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Choppapo Sampa – dezembro de 2017

Postado por em dez 8, 2017 Blog | 0 Comentários

No dia 6 de dezembro foi realizado o jantar de fim de ano de São Paulo.

Muito animado, como sempre, estiveram presentes os seguintes cenefistas:

CAIO Fabrício Ortiz – 58/64

CLÁUDIO Renato Weber Abramo – PARDAL – 58/61

Luiz Antonio FLAQUER – 61 – TOTÓ

Moyses Baffi Agreste – LIMONADA – 54/61

Silvério PENIN y Santos – 59/61

VASCO de Castro Ferraz Junior – 58/60

WANDERLEY Pires – 57/63

Casablanca sem fumaça

Postado por em nov 28, 2017 Artigos, Blog | 1 comentário

Casablanca sem Fumaça

 

Afonso Brito Chermont (*)

 

Recebi um vídeo, do meu amigo Fernando Martins Franco, conhecido no nosso Colégio Novo Friburgo como Feijãozinho, sobre o filme Casablanca.

Feijãozinho tinha um irmão, mais velho, que já estudava no CNF e que tinha o apelido de Feijão, então, passaram a chamá-lo pelo diminuitivo de feijão e aí ficou até hoje. Assim como eu era chamado de Chermontzinho, pois meu irmão, mais velho também, lá estudava. Paulo ganhou um apelido, Jack Palance, o que me permitiu libertar do Chermontzinho, que não fazia justiça devido ao meu tamanho avantajado.

Havia outros exemplos de apelidos de irmãos bastante notáveis: Os três Caminha – denominados: Caminha, Caminhão e Camionete; os Luz: Luz e Lamparina.

Voltando ao vídeo Casablanca, que o Feijãozinho mandou para mim: uma reprodução do filme famoso da década de 40 que se tornou um clássico do cinema. A atriz Ingrid Bergman, o ator Humphrey  Bogart,  o pianista Dooley Wilson e a música As Time Goes By são sucessos até hoje lembrados (pelos mais velhos, por aqueles que gostam de cinema, por quem gosta de música como o meu amigo Silvério Ortiz).

Casablanca, o filme, eu assisti mais de uma vez: no Eldorado, cinema tradicional de Nova Friburgo e vi, ainda, no cinema do CNF que passava toda quarta-feira e tínhamos direito a um drops na entrada de cada secção.

O filme passado em Casablanca, Marrocos, durante a segunda guerra, boa parte do tempo em um restaurante que era, também, uma casa noturna. O personagem de Bogart encontra sua antiga paixão e aí começa um drama de amor muito marcante, especialmente pela música, muito bonita e interpretada pelo cantor americano com voz rouca e aveludada.

O filme tinha outra característica: fumavam todos. O cigarro criava um ambiente que ajudava ou dava ênfase ao amor e ao drama. Quando estavam no restaurante havia uma fumaça branca que envolvia a tudo e a todos. Hoje tenho certeza de que a minha geração decidiu fumar achando ser a melhor coisa do mundo. A inspiração ficava exacerbada; as pessoas passavam a ser mais bonitas, e por aí vai. Eu decidi fumar, embora fosse ligado ao esporte, muito em função daquele filme. Achei, à época, que fumar era um ato que realçava as pessoas. Era charmoso fumar!

Tenho, hoje, convicção que o filme foi um marketing da indústria do cigarro. Hoje eu penso: como pode algo que faz tão mal a saúde, de odor terrível, causar uma atração e se tornar uma constante na vida das pessoas.

A propaganda ao invés de orientar, no caso do cigarro, levou uma grande parte das pessoas a adotar o produto que não tem nada de saudável à vida humana a se tornar algo de consumo atrativo. Consegui deixar de fumar faz mais de trinta anos e foi a melhor coisa na minha vida.

O vídeo em que Feijãozinho mandou o filme está remasterizado e não aparece a fumaça do cigarro. Recebi com muito gosto. Mandei para meus amigos e tenho, de volta, manifestações de que se trata de notável obra do cinema americano. Todos fazem menção a beleza da música e sua interpretação.

O vídeo é lindo e por ter passado pela limpeza tão importante da fumaça ficou ainda mais bonito.

 

Novembro de 2017

(*) CNF 58/64

Choppapo do André Chaves

Postado por em out 1, 2017 Blog, Choppapos, Choppapos no Rio | 0 Comentários

No dia 28 de setembro realizou-se, no La Mole de Ipanema, um Choppapo Extra em homenagem ao nosso colega André Meira de Vasconcelos Chaves (CNF de 1958 a 1964), o “Cabeleira”, que mora nos EEUU há muitos anos e veio ao Brasil para rever os colegas. Ele é reconhecido como um dos maiores cirurgiões de mão do mundo. Ele foi a Friburgo e visitou o CNF, revendo os locais onde passou os anos mais felizes de sua vida.

No Choppapo estiveram presentes 23 pessoas, sendo 19 cenefistas de 1956 (Julo e Bela) a 1976 (Adriana).

 

ADRIANA Elizabeth VENTURA Braga – 76

André Meira de Vasconcelos Chaves – CABELEIRA ou CAPILO – 58/64

Álvaro José Cruz Pessanha – ALVINHO – 63/65

CAIO Fabrício Ortiz – 58/64

DAVIS Tendler – PACHECO – 58/65

Elisabeth Araújo Jorge Marques de Oliveira – BEBETH – 59/65

FERNÃO Gondin da Fonseca – 59/65 e VERA

Guillaume Achiles Clair Marie ISNARD Filho – 68

João Otávio Domingues de Oliveira – 63/64 – TATAU

JULO de Miranda – 56/63

Luiz Ildefonso Simões Lopes – 63/67 – LOPINHO

Luiz Felipe PUPE de Miranda – 57/58 e EDY

Luiz Otávio Lins de Souza – BELA – 56/60

MARIA ALICE Antunes – 59/60

Maria da Glória de Freitas Christino – GLORINHA – 62/66

NESTOR Schor – 60/63

RAMIRO de Mattos Florence – 59/65

RONALDO Lo Bianco – 62/69 e CARLA

Rosemberg Gonçalves – 64/68 – BEG CLARISSE

 

 

Encontrão de Setembro de 2017

Postado por em set 24, 2017 Blog, Encontrão de Setembro | 0 Comentários

Programação de setembro de 2017

6 de setembro – quarta-feira:

  • Das 17h às 19h – Vinho Amigo na SCA.
  • Das 19:30h à meia-noite – Encontrão na Chopperia Casarão de Minas – Euterpe Friburguense 21.

7 de setembro – quinta-feira:

  • Desfile na Av. Alberto Braune. Concentração a partir das 9h, em frente ao Cadima Shopping.
  • Das 12h às 17h – Grande Churrasco, na Praça do Canhão. R$ 90,00 por pessoa.

8 de setembro – sexta-feira:

  • Das 21h à 2h – Noite de Queijos e Vinhos com o Conjunto Papoula. R$ 80,00 por pessoa.

 

Seguem-se as fotos do nosso grande encontro.

 

 

Vinho Amigo na SCA, de Ronaldo Lo Bianco

 

Concentração para o Desfile

 

Desfile

 

Churrasco

 

Noite de Queijos & Vinhos

Márcio Albano de Freitas Matos – Marreco

Postado por em ago 7, 2017 Blog, Notas de Falecimento | 1 comentário

Márcio Albano de Freitas Matos – Marreco

CNF de 1960 a 1971

A mais longa permanência de um aluno no Colégio. Doze anos de CNF.

 

Lamento informar a todos que o nosso querido colega “Marreco” faleceu em 25 de maio de 2016.

Segundo informação de seu filho, ele teve um AVE (acidente vascular encefálico) isquêmico seguido para hemorrágico. Ficou internado por cinco dias no CTI, até que seu coração não resistiu mais.

Infelizmente, só fui notificado agora.

Aí está uma foto dele.

Marreco

Caminhada II – Afonso Chermont

Postado por em maio 18, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Caminhada II

Afonso Brito Chermont (*)

O Portal da Amazônia é bom lugar para se caminhar muito, em função de Belém ter trânsito de automóvel bastante intenso. Na caminhada, nesse lugar menos conturbado, reflito sobre a vida, ou tendo maior pretensão, sobre a Economia do estado do Pará.
Isso me veio à cabeça motivado pela quantidade de navios que ancoram do outro lado da Bahia do Guajará e Rio Guamá, na expectativa de atracar no porto de Barcarena, para o carregamento dos lingotes de alumínio. Esses lingotes são produzidos, finalmente, nessa região, nas proximidades de Belém.
O processo industrial tem início, desde a mina, em Paragominas, onde é extraída a bauxita transportada para Barcarena e, posteriormente, transformada em alumina e, finalmente, chegar ao alumínio. No processo industrial, um dos insumos importantes, talvez o mais importante, é a energia despendida, vinda de Tucuruí. A complexidade do processo envolve uma quantidade de pessoas com qualificação. Desde a extração do minério, o transporte da mina até a indústria em Barcarena, o embarque em lingotes do porto para o exterior, nos dá certeza das tecnologias desenvolvidas e nos faz imaginar o quanto de conhecimento está contido nesse conjunto industrial.
Também reflito sobre as pessoas que habitavam essa região antes da descoberta de minérios. Eram ribeirinhos que viviam da coleta, da pesca artesanal e da criação de animais. Penso que hoje fazem parte do processo industrial do alumínio levando sua força física para o crescimento da atividade.
Hoje, tais pessoas estão ou continuam pobres como no passado. Se o setor industrial cresceu, se tecnologias foram adquiridas e adotadas, se há toda essa complexidade no processamento industrial, isso não significou desenvolvimento. Desenvolvimento no sentido amplo do conceito. Persiste a pobreza e ela se evidencia com os baixíssimos índices de desenvolvimento humano.
Lembro-me de um então Governador do Pará que dizia, revelando total indignação: — O Estado do Pará é tão rico (referindo-se aos recursos minerais) e tem um povo tão pobre.
Venho ao longo de minha vida profissional tentando explicação para essa circunstância. Duas justificativas se afiguram e de difícil solução: uma, que se refere à política tributária, que não admite impostos para os bens produzidos, que se destinam ao mercado externo. A chamada Lei Kandir isenta do imposto estadual (ICMS) o produto que vai para o exterior e, assim, o Governo não arrecada e não pode investir nas áreas consideradas prioritárias, o que mantém o povo, permanentemente, em nível de pobreza; a outra justificativa ou explicação é a que trata de tecnologia. Em plena Revolução Tecnológica nos no Pará, não percebemos a revolução que o mundo está atravessando. Não desenvolvemos tecnologias e entendemos que, comprando técnicas, muitas vezes de outros países, estamos resolvendo o problema da atividade industrial.
A crise pela qual passa o país, com a indignação sobre a identificação da corrupção que assola o Brasil, nos permite raciocinar que estamos muito distantes de uma reforma tributária que corrija essa distorção. Não há ambiente no Brasil para uma reforma dessa magnitude!
Então, temos que nos contentar, melhor, aceitar, ver o povo pobre, sem emprego, sem perspectiva, sem que nada possa ser feito para mudar esse quadro obscuro que atravessa. Que o estado do Pará é rico não temos a menor dúvida, basta ver as exportações crescentes que as estatísticas indicam, porém sem que haja benefícios ao povo paraense.
Quando estudei em Nova Friburgo tive a oportunidade de ser aluno de um professor que, nas aulas de Geografia Econômica, antevia que nas duas décadas seguintes o Brasil seria uma grande potência mundial. Isso, lá pelos meados do século XIX, deu-me a impressão, com o processo de industrialização que se iniciou com Juscelino Kubitschek, que o gigante havia despertado. O país, eminentemente agrícola, como escrevia Aroldo de Azevedo, havia se transformado em produtor de bens industrializados.
O Pará possui, hoje, nove regiões de extração de minérios, constituindo-se no estado de maior potencial de minérios e com riquezas no subsolo sem comparação no Brasil. A continuidade desse processo perverso de extração de minerais, sem agregação de valor, manterá duradouros os níveis de pobreza.

CNF de 1958 a 1964
Abril de 2017

 

Choppapo de maio

Postado por em maio 4, 2017 Blog | 3 comentários

O Choppapo de maio de 2017 foi muito bom, como sempre.

Tivemos a presença do Lino Barreira (irmão do Cid e do Sérgio) pela primeira vez. Seja bem-vindo, Lino. Venha sempre.

A Beany (filha dos Professores Ezequiel e Euny) veio de novo ao Choppapo e o abrilhantou com sua beleza e simpatia.

 

Os felizes Genefistas e Cenefistas presentes ontem, 3/5/2017 na Taberna Atlântica, em ordem alfabética, foram os seguintes:

 

BEANY Guimarães Monteiro – 73/77

DAVIS Tendler – PACHECO – 58/65

FERNÃO Gondin da Fonseca – 59/65

Henrique Guilherme BORK – 50/57

JULO de Miranda – 56/63

LINO Barreira da Fonseca – 59/65

RAMIRO de Mattos Florence – 59/65

Sérgio Joffily – ABACATE – 54/61

SILVÉRIO Minervino Ortiz Júnior – 56/62

 

Meu Deus, como me enganei! – Clóvis Cavalcanti

Postado por em maio 2, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Meu Deus, como me enganei!

Clóvis Cavalcanti

Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti – GNF e CNF de 1952 a 1959

Presidente da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE); cloviscavalcanti.tao@gmail.com

 

No dia 10/11/2002, saiu aqui no DP (Diário de Pernambuco) um artigo meu, de opinião, intitulado “Agora, mãos à obra!” Eu falava sobre a vitória de Lula, dias antes, no segundo turno das eleições presidenciais. Dizia: “É para se pensar como será o Brasil sob o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal, não é só alguém dos grupos subalternos de nossa sociedade que vai ascender à máxima instância do executivo nacional. Trata-se de um cidadão decente, ético, de passado respeitável em todos os sentidos. De alguém que, por exemplo, nunca teve uma empregada doméstica […]. De alguém que não pôde freqüentar escola, que teve de trabalhar quando criança, que foi retirante do Nordeste, que sobreviveu sem pai, criado, junto com mais sete irmãos, por mãe corajosa e digna (como tantas neste país). Estamos diante de uma situação absolutamente nova, especialmente porque Lula tem noção de tudo isso, nunca se afastou de suas raízes, e sua trajetória política forjou-se nos embates sindicais para defesa dos direitos de uma categoria profissional. Discreto, Lula mantém fora do foco de atenções sua vida familiar, sua prática religiosa. No dia do primeiro turno das eleições deste ano, conta seu amigo Frei Betto, para comemorar os 57 anos de Lula, na casa do presidente eleito, apagou-se uma vela, cortou-se um bolo, rezaram-se o Pai Nosso e o Salmo 72 na versão de Frei Carlos Mesters (‘o bom governante escuta os pedidos dos pobres’). E foi tudo. O Brasil precisa de dirigentes assim, austeros, frugais, tanto na vida pessoal – para exemplo da Nação – quanto nas escolhas para a realização do programa de governo”.

Empolgado, eu falava mais: “Essa mensagem de luta, de severidade […], de espírito titânico, representa requisito indispensável para que se enfrentem os problemas brasileiros atuais. Entretanto, Lula sozinho será incapaz de qualquer sucesso, se não contar com seguidores em seu modo de ser e de agir. As administrações petistas no Brasil […] devem procurar emular o grande líder eleito para governar o Brasil a partir de 2003. É necessário que todos trabalhem 24 horas por dia, tal como também faz, a propósito, o atual vice-presidente da República, Marco Maciel, uma figura austera e frugal. Fala-se muito em ‘austeridade fiscal’, porque é preciso gastar dentro dos limites rigorosos das contas públicas. O Brasil, porém, precisa de um choque de austeridade em estilos de vida esbanjadores que adota. É conhecida a farra da corte brasiliense com suas mordomias, com a facilidade com que permite que seus integrantes viajem sem nenhum pudor para cima e para baixo do território nacional (e para fora dele). Um presidente austero e trabalhador tem que disciplinar o uso das receitas públicas, submetendo-as a freios que sirvam de paradigma para todos os níveis da administração pública”.

Eu comentava que, na versão clássica “do Estado do bem-estar, proposta pelo economista inglês William Beveridge (1879-1963), cumpre ao governo espantar os demônios da doença, das privações, da fome, da miséria, da falta de teto. Não se trata, portanto, de criar situações de parasitismo, luxo ou opulência. O Brasil necessita de avanços sociais nítidos assim. Não se pode admitir que a exclusão persista, sobretudo nos níveis indecentes que o País ostenta. O compromisso de Lula é claramente com o combate às carências identificadas por Beveridge, que não foi nenhum revolucionário. A assunção ao poder de alguém com sua formação deve servir para que se realize entre nós um choque de valores humanos, aproveitando o que a sociedade tem de bom (e eu estou certo de que o potencial para isso é grande). Algum antídoto para a miséria tem que se amparar em mecanismos redistributivos” cuja importância “será percebida quando ficar patente que a redistribuição da riqueza levará a menos insegurança, a menos crianças de rua, a menos sobressalto. Que é o que nós desejamos. Não se pode é tolerar a convivência do festim perdulário de uns poucos em face das enormes carências […]. Lula aqui tem que fazer o que diz o Salmo 72 (ou será que é para jogá-lo fora?): ‘Que o rei faça justiça aos humildes do povo, salve os filhos do pobre’”.

Salientei: “Infelizmente, temos visto que o sofrimento das camadas despossuídas do País não comove os que alimentam crenças obsessivas no poder do mercado de resolvê-lo. Karl Polanyi (1886-1964), na Grande Transformação, já comentava o tipo de sociedade que se regula por esse ente, quando o certo seria a sociedade regular o mercado, submetê-lo ao interesse público. Esta percepção tem se manifestado no discurso de Lula, que não quer frustrar aqueles que lhe deram o voto consagrador. É certo que os limites da realidade impõem condicionantes duros […]. Para evitar que a insensibilidade à maneira de Margaret Thatcher (1925-2013), Ronald Reagan (1911-2004) ou Augusto Pinochet (1915-2006) prevaleça, a proposta do diálogo das partes interessadas ou pacto social que Lula tem enfatizado como parâmetro de seu governo é algo que merece a maior atenção. A sociedade toda tem que ser mobilizada, inclusive como forma de capitalizar a enorme energia social que sinaliza agora o desejo de mudanças. Mãos à obra, portanto!” Meu Deus, como me enganei! Como fomos trapaceados!

 

Artigo publicado no Diário de Pernambuco em 26 de abril de 2017.

Caminhada – Afonso Chermont

Postado por em abr 23, 2017 Artigos, Blog | 0 Comentários

Caminhada 

 

Afonso Brito Chermont(*) 

 

Eu, outro dia, resolvi caminhar. Sou desses que entende que uma caminhada faz bem para o físico e para a alma. Faz bem para a parte respiratória e ao espírito, que se enche de sonhos e pensamentos. 

Escolhi o Portal da Amazônia para esse meu esforço durante uma hora. O lugar é bonito e se enquadra bem para esse tipo de atividade. Está limpo e razoavelmente bem tratado. Eu estava estreando um tênis e o aprovei. Calçou bem e é confortável para os pés. Aprovei-o mais por tê-lo comprado por menos de R$200,00, quando eu vi, na mesma loja, tênis de pouco menos de R$1.000,00. 

Gostei muito de ter sido cumprimentado por um senhor, que em um ascender e descender de cabeça me desejou um bom dia. Lembrei-me de Belém antiga quando as pessoas, invariavelmente, trocavam sorrisos e a saudação era feita com enorme prazer. Recordei de Nova Friburgo, onde estudei e onde havia um lugar, na praça Getúlio Vargas, em que as moças e rapazes faziam um footing. Olhávamos as moças e as cumprimentávamos com sorrisos. Acho que isso era o flerte; era o início de um possível relacionamento e os sorrisos identificavam alguma possibilidade. 

Continuando minha caminhada vi um casal sentado em cadeiras leves, de alumínio, bem em frente ao rio como que contemplando o volume de água que estava à sua frente. A maré estava cheia e uma brisa forte soprava em direção à terra e isso satisfazia ao casal um tanto ocioso e fora de forma. 

Mais adiante vi um grupo de pessoas, a maioria de jovens, fazendo exercício sob o comando de um treinador, com uma música que vinha de um carro som e ditava o ritmo dos movimentos, fazendo o grupo parecer bastante satisfeito. 

Seguindo, havia uma quadra esportiva multiuso  e um técnico ensinava os movimentos de esporte chamado handball. Parei para ver: destacava-se uma jovem bem alta, cujos movimentos além de rápidos, como exige o esporte, eram precisos no lançamento da bola como que driblando o goleiro. A jovem usava roupas improvisadas e calçava sapatos inadequados para aquela prática. Lembrei-me do Colégio Nova Friburgo que, quando íamos para a prática de esportes, dispúnhamos de roupas e tênis de muito boa qualidade. Lembrei de que o Ginásio de Esportes, em Friburgo era de primeira linha: quadras de diversos usos, roupas próprias para cada esporte, iluminação e vestiários completos. Essa lembrança me fez pensar no destino daquela moça que ali se esforçava. Pelo seu jeito, ela, possivelmente, deve ter pensado no esporte para romper o estágio da pobreza. Essa jovem merecia um ginásio, um tênis, roupas bonitas de atleta e o conforto para se tornar uma . 

E lá vou eu já passando da metade de minha caminhada quando fui surpreendido com um forte cheiro de maconha. Vi uma pessoa nova, que enrolava um matinho acondicionando em um papel e que, carinhosamente, refazia um cigarrinho e o consumia com imenso prazer. O cheiro é bem menos desagradável que o do cigarro comum e o prazer eu não poso identificar, pois nunca experimentei essa erva. Na minha juventude não fui um careta, mas maconha não fazia parte do meu cardápio de consumo. Bebia bastante, festivamente, muito para ter coragem de tirar uma moça para dançar, mas não tive contato com essa droga, nem com a desculpa de uso medicinal. Tive o prazer, esse sim, de praticar esportes e entendi que o esporte ajuda em muito no desenvolvimento físico e intelectual do ser humano. Não sou sedentário, pratico regularmente exercícios,  como a caminhar, achando que não terei problemas como um infarto. Os exercícios feitos continuadamente proporcionam benefícios, diminuindo os riscos de doenças cardíacas e dão à pessoa um aspecto saudável. 

Pois é, a caminhada me fez refletir  sobre: a vida saudável e de alguns exageros; me fez pensar no privilégio de ter morado em cidades em que o simples ato de cumprimentar as pessoas, embora nunca as tivesse visto, refletia educação e felicidade; me fez recordar o ato de tomar uma bebida para ter coragem de tirar uma moça para dançar, pois tinha receio de ser rejeitado e ainda sofrer a gozação dos amigos de plantão; do esporte, principalmente competindo, que me fez compreender que podia ganhar e perder e que isso estava ligado à intensidade de minha preparação; das diferenças em poder ter à minha disposição o que havia de melhor em preparação física; de não ter sido ou ficado dependente de qualquer vício. 

Pude sonhar e recordar e dizer que fiz algumas opções certas na minha vida, e não entender como pessoas, às vezes, com talento, se envolvem com drogas e não conseguem delas se desligar. 

Entendo, hoje, um pouco, o porquê das drogas. Não me aproximava de uma moça em um baile se não estivesse muito doido. Verdade, além do mais, elas deveriam consentir a aproximação e, aqui para nós, elas percebiam a nossa aflição e  se distanciavam ou faziam que não estavam nem aí. 

Na minha época (prefiro dizer na minha juventude) também adorava viver e as drogas levaram à morte ídolos nossos como Elvis Presley, que teve a morte resultante de falta de exercícios e o uso de drogas. De Jimi Hendrix que possivelmente morreu de overdose de drogas. Todos no auge de suas carreiras. 

 

Abril de 2017 

(*) CNF 58/64