droga, nem com a desculpa de uso medicinal. Tive o prazer, esse sim, de praticar esportes e entendi que o esporte ajuda em muito no desenvolvimento físico e intelectual do ser humano. Não sou sedentário, pratico regularmente exercícios,  como a caminhar, achando que não terei problemas como um infarto. Os exercícios feitos continuadamente proporcionam benefícios, diminuindo os riscos de doenças cardíacas e dão à pessoa um aspecto saudável. 

Pois é, a caminhada me fez refletir  sobre: a vida saudável e de alguns exageros; me fez pensar no privilégio de ter morado em cidades em que o simples ato de cumprimentar as pessoas, embora nunca as tivesse visto, refletia educação e felicidade; me fez recordar o ato de tomar uma bebida para ter coragem de tirar uma moça para dançar, pois tinha receio de ser rejeitado e ainda sofrer a gozação dos amigos de plantão; do esporte, principalmente competindo, que me fez compreender que podia ganhar e perder e que isso estava ligado à intensidade de minha preparação; das diferenças em poder ter à minha disposição o que havia de melhor em preparação física; de não ter sido ou ficado dependente de qualquer vício. 

Pude sonhar e recordar e dizer que fiz algumas opções certas na minha vida, e não entender como pessoas, às vezes, com talento, se envolvem com drogas e não conseguem delas se desligar. 

Entendo, hoje, um pouco, o porquê das drogas. Não me aproximava de uma moça em um baile se não estivesse muito doido. Verdade, além do mais, elas deveriam consentir a aproximação e, aqui para nós, elas percebiam a nossa aflição e  se distanciavam ou faziam que não estavam nem aí. 

Na minha época (prefiro dizer na minha juventude) também adorava viver e as drogas levaram à morte ídolos nossos como Elvis Presley, que teve a morte resultante de falta de exercícios e o uso de drogas. De Jimi Hendrix que possivelmente morreu de overdose de drogas. Todos no auge de suas carreiras. 

 

Abril de 2017 

(*) CNF 58/64 

Choppapo-Rio – março de 2017

Postado por em mar 9, 2017 Blog, Choppapos, Choppapos no Rio | 1 comentário

Na noite de 8 de março estiveram, na Taberna Atlântica, para a reunião mensal dos Genefistas e Cenefistas de todos os tempos os seguintes colegas:

 

BEANY Guimarães Monteiro – 73/77

Carlos Caldas GALLOIS – 55/56 e SÔNIA

DARLAN Schottz Ferreira – 73/77

DAVIS Tendler – PACHECO – 58/65

Elisabeth Araújo Jorge Marques de Oliveira – BEBETH – 59/65

FERNÃO Gondin da Fonseca – 59/65 e VERA

Henrique Guilherme BORK – 50/57

Luiz Felipe PUPE de Miranda – 57/58 e EDY

MARCIO Otero Dornelles – 56/62

MARIA ALICE Antunes – 59/60

MÁRIO CAPELLUTO – 58/61 e ODÍLIA

RAMIRO de Mattos Florence – 59/65

SILVÉRIO Minervino Ortiz Júnior – 56/62

 

A noite foi, como sempre, muito alegre e quem esteve lá passou bons momentos recordando os velhos tempos de Nova Friburgo.

Como nota especial deste Choppapo registro a presença de dois colegas dos anos 70 – Beany e Darlan – que muito abrilhantaram a reunião. Esperamos que esta seja a primeira de muitas participações.

Um outro destaque foi o aniversário da Bebeth (em 23 de fevereiro) que mereceu uma comemoração especial no Choppapo.

Obs. As fotos abaixo foram tiradas pela Bebeth e por mim, Fernão.

Abalos da Lei – José Altino Machado

Postado por em fev 18, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

ABALOS DA LEI

Chamada de capa em revista de circulação nacional nos traz: “Acelera, Fachin”. Tudo bem nada a opor, se o Brasil fosse um grande e divertido autódromo. Também tudo bem, não fora o tal Fachin um Ministro da mais alta corte brasileira, não nos sendo possível tê-lo como companheiro de arquibancada em jogos de torcida. Mais bem ainda, estariam as coisas se a imprensa como um todo se limitasse a noticiar, até mesmo denunciar o mau, sem, entretanto participar de ritos processuais ou julgamentos de acusados. Deveres estes exclusivos da Justiça…

O período que atravessamos, senão novidade ate então nos era incomum. Este novo estranho instrumento “jurídico”, onde acusado confesso em prisão, permuta atenuantes e regalias delatando os outros transformando sua palavra em poço de poder e verdades, têm ocasionado atropelos e dificuldades a verdadeira aplicação da justiça; principalmente com sua apressada divulgação ao público. Por outro lado se pássaros não mais colocamos em gaiola para que cantem magistrados de agora (alguns) o fazem, abusando da opinião publica e de seus clamores que lhes têm dado suporte, fazendo com que a  lei se torne solitária e postergada ao aguardo de melhores tempos ou homens.

Quanto a isso, a revolução francesa nos deu belo exemplo. Quando condenados políticos contrários aos desejos do poder que assumira eram degolados, o sangue jorrando levava a massa ao delírio, até que para ali também foram aqueles que antes os haviam enviado. E que se diga, a vibração da turba para eles foi a mesma dos anteriores.

E esta charada é inerente à humanidade, na história o imperador romano Teodósio quando vitorioso e vencida as dificuldades pelas quais fora denegrido, já afirmava: “O povo nem sempre é o melhor juiz de seus líderes”.

Em dias de hoje meio a tantos acusados, suspeitos ou mesmo safados, o que compromete políticos sérios e com bons propósitos, têm que se levar em conta que quase em maioria, possuem mandatos eletivos, com poderes conferidos pela própria sociedade. Mas, que se diga, nela reside o direito ao erro, principalmente por desinformação. Portanto, devemos cuidar para que condutas e exemplos de tais canalhas não venham a contaminar ou abalar as mais sagradas estruturas do país; principalmente aquelas nas quais o cidadão ancora todos os seus direitos e quiçá a própria vida.

Valores e patrimônios roubados se tornam bem mínimos, quando próximo a estes desarranjos proporcionados a nossas organizações e a moralidade nacional. Têm eles retirado prudência, ponderação e serenidade até para funcionamento dos poderes, aos quais, respeitos tem abandonado legando apenas temeridade por companheira.

Vaidades assumiram postos de relevância nas condutas de nossos mais preciosos guardiões da ordem e em todos os níveis. Aplausos, fama, simpatias e ambições se tornaram mais importantes que o bom cumprimento do dever, o que seria obrigação de qualquer um.

A preferência ao binômio “política-corrupção” acompanhado dos pretendidos castigos, com todos seus brilhos impressionáveis, tem deixado a sociedade ao abandono de atenções e prisioneira de verdadeiros e reconhecidos problemas de extrema gravidade.

É notável o agigantamento de organizações criminosas, o seu rico status, armamentos e expansão de seus domínios, sobretudo com aplicação de extrema violência. E têm sido, até aqui, incontroláveis. Em nossas prisões tais organizações promoveram uma insana carnificina jamais vista em nosso solo pátrio, e em poucos dias, praticamente ultrapassou o Estado Islâmico, “expert” no corte de cabeças. Quase trezentos subiram ou desceram aos infernos.

Em nossos órgãos de controles se tornou claro o alheamento, mesmo todos pressentindo que pouco demora em que assumam o país. O boquirroto Ministro responsável daquela hora, agora calado e “bonzinho”, como prêmio foi indicado para corte bem mais alta.

E deste contexto ninguém mais tem cuidado, talvez como devesse. Da própria barulhenta juventude em Ministério Público nem uma palavra, pois o assunto é ruim e não existem glamour nem participação de torcidas ululantes em multidões. Juízes de execuções penais, chocados e sem ação, preferem estar silentes e distantes deste assunto. Também polícias acuadas e vezes mal tratadas, preferem não se intrometer.

Restando a imprensa, onde vez por outra também me intrometo, noticias mais não dão e sequer buscam cobrar as devidas apurações das ditas crueldades.  Não induzem sequer a procura de responsáveis sanguinários destes bárbaros eventos. Impressiona parecer estarmos em estado de choque, com medo, ou em infindável guerra assumida.

Neste estranho comportamento com que o país vivência, tem se perdido segurança para criar família e confiança em nossos gestores de controles legais, que tanto nos tem assustado com seus procedimentos, alguns em proveito próprio.

Jose Altino Machado

E mail:zealtino@uol.com.br

 

Com o Papa Francisco no Vaticano – Clóvis Cavalcanti

Postado por em fev 17, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Clovis e o PapaCom o Papa Francisco no Vaticano

Clóvis Cavalcanti
Presidente da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE)
cloviscavalcanti.tao@gmail.com

Publicado no Diário de Pernambuco de 23/12/2016

 

 

              Nunca imaginei que iria ter a oportunidade de conversar com um papa da igreja católica romana no Vaticano. Conversar, e não simplesmente ver Sua Santidade. Pois isso aconteceu no dia 23 de novembro deste ano. Desde que li a encíclica papal Laudato Si’, logo que ela foi publicada em maio de 2015, senti o desejo de colaborar com o Vaticano na difusão e aplicação dos ensinamentos nela contidos. É que o texto do Papa Francisco contém a essência da área científica a que tenho dedicado meus esforços desde meados nos anos 1980 – a economia ecológica. O que é isso? Uma nova visão de mundo, um novo paradigma que vê o sistema econômico como uma parte do grande todo que é o ecossistema global. Trata-se, na verdade, de uma disciplina que não se enquadra dentro da moldura da ciência econômica convencional: ela não é um ramo daquilo que os economistas estudam, cujo modelo do sistema econômico corresponde a o que a física classifica de sistema isolado. Para os economistas ecológicos, ao contrário, o sistema econômico constitui um sistema aberto (existem ainda os sistemas fechados), com entradas e saídas de matéria e energia, sob o regime da implacável Segunda Lei da Termodinâmica, a da Entropia.

             Clovis e o Papa 5Na encíclica Laudato Si’, o raciocínio se desenvolve inteiramente no âmbito do pensamento econômico-ecológico, cujas bases podem ser encontradas no livro seminal de Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), The Entropy Law and the Economic Process (de 1971). É esse pensamento que deu origem à Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE, sigla em inglês), criada em 1987 e para cuja presidência fui eleito em janeiro deste ano. Nessa minha condição, desde que me lançaram candidato, propus que deveríamos nos aproximar do Sumo Pontífice. Houve discussão sobre as implicações desse envolvimento, natural numa organização científica que congrega pesquisadores de origens religiosas diversas, além de ateus. Mas, no fim, por unanimidade, minha proposta foi aprovada. E eu tratei de buscar o encontro com o Papa Francisco. Graças a amigos argentinos, cheguei a seu secretário particular, o padre Fabián Padocchio.

                Vera beija o anel do PapaAssim, no dia 23 de novembro último, foi marcada a audiência no Vaticano. Fui (nosso grupo podia ter até 5 pessoas) com Vera, minha mulher, e o estrategista eco-social Stuart Scott, um judeu americano com histórico de trabalho em Wall Street. Iria conosco também o arcebispo Seraphim Kikotis, do Patriarcado de Alexandria da Igreja Ortodoxa Oriental, filiado à ISEE e membro de um comitê que discute a mudança climática. De última hora, ele ficou impossibilitado de viajar. No dia da audiência, recebemos um convite (branco), que nos colocava no meio de uma platéia de 800 pessoas. Na entrada, ele foi trocado por um verde, o qual nos punha entre cerca de 100 religiosos do evento. Já nesse grupo, alguém do protocolo nos disse que nosso convite seria o amarelo, o das 25 pessoas que falariam com o Papa. Assim, nos sentamos na primeira fila de cadeiras. Para ela Francisco se dirigiu ao fim de orações e leituras do Evangelho em várias línguas. Meu número de assento era o 9; o de Vera, o 8 (Stuart era o 12). Enquanto Vera beijava o anel do Santo Padre, fui direto à conversa. Falamos o suficiente para um acerto de perspectivas e início de cooperação. Francisco segurava a mão de Vera enquanto ele e eu falávamos, o que impediu Vera de acionar logo seu celular para fotos e filmagem. Mas tudo ficou registrado pelo Osservatore Romano. Mais que isso, o Papa e eu iniciamos aquilo que eu buscava: entendimento entre a ISEE e a Santa Sé. Para mim, mais tarde, parecia que eu conseguira o impossível. Um sonho.

Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti – GNF e CNF de 1952 a 1959

Nota: A primeira foto foi tirada por Vera, mulher de Clóvis. As duas outras têm copyright do Vaticano. Foram compradas por Clóvis e seu uso é restrito.

Colapsos ambiental e financeiro ameaçam o mundo – Clóvis Cavalcanti

Postado por em fev 15, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Colapsos ambiental e financeiro ameaçam o mundo

 

Clovis e o Papa 2

 

Clóvis Cavalcanti
Presidente da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE)
cloviscavalcanti.tao@gmail.com

Publicado no Diário de Pernambuco de 6/2/2017

 

 

 

Não se trata de exagero ou pessimismo afirmar que existe apreensão nos círculos das ciências exatas e da natureza, um pouco menos no campo das sociais, quanto a colapsos que nossa sociedade planetária pode experimentar em período não distante. O assunto figura nas preocupações do Papa Francisco, cuja Encíclica Laudato Si (Louvado Sejas), de maio de 2015, o aborda. Lê-se nela, por exemplo, que “Toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades”. Isso, porque “parece notar-se sintomas dum ponto de ruptura, por causa da alta velocidade das mudanças e da degradação, que se manifestam tanto em catástrofes naturais regionais como em crises sociais ou mesmo financeiras… Há regiões que já se encontram particularmente em risco e, prescindindo de qualquer previsão catastrófica, o certo é que o atual sistema mundial é insustentável a partir de vários pontos de vista, porque deixamos de pensar nas finalidades da ação humana”. Vale sublinhar que o documento papal não saiu da cabeça de Sua Santidade sem antes buscar sólida base científica. De fato, em maio de 2014, as Academias Pontifícias de Ciências (APC) e de Ciências Sociais (APCS) promoveram um seminário conjunto em que os temas da Encíclica foram examinados e oferecidos ao Papa para sua consideração. Do evento participaram renomados cientistas, alguns deles laureados com o Prêmio Nobel. Não por acaso, a Encíclica, na ótica da ciência, é considerada um documento irretocável. 

Certamente, uma questão grave é a da mudança climática, objeto do campo de inquietações de Francisco. Considerando o clima “um bem comum”, a Encíclica sublinha que mudanças nele “são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade”. No Nordeste do Brasil, é visível que algo preocupante está acontecendo. O desaparecimento da água potável, a escassez de chuvas, a sensação de desertificação que se experimenta com a vegetação esturricada à nossa volta não são episódios erráticos. Quem abre a torneira em casa, como um habitante do Recife, por exemplo, e vê a água saindo, não imagina o drama que a população de áreas sertanejas vivencia. Meu cunhado Valderedo, criador de gado leiteiro em Garanhuns, não tem mais como impedir que suas vacas morram.

Teme-se que, do ponto de vista do aquecimento global e do degelo do Ártico, da Groelândia e, especialmente da Antártica, o ponto de não retorno do problema já tenha sido atingido. Receios de catástrofes iminentes se manifestam. Artigo de Douglas Fox, na National Geographic, de 12/4/2016, avisa que os cientistas vêem com horror o colapso do gelo na Antártida. Nicola Jones, na revista Yale Environment, de 26/1/2017, por sua vez, registra o fato assustador de que o ano passado marcou a primeira vez em muitos milhões de anos que as concentrações de CO2 na atmosfera passaram de 400 partes por milhão. A isso tudo se acrescenta uma crise do sistema financeiro mundial por conta da dívida crescente e impagável de governos, empresas e pessoas que forçam a economia mundial a crescer a todo custo. Ou seja, para que se mantenha a crença de que a dívida será paga, não existe outra saída senão aumentar o PIB indefinidamente. Mas é isso exatamente que causa os problemas que tanto preocupam. Vale lembrar aqui o conselho de Albert Einstein (1879-1955) de que “Não podemos resolver nossos problemas com o mesmo pensamento que foi usado quando os criamos”. Está na hora de aceitar o ensinamento da Encíclica Laudato Si’ acerca da necessidade de “mudanças profundas” no nosso estilo de sociedade.

 

Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti – GNF e CNF de 1952 a 1959