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Dora
Bria
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Afonso
Brito Chermont
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| Certa
vez, um bom tempo depois de ter saído do
Colégio Nova Friburgo, estava eu no Rio
e, como sempre fazia quando ia a essa cidade,
contatava com meus amigos do CNF. Assim, fui ao
encontro do Bruno Kuroviski, no Bar Luiz.
Bruno
era uma das figuras mais excêntricas que
conheci. Tinha várias paixões
a maior delas era tomar uns Uísques com
seus amigos e isso poderia ser a qualquer hora
e a qualquer tempo. Um dia, então, estava
eu na sua sala no mezanino do Bar Luiz, na hora
do almoço tomando então um escocês
e falando da vida do CNF de sua casa que ele
tinha em Muri, ali pela estrada do Lumiar, onde
sempre nos recebia para intermináveis
seções de comida e bebida.
Pois
bem, no Bar Luiz, Bruno me disse que estaria
recebendo uma moça que era muito bonita
e que pratica um desses esportes com vela, que
depois eu vim saber quem era, e que, possivelmente,
o Bar Luiz estaria patrocinando a jovem que
deslizaria nas ondas das praias do Rio.
Realmente,
quando anunciaram a presença da moça
de uma beleza emocionante, na flor de seus vinte
anos, talvez. Além de linda tinha ela
um corpo moldado pelo esporte o que a fazia
parecer uma Deusa. Da conversa com Bruno, a
qual pediu para que eu presenciasse, lembro
que tratou justamente do patrocínio do
Bar Luiz e como deveria figurar na vela do Hobi
Kat.Isso eu não gravei tanto!Na minha
mente ficou gravado, definitivamente, a imagem
de uma atleta belíssima e de uma autêntica
carioca.
Entendi
que o patrocínio do Bar Luiz seria uma
forma de divulgar o tradicional restaurante
que havia sido criado pelo avô de Bruno
e que se mantinha como rígido na linha
mais tradicional servindo uma comida como salsichão
acompanhado de salada e chucrute ou um finíssimo
rosbife acompanhado de batata. Havia, também,
na mesma linha, um croquete de carne de um sabor
fantástico. O chope, preto ou o comum,
era muito bem tirado em umas máquinas
próprias para tal. O Bar tinha, melhor,
tem até hoje, uma decoração
mantendo peças usadas no século
retrasado.
Os móveis no mesmo estilo clássico
com mesas de ferro com tampo de mármore
branco polido e as cadeiras do tipo austríacas
com palinha. Tudo muito requintado! As pessoas
que lá freqüentam o fazem há
décadas e são conhecidos comerciantes
do bairro da Rua da Carioca e adjacências.
Sempre
que o nome de Dora Bria era comentado na mídia
lembrava eu daquela passagem, muito rápida
é verdade, no tradicional Bar Luiz. Lembrava
da moça linda exima praticante de esportes
no mar e de meu caro amigo Bruno Kuroviski cuja
característica principal era a de fazer
amigos.
Agora
que ambos se encontraram no céu fico
imaginando quem convenceu quem: Dora ao Bruno
pela prática de esportes ou Bruno a Dora
para que tome um Uísque.
Março
de 2008
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Amigo
Lopinho
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Afonso
Brito Chermont
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Vou
ser indiscreto ao responder seu e-mail e tornando
pública minha resposta, no site CNF.
Também, na minha relação
contigo, meu amigo, nada haverá de indiscreto,
pois mantivemos, sempre, uma amizade de elevadíssimo
nível e você é uma pessoa
que guardo com muito carinho no meu coração,
pois somente recebi de sua parte atenções
múltiplas.
Sabe
o que eu me lembro muito: dos teus quarenta
anos. Acho que foi em 1987. Você me convidou
e eu fui de Belém para o Rio para uma
festa monumental na Mikonos. Seus pais me olharam,
depois de tantos anos e reconheceram em mim
o amigo lá do Pará que veio a
festa. Maria Clara estava lá e conversei
com ela que me disse estar trabalhando como
designer de jóias e me contou dessa sua
atividade.
Não consigo entender esses desígnios
de Deus... Desço quase que diariamente,
pela manhã, para a área de lazer
do prédio onde moro e encontro com uma
senhora de 94 anos. Trocamos sempre cumprimentos
e elogiamos a forma física, muito por
educação, um do outro e, um dia,
ela me disse: Deus esqueceu de mim!
Pensei muito nessa frase e me volto para o meu
filho que se foi aos três anos e Maria
Clara, jovem e bonita, que Deus os levou logo,
muito cedo, como que requisitando seus serviços
no céu.
Com
relação ao meu filho não
esqueci a assistência que você deu
a ele, no Rio, quando ele foi, com sua mãe,
em busca de cura. Sou sempre grato a você,
meu amigo, pelos momentos de consolo que você
dispensou a mim e minha família.
Muitas
vezes eu me pego pensando em meu filho
estudando, se formando, fazendo esportes, constituindo
família e, de repente, tudo isso se apaga
da minha mente e eu sinto uma saudade do futuro.
Eu tive muitas compensações com
Larissa. Sempre foi muito estudiosa e extremamente
responsável. Faz mais de dez anos que
ela está estudando, com idas e vindas
da Europa, mantendo uma regularidade em suas
atividades que me impressionam. O que eu perdi
de um lado Deus me compensou de outro e acabo
me considerando feliz com o que está
acontecendo.
Ainda
na festa dos teus quarenta anos, lembro que
encontrei com amigos nossos que lá foram
para te abraçar. Estavam: meu grande
amigo de sempre, Paulo Perobo; Sérgio
Bopp. O Perobo é meu amigo de mais de
quarenta anos. Sérgio eu nunca mais vi.
Não sei como está o irmão
do Jorge Porrorroca.
Do Paulista, tenho notícias por e-mail.
Um encontro desses em setembro, faz uns dez
anos, o cara foi e eu havia levado umas fotos,
de nossa época, onde estávamos
com nossas namoradas. Ele me pediu e disse que
mandaria escanear e me remeteria posteriormente.
Aquiesci ao tão nobre pedido e, agora,
não faz muito tempo, quis rever as fotos
e pedi de volta Ele escreveu lamentando mais
não está bem lembrado do fato.
Isso é típico dele. A qualquer
momento ele vai lembrar e as teremos de volta.
Você
em sua carta lembrou do Leopoldina, grande Evandro
Guimarães e toda vez que encontro com
o pessoal da afiliada da Rede Globo aqui sou
indagado pelo meu namorado da Rede Globo. Verdade,
ele com suas maluquices que ainda bem não
são levadas a sério. Lembra de
uma ocasião, isso já faz quase
meio século, que fomos visitá-lo
no Solar da Fossa que era um casarão
que ficava onde hoje é o Rio Sul. Leopoldina
nos deu explicações de seu projeto
sobre bicicleta que era o meio de transporte
ideal para o futuro barato, não
gasta gasolina, faz bem para saúde, não
polui, etc. Nós nos entreolhamos e fascinados
com as indústrias automobilísticas,
que não havia completado uma década,
e imaginamos que aquilo não daria certo.
A verdade é que ele tinha toda razão
em muitos aspectos!
Temos
outro amigo comum: Oswaldo Aranha Neto. A nobreza
em pessoa, elegante nos gestos e no trato. No
nosso encontro de setembro, ele chegou a se
deslocar até lá, mas não
conseguiu passar num engarrafamento gigante
que havia por ser um fim de semana prolongado.
E
seu irmão? Dadado para a família
e Lopinho (também) para os cenefistas.
E Marcos Rezende? Deve estar agora lá
no Cais do Oriente, na Visconde de Itaboraí,
tocando seu mais clássico piano esperando
que chegue o Roberto Fragoso para contar o historinha
do Galinha do Deserto que coçava o saco
dando a volta no braço por trás
das costas.
Outro
dia o Zeno Veloso me ligou pedindo seu telefone
no Rio e me disse que iria visitá-lo.
Não sei se vocês se encontraram.
Recordo
de uma namorada sua, chamada Marli. Anos depois
que saímos do CNF eu a vi na TV fazendo
propaganda do Desodorante Mistral. Sabe que
em um encontro desses, estive com ela. Estava
casada com um músico, etc. e tal. Ao
mesmo tempo da Marli, você falava na Caroline
e o França lhe enchia o saco no dia seguinte
do porre.
Já
bem mais tarde, lembro da Cris, a outra que
era um amor de menina. Um dia ela, com pena
que vínhamos para Belém pela estrada
(Paulo Perobo, Rui Seligman e Eu), preparou
um lanche com mãe benta e tudo mais.
Saímos da casa dela em Ipanema, casa
que ficava ao lado do prédio onde morava
sua família e lá fomos estrada
a fora para chegar três dias depois em
Belém. Fomos abastecer o fusca do Rui
e logo na saída na Avenida Brasil e pensamos
em abrir a caixa cuidadosamente preparada por
Cris. Sabe aquela nossa fome de jovem? Pois
é, bateu forte na gente e liquidamos
o nosso lanchinho e não mais do que dez
minutos e nos deu vontade de voltar e pedir
nova remessa.
Quis te escrever e acabei falando de nossos
amigos comuns. Foi bom que isso tivesse acontecido,
pois tenho em meus amigos o melhor de mim. Também
me ocorre uma que se passou no CNF:
Estávamos na aula do Prof. Helênio,
de Ciências Naturais era o nome da matéria,
hoje é bem capaz de ter o nome mudado
para Meio Ambiente, sei que estudávamos
os reinos: animal, vegetal e mineral.
Na aula, o Professor explicava o fenômeno
do mimetismo consiste na forma de diversos
animais tomarem a cor e configuração
dos objetos em cujo meio vivem, ou de outros
animais de grupos diferentes. Ocorre no camaleão,
em borboletas, etc. Ele trazia uma caixa em
que mostrava o bicho pau que se disfarçava
em madeira. Seu corpo se confundia com os gravetos
das árvores e tinha a mesma cor. Havia
uma borboleta que cujo nome era Jequitiranabóia
e nas suas costas havia um desenho que assumia
a forma da cabeça de um jacaré.
Logo, os predadores se afastavam com receio
do terrível animal. Aí que lembro
de sua intervenção dizendo:
_Prof. Helênio, a jequitirana está
pousada na árvore?
_ Sim, respondeu o Professor.
_ Então, o predador sabe que jacaré
não sobe em arvore, vive no chão.
Então, esse disfarce é fajuta.
A jequitirana está arriscada a levar
um tiro do primeiro caçador que passar
por ela.
Lembro
do riso geral na turma. Também o fato
de termos assumido sua idéia e o questionamento
que fizemos ao professor Helênio de que
o exemplo não se tratava de mimetismo.
Lembro
de você sempre: uns anos atrás
num desses encontros, em Friburgo, havia a proposta
de trocar o nome do CNF para Parque Simões
Lopes achei a idéia corretíssima
. Se houve alguém que lutou pela implantação
do nosso colégio foi o seu pai e o fez
de forma exemplar. Nada mais justo do que essa
homenagem!
Recordo
o dia do lançamento do decreto municipal
que propunha a mudança ( *1) e por acaso
fomos os oradores. Confesso, dado o estado de
emoção que fomos tomados que não
me lembro do que falamos no palanque montado
na Avenida Alberto Braune. Certamente, enaltecemos
a figura do Dr. Simões Lopes nada mais
justo.
Quero
me encontrar com você por muitas vezes
e ter o prazer de sua companhia e amizade.
Um
forte abraço. Apertado e com emoção
que nos envolve. Recomendação
a Cristina, de quem tenho uma profunda admiração
e aos filhos.
(*1)
A área, onde foi construído o
CNF chama-se: Parque Ambiental Dr. Luiz Simões
Lopes )
Janeiro
de 2008
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Oswaldo
Aranha Neto
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Afonso
Brito Chermont
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Não
faz muito tempo recebi um telefonema
de um prezado amigo do Colégio
Nova Friburgo CNF. Aliás,
nas montanhas de Friburgo foi onde
fiz muitos amigos e, com alguns deles,
tenho mantido com convicção
e solidez uma permanente amizade.
Realmente, há um grupo de colegas
que, de uma forma ou de outra, mantém
os vínculos do nosso CNF e,
interessante, é que quando
nos encontramos parece que nossa convivência
é diária e nunca foi
interrompida.
Com
enorme prazer atendo ao telefonema
o meu caro Oswaldo Aranha Neto. O
meu querido Vado me perguntou de minha
vida: relevei meus sucessos e com
relação aos meus fracassos
fui, simplesmente, sucinto.
Conheci
Vado em 1960. Era um jovem extremamente
elegante e carregava consigo a importância
de seu nome. Seu avô, homônimo,
foi político, Ministro no governo
Getúlio Vargas e estadista
sendo o primeiro brasileiro orador
da Assembléia Geral da ONU,
embaixador do Brasil em Washington
e quando Ministro das Relações
Exteriores em 1947, lutou pela criação
do estado de Israel.
Quem
me contava as façanhas do avô
de Vado era outro amigo meu o Luis
Eduardo Simões Lopes que, aliás,
tinha a mesma origem no Rio Grande
do Sul. Sim, quem confirmava os detalhes
da reunião em Washington sobre
o estado de Israel era o amigo Roberto
Kasinski que, de família judaica,
sempre relevava o feito maior de avô
de Vado, o conhecido homem público
Oswaldo Aranha.
Vado
passou uma temporada em Belém
quando aqui quis criar uma Trading
Company e além da venda do
café, seu produto comercial
mais forte, queria incluir os produtos
do Pará na pauta mundial, em
especial, a castanha do Pará.
Nessa ocasião tivemos oportunidade
de conversar e me recordo de um episódio
que muito me sensibilizou: Ele mostrou
vontade, para que Zeno Veloso, também
seu amigo do CNF, que gostaria de
conversar com uma pessoa daqui que
se chamava Cléo Bernardo Braga.
Tratava-se de um militante político
que era ligado ao Partido Socialista
Brasileiro e muito conhecido por tal
atuação e que no passado
foi amigo do pai de Vado.
Zeno,
providenciou o encontro e o fez com
um almoço no restaurante do
Hotel Vila Rica e, quando estávamos
todos reunidos Vado, Rui Selligman,
Zeno e Eu , apresentou Vado
sem mencionar quem era seu pai e,
no meio de já uma animada conversa,
indagou a Cléo Bernardo se
ele conhecia o Sr Oswaldo Aranha.
Ao confirmar a informação
Dr. Cléo descreveu o pai de
Vado e falou de seu amigo, que serviu
como ele na Força Aérea
Brasileira, de forma terna e emocionada.
Somente
depois dessa descrição
é que Zeno disse que aquele
encontro foi provocado por Vado a
pedido de seu pai que fazia questão
de que seu amigo conhecesse seu filho.
Eu percebi, com aquela circunstância,
o quanto importante era a amizade
para o pai de Vado e que ele procedia
da mesma forma para com seus colegas
do CNF.
Aliás,
certa ocasião, estive no Rio
e fui conhecer o pai de Vado em um
almoço que ele promoveu com
o propósito de que aproximar
a nós todos.
Vado,
no mesmo telefonema, contou a mim
que havia aberto no Centro do Rio,
uma cafeteria chamada Rubro Café
com uma filial no Rio Design que tem
o reconhecimento do mercado carioca
e está por abrir outras duas
em locais tradicionais e dinâmicos
do Rio de Janeiro. O meu caro amigo
fala de café com amplo conhecimento,
pois atua nesse ramo faz muito tempo,
e se orgulha do café que comercializa,
pois se trata de um processo especial
com sabor e aroma fora do comum.
Fico
satisfeito quando um contato com amigo
se renova como nesse caso do prezado
Vado. Espero, certo momento, tomar
um café com meu amigo a quem
tenho débitos de amizade pela
sua sempre atenção para
comigo. Que seja um café longo
e bem do tamanho da afeição
que tenho pelo amigo reforçada
pelo fato de que foi forjada nas atividades
extra classe do CNF.
Março
de 2007
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Os
Parnasianos
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Afonso
Brito Chermont
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Fui
passar o reveillon em Mosqueiro, praia de rio
que fica próximo de Belém, na
casa de meu irmão Paulo Chermont que,
lá pelas tantas, após umas generosas
doses de whisky, começamos a lembrar
algumas coisas do Colégio Nova Friburgo:
dos nossos colegas, de nossos atos pensados
e não pensados, premeditados e improvisados.
De repente, Paulo se lembrou que estudando Português
aprendeu o que era parnasiano e logo de uma
poesia que fez em 1959, aliás a primeira
e única, e começou a recitá-la
com o entusiasmo dos grandes declamadores:
Beija-me
querida com teus lábios sensuais
Pois quem beija nessa vida na outra não
beijará jamais
Os teus lábios são de fogo, teus
cabelos cor do mar
Querida
te quero tanto, pois és tudo para mim
Te peço em sincero pranto que nosso amor
não tenha fim
Lembrou
de sua grandiosa obra que, inclusive, saiu publicada
no Galo da Serra o que o deixou muito orgulhoso
de tão importante feito. Até porque,
os poetas, à época, eram considerados
grandes personagens. Não sei qual foi
sua fonte de inspiração: não
foi de sua mulher Lívia com quem vive
há, quase, quarenta anos; não
foi pela sua namorada de Nova Friburgo, que
não creio que conseguiria motivá-lo
a esse grandioso feito.
Lívia
ficou impressionada com a poesia e também
pelo fato de eu lembrar a obra de meu caro irmão.
Claro, lembrei, pois se tratava de um feito
de alguém ligado a mim que, cheio de
delicadeza, o que não era muito da sua,
conseguiu algo que eu não podia imaginar.
Naquela
época acho que não comentamos
com nosso pai pelo fato dos poetas, personagens
importantes, é verdade, serem ou viverem
um pouco à margem da sociedade, mas eu
gostei bastante pela seriedade do amor que ele
estava envolto e conseguiu colocar no papel.
Eu
havia mal aprendido com meu professor de Português
no CNF que os parnasianos eram uma corrente
de poetas que eram muito delicados e se preocupavam
com a forma da poesia. As rimas poderiam estar
juntas ou alternadas.
Então,
meu irmão Paulo, conhecido como Jack
Palance, fez uma grande obra. Não o posso
considerar um poetaço, pois estaria chamando
de mau poeta. Sim, lembrei de um colega nosso
que se transformou em um poetaço: Artur
Álvares Jr., Xingu para todos, não
só os íntimos, que certa vez querendo
encher o saco do Sérgio Bopp, conhecido
como Francês, fez a seguinte obra prima:
Sonhei com o Francês
Lá no quarto seis
Joguei no veado e ganhei;
Quando
questionado para informar sobre a delicadeza
e a rima ele dizia não ser parnasiano
e que era um poeta moderno e que a rima poderia
ser francês com seis ... Era o estilo
do Grande Xingu.
E
por falar em poeta lembrei de outro nosso colega
que me impressionou por outra magnífica
obra, Zeno Veloso, que um dia brindou a todos
nós com essa genial combinação
de palavras:
Minha
terra tem palmeiras
onde canta o urubu
Tiro Zero nessa prova,
mas não tomo mais no cu
Essa
foi feita logo após uma aula de matemática
do professor Talvane que para facilitar o entendimento
de trigonometria usava de alguns artifícios
como: Minha terra tem palmeira onde canta o
sabiá; Seno A co-seno B; Seno
B co-seno A.
Zeno
é hoje membro da academia Paraense de
Letras e bem que eu poderia encaminhar seu poema
para seus pares na academia. Não o farei
porque sua eleição poderia ser
revista dada a magnitude dessa sua obra.
Encaminho,
isso sim, minhas lembranças de tão
importantes poetas, parnasianos ou não,
mas, com certeza, de grandiosas inspirações.
Janeiro
de 2007
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Nossos
Ídolos
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Afonso
Brito Chermont
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Quando
abro meus e-mails e vejo a chamada com o comentário
de Noticia Triste fico tremendo nas bases.
Ultimamente esse fato tem sido muito freqüente:
Não faz muito tempo foi o Professor
Yurgen, depois o Teixeira Leite, na seqüência
o Adilson e agora no dia oito de dezembro,
o Bruno da Silveira.
Foi
um final de ano bem sentido para nós
da comunidade do Colégio Nova Friburgo
- CNF. Estive recordando da personalidade
de cada um de nossos colegas e professores
e me passou o pensamento de quando estávamos
no CNF comentávamos muitos sobre a
personalidade de cada um de nós. A
forma de ser de cada um. Chego eu a conclusão,
de que eles se constituíam em verdadeiros
ídolos.
Verdade,
naquela época não havia a televisão
e os ídolos fabricados por essa máquina
têm, hoje, uma repercussão tão
grande que esquecemos de nós próprios.
Nossos ídolos, na nossa escola, éramos
nós mesmos. Ali em carne e ossos! Quando
havia um jogo de basquete torcíamos
pelo nosso time com muito fervor. Nas olimpíadas,
discutíamos quem era o bom atleta e
se ganharia essa ou aquela prova. Quando saía
o boletim mensal observávamos quem
se destacou no período e quem estaria
entrando para o quadro de honra. Nas eleições
do Conselho de Alunos, fazíamos uma
acirrada campanha eleitoral. O grande ídolo
era aquele que reunia um pouco de todas as
qualidades!
A
começar pelo Professor Yurgen: O fato
dele ser alemão já me impressionava.
Andava sempre de paletó e gravata se
protegia bastante do frio e a fisionomia de
ariano assegurava-lhe um ar de superioridade.
Teixeira
Leite era um colega extremamente gentil, educado,
inteligente, absolutamente calmo. Uma tranqüilidade.
Nunca vi o prezado Teixeira com qualquer atitude
agressiva. Um pouco mais velho do que eu e
com suas maneiras sempre elevadas. Eu tinha
a vontade de obedecer ao que meu pai me ensinou:-
Aos mais velhos não dispense
o tratamento de Senhor, Seu... Era assim
em 1958, Quando cheguei ao Colégio,
tinha vontade de tratar o Teixeira de Seu
Teixeira e chamá-lo de Senhor.
Adilson
impressionava pela sua inteligência.
Havia uma disputa de quem era mais inteligente
na época: Ele ou o Langoni? Alguns
destacavam que aquele era melhor na área
social o esse, melhor nas ciências exatas.
Sim, mas ambos, eram cobrões (forma
de dizer, da época, que o sujeito era
o tal). Sempre obtinham as melhores notas
e se destacando junto aos outros alunos que
tinham muito boa performance.
O
Bruno da Silveira, Grande Bruno, um atleta
de primeira linha um líder no dia a
dia do Colégio. Disputava os cargos
de Presidente do Conselho de Alunos, Aluno
Diretor e Capitão dos Times de Futebol
e Basquete. O líder de todas as horas!
Acho
que o céu ficou enriquecido com a elevação
do Professor Yurgen, com a fidalguia do Teixeira
Leite, com a inteligência do Adilson
e a liderança lúcida do Bruno.
Peço a eles que arrumem tudo lá
em cima, não esqueçam das atividades
extraclasse: Fotografia; PR Chacrinha; Clube
do Teatro; Clube do Automóvel (mecânica);
Cineminha nas quintas feiras com direito ao
drops de anis; um joguinho de basquete; descida
à cidade (no caso a Terra) para ver
nossas namoradinhas que ninguém é
de ferro. Que preparem um ambiente com a mesma
ordem e respeito que tivemos no CNF, com os
mesmos ideais, com a mesma forma de ser e
que comecem a pintar o céu de Azul,
Branco e Grená.
Vamos-nos
encontrar fatalmente, um dia. Que a nós,
calouros que seremos, nos seja dispensada
a atenção que merecemos em vida
no nosso mundo particular do CNF.
Dezembro
de 2006
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Guarda
de Honra
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Afonso
Brito Chermont
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Era
o ano de 1964, meados de agosto e já
havia iniciado o treinamento da banda o que
anunciava a chegada da Semana da Pátria
e o Colégio Nova Friburgo deveria, como
fazia todo ano, desfilar na Avenida Alberto
Braune.
Sra.
Lourdes secretária do Professor Amauri
me procurou no prédio do científico
dizendo que o Diretor queria falar comigo. Obedeci
ao chamado e de imediato me apresentei no gabinete
do Professor, no segundo andar do prédio,
e na ante sala encontrei, além da própria
Sra. Lourdes, pessoa extremamente simpática
com voz baixa e de uma docilidade extrema, com
outros funcionários os quais lembro bem:
Afonso, não só por ser meu xará
mais porque, também, vez por outra, fazia
a capa do nosso jornal Galo da Serra trabalhando
em uma caixa de madeira que na parte superior
tinha um vidro que vazava a luz e permitia que
com um estilete, o prezado Afonso, fizesse os
desenhos ilustrativos das primeiras capas; Paulo
Quaresma a quem chamava de Paulinho por ter
mais intimidade pois disputávamos o campeonato
de basquete na cidade e era ele quem nos convidava
para as disputas. Colocava-se como uma espécie
de responsável por nós na cidade;
e, o Carioca que por ter um apelido tão
marcante, não lembro do seu nome. Ele
era, também, o melhor juiz de basquete
do campeonato de Nova Friburgo e comentávamos
que isso era um prejuízo grande para
nós, pois quando apitava nossos jogos,
era rigoroso muito mais conosco que com o adversário.
Entrei no gabinete do Professor Amauri que,
então, muito formalmente, me comunicou
que eu havia sido escolhido para fazer parte
e coordenar a Guarda de Honra do desfile de
1964. Recomendou que eu deveria ser rígido
na escolha das pessoas e, principalmente, com
os uniformes que deveriam estar impecáveis
no dia do desfile.
Comecei
a arregimentar os colegas: o primeiro foi o
Paulo Rufino (Paulista), disse a ele que deveria
participar de qualquer maneira que aquilo era
uma distinção embora tenha argumentado
que ele era o bumbo mor e que faria
falta na banda. Disse que haveria outros que
poderiam substituí-lo, mas que, dificilmente,
conseguiríamos pessoal para a Guarda
de Honra. Disse-lhe que iríamos conduzir
a Bandeira do Brasil e do CNF. Nossa função
se afigurava mais importante que qualquer outra.
Paulo, meu prezado amigo, aquiesceu e prontificou-se
a conduzir a bandeira do CNF.
Chamei
outros, obedecendo ao mesmo argumentando e,
ainda, o critério de que deveriam ser
alunos do último ano que estivessem saindo
do colégio naquele ano de 64. Não
fui atendido na minha argumentação,
pois havia um certo fanatismo pela banda. Lembro
de ter convidado o Hilton Machado (The Best
ou simplesmente Bestial), o Luis Simões
Lopes (Lopinho) que logo me despachou dizendo
da importância de sua caixa tarol para
o ritmo das batidas da banda. Não me
lembro se o José Rubens Rosa França
aceitou desfilar na Guarda de Honra, a fotografia
que tenho não mostra dois dos outros
componentes e estou quase certo que ele preferiu
ficar na banda.
Assim,
como os que estavam saindo, não estavam
aceitando a idéia do desfile na Guarda
de Honra comecei a procurar meus amigos obedecendo
outras circunstâncias e, aí, chamei
o Sérgio Bopp (Francês) que ficou
bem empolgado com a função.Meu
amigo havia passado férias em Belém,
em casa, no mês de Julho. Seu pai o Embaixador
e Escritor Raul Bopp, antes que saíssemos
para férias me presenteou com um livro
que era sucesso à época, Cobra
Norato, com a seguinte dedicatória:
Ao
Afonso Chermont
O
Sérgio leva-lhe esse exemplar da Noratinho,
com os meus agradecimentos pela acolhida que
deres a ele, pois ele está desejoso de
conhecer algumas coisas do Pará.
Muito
cordialmente
15/7/64
Raul Bopp
Outro
que participou da Guarda de Honra foi o Antonio
Carlos Moraes Rego Filho (Cataguases) que não
era do último ano, não tinha muito
prestígio com os professores porque era
um cão de moleque no colégio,
apenas quis prestigiá-lo simplesmente
porque ele era nosso amigo especialmente porque
jogávamos basquete. Era contador de casos
e um boa praça como se dizia naquela
época.
Recordo
do professor Amauri que quando viu nos ensaios
o Cataguases participando da GH ponderou que
ele deveria ser substituído. Fui duro
com o meu caro Diretor Amauri dizendo que não
poderia voltar atrás, visto que o cara
estava empolgado e isso não ficaria bem
retirá-lo naquela altura.
A
foto do pelotão da guarda quem tirou
foi minha namorada e me deixou bem vaidoso:
aproximou-se de nós e com uma Zeisse
alemã colheu a fotografia que me permite
ter essas recordações. Fiquei
vaidoso, pois a máquina era
belíssima e fazia parte da seleção
especial da moças bonitas de Nova Friburgo.
Penso que ela cortou os dois outros componentes
do pelotão para dar destaque a mim e
a Paulo Rufino que era namorado de sua prima
e ligadíssima a nós, naqueles
bons tempos.
Estávamos,
então, todos vestidos com um terno azul,
camisa branca, gravata grená conduzindo
as bandeiras do Brasil empolgados, duplamente,
por que logo mais haveria o festival da Cerveja
no Caledônia Clube que ficava um pouco
afastado da cidade e o festival reunia muita
cerveja, muita mulher bonita, inclusive de turistas
que subiam para Friburgo no fim de semana prolongado.
Está
bem na minha mente a festa, os excessos, nossas
namoradas, meus colegas, a vida que era marcada
pelos desfiles, pelas festivais, pelos momentos
mais que agradáveis que sabíamos
construí-los.
Dezembro
de 2006
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| Pepeu,
Clóvis, Afonsinho e Eu |
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Afonso
Brito Chermont
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Faz
pouco tempo recebi um telefonema do meu prezado
Pepeu. Fiquei muito satisfeito com a comunicação
que Pedro Wanderley Vasconcellos Cavalcanti,
filho de Clóvis de Vasconcellos Cavalcanti,
fez a mim dizendo que sua namorada Thais ia
ter um bebe e que havia escolhido o nome de
Afonso para a criança que deverá
nascer no mês de abril próximo.
Pepeu
veio de Olinda, Pernambuco, para morar em
minha casa em Belém, Pará, em
1995, a meu convite. Aqui ficou dez anos,
estudou arquitetura, estagiou no escritório
de um amigo meu Dr. Jorge Derenji, indo, posteriormente,
já formado, trabalhar no Infraero,
com uma firma de prestação de
serviço, Tecnosolo.
Em
Belém fez muitos amigos, teve várias
e muitas namoradas! Vez por outra encontro
com algumas delas que me perguntam pelo Pernambucano.
Thais, foi aquela que fisgou seu coração.
Seus colegas de arquitetura quando reúnem
me convidam para participar de sempre agradáveis
encontros.
Minha
amizade, após a convivência no
Colégio Nova Friburgo, com Clóvis
Cavalcanti vem de muito tempo: Pelos idos
no final dos anos sessenta Clóvis veio
a Belém e do Hotel contatou comigo
dizendo que estava a serviço no CNPq
e que passaria uns dias em Belém. Convidei-o
para ir à minha casa e, até
hoje, nos visitamos em momentos especiais.
A
filha de Clóvis, Claudinha, convidou
a mim para que fosse seu padrinho de casamento.
Fui a Olinda e testemunhei o ato onde estavam
do CNF, dentre os convidados: Sérgio
Trindade, que veio de Nova Iorque com a família
e Marivaldo Cavalline, com esposa e filha,
vindo de São Paulo. Foi uma festa bonita
e fiquei mais que feliz por recordar coisas
do colégio com meus diletos amigos.
Algum
tempo depois nasceu o filho de Claudinha e
me convidou para ser seu padrinho. Claudinha
se deslocou de São Paulo, onde mora,
para que, em Belém, o garotão
Vitor fosse batizado. Foi mais uma emoção
que contribuiu para consolidação
de uma amizade que iniciou nos anos do CNF
e perdura até hoje e todo o sempre.
Foram
várias as visitas que recebi de Helenilda,
mãe de Pepeu, em minha casa. Tiago,
seu irmão, que morou muitos anos, estudando
nos Estados Unidos, passava por Belém
e ficava conosco em casa.
Larissa,
minha filha, recebeu uma forte influência
de Clóvis. Ela é Economista
Ambientalista, estudou em Glasgow na Escócia
e quando a visitei conheci seus professores
na Glasgow University e alguns deles conheciam
o trabalho de Clóvis como cientista.
Um professor mais próximo ofereceu
a mim um jantar onde comi estomago de carneiro
recheado com batatas e a conversa foi regada
a Whiski nacional. Ele indagou como eu morando
em Belém fui estudar em Friburgo e
era amigo de Clóvis que sempre morou
em Olinda!?...Com forte influência do
melhor nacional do mundo compliquei um pouco
a questão dizendo que saí direto
do Marajó montado em um búfalo.
O fato maior é que Mr. Simon ajudou
Larissa no seu dia a dia e no seu trabalho
na dissertação de Mestrado,
em Glasgow.
Algum
tempo depois Larissa foi para Londres, agora,
então, fazer seu doutorado na London
Shcool of Economics e se hospedou, logo que
chegou, em casa de uma amiga de Clóvis,
Mrs. Fanni. Tornaram-se amigas e quando veio
ao Brasil, para uma visita, e ficou hospedada
em casa. Assim, comecei a me tornar amigo
dos amigos de Clóvis.
Meu
caríssimo Clóvis tem prestígio
em todo canto: certa ocasião estava
eu em Olinda, hospedado na casa dele, quando
fui até à porta de saída
vi que um ônibus estacionava e os turistas
subiriam a ladeira até uma igreja que
fica nas proximidades. Posicionei-me para
ver as pessoas e registrei que era um grupo
bem grande e diverso. A guia, logo que chegou
à frente onde eu estava disse para
os turistas: - essa é a casa do Cientista
Social Clóvis Cavalcanti... Aquilo
me impressionou muito e fiquei com vontade
de dizer: - e Eu sou amigo de Clóvis
lá do CNF... eu também sou foda!
Recentemente
Clóvis telefonou para saber se eu iria
ao encontro de setembro. Expliquei minhas
dificuldades de não poder comparecer.
No seu retorno ele voltou a contatar-me para
relatar os acontecimentos da festividade maior
do CNF.
É,
assim, uma amizade que iniciou em 1958 e se
tornará cinqüentenária
daqui a dois anos. Pepeu me deu mais essa
alegria. Fiquei muito feliz de ser homenageado
e até comentei que será meu
primeiro neto. Obrigado Pepeu e Thais pelo
carinho. Não poderei esquecer esse
gesto de grande significação.
Vou contar a todos meus amigos do CNF.
Espero
que Afonso Pantoja Cavalcanti seja muitíssimo
feliz. Que tenha seu coração
dividido entre o Norte e o Nordeste seja torcedor
do Paysandú (sofredor 1) e do Sport
(sofredor 2). Cabra macho, bravo, forte e
filho do Norte, com vínculos em Nova
Friburgo. Que dê orgulho ao seu avô
o meu mais que dileto amigo Clóvis
Cavalcanti.
Outubro
de 2006
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Presidente
Fernão Gondin da Fonseca
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Afonso
Brito Chermont
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Lembro
de você, faz muito tempo, desde
que éramos alunos do nosso Colégio
Nova Friburgo CNF. Lembro: Menino,
mais novo do que eu, com um permanente
sorriso na face; que você esperava,
como muitos do ginásio, o pessoal
do científico descer para que trocássemos
algumas palavras sobre a vida do colégio,
de nossas alegrias, de nossas tristezas,
que as tínhamos em função
da distância que nos encontrávamos
de nossas casas; e, até mesmo,
de nossas angústias, pois éramos
levados a pensar muito mais e imaginar
como seria nosso futuro, nosso Brasil,
etc.
Recordo
de ter ouvido falar de seu pai, jornalista
conhecido por sua postura democrática
e de esquerda intelectualizada, o que
me faz refletir do quanto era importante
um colégio do nível do
CNF. Acho que a expectativa de nossos
pais era a de que tivéssemos
uma sólida formação.
Devo
confessar a você, que passei a
acreditar que o básico que um
pai poderá almejar para seus
filhos se refere fundamentalmente à
educação. O CNF nos proporcionava
isso: educação no sentido
mais amplo; educação propriamente
dita associada à atividade de
esporte que, sem sombra de dúvida,
era praticado por nós nas melhores
instalações do Brasil.
Mais
do que isso havia as tais atividades
extraclasse que a princípio,
logo que cheguei ao colégio,
não as compreendia bem. Posteriormente,
entendendo melhor, hoje, considero que
essas atividades é que faziam
a grande diferença de um colégio
comum para o nosso CNF. Elas nos proporcionavam
conhecimentos ecléticos, generalistas.
Observei muitos colegas de nossa época
que eram brilhantes em literatura e
tinham ou eram levados a conhecer um
pouco de mecânica no clube de
automobilista; colegas nossos mais ligados
matemática se sensibilizavam
com voltado as artes no clube da poesia;
outros, muitos, ligados mais ao esporte
que se envolviam com música,
teatro, etc.
Ligo
tudo isso a você menino que com
os olhos bem abertos a tudo observava
demonstrando uma sede por conhecimentos
e mostrava um enorme desejo de tudo
saber e aprender. O seu conteúdo
político estava bem na frente
do meu, a exemplo do episódio
que o envolveu na festa de formatura
na entrega dos diplomas com a presença
de políticos...Quem sabe não
foi o momento mais ousado, dentre tantos,
de um menino, apenas, adolescente?
Passei
a conviver novamente com você
nos nossos encontros de setembro e passei
a ver você com os olhos de quem
admira um grande homem. Acho notável
sua presença nos encontros cenefinos
acompanhado de sua esposa e amigos ex-colegas
do CNF, como em especial o meu prezado
Sérgio Fernandes. Em um de meus
escritos fiz menção à
forma dedicada como sua esposa e a de
Sérgio se envolveram nas atividades
da associação, melhor
nas nossas atividades.
Recordo
de uma carta sua para mim falando do
final dramático de nosso colega
Gastão Guimarães. Mantive
um contato com o Gastão até
próximo de sua morte e percebia
o quanto era importante, para ele e
para mim, falar das coisas de nossa
juventude!
Considero
você um grande homem a
exemplo daquilo que se imaginava no
nosso CNF e quando soube que
você agora é o novo presidente
da nossa associação fiquei
deveras satisfeito. Acho que você
tem o interior parecido com o meu que
continua convencido da importância
de nosso educandário para a formação
de nossas personalidades com os ideais:
saúde, saber e virtude e as cores
azul, branca e grená.
Caro
Fernão, quero fazer a você,
um pedido: O primeiro refere-se ao nosso
livro. Acho que já temos material
suficiente, artigos, manifestações
etc. referentes ao CNF no nosso site
para fazermos uma primeira edição.
Penso que poderíamos fazer algo
dentro do padrão de qualidade
que aprendemos no CNF. Nosso caríssimo
Clóvis Cavalcanti tem um bom
material em sua mão e poderia
ser o coordenador dessa empreitada.
Finalmente
queria pedir desculpas por não
ter comparecido ao encontro de setembro
2006. Estava atravessando um momento
de dificuldades que me impediram de
estar no local muito especial para mim
espero me recuperar nos anos vindouros
e desfrutar de tão agradáveis
companhias.
Outubro
de 2006
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Consulta
Oftalmológica - Da Preocupação
ao Agradável
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Afonso
Brito Chermont
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No
início do mês de maio eu fui
ao oftalmologista com intuito de verificar
o grau de meus óculos e fazer um exame
de rotina. Queria também consultar
da possibilidade de poder usar lentes de contato
para, eventualmente, jogar uma pelada de basquete
já que, de noite, minha visão
fica diminuída. Com as lentes, imaginei
que poderia ter mais desembaraço.
Marquei
uma consulta com o Dr. Sérgio Cruz,
médico que é muito cotado em
Belém, e como referência obtive
o estímulo de minha filha Larissa,
usuária de óculos e lentes desde
tenra idade, e cliente do jovem médico.
Passei por uma serie de exames acompanhado
pelo Dr. Sérgio que, ao final, mostrou
certa preocupação com minha
vista e disse estar suspeitando de um glaucoma,
uma vez que eu apresentava indícios
da doença.
Fiquei
atormentado em função de que
meu pai, nos últimos anos de sua vida,
perdeu parcialmente a vista e o mundo ou a
vida acabou para ele a partir desse momento.
Continuei
os exames, na semana seguinte, me submetendo
a uma retinografia, decisiva para finalizar
o diagnóstico. Independente do resultado,
recebi a recomendação do médico
para que voltasse de seis em seis meses ao
consultório, para acompanhamento da
evolução daqueles outros indicadores.
Tentou me tranqüilizar dizendo que havia
tratamento para a doença, caso fosse
confirmada. Recomendou o uso de um colírio
para diminuir a pressão ocular.
Confesso
que tremi nas bases! Pensei, algumas noites,
que não consegui dormir, que poderia
ficar cego e como tal teria o mesmo sofrimento
pelo qual passou meu pai. Senti-me extremamente
infeliz eu que me considerava uma pessoa com
muito boa saúde. Sempre enalteci que
o fato de ter parado de fumar, faz mais de
dez anos, e de praticar exercícios
físicos, a minha vida toda, me fez
ter uma saúde razoavelmente boa.
Meu
pai que era um homem muito ativo perdeu a
visão, quase que totalmente, aos setenta
e sete anos, e se tornou extremamente amargurado.
Mais tarde, acompanhei o drama de um vizinho
meu, deputado federal, que, por ter diabete,
teve sua vida seccionada. Não pude
admitir que um dia eu deixasse de enxergar!
Enquanto eu realizava os exames com extremo
nervosismo mais aumentava minha angústia.
Resolvi
ir até o Rio e consultar um outro médico
para minha maior tranqüilidade. Comentei
com uma pessoa minha amiga sobre o meu drama
e me foi sugerido consultar o Dr. José
Guilherme Pêssego, que é o titular
de um instituto em Ipanema, na Vinicius de
Moraes, bem próximo à Nascimento
Silva.
Minha
mente processou rápido: Vinicius com
Nascimento Silva isso é a cara do Rio.
Rio esse que eu conheci nos anos sessenta
e que enorme prazer eu teria de rever local
que se constituía como bem agradável
para mim. Pensei, também, que quando
estava no Colégio Nova Friburgo, tive
um colega que se chamava Pêssego e como
o nome não é tão comum
achei que poderia ser, quem sabe, o oftalmologista.
Então,
marquei o vôo, a consulta, conseguida
através de uma oftalmologista paraense
que atua no instituto. E, na hora certa, lá
estava eu com o Dr. Pêssego. Nos olhamos
como quem diz eu conheço esse cara.
Depois de explicar meu problema, arrisquei
a pergunta: você estudou em Friburgo?
A resposta veio de imediato. - Sim, estudei
sim, mas meu irmão era mais conhecido
que eu, Marcos Pêssego... Aí
tudo ficou claro: Marcos era mais velho e
da minha idade mais ou menos, Jose Guilherme
o irmão mais jovem.
Você
é o Chermont do Pará que jogava
basquete, disse o Dr. Pêssego. Aí
a consulta se tornou uma conversa entre colegas
de Friburgo o que sempre é muito agradável
para mim. Mostrei meus exames e no final ele
confirmou o diagnóstico do médico
de Belém e me tranqüilizou dizendo
que jamais ficaria cego.
Confesso
que fiquei extremamente feliz: por ter certeza
de que não tenho um problema tão
grande que não possa ser tratado e,
segundo, o contato agradável com um
ex-colega do Colégio Nova Friburgo.
Junho
de 2006
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Rosemary
Kauark Chianca
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Afonso
Brito Chermont
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O
Colégio Nova Friburgo tinha seu
ensino considerado, no Brasil, como
um modelo de pedagogia moderna e era
visitado, todos os anos, por um grupo
de professores, dos diversos cantos
do país, que até lá
se deslocavam em busca de aperfeiçoamento
profissional.
Na
realidade, os estagiários,
como eles eram chamados, passavam
um período uma quinzena
ou um mês , assistindo
as aulas que eram ministradas pelos
professores mais experientes, acompanhavam
às atividades extra classe
e acabavam por participar da vida
integral do educandário padrão,
então, da didática do
ensino secundário.
Era,
normalmente, um grupo de professores
bem jovens que eram recebidos por
nós com certa euforia, pois
animavam, e muito, a vida do internato
e constituíam-se em atração
que ficávamos na expectativa
que pintasse uma (ou mais) professora
bonita naquela turma de visitantes.
Sempre ocorria a presença de
alguém que se destacava por
sua beleza não havia dúvida.
Lembro de uma gaúcha de Santana
do Livramento, com uns olhos verdes
que parecia sei lá o que. Quando
assistia uma aula se tornava o centro
das atenções e provocava
os sonhos mais bonitos em nossas mentes
de jovens embalados pelo ideal: saúde,
saber e virtude.
Lembro
que os mais eufóricos: Helvécio
Mattana Saturnino, Julo de Miranda,
José Rubens Rosa França,
Caio Ortiz, Artur Álvares Jr.,
Ibsen Omar, faziam descrições
muitos entusiasmada das professoras
visitantes.
Sim,
num desses grupos de estagiários,
lá apareceu a Professora Rose,
como, depois, passamos a chamá-la.
Era uma baiana, muito bonita, vinda
de Ilhéus na Bahia. Além
de beleza ela possuía algo
de ternura: falava com um permanente
sorriso; olhava nos olhos das pessoas
e mostrava vivo interesse pela família
o que nos sensibilizava, pois como
estávamos distantes de casa
alguém lembrar de teu pai tua
mãe era sempre agradável.
Rose, então, combinava beleza
e ternura.
Havia
os que não estavam na classificação
dos eufóricos com o meu estimado
professor Chianca. Jamais pensei que
aquele homem sério pudesse
ser um namorador e principalmente
de estagiária. Ele nunca havia
falado de mulher na nossa presença,
nunca havia feito qualquer comentário
sobre sua vida sentimental. Certo
dia, o professor João Vianna
chega para uma roda em que eu estava
presente e diz: sabem quem vai casar?
O Chianca. Contra quem, perguntamos
nós com certo ciúme.
Entendíamos que ele estava
ali para tomar conta de nós,
dar seus exemplos de pessoa boníssima,
mostrar sua profunda honestidade,
mostrar seus conhecimentos de grande
professor de educação
física, de nos ensinar a vida
como ela devia ser vivida.
Verdade!
Casou o nosso Chianca! Porém,
rapidamente, sentimos que não
havíamos perdido o grande Chianca,
havíamos sim ganho outra figura
com o mesmo espírito que nós
envolvia no CNF. O caro Mestre ficou
mais feliz ainda. Constituiu com Rose
uma família bonita e numerosa.
Conheci seus filhos: André,
Thomas, Gustavo e Belaniza e quando
os vejo tenho a sensação
de são meus irmãos mais
novos. Na década de setenta
levei minha filha Larissa para uma
visita ao CNF, em Friburgo, e ela
foi acolhida como filha passou dias
em constantes brincadeiras. Quando
fui pegá-la Rose me contou
das peripécias de Larissa,
então uma menina esperta que
me confessou um dia que gostaria de
estudar no colégio entusiasmada
por um lugar de deslumbrante beleza
e com pessoas tão especiais
e que queria conviver com a garotada
de Rose e Chianca.
Rose
me emocionou várias vezes na
vida: quando jovem por perguntar por
meus pais em especial por minha mãe
a quem me lembro de tê-la descrito
certa vez. Emocionava-me, agora, já
doentinha, quando perguntava pela
minha família. Senti-la sofrendo
e sofrida pela doença, mas,
assim mesmo, comparecia, como que
reunindo todas as forças, nos
encontro de setembro e conseguia doar
seu sorriso de ternura.
Imagino
a dor o sofrimento, hoje, de André,
Thomas, Gustavo, e Bela. Compartilho
com eles tal sofreguidão. Não
consigo ver meu prezado mestre e amigo
Chianca sozinho. Eu que no passado
no CNF o queria só para nós,
não o queria dividi-lo. Somente
me conformo, pois estou certo de que
Rose os fez muito feliz com seu sorriso,
com sua ternura.
Peço
a Rose que inicie como estagiária
um novo período perto de Deus.
Prepare didaticamente o Céu
para nós todos: duas família
Kauark Chianca e a Cenefista que,
aliás, se confundem especialmente
em beleza e ternura qualificativos
que tiveram de sua parte contribuição
muito efetiva.
Fevereiro
2006
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Um
Mundo Diferente de Palavras e Expressões
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Afonso
Brito Chermont
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Estávamos
no curso ginasial no pátio do Colégio
Nova Friburgo e em um dia desses qualquer,
talvez pelos idos de 1958, o meu amigo
Silvério Ortiz, chegou perto de
mim e disse: Oh paraense! vamos jogar
bola de gude!. Quando o Silvério
fazia um convite, mais parecia uma ordem
do que propriamente uma solicitação.
Atendi não só pela amável
ordem, como pelo impositivo convite.
Ocorre
que eu não tinha a menor idéia
do que era bola de gude, pois na minha
terra ela tem o nome de peteca. Comentei
isso com ele e recebi de volta o seguinte
comentário: Peteca ô paraense,
era aquela de penas e se jogava batendo
com a palma da mão em uma almofada,
coisa meio de viado!.....Então
pensei comigo: se peteca é bola
de gude, eu sei jogar.
Vamos
lá, disse eu me fazendo de superior,
pois me afirmavam que na relação
com os fortes, você deveria ser
também forte.
Nos
deslocamos então para uma área
perto do pátio coberto do prédio
do ginásio, onde tinha a parte
descoberta, cujo solo era de terra e
a bola de gude correria adequadamente.
Havia três buracos no chão,
feitos com o calcanhar do pé,
que ele chamava de búlica......
Para iniciar o jogo, olhou para mim
e disse: Marraia!...
Eu
não entendi porra nenhuma e ele
percebendo minha dificuldade, explicou-me
que quem pede marraia joga por último,
pois levaria vantagem perseguindo a
bola ou a búlica. Não
vai dar para jogar, pensei eu.... o
jogo é diferente, as regras são
completamente distintas daquelas que
eu, na condição de moleque
de rua, jogava no meu estado do Pará.
Estava
acostumado a jogar peteca (gude) casando
umas bolas que ficavam dentro de um
triângulo e alguns metros distantes
ficava uma linha que era traçada
e dali se jogava as bolinhas (insisto
em dizer que eram petecas...) e à
medida que tirávamos as outras
bolas de dentro do triângulo,
íamo-nos apossando das ditas
bolinhas.
Sim,
nessa maneira de jogar dos paraenses,
levava vantagem quem jogava por primeiro
e quanto mais chegasse mais perto da
linha poderia atacar as bolas no interior
do triângulo. Pedi, então,
para jogar por primeiro para sair na
frente e assim o pedido a cada rodada
de apostas, deveria ser através
do pronunciar de uma palavra: fona.
Caso
houvesse mais de um competidor o outro
pedia antes fona.... Tudo era muito
diferente: marraia era o correspondente
ao fona e o meu antes fona correspondia
a uma outra palavra: companha. Porra
que coisa complicada desses caras!
Lembro
que quando Silvério pedia marraia
eu pedia fona..Lembro-me dele me gozar
muito dessas diferenças, que
se tornavam mais acentuadas à
medida que o jogo se desenvolvia, pois
além de fona, marraia, companha,
antes de fona havia também outras
palavras definidoras de certas circunstâncias
que ocorriam no jogo. Por exemplo: quando
a bola ficava em cima da linha para
mim a palavra apropriada era fedeu e
para ele era queimou
(vai entender?...). Eta joguinho pai
dégua!!!!!..Mas terminamos tudo
numa boa (nem lembro quem ganhou....(deve
ter sido o Silvério, pois eu
sempre era flexível e dizia que
ele era melhor para evitar frustrações,
naquele meu amigo, com quem vivia competindo),
mas saímos abraçados e
rindo muito...
E
quando me diziam que fulano é
pele!.... E eu exclamava égua!
(traduzindo essa palavra, ele tem o
mesmo sentido do porra, quando exclamado);
e bacana que para mim significava o
Pai dégua.
E
na hora do início da comida que
gritávamos: primeiro peru!...
que vinha a significar, o direito de
se servir primeiro.... Achava que essas
palavras e expressões, do meu
lugar de nascença, eram muito
mais masculinos, não sei porque....
Pai dégua, por exemplo, é
muito mais forte que bacana. Achava
muita graça quando chamavam os
outros de babaca que logo traduzia para
o meu paraensez: leso E isso não
ficava por aí.......
Uma
outra estorinha bem interessante, ocorrida
em 1959, foi a origem do apelido do
Paulinho (Perobo). Num domingo, quando
serviam aquele famoso queijo, ele além
de pedir primeiro peru, quis se apossar
de todas as fatias que estavam dispostas,
alegando que novato não tinha
vez. Levantou-se então o Caminha
(Cearense com cara de brabo), e reagiu,
energicamente, contra aquela ousadia
dizendo: não sou perobo não!...,
tu não vais ficar com o meu queijo
não!... e ameaçou o hoje
Perobo (Paulinho) de dar-lhe umas boas
porradas.... Paulinho então veio
se queixar a mim do Caminha e eu achei
que era melhor dar força a um
apelido do que questionar a atitude
do Caminha...... Desde então,
começamos a fazer uma análise
de como eram chamados os veados de cada
estado do país: no Ceará
era Perobo; no Rio era Bicha, Bichona;
na Bahia era Chibungo; no Piauí
era Bicó; no Maranhão
era Qualira; no Pará não
tinha veado.Hoje mudou.....Virou tudo
Gay....chique, não? Tivemos que
apelar para o Inglês para definir
viado...
E
os pronomes.... no Norte, conjugávamos
na segunda pessoa: tu jogas, tu ficas;
tu vais.... aliás, como disse
o Caminha para o Paulo Perobo..... Ainda
no Pará, quando tratávamos
o outro de você, era com a intenção
de aproximação para namoro.
Se eu estivesse querendo me aproximar
de uma moça para namorar, eu
a tratava como você que era mais
cerimonioso ao invés do tu, que
era forte e tratamento de macho pra
macho. Então eu achava muito
estranho ser tratado com o pronome você
e o verbo na segunda pessoa por que
aquilo não era coisa de macho.....
Eu
realmente estava num outro mundo e,
assim, fui percebendo o quanto havia
diferenças entre nós do
CNF que vínhamos das mais diversas
regiões do Brasil. Realmente
aquela integração que
o colégio proporcionava era algo
de fantástico. Talvez, hoje,
não se perceba tanto, dado a
enorme evolução tecnológica,
principalmente no âmbito da comunicação,
que permite uma integração
mundial, on line.
Não
sei se isso foi bom ou ruim, porque
hoje, estamos todos unificando nosso
sotaque e falando com as palavras e
expressões que a Dona Rede Globo
determina..... Parecemos todos protagonistas
das novelas das seis, das oito, das
mini série, etc,etc ... infelizmente.
Saudades
dos inocentes termos: marraia, fona,
companha ... que talvez o Cabral, o
nosso PhD em português, possa
explicara a origem dessas palavras.
Janeiro
de 2006
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Quando
Setembro Vier (I)
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Afonso
Chermont
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Faz
muito tempo, por volta de 1960, eu assisti
a um filme que tinha, justo, esse título.
Estava pensando em dar um nome a um relato
sobre o encontro dos Ex-CNF, no mês
de setembro, como sempre acontece, e lembrei-me
do filme de título sugestivo e
tudo de bom acontecia no nono mês
do ano.Quando Setembro Vier é uma
comédia americana que se passava
na Itália e tinha como atores Gina
Lolobrígida, Sandra Dee e Rock
Hudson.
Na
realidade, o que eu quero é descrever
o último encontro de setembro.
Sempre é muito bom rever os amigos
da juventude especialmente quando ela
foi vivida em ambiente bastante agradável.
Lá estavam todos: os presentes
lembrando os ausentes e os que já
se foram.
Com
o filme, algumas circunstâncias,
que nós envolviam no CNF, me
vieram a mente. Existiam dois cinemas
em Nova Friburgo: O Eldorado e o Marabá.
Acho que assisti Quando Setembro Vier
no Eldorado que era mais freqüentado
por nós, pois ficava perto do
ponto da camionete, mais central, muito
próximo do footing das garotas
no sábado à noite e perto
da igreja matriz. Lembrei que, no auge
dos filmes, normalmente a mocinha ia
dar um beijo do mocinho e o Luciano
Delle Vedove (Bambino era um
cara de São Paulo) tocava uma
gaitinha quando no momento do maior
silêncio. Recordo que o Silvério
Ortiz adorava essa situação.
Mantínhamos isso em absoluto
sigilo para que na próxima seção
a coisa se repetisse.
Havia
também o cinema do colégio
que se realizava todas quintas e sábados.
Recebíamos um dropes de anis
na entrada e, então, aquilo tornava-se
em grandes farras principalmente quando
o filme era mais forte e havia alguma
mulher bonita. Em compensação
aos filmes românticos cansei de
ver soldado americano, saindo do forte,
obedecendo a um toque de corneta e enchendo
os índios de porrada sem dó
nem piedade. Vi mocinho, rápido
no gatilho, matando os forasteiros e
malfeitores que se aproximavam das cidades
do Faroeste e ganhar o direito de uns
amassos nas moças do saloon.
Curti os piratas tomarem de assaltos
os navios e saquearem os tesouros e
mercadorias que cruzavam os mares e
os espadachins cuja maior expressão
era Errol Flin.
Sobre
o dropes o Silvério abria de
uma só vez o invólucro
metia-os na boca e depois jogava nos
outros que lá estavam. Sei que
as japonas, os agasalhos azuis de frio,
ficavam todos melados com os dropes
de anis cuspidos. Hoje, será
que jogando no Silvério um dropes
bem melado ele iria revidar?!
Lembrei
do Julo de Miranda, o rei do fio mal
cheiroso. Não sei onde ele obtinha
essa arma mortal, sei que, de vez em
quando, surgia no auditório um
cheiro insuportável e o Julo
estava lá firme e forte com a
sua pinta de David Niven.
O
cinema era a maior diversão,
pelo menos duas vezes na semana havia
seção no colégio
e quando descíamos para cidade,
para encontrar as meninas, íamos
ao Eldorado e, alternativamente, ao
Marabá. Interessante que antes
do filme passava um jornal da semana
chamado Canal 100: aplaudíamos
o nosso time de futebol, ficávamos
alvoroçados quando aparecia uma
mulher nos concursos de miss e vaiávamos
os políticos. Hoje em dia existe
um canal de cinema na TV chamado Clássico
onde passam todos os filmes daquela
época e sempre que procuro esse
canal aciono minha memória e,
invariavelmente, já assisti ao
filme.
Certa
ocasião, fui ver Teorema de Píer
Paolo Pasoline. Não entendi nada
do filme, mas falavam que era o cinema
moderno e tive de dizer, nos nossos
comentários, que era um bom filme.
Havia isso também: bom era aquele
filme que a pessoa normal não
entendia, mas achava que era bom para
mostrar percepção e intelectualidade.
Teorema
para mim era o que eu aprendi com o
Mestre Talvane Barros que enunciava:
dois triângulos são iguais
ou congruentes quando têm os ângulos
internos iguais.Ou o Teorema de Pitágoras:
num triângulo retângulo,
o quadrado da hipotenusa é igual
à soma do quadrado dos catetos.
Então, fui para o cinema imaginando
que teria uma demonstração
em que houvesse tese, hipótese,
desenvolvimento e conclusão.
No Teorema de Pasolini a demonstração
se referia a uma família onde
um filho queria comer a mãe...
e, decididamente, não tem nada
a ver com matemática.
Toda
vez que retorno a Friburgo, ao CNF,
me recordo de situações
especiais ora engraçadas ora
embaraçosas, sempre muito alegres,
como era nossa vida! A prova está
no início desse relato onde queria
falar sobre o encontro Setembro / 05
e acabei falando de cinema, misturando
com aula, matemática, o quadrado
da hipotenusa e os catetos. Acho que
quem se der o trabalho de ler pode não
entender nada e até gostar como
eu tinha de dizer que gostava do filme
de Pasolini.
Sim
e a festa de setembro? ela começa
bem antes da viagem. No encontro desse
ano procurei, pela nossa rede CNF na
Internet, uma carona para subir logo
pela manhã de sexta feira, imediatamente,
do aeroporto para Friburgo. Recebi algumas
ofertas inclusive do Roberto Malheiros
que eu não tinha notícia
há quarenta anos. Não
subi com ele, pois somente o faria pela
parte da tarde, reencontrei o amigo
Malheiros já na Majórica
que me apresentou sua esposa
pessoa de extremamente educada e gentil.
Subi
com o Paulo Rogério Mussi
craque no futebol e baterista da melhor
qualidade. Mussi vem registrando os
gols que faz em peladas que participa
e imagino que ele já tem mais
de 5.000 gols muito mais que Pele. Sobre
sua habilidade como baterista todos
nós sabemos pois é titular
do papoula faz mais de quarenta anos.
Conversamos muito na subida ele me contou
sobre as dificuldades econômicas
que o país está passando
e que afeta a nós todos. As empresas
sofrem com os juros altos e as dificuldades
se multiplicam especialmente com as
de porte pequeno..
Na
subida verifiquei que a estrada Rio
Friburgo, agora, tem três cabines
de pedágio e está bem
melhor que no passado recente quando
não era privatizada. Quando passei
por Cachoeiras de Macacú lembrei-me
de duas pessoas: uma moça razoavelmente
bonita, caixa da parada que nos atendia
logo na entrada da lanchonete e do meu
prezado Jayme Baltazar. Esse, como sempre,
enxuto com aspecto de atleta. A menina
do caixa, quando retornamos a Friburgo
para os encontros da associação,
ela me reconheceu e disse: agora vocês
já são uns senhores! Fiquei
pensando nela e acho que ela poderá
estar com seus 150 anos sem maldade.
No momento que a reencontrei ela já
não estava mais com o semblante
que o outro morador ilustre de Macacú,
ainda hoje, ostenta.
Chegando
a Friburgo encontrei com o meu prezado
Ronaldo Lobianco. Fomos almoçar
e o meu amigo me ofereceu uma truta
com molho de alcaparras. Tenho Ronaldo
na conta de uma pessoa muito dileta.
Sempre muito cortês me mostrou
as transformações nos
seus negócios comerciais e seu
avanço na área da construção
civil e seus projetos de arquitetura.
Encontrei,
também, tão logo, minhas
amigas Marga e Márcia (esposa
e filha de meu falecido amigo Maurição)
quando nos vemos sentimos um pouco de
tristeza que é compensado pela
lembrança do bom humor que era
implícito no Maurício.
Falamos dele e da forma singular de
sua maneira de ser. São intermináveis
conversas que ele, muitas das vezes,
se faz presente fortemente como era
forte sua personalidade. Nos deslocamos
para a casa de Marília, a outra
filha, e lá, como era hábito
na casa do pai, a mesa fica posta permanentemente
e sempre se tem de comer algo sob pena
de fazer desfeita. Conversei com Marcelo
marido de Marília e Zé
Maurício (e sua mulher Stéfani)
o filho mais novo de Maurição.
O lanche de Marília estava delicioso
e elogiei o pão. Disseram-me
que era da padaria da família
do marido de Dada, filha do Professor
Chianca, no largo Paysandu, e, vez por
outra, o Chianca estava por lá.
A nova geração fez um
negócio moderno e de grande porte.
Pela manhã, no sábado,
antes da caminhada no Country Club,
passei em frente ao shopping do pão
e fiquei impressionado com o tamanho
e a movimentação do negócio.
Ainda,
na sexta à noite, no encontro
da Majórica, sentimos, ali, pelo
entusiasmo dos cumprimentos que teríamos
um final de semana bem feliz. De fato:
os velhos amigos estavam lá relembramos
as facetas da época do colégio,
as situações mais engraçadas
e tudo mais se transformando em alegria.
Nessa
ocasião o João Marcos
Moraes (Tof Tof) estava com um texto
que eu havia escrito e me censurava
por um lapso de minha memória.
Escrevi eu que do Hotel Novo Mundo,
em 1958, poderíamos ver o presidente
Getúlio Vargas no Palácio
do Catete que ali morava. Errei: o comentário
que eu ouvi dos funcionários
do hotel era que os presidentes após
Vargas não mais habitavam no
Catete, pois muitos haviam visto o fantasma
de Vargas que ali morou e morreu. Peço
desculpas pelo erro e espero me redimir
de tão grave falta.
Do
mesmo Tof ouvi que o Silvério
não viria, pois havia escorregado
do alto de um carro alegórico,
em uma parada recente em São
Paulo, se machucado na perna e não
estava podendo andar. O Tof não
está falando a verdade acho que
o Silvério caiu da bicicleta
mesmo, não creio que da forma
como ele é fortão e esbelto
ele cairia tão facilmente de
carro alegórico.
Na
Majórica, revi: Marga Hanning
(irmão do Sven) uma das mulheres
mais bonitas que conheci na minha juventude.
Fomos inseparáveis durante pelo
menos dois anos, pois com sua prima
fui muito ligado. Marga ficou viúva,
seu marido era um médico Colombiano,
e levou o filho para que nós
o conhecêssemos.
E
por falar em mulher bonita estavam,
na Majórica, nossas ex-colegas:
Teresa, Maria Alice, Silvia ... Elas
dão indícios do que foram
no passado. Muitos indicadores físicos,
perfeitamente aproveitáveis ainda
hoje, sem nenhum problema, demonstram
a importância delas. Sinto ciúmes
delas todas e as tenho como coisas permanentes
e tombadas na associação.
Se elas não se fizerem presentes
uma parte de nós estará
faltando. Como era bom ter uma menininha
por perto da gente a nos perturbar o
juízo. Elas eram amadas e nos
despertavam os sentimentos mais difusos.
Coloco
nesse rol a Ângela Fabris Bastos
que foi aluna no período de 1973/74,
portanto, pelo menos dez anos depois
de termos saído do colégio.
Ela me revelou que, junto com suas colegas,
tinham seus programas favoritos: ver
os alunos mais velhos namorar, não
sei se nos bailes, nas visitas das meninas
ao colégio, não sei bem
em que circunstância. Ela me contou
esse fato em um encontro de setembro
e como ela estava, agora, na Majórica
poderia ter perguntado ou pedido mais
esclarecimentos não o fiz por
pura timidez.
E
os amigos: Vejo o Julo como se fosse
o mesmo. Está ainda melhor, agora,
pois sua esposa é pessoa extremamente
agradável. O Luiz Otávio
Bela, em certa época, estivemos
muito juntos no Rio e convivi com sua
mãe de quem me lembro com muita
comoção. Ela generalizava
sua atenção e os amigos
de seus filhos passavam a ser seus filhos.A
mulher do Bela me confessou que gosta
dessa nossa farra e que com esse é
o terceiro encontro que está
presente. No pensamento me vem a figura
do Belinha um dos caras mais
travessos que conheci no colégio
que , inclusive, conseguiu a façanha
de cair do terceiro andar do prédio
do ginásio.
Grande
Osório: ele gosta de ser chamado
de Zé Bombeiro II, para diferenciar
bem do I que era metido a machão.
Certo dia houve uma festa junina no
pátio do ginásio, anos
sessenta, bem ao lado da janela da enfermaria
onde eu estava curando uma gripe com
a assistência da D. Maria e Dr.
Ratisbona. Não resisti e fugi
para a festa e lá conheci, a
irmã do Zé. Encontrei-me
com ela no Rio e fiquei encantado com
sua beleza que até hoje não
a esqueci. Do Bombeiro recordo que ele
distribuía as cartas que chegavam
pelo correio, se vestia de carteiro
para cumprir importantíssima
missão. Com sua esposa, na Majórica,
iniciei uma conversa sobre Belém,
mais especificamente sobre o porto de
Belém que foi revitalizado e
hoje é uma área de lazer,
mas não consegui terminar a conversa.
Quem
apareceu dessa vez foi o Paulo Roberto
Vasconcelos: Paulinha, filha de Paulo,
fez concurso para o TJE em Belém
e me deu o prazer de sua visita. Aliás,
tenho sido procurado por filhas de nossos
ex-colegas: Sandra, filha de Marivaldo
Cavallini; Thais, filha do Artur Alvarez
Jr.Como tenho Pepeu, filho de Clóvis
Cavalcanti que mora em minha casa, divido
com ele a tarefa de recepcioná-los.
Falar
com o presidente Robert Gayer é
sempre uma honra. Fico impressionado
com a dedicação do mesmo
para a grande associação
do G/CNF, impressionante como ele transmitiu
à Therezinha o amor que temos
por tudo que nos circunda. Ele mantém
a rede, o site, as informações
do dia a dia. Obrigado Gayer e Therezinha
pelo nosso convívio, o mais elevado.
Outro
dia estava em Brasília e, à
noite, saí e fui a um shopping
e encontrei o caro Reinaldo Henriques.
Que imenso prazer, fico feliz em ter
essas surpresas. Na Majórica,
mais uma vez, comentamos esse outro
encontro.
Fernão
Gondin da Fonseca e Sérgio Fernandes
Rodrigues eu os cumprimente juntamente
com as esposas e soube que estavam elas
responsáveis pela feijoada do
dia seguinte. Fico imaginando e sinto
como é intenso o trabalho da
associação e fico com
vergonha porque tiro uma de turista
e pouco valorizo as tarefas desgastantes
que alguns se desdobram em fazê-las.
A
esposa do Capelluto nasceu para ser
mulher do Capelluto. A verdade é
que meu caro Mário gosta de música
romântica, pintura clássica,
tudo, pela certeza de que é uma
pessoa amada. Sua tranqüilidade
está expressada pela ternura
que é transmitida pela simpática
italiana (se não for tem todo
o jeitão) invariavelmente presente
aos encontros.
Aprecio,
muito mesmo, a Ana do Tof Tof. Acho-a
elegante! Um dia perguntei a ela se
conheceu o Tof quando ele tinha as formas
de uma atleta. No mesmo instante ela
tirou uma foto da bolsa e mostrou um
atleta com uniforme do Lá Vai
Bola (time de futebol de praia) e pude
constatar o físico privilegiado
do Tof de décadas atrás,
muito tempo atrás, mesmo.
O
Nils Aune em nova versão (bem
magro) e é uma presença
constante nos encontros sempre na companhia
da esposa. Perguntei pelo seu irmão
John que não foi com a desculpa
de que precisava descansar. Sabe, tenho
comigo umas coisas diferentes eu gosto
de ficar é bem cansado quanto
mais agito me sinto melhor. Digo em
casa que vou descansar e não
paro um minuto. Acho que John está
precisando de ficar exausto.
E
o Marcelo Palavrinha? O prof. Talvane
me contou que uma vez ele que ouviu
vários estrondos no banheiro
do prédio do científico.
Indo até lá para ver,
era o Marcelo que com um peso (usado
como lançamento na Olimpíada)
na mão estava a bom quebrar piso
por piso de cerâmica. Houve uma
áspera discussão e desde
esse fato os dois ficaram estremecidos.
Lembro que em um desses encontros eu
estava perto do Marcelo quando chegou
o Talvane e não houve um cumprimento
tão cordial. Não sei se
eles já se perdoaram.Também
chamar atenção do Marcelo
por tão insignificante brincadeirinha!
Osmarino
tem um apelido que não tive coragem
de pronunciar perto de sua namorada.
Se fosse Bestial (Hilton Machado Jr.),
Tripé (Curi), tudo bem, pois
isso denota certos privilégios
que poucos ostentam, agora Zé
Meleca é demais.
Na
Majórica eu confundi o Caramigo
(Carlos Ferreira da Silva Jr.) com o
Zigfried e quando o cumprimentei perguntei
por uma antiga namorada de Zig que eu
a conheci. O Cara ficou me olhando e
deve ter pensado que eu sou doido. Somente
no dia seguinte é que fui esclarecer
que o Caramigo que é de São
Paulo, Piracicaba, foi aluno um pouco
antes de mim, fazia esporte, bateu alguns
recordes nas olimpíadas. Trouxe
umas fotos de eventos no CNF, se queixou
que pelo menos um record eu quebrei
e, porra, não tem nada a ver
com Zig.
Ainda
quero escrever sobre o segundo dia de
encontro, o almoço e o baile,
e como esse está muito longo
vou dividi-lo em duas partes.
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Quando
Setembro Vier (II)
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|
Setembro
veio e eu fui. Fui a Nova Friburgo,
como tenho feito dentro de uma
rotina nos últimos vinte
anos, para o nosso encontro dos
Ex-CNF. Esse de 2005 foi diferente:
um pouco menor, por causa do feriado
de sete de setembro que caiu numa
quarta feira e não houve
o desfile. De outra forma, para
mim, foi mais longo, pois coincidiu
com a primeira terça feira
do mês e houve o chopapo
no Rio, evento que não
tenho muita chance de participar
e que nesse ano contou com uma
boa presença na Taberna
Atlântica.
No
sábado, após a reunião
na Majórica do dia anterior,
subi ao CNF. A estrada de paralelepípedo
que comento, comigo mesmo, da
qualidade da obra de mais de cinqüenta
anos que se mantém intacta,
perfeita, não necessitando
maiores reparos. Subi no carro
de meu amigo Ronaldo Lo Bianco
e pensei, em outro sentido, de
como os carros evoluíram,
pois me parecia que as camionetes
do colégio, pilotadas pelos
Srs. Zé, Ataíde
e Russo, sofriam para subir a
ladeira, quase sempre lotadas.
Lembro-me dos comentários
da época que a Fundação
Getúlio Vargas tinha que
trocar os motores todo o ano para
que elas se mantivessem em condições
de fazer o permanente transporte
entre o campus e a cidade.
Na
ladeira lembrei de grandes aventuras,
fugindo à cidade, certa
vez, não posso me esquecer,
para ver a seleção
de futebol treinar: a de 1958
com a devida e competente orientação
do Silvério Ortiz que,
veterano, estava acostumado a
esse tipo de infração.
Recordo ter visto Pelé
sem que a ele desse muita atenção,
pois sua fama ainda não
era tão grande. Gostava
do Didi por sua forma clássica
de jogar, os passes longos, a
folha seca. Em 1962 os jogadores
eram mais famosos e eu já
não mais precisava fugir
para descer, fui direto ao Hotel
San Sussi e o meu preferido era
Quarentinha, por ser paraense
e, na verdade, ser um craque,
com chute muito forte, atlético,
de passadas largas e um, acima
de tudo: bravo, forte e filho
do Norte.
Lembrei,
também, que uma vez estávamos
subindo: Julo, Paulo Perobo, Baroni,
Neville e tantos outros. De repente
avistamos um cavalo e a rapaziada
improvisou um cabresto, montaram
no animal e tocaram para subir
a ladeira. O pobre do bicho com
dois no lombo tinha extrema dificuldades
em subir pelo peso e a declividade
da ladeira. Olhando por trás
vi Julo rindo muito daquela passagem
e comentando comigo: eles vão
quebrar a suspensão do
cavalo! Do caro Julo tenho muitas
coisas para contar, coisas boas
e engraçadas, uma hora
vou reunir todas e torná-las
públicas.
Cheguei
ao CNF e fui estacionar no prédio
do Ginásio. Encontrei com
o Camilo, aliás Dr. Camilo,
médico com consultório
na Praça Nossa Senhora
da Paz onde já o encontrei
andando por àquelas plagas.
O cumprimento entre nós
é sempre cordial, carinhoso
como o de velhos amigos que realmente
somos. Entrando no antigo refeitório,
onde está implantado o
memorial, observo cada objeto,
cada utensílio, que me
fazem recordar certas situações
da nossa permanente alegria. Falei
com os meus colegas e percebi
que a turma, um pouquinho mais
velha, tem dado prestígio
aos encontros muito mais que os
de minha geração,
que por sua vez, é muito
mais constante que os ex-alunos
dos anos setenta. Falei, de passagem,
com meu dileto e caro amigo Lopinho
Sou eternamente grato a esse meu
amigo pois me socorreu com apoio
amigo e carinhoso quando minha
mulher Ilka chegou para tratar
de um filho doente que no Rio
foi buscar cura. Quando ele fez
quarenta anos telefonou para Belém
e convidou-me para eu estar presente
no seu aniversário que
seria comemorado na Boite Mikonos.
Parti para o Rio e fui ao niver
de meu amigo, com muito prazer,
com muita alegria, queria levar
meu abraço ao prezado amigo.
No
memorial olhei rapidamente para
uma parede em que fui distinguido
com uma foto e achei que deveria
ser ao contrário queria
que meus amigos estivessem na
foto e eu, vez por outra, pudesse
recordar de todos os momentos
que passamos em ambiente de alta
camaradagem.
Pedi
a Açoce (logo no início
da As dos Ex CNF pensei que o
nome de nossa colega secretária
fosse a sigla da Associação)
que me permitisse ver meus e-mails
e na mesa do computador olhei
para alguns objetos em volta da
sala de entrada. Vi aqueles bules
de alumínio que serviam
suco ou leite para nós
e recordei-me de algumas passagens:
dos sucos de laranja que fazíamos
espremendo a laranja com a mão
e, após, uma invariável
guerrinha de bagaço. O
amigo Helvécio Mattana
Saturnino deve se lembrar disso
muito bem. Outra, uma porrada
entre o Jorge Maurício
(prematuramente falecido) e não
me lembro contra quem, mas sobrou
para o Joel Novita que levou um
bule e um açucareiro na
cabeça que o deixou em
estado lamentável.
Subi
para o Científico, estacionei
perto de uma casa dos professores,
verifiquei que as construções
estão bem mantidas com
as mesmas características:
feitas com pedra, pintadas de
branco, com portas e janelas azuis,
justamente, como à época
que lá
estávamos. Na garagem das
casas, alguns professores, tinham
um Mercedez Benz o que conferia
a eles um padrão de vida
bastante razoável. Era
dignificante a função
de professor!
Encontrei:
Lulu, sempre muito solícito,
e que tem invariavelmente desfilado
na guarda de honra junto comigo,
Fifico, Parkinson, etc. Lamentamos
que em 2005 não haveria
desfile em função
do feriado cair na quarta feira.
Alguns que não foram de
minha época, mais velhos
alguma coisa, como o Jose Altino
me ofereceu uma bebidinha, lingüiça
mineira e falamos rapidamente
sobre a Amazônia.Lembrei
de perguntar se o filho mais novo
dele estava lá, pois li
em uma crônica sua, publicada
no site CNF que ele havia tido
essa ventura de ser pai, mais
uma vez, recentemente.
Conversei
longamente com o meu inesquecível
amigo professor Ezequiel Monteiro.
Em ano não muito distante,
tive a honrosa visita de meu mestre
amigo que viajava pelo Brasil
afora dando aula para o Senai.
Recebi em minha casa, tomamos
um whisky paraense, exageramos
na dose e na madrugada, no adiantado
da hora, perguntei o horário
ele teria de viajar e se não
haveria perigo de perder o avião?
Respondeu-me: - eu aprendi no
CNF que os problemas posteriores
se resolvem posteriormente. Entendi
que aquele momento era de certa
alegria e que não deveria
ser interrompido e o vôo
era um problema para ser tratado
posteriormente. Não poderia
nunca me esquecer do Zequi, como
eu o chamava mais intimamente:
no final do ano de 1964, nos últimos
dias e com o curso concluído
ficamos apenas esperando a formatura.
Não sei por que decidimos
assaltar a dispensa com a finalidade
única de diversão,
aliás esse fato está
narrado por um por um autor ou
coautor da façanha Carlos
Verilson Japiassu e está
publicado no site. Em determinado
momento o Prof . Ezequiel me chama
e pergunta se eu havia participado
daquilo. Disse-me mais: Você
foi escolhido o Aluno Excelente
(Prêmio Saúde, Saber
e Virtude), na reunião
do conselho e agora essa situação
ficou muito ruim... Confesso que
se arrependimento matasse eu teria
morrido ali, em 1964. O professor
entendeu que se tratava de uma
molecagem sem muita maldade e
disse que não deixaria
que aquilo interferisse na concessão
do prêmio. Acho que devo
a ele o perdão que obtive.
Admito que eu não era nenhum
santo, mas não era um caba
safado, pelo contrário
não creio que tenha existido
alguém que gostou do CNF
tanto mais do que eu. Meu caro
Ezequiel, peço perdão
pela falha e agradeço a
confiança. Tenho pautado
minha vida com a dignidade que
assimilei no colégio e
muito consigo de quem sou admirador.
Depois
da feijoada, feita com todo carinho
pelas esposas de nossos colegas
Fernão Gondim da Fonseca
e Sérgio Fernandes, desci
para cidade para um leve período
de descanso, pois a noite haveria
o Baile e todos estariam presentes.
Não pude descansar: Márcia
Etz me convidou para assistir
o concerto da Euterpe Friburguense
que é uma banda centenária,
uma das mais antigas do Brasil
e que acompanharia um coral onde
sua mãe, minha dileta Marga
(viúva de meu inesquecível
amigo Mauriçâo) iria
cantar. Assim, lá fui eu
deslocando-me para o Hospital
Naval (chamávamos de Sanatório
Naval) encontrando um ambiente
bonito, bem arrumado, com muita
ordem. A banda estava em uma das
entradas do prédio e logo
alguns degraus acima, por trás,
o coral se situou.
Gostei
muito do espetáculo, tocaram
alguns dobrados, musica brasileira,
Tom Jobim, Vila Lobos, Pixinguinha,
em destaque para bossa nova,The
Girl Fron Ipanema. Achei belíssima
a performance da Euterpe e do
Coral. O que me fez gostar mais
do concerto foi a presença
do Prof. Paulo Jordão que
fazia a apresentação
a cada intervalo de música
definia o autor, o arranjo
da banda o solista etc.Chamava
atenção para os
músicos, todos amadores
em vias de profissionalização.
Entendi, também, que a
Euterpe Friburguense funciona
como uma escola de músicos
o que a tornou, no meu íntimo,
ainda mais relevante.
No
intervalo maior procurei pelo
Prof Jordão e fui recebido
com muito carinho sendo por ele
conduzido até sua esposa
a quem cumprimentei retribuindo
a ternura de como fui tratado.
As pessoas que conviveram em Friburgo,
naquela nossa época, mantêm
um espírito de fraternidade
que não consigo definir.
Acho que estávamos todos
envoltos em um programa muito
mais amplo de que uma simples
escola colegial. A forma moderna
de educar não se limitava
à aula e atividade extraclasse,
ia além: às pessoas,
todas, eram sempre os centros
das maiores atenções
e preocupações.
Encontrei
na platéia com Lola Madeira.
Os que são de minha época
sabem o quanto foi bonita a menina
Lola e, hoje, uma belíssima
mulher. Disse-lhe que estava ali
a convite de Márcia e que
iria depois para o Baile do CNF.
Ficamos perto um do outro e, na
conversa, ela me contou que não
estaria no Queijos e Vinhos porque
sua inseparável amiga Sônia
Barroso não havia subido.
Lamentei e pedi para que não
falte no ano que vem, pois sua
presença faz bem para os
olhos e para a imaginação.
Em resumo: havia pessoas lindas,
um lugar bonito, uma música
de qualidade, uma noite com o
clima agradável de setembro,
aí, imaginei que a diretoria
da Ass.do Ex-CNF bem que poderia
integrar-se à programação
do Hospital Naval (no passado
isso era muito comum) e, no mês
de setembro, fizéssemos
algo em conjunto e com a participação
do Prof. Jordão ligando,
nesse quadro, a música
também. Gostaria que meus
colegas e seus familiares tivessem
o prazer que eu tive ao participar
de um evento simples, é
verdade, mais de relevante sensibilidade
e com enorme benefício
à alma.
Mais
tarde, ainda no sábado
à noite, subi o morro,
ladeira acima, junto com meu amigo
Ronaldo Lo Bianco, e lá
estou, no nosso já tradicional
Queijos e Vinhos, a encontrar
pessoas com quem eu tive momentos
dos mais prazerosos.
Estavam os professores: Edmar
Dias Teixeira e sua esposa Profa.
Terezinha pessoas da maior dignidade.
Tive uma relação
com o Prof. .Edmar com a maior
elevação e seriedade.
Confesso que eu era chegado a
um privilégio e se fosse
possível poderia até
abusar de reivindicar, para mim,
certas condições
e meu caro amigo sempre entrava
em acordo comigo: se v. acordar
no horário durante a semana
v. poderá descer a cidade
à noite. Eu tinha intensas
atividades: Tiro de Guerra; disputava
o campeonato de basquete por clube
da cidade; Clube de Teatro, etc.
e, ainda, minha namorada que quando
eu não descia ela subia.
O fato era que o Professor era
o coordenador do científico
e professor de matemática,
uma das disciplinas mais levadas
a sério como sério
era o próprio homem e o
principal: um justiceiro. Lembrei
de Valéria, sua filha,
uma simpática criança
que andava de chupeta na área
ajardinadas daquele campus de
rara beleza. Profa. Terezinha
lembrou que esteve em Belém.
O Prof. Délio Freire e
esposa, outro educador e formador
de personalidade com as mesmas
características de seriedade,
honestidade profissional, estudiosíssimo,
gostava como ninguém de
dar aula de física. Lembrei
de Ani, sua filha mais velha,
que naquela altura era um bebe,
e no ato ele me mostrou que ela
estava presente acompanhada do
marido. Do estimado Prof. Ezequiel
falei um pouco, agora mesmo lembrei
que à noite tomávamos
cachaça ouvindo serenata
com Carlinhos Baú cantando
e tocando violão e, no
dia seguinte, como se nada tivesse
existido, estávamos assistindo
sua aula com a respeitabilidade
necessária e adequada para
uma escola avançada sob
o ponto de vista da educação.
Vi
o Prof. Trota com quem não
convivi mais tenho informações
e mesmo pelo seus livros percebo
a importância do homem e
do professor. Estava lá
sentadinha observando a tudo D.
Alice na sua mais plena ternura.
Em outro encontro conheci Darlam
seu filho e, agora, sua filha,
que, aliás, se parece muito
com ela. Foi excelente a lembrança
de homenagear essa pessoa que
a nós dedicou sua vida,
enfrentando-nos, feras e mais
feras, e, sempre, com absoluta
calma resolvendo todos os problemas
que nos eram inerentes.Tinha em
D. Alice uma grande amiga e, sempre
fui tratado como um filho.
Estou
curioso para ver no próximo
setembro a silhueta do Nils Aune
o cara deu uma reformada digna
de elogios. Lulu sem Cristina
é menos Lulu, mas mesmo
assim é grande nas atitudes
e na devoção a tudo
que envolve a nós cenefinos.
Gayer e Therezinha o nosso grande
presidente e maior anfitrião.
E o Dr. Camilo um dos mais constantes
nos encontros. Vasco Ferraz que
o Silvério acha que ele
é ex-aluno virtual é
um boa praça e tem sido
freqüente nos chopapo de
São Paulo. Estavam animados:
Sérgio Fernandes, Fernão
Gondim da Fonseca, Ozório,
Sérgio Jofili (que de Abacate
não tem nada); uma mesa
animada Julo, Bela, Osmarino,
Tof, Paulo Vasaconcelos, Mussi
na bateria qualquer que fosse
o músico, aliás
acho que o Mussi poderia ser ou
um grande jogador de futebol ou
um baterista bem cotado. Sérgio
Fernandes e Fernão Gondim
da Fonseca estavam sentados e
em determinado momento olhei para
a escada que dava acesso para
as salas de aulas e voltei no
tempo: para mim parece que foi
ontem que eu subia dita escada
em duas passadas sem maiores esforços.
E o Demóstenes (Acre) quando
olho para ele me vem na mente
seus cadernos nobres, sempre muito
bem feitos, com desenhos ilustrativos
e dignos de um artista.
Despertavam
em mim uma sensação
de inferioridade, pois, diziam,
que você passando a matéria
do caderno de rascunho para o
caderno nobre você estava
estudando e, importante, é
fazer com arte que adicionam um
ponto na sua nota no fim da unidade.
Eu não conseguia fazer
o tal caderno nobre e não
obtinha nenhum ponto adicional.
Não era meu negócio,
agora subir a escada com dois
passos eu era mais eu e achava
mais relevante que fazer caderno
nobre.
Interessante,
também, era a divisão
da matéria: era uma tal
de fim da unidade que nem era
no fim do mês nem no fim
da permanência, seguia uma
seqüência cronológica
totalmente diferente, pois o primeiro
dia não era na segunda
feira, mas, às vezes, era.
Cansei de chegar com o orientador
e perguntar: Hoje é o primeiro
dia ou já será o
segundo? Sabe aqueles horários
que os cadernos traziam: segunda
feira, terça ferira.. não
serviam para nós! Didática
moderna é foda!
Em
determinada hora vi o Moises Baffi
Agreste (Limonada, Limão
para os mais íntimos, apelido,
que até hoje, não
sei porque) estava muito animado.
Trata-se de pessoa elegante de
fácil convivência
e admirado por todos. Acho-o feliz
e, invariavelmente, está
sorrindo e tem ao seu redor muitos
amigos e amigas daquela época.
E
as meninas? As nossas: Teresa,
Sílvia, Maria Alice e as
outras nossas: Wilma, Vera, Neiva,
Márcia, Sônia, Marga
Haning, Lola, Ani, Regina, Kica,
Therezinha (ex Limão )
e muitas outras. Estavam quase
todas lá. Lembro que nos
bailes daquela época havia
uma camionete para trazer as meninas.
Como era esperada essa caravana!
Guardada no mais absoluto segredo
conseguíamos ter uma bebida
alcoólica, para que o frio
e a aflição, principalmente,
diminuíssem. O meu coração
batia mais forte quando ouvia
o ronco do sofrido motor do micro
ônibus chegando ao colégio
e eu era tomado dos mais primitivos
sentimentos de caba do norte.
Quero
eternamente poder revê-las
e confessar,hoje, uma menor aflição,
mas possivelmente, grandes sentimentos
não tanto primitivos.
Foi
um sábado feliz de setembro!
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Quando
Setembro Vier (final)
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No
mês de setembro o clima de Friburgo,
geralmente, tem sido agradável
exceto determinado ano que choveu e o
desfile foi interrompido. Eu nem saí
da cama, pois tinha certeza que não
haveria desfile. O setembro de 2005, a
temperatura estava amena, não choveu
o que tornou o nosso encontro bem aprazível.
Não
tendo acontecido o desfile, o feriado
somente na quarta, voltamos para o Rio
mais cedo. Pedi ao presidente amigo Robert
Gayer que incentivasse o Chopapo da primeira
terça feira do mês na Taberna
Atlântica. Deu tudo certo: de minha
parte falei com os que moram no Rio e
telefonei para alguns que, quem sabe,
poderiam ir . Sempre imagino que somos
uma categoria em extinção
e qualquer oportunidade deve ser aproveitada
com o máximo de intensidade.
Desci
de Friburgo para o Rio com Ronaldo Lo
Bianco marcamos com as Irmãs Eberius
Regina e Kika, amigas de longas
datas, para que almoçassem conosco.
Ronaldo combinou e nos encontramos em
restaurante em Ipanema e lá conversamos
sobre a vida: do passado, a atual e do
futuro...
Fomos
à casa de Ronaldo onde tive o prazer
de rever seus filhos: Caio, Lana e Mila.
Estão todos lindos! As meninas
tomando o rumo de moças e prometem
com graça e beleza tornar ainda
mais bonita Ipanema, bairro que tenho
grandes e indeléveis recordações
de minha vida. O som que predominava a
época era a Bossa Nova e as variações
giravam em torno da música americana
com alguma preferência por Frank
Sinatra. Recordo, mais recentemente, que
foi lançado um Long Play (era isso
mesmo) em que ele formou uma dupla com
o nosso Tom Jobim, que mostrava a fusão
da música brasileira com a americana,
para o meu orgulho Tupiniquim. Peguei
a revolução dos Beatles
na música internacional.
As
moças da minha época começavam,
audaciosamente, a usar biquíni
que chamávamos duas peças
e lá íamos nós atrás
de tamanha imponência. Ia à
praia em Ipanema entre Garcia Dávila
e Maria Quitéria. A Vinicius de
Moraes chamava-se Montenegro e era um
reduto badalado e de lindíssimas
mulheres. O Rio era uma festa! Hoje deve
ser o mesmo só que não sou
mais personagem.
Então,
prosseguindo, à noite, na Segunda-feira
me hospedei com meu amigo Paulo Souza
(Perobo) na Barra. Jantei com o casal
Paulo e sua encantadora Kátia.
Gosto muito de Kátia que nos trata
como se tivéssemos a idade de quando
estávamos em Friburgo. Do meu amigão
Paulo tenho as melhores recordações.
Convivemos há quase quarenta anos,
nossos filhos se tornaram amigos e convivem
sempre que possível. Percebendo
essa amizade, certa vez o Tof Tof (sacanear
os outros é com ele mesmo) disse
pro Paulo: eu vi o Chermont no Rio desde
a semana passada e ele não te ligou;
isso é que é sacanagem...
Não passo um mês sem que
não me comunique com meu caro amigo.
Na situação mais difícil
que passei com meu filho doente, no Rio,
Paulinho apoiou com carinho e com amizade.
Temos uma ligação forjada
nas montanhas de Friburgo e ainda jovem
lutamos para vencer. Trata-se de um amigo
que quero manter pela vida toda. Obrigado
meu caro Paulo ou Perobo (tenho intimidade
para chamá-lo de Perobo e vou chamar
a vida inteira) pela tua amizade.
Na
terça, fui à praia na Barra
e fiz uma longa caminhada. Fui almoçar
no Shopping da Barra, fiz pequenas compras,
que em Belém não consigo
obtê-las, fui ao cinema motivado
pelo fato de que o autor do filme chamava-se
Breno Silveira. Acho que é filho
do Cydno Silveira. Certa vez, encontrei
Cydno no Nordeste que me falou de um filho
seu que era ligado a cinema e fotografia
e me deu uma foto do Rio tirado por ele.
Os Filhos de Francisco, que assisti, está
cotado para receber o Oscar de melhor
filme estrangeiro. Estou querendo dizer
que o CNF está tão entranhado
em minha vida que faço associações,
aproximo certas situações
e consigo estabelecer uma correlação
até onde não existe. Vou
rogar, com convicção, que
o filme seja vitorioso para que eu possa
me orgulhar de um descendente de um Cenefista.
À
noite fui a Taberna Atlântica pegando
um engarrafamento monstro da Barra até
Copacabana, disseram-me que houve uma
guerra entre os polícia e traficantes
e parte do Rio estava interditada. No
carro de Paulo Perobo estavam, além
de sua mulher Kátia, seus filhos
Sérgio e Pedro e a conversa foi
tão divertida que a hora passou
e não percebi a lentidão
do trânsito. Fiquei um pouco preocupado,
pois havia marcado com Magaly ex- aluna
do CNF e imaginei que ela somente entraria
na Taberna Atlântica se estivéssemos
por lá.
De
fato, Magaly ficou esperando e quase desistia
e não eu não teria o prazer
de rever a minha amiga que muito prezo
pela sua educação e finesse
(fiquei nessa palavra para não
dizer que ela é muito bonita).
Indaguei por quê ela não
entrou na Taberna Atlântica e, de
pronto, respondeu-me que não conhecia
ninguém que lá estava. È
possível! Magaly estudou no CNF
nos anos setenta sendo, portanto, ligeiramente
(uns quinze anos) mais nova do que o pessoal
de minha turma.
Foi
extremamente agradável estar novamente
no seio de pessoas que se ligam por uma
instituição que foi extinta,
mas que permanece viva no pensamento de
todos que por lá passaram. Foi
um prazer estar com meus amigos que já
havia encontrado em Friburgo dias atrás
e alguns outros que não estiveram.
Encontrei
o Fernando Franco conhecido como Feijão
(sei que é Feijão por que
seu irmão, mais velho, era Feijão).
Lembramos de uma temporada que Feijão
passou em Belém e trabalhamos um
projeto de um overkraft (embarcação
que serve para andar sobre a água
e a terra e, assim, apropriada para andar
na Amazônia) para a Universidade
Federal do Pará. E o caro Paulo
Sérgio Longo: recordamos que fizemos
o Tiro de Guerra, juntos, na mesma turma,
e de alguns amigos da época. Falamos
de família e de filhos; Longo é
meu amigo e sempre nutrimos muita simpatia
um pelo outro: invejava seu modo extremamente
calmo em tudo inclusive jogando de becão
central. Falei com o Nuno que já
não via faz algum tempo. Bella
me apresentou sua filha mais velha acho
que a conheci bebe. Meu caro presidente
Gayer, com muita gentileza, me presenteou
com um CD com as fotos da Majórica,
Almoço e Queijos e Vinhos, do encontro
de setembro. Dos fundadores, rever o Teixeira
Leite é sempre um prazer. Tenho
boas lembranças dos meus amigos,
compartilhamos na época de estudantes
do CNF de momentos muito felizes e, agora,
já estamos nos tornando um corpo
considerando o fato que estamos nos reunindo
desde 1983, portanto há mais de
vinte anos.
A
reunião na Taberna Atlântica
corria normalmente com a cordialidade
que é nossa marca. Em dado momento
Lopinho me convida para darmos uma passagem
rapidinha com o nosso ex-colega
Marcos Resende na sua casa Cais do Oriente.
Argumentou que havia marcado e que convidou
um outro nosso colega, Roberto Fragoso
(Baiano Fragoso), para lá estar.
Seria uma ida ligeira e estaríamos
de volta logo a seguir.
Convidei
Magaly para que nos acompanhasse e nos
deslocamos para o Centro. Realmente, Marcos
Resende estava na sua belíssima
Cais do Oriente, na rua Visconde de Itaboraí
nº 8, aberta e esperando por nós.
O acompanhavam: sua mulher, Roberto Fragoso
e mulher. Fiquei impressionado com a beleza
da casa, que é um misto de centro
cultural, bar e restaurante, recepção,
decorada em motivos orientais e tudo de
extremo bom gosto. Marcos mostrou sua
sala ambiente onde toca sua música
e tem ouvintes certos e cativos com ambiente
jazzi e bossa nova.
Sentamos
em volta de uma mesa grande e o papo voltou-se
para o CNF. Rimos muito de situações
ocorridas em nossa permanência no
colégio. Falamos de tudo: a situação
mais engraçada que agora me ocorre
foi relembrada por Roberto Fragoso e se
refere a um rapaz Goiano cujo apelido
era Galinha do Deserto. Galinha era um
tipo diferente, magro, alto com longos
braços e mãos e que gostava
de exibir essa sua desproporção
dando um espetáculo bem diferente.
Toda vez que ele estava perto de nós
pedíamos para que ele coçasse
os culhões; a senha era essa. O
grande Galinha, então, passava
o braço por detrás das costas
e vinha com as mãos até
seu saco. Belíssimo espetáculo!
Vibrávamos e antevíamos
um futuro brilhante para aquele contorcionista
de primeira linha.
Preocupado
com as pessoas que nos esperavam na Taberna
Atlântica tivemos de voltar logo
lamentando que tudo tenha sido muito corrido,
pois cada conversa que mantemos rende
muito com as lembranças sempre
indeléveis do CNF. Setembro de
2006 virá e retornaremos a nos
encontrar pode ser com os mesmos casos,
mas, quem sabe, com mais emoção,
voltar a sonhar aqueles sonhos.
Setembro
passou a ser um mês importante na
minha vida é como reviver um sonho.
Faz-me lembrar o poeta: quando eu era
criança, eu dormia, eu sonhava
e se repentinamente eu acordava eu tentava,
novamente, dormir para voltar a sonhar
aqueles sonhos.
Novembro 2005
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Miguel
Arraes
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Afonso
Brito Chermont
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Sobre
a estima que nutrimos pelo Colégio
Nova Friburgo, vez por outra, fico indagando,
a mim mesmo, o significado da união
que ficou, tomou conta de nós,
perdurando ao longo desses anos todos.
No
CNF, impressionou-me: a qualidade de ensino;
as salas de aulas especiais por disciplina;
o moderníssimo material didático
auxiliar; a elegância de muitos
dos professores no trato com os alunos.
Outros detalhes que me causavam deslumbramento:
o uso, na vertical, pelos professores,
do quadro negro de giz de gesso, que,
segundo um deles, era para compatibilizar
com o caderno que era disposto no mesmo
sentido vertical; o caderno nobre que
recebia a matéria passada a limpo
e permitia que a assimilássemos
melhor; o esporte, disputado com vigor,
técnica e era elemento indissociável
da educação; as atividades
extraclasse, etc.
Poderia
sair listando o que causava mais impacto
e fazer uma análise daquilo que
mais despertava atenção:
verdade, num país carente de leitura,
o CNF dispunha de duas bibliotecas, uma
para o ginásio e outra no prédio
do científico. Todo o mês
via sair a estatística dos maiores
leitores e isso fazia com que os menos
ligados à leitura, como eu, se
interessassem pelos livros.
Toda
a inovação que se processava
no âmbito da educação
era, de imediato, assimilada pelo CNF.
Havia sempre a preocupação
que os alunos viajassem como também
as pessoas ilustres no Brasil visitavam
o CNF, rotineiramente. No campo político,
lembro, do governador do Rio de Janeiro
Dr. Carlos Lacerda que paraninfou uma
turma de colandos do ginásio, a
quem cumprimentei. Ficávamos em
fila e íamos ao seu encontro no
refeitório, dizíamos nosso
nome e recebíamos um aperto de
mão. Senti-me distinguido quando
ele perguntou se eu era do Pará.
Chermont é família
do Pará...
A
visita de Jorge Amado! Recordo do grande
escritor brasileiro, na biblioteca do
ginásio, conversando com a garotada.
Em circunstância toda especial,
em Belém, estive com ele, há
poucos anos atrás, quando recordei
de sua estada no CNF. Ele elogiou o colégio
e fez a mim melhores referências
e lamentamos seu fechamento.
Lembro
de grandes atletas como Ademar Ferreira
da Silva ensinando como se fazia um salto
triplo. José Teles da Conceição
que foi o primeiro brasileiro a atingir
2,00 m no salto em altura.Havia uma atleta,
mulher, cujo nome não mais lembro,
mas, também, bastante famosa.
Visitaram,
o CNF, grandes artistas do teatro e me
recordo, como se fosse hoje, da interpretação
de Rodolfo Maia em As Mãos de Eurídes,
de Procópio Ferreira que, na peça
Essa Noite Choveu Prata, mostrava a diferença
de interpretação de um menino
na escola primária e um profissional
a declamar poesia de Casemiro de Abreu:
Oh! que saudade que tenho, da aurora de
minha vida, da minha infância querida,
que os anos não trazem mais!...
Um
visitante ilustre, no campo da política,
foi o Dr. Miguel Arraes então governador
de Pernambuco. Ele esteve no colégio,
pois seu filho, José Almino Arraes
de Alencar, lá estudava. Os dois
outros, Augusto Arraes de Alencar e Miguel
Arraes de Alencar, entraram, logo, no
ano seguinte.
O
Walter Dantas de Assis Baptista, o conhecido
Pau de Arara, o mais politizado de nós
todos, convocou a mim para que participasse
de uma comissão de recepção
para saudá-lo. Lá fui eu
fazer parte dessa comitiva. Lembro que
a idéia que surgiu foi de fazermos
uns cartazes e um deles dizia: Miguel
Arraes o Jesus Cristo do Nordeste.
Dr.
Miguel Arraes sorriu para nós e
demonstrou certa satisfação
não só por rever seu filho,
Zé Almino, como pela recepção
e nos distinguiu com algumas frases de
estímulo como que nos responsabilizando
pelo futuro de nosso país.
Do
homem de boa aparência, alto e forte,
com aspecto de Nordestino, governador
de um estado expressivo como Pernambuco,
conhecido pela sua atuação
política em todo o Brasil, eu nunca
esqueci.
Essa
visita foi dois anos antes da Revolução
de 1964, possivelmente, em 1962. Saí
do colégio em 1964 e acompanhava
o noticiário da cassação
do grande líder do Nordeste e de
sua resistência, de seu exílio
para Argélia.
O
meu amigo, ex-colega Clóvis Cavalcanti,
que nos encontramos sempre após
termos saído do CNF, me falou das
passagens heróicas daquele homem
coerente, de hábitos simples e
um fervoroso socialista.Saiu exilado para
Argélia quando era governador de
Pernambuco e quando retornou com a anistia
foi eleito e reeleito para o mesmo cargo.
Dizem os jornalistas políticos
que ele entrou pela mesma porta que saiu.
No
Rio de Janeiro, certa vez, encontrei com
outro colega de Friburgo o meu prezado
amigo Osvaldo Aranha Neto que comentou
comigo a satisfação de ter
participado da campanha de Miguel Arraes
quando ele voltou do exílio.
Dr.
Arraes está bem doente, hospitalizado,
lutando para sobreviver. Torço,
bastante, pela sua recuperação.
Ele não poderá nos deixar,
principalmente nesse momento da maior
crise política do Brasil nos últimos
anos. Penso, com saudades, da correta
atuação do maior líder
de Pernambuco e tenho recordações
muito positivas do grande político
da época de um Brasil de grandes
perspectivas. Oh! que saudades que eu
tenho, da aurora da minha vida, da minha
infância querida, que os anos não
trazem mais! ...
Julho 2005
"Oh! que saudades que tenho, Da aurora
da minha vida, Da minha infância
querida, Que os anos não trazem
mais! Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras A sombra das
bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como
são belos os dias, Do despontar
da existência! - Respira a alma
inocência, Como perfumes a flor;
O mar eh - lago sereno, O céu -
um manto azulado, O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino damor! Que aurora, que
sol, que vida, Que noites de melodia,
Naquela doce alegria, Naquele ingênuo
folgar! O céu bordado destrelas,
A terra de aromas cheia, As ondas beijando
a areia, E a Lua beijando o mar! Oh! dias
da minha infância! Oh! meu céu
de primavera! Que doce a vida não
era, Nessa risonha manha! Em vez das magoas
de agora, Eu tinha nessas delicias, De
minha mãe as caricias, E beijos
de minha irmã! Livre filho das
montanhas, Eu ia bem satisfeito, Da camisa
aberta ao peito, -Pés descalços,
braços nus correndo pelas campinas,
A roda das cachoeiras, Atrás das
asas ligeiras, Das borboletas azuis! Naqueles
tempos ditosos Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas, Brincava a
beira do mar; Rezava as Ave-Marias, Achava
o céu sempre lindo. Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar!" Casimiro
de Abreu
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Era
um Domingo de Maio
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Afonso
Brito Chermont
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Era
um domingo de maio, precisamente dia oito, já
no cair da tarde iniciando à noite, meu
pensamento estava voltado para segunda feira
que teria de enfrentar, as dificuldades rotineiras
do meu trabalho, as contas para pagar, etc.,
quando recebi um telefonema de um caro amigo
de juventude, muito dileto, com quem tenho muitas
e diversas historinhas para contar justo dessa
fase de intenso viver.
Esse
meu amigo Bene Mutran que eu já admirava
pelo seu comportamento sempre correto, de muitos
amigos, e que naquele momento já insinuava,
pela sua liderança, que seria um grande
homem. Realmente, hoje o respeito ainda mais
pela sua capacidade empresarial. Bene recebeu
de seu pai uma grande empresa que operava na
exportação de castanha do Pará
e soube multiplicá-la muitas vezes. Inseriu
tecnologia, deixando de ser um extrativista,
modernizando a atividade, tornando-se um industrial,
processando o produto primário vindo
da região de Marabá, no Pará,
e exportando para os Estados Unidos e Europa.
O meu caro Bene iniciou empreendimentos de pecuária
tornando-se um grande Nelorista, possuindo um
gado de primeira qualidade com alguns exemplares
de magnífica linhagem. Mais uma vez,
agora no campo pecuário, vi em suas propriedades
modernas tecnologias sendo utilizadas: transplante
de embrião, reprodução
in vitro, produção de animais
em quantidade e qualidade incomparáveis
com a tradicional pecuária da qual sou
oriundo na minha região do Marajó.
Tenho
um orgulho interior por fazer parte de rol dos
amigos de Bene e ser distinguido por ele em
ocasiões especiais. Bene realiza um leilão
de gado em uma chácara que possui nas
proximidades de Belém e o ambiente, além
do interesse comercial, tem o sentido da confraternização
da convivência agradável de empresários
e pessoas voltadas para o ramo do qual, hoje,
o meu prezado amigo é figura nacional.
Ainda outro dia revi o meu ex-colega, Mario
Frota, estudamos em Friburgo nos anos sessenta,
quando nos colocamos a falar do Colégio
Nova Friburgo, dos nossos amigos...
Sim,
recebi o telefonema do Bene que me disse ter
estado com um amigo meu de Friburgo: Hugo de
Aquino Filho. Manifestei minha emoção
por ouvir que Hugo não se esqueceu da
amizade que forjamos quando estudávamos
no Colégio Nova Friburgo. Bene me passou
os celulares e pediu para que eu telefonasse
sem falta, pois Huginho (como eu o chamava)
havia contado sobre a máfia
do CNF, da amizade que mantínhamos, da
saudade que nós estávamos envolvidos.
Imediatamente
liguei para o meu irmãozinho Hugo. Não
tive sucesso resolvi, então, ligar para
o celular de seu filho Hugo de Aquino Neto com
quem falei e me disse que já havia ouvido
muito falar da minha pessoa e a relação
de amizade que envolvia a mim e seu pai. Desliguei
o telefone e, imediatamente, recebi o chamado
do pai. Estava na linha o meu caríssimo
Huguinho. Falamos ao mesmo tempo e confesso
de minha emoção de ouvir uma pessoa
marcante na minha juventude.Falamos de família,
de colégio em Friburgo, lembrei de se
seus pais e sua irmã, enfim falamos de
amizade e saudade de quarenta anos que não
nos víamos.
Certa
vez estava eu no Rio e procurei outro dileto
amigo Luiz Eduardo Simões Lopes (Lopinho).
Sua esposa Cristina ofereceu um jantar para
alguns de nós, seus amigos, lembro do
Paulo Souza (Perobo), Paulo Rufino (Paulista)
que estavam na ocasião. Em dado momento
desse jantar chegou uma amiga de Cristina. Achei
que a conhecia, mas não conseguia saber
de onde. Aproximei-me dela e, num ímpeto
de coragem, perguntei se ela era de Campos se
conhecia Hugo de Aquino Filho. Disse-me que
sim.Pronto: estava claro na minha cabeça.
Explico:
Huguinho me convidou, isso quando estávamos
no CNF, para ir a Campos e lá fomos nós
passar um fim de semana. O chofer de seu pai
vinha apanhá-lo no colégio e saímos
de Friburgo para Campos. Chegamos à cidade
os passeios foram intensos. Recordo que fui
conhecer a fábrica do Conhaque de Alcatrão
de São João da Barra, localizada
numa cidade no litoral do estado do Rio chamada
Atafona. Fomos a uma usina de açúcar
que me impressionou pelo gigantismo da indústria,
comparadas às usinas de minha região
que eram de escala bem mais modestas. Tudo da
família do Hugo era grandioso e bonito:
a casa onde moravam, em elegante bairro, grande
e confortável; a família extremamente
amável e me receberam como um filho.
Nunca esqueci o tratamento fidalgo e elevado
que a mim foi dispensado.
Além
de conhecer as empresas do meu prezado amigo
Huguinho constou da programação
a ida ao clube onde eles sempre freqüentavam.
Fomos: a irmã do Hugo, Lia Miriam, e
seu noivo, Hugo e namorada e para que eu não
me sentisse só pediram para que me acompanhasse
uma moça, amiga da família, que
chamavam de Dininha, então, Dininha,
era a moça que saí em Campos e
que a encontrei, trinta anos depois, na casa
do Lopinho e Cristina, no Rio.
Dizia
o poeta que a vida é a arte do encontro
embora haja muitos desencontros nessa vida.
Não tenho mais tempo de fazer novas amizades
na minha idade atual tenho que recrutar aquelas
que foram construídas na juventude e
alicerçadas em bases tão sólidas
que nem o tempo consegue apagá-las. Estou
muito feliz por reencontrar o meu dileto amigo
Hugo e de ter recordações tão
agradáveis.
Maio
de 2005
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Valeu
a Pena (Vivenciando)
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Afonso
Brito Chermont
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Minha
ida para estudar no Colégio Nova
Friburgo deu-se por uma dessas imposições
do destino, e da forma mais indireta possível.
As
origens do fato remontam a 1946. Meu
pai, Rodolfo Chermont, tinha uma fazenda
de gado no município de Chaves,
na famosa Ilha de Marajó, no
Pará. Nessa época, era
governador do então Território
Federal do Amapá o cel. Janary
Nunes, que mais tarde, foi presidente
da PETROBRÁS. O coronel Janary
viajava de avião, para Belém,
sobre o Marajó, quando a aeronave
começou a entrar em pane. Na
falta de pistas de pouso pelas redondezas,
o piloto procurou um local em que pudesse
aterrisar, naquela emergência.
E fez um pouso perfeito, em uma praia
, que ficava bem em frente da casa-sede
de nossa fazenda. Ajudado por Deus,
o aviãozinho não se chocou
com dezenas de búfalos que no
momento, passavam pelo local. Os que
presenciaram a cena, falam, da habilidade
do piloto, que conseguiu aterrisar o
avião na faixa de areia que é
naturalmente solidificada pela constante
ida e volta da marés que banham
o litoral do Marajó.
Meu
pai acolheu o governador, instalou-se
em nossa casa e, com os limitadíssimos
recursos que havia, procurou entrar
em contacto com equipes de salvamento
aéreo, através de um rádio-telégrafo.
Mesmo agora, 50 anos depois, há
muito pouco telefones em fazendas marajoaras.
Dois
dias depois do acidente, como que por
meio de um milagre, apareceu no local
um hidro-avião, "Catalina",
equipamento que os norte-americanos,
após a 2a. Guerra Mundial, deixaram
em Belém, na Base Aérea
de Val-de-Cans. Alguns desses aviões
ainda estão em uso. Outros viraram
peça de museu.
As
imagens do pouso forçado do avião
do governador Janary e a chegada, logo
depois, do "Catalina", ficaram
gravadas em minha memória. Meu
irmão Paulo, que também
estudou no CNF, em 1958 e 1959, igualmente
lembra de tudo. Sempre tocamos no assunto,
e concordamos que o evento ficou marcado
em nossa memória, apesar da pouca
idade que tínhamos, então.
Meninos de fazenda, no longínquo
Marajó, sem cinema ou TV, aqueles
fatos, inusitados, e para nós
espetaculares, ficaram corno imagem
definitiva em nossas cabeças.
O
governador ficou muito agradecido a
meu pai, não só pelo apoio
e solidariedade, pela acolhida, como,
também, pelo esforço e
pronta providência de chamar o
socorro. Ele se deslocou no "Catalina"
para Belém, e o avião
acidentado, após ter sido recuperado
na própria fazenda, conseguiu
levantar vôo, felizmente.
Sempre
que vinha a Belém, o cel. Janary,
já como presidente da PETROBRAS,
e figura influente da política
nacional, visitava nossa casa, pois, logo
depois daqueles fatos, minha família
se transferiu para a capital do Estado.
Nos
fartos almoços, depois de comer
um saboroso "pato no tucupi' e
uma tigela de açaí com
muito açúcar e farinha
de tapioca na sobremesa, o coronel dizia
a meu pai que ele deveria mandar para
estudar, em Friburgo, seus dois filhos
mais velhos, da união com minha
mãe D. Cora. Dizia ser um "colégio
modelo", "padrão de
ensino moderno no Brasil". Informava
que seu filho, Janarizinho, estava lá,
estudando, e se dava muito bem; que
o sistema de internato era brando, as
instalações modernas e
o clima do lugar ameno e muito agradável
(depois eu fui ver que, de maio a julho,
não era tão "ameno",
para quem tinha vindo da linha do Equador).
Meu
pai gostou da idéia, mas resolveu
envolver outras pessoas, e convenceu
um pecuarista amigo dele, Atreu Baena,
a também mandar um filho, o Emilio.
Foi remetido um telegrama (via 'Western")
para a Fundação Getúlio
Vargas, na Praia de Botafogo, pedindo
reserva de matrícula, explicando
que elas seriam efetivadas quando chegássemos
ao Rio, nos próximos dias.
Corria
o ano de 1958 . Recordo o velho casarão
da Praia de Botafogo. Com a coordenação
do Colégio, alguns detalhes foram
acertados: que tipo de roupa seria necessário,
quando teríamos o teste psicológico,
etc..
Confesso que estava embevecido. Há
pouco tempo, eu havia saído da
Ilha do Marajó para morar em
Belém, o que já tinha
sido um passo muito avançado
na minha vida. Logo após, graças
à "corda" do cel. Janary
e à visão de meu saudoso
e bom pai, eu estava em pleno Rio de
Janeiro, Capital da República,
a caminho de um colégio do qual
falavam maravilhas, principalmente quanto
ao método avançado e mecanismos
de ensino.
Até
que, tudo resolvido, chegou o dia glorioso
da subida para Friburgo. Dentre outros,
recordo-me que estavam no ônibus
o Silvério Ortiz, Márcio
Dornelles e Flávio Groterra.
Eram veteranos, acostumados com a viagem,
faziam uma bagunça infernal.
Paulo, meu irmão, o Emilio Baena
e eu víamos aquilo com algum
espanto. O Emilio, por sinal, doido
para entrar na bagunça. Já
no colégio, ganhou o apelido
de Frei Emilio", porque foi ajudar
missa logo nos primeiros dias de aula
e praticou uma façanha memorável:
certa noite, desceu à cidade,
escondido, e tomou um grande "porre".
No retorno, ao pé do morro, encontrou
um cavalo, e subiu a serra no lombo
do animal. Chegando ao colégio,
resolveu ir dormir com o bicho no cíentifico.
Em pleno corredor do dormitório,
o quadrúpede fazia um barulho
dos diabos acordando todo mundo. Foi
incrível:
Naquela
primeira viagem a Friburgo, já
na subida da serra, notei que a estrada
estava em obras. Chovia bastante, e
o ônibus deslizava no barro, não
conseguindo sair do lugar. O motorista,
então, comunicou que teríamos
de fazer uma baldeação,
para podermos continuar a viagem. Eu
não entendi bem. No Marajó,
"baldear significava vomitar. Então,
por que eu deveria fazê-lo, naquele
instante? Será que o peso do
ônibus seria aliviado se todos
os passageiros "vomitassem? Estas
dúvidas passaram pela minha cabeça
de menino do interior. Somente após
a troca dos passageiros e bagagens para
outro veículo é que eu
entendi que a palavra tinha outro significado,
e percebi, também, que eu estava
entrando em outro mundo.
Chegando
a Friburgo, ficamos hospedados no elegante
Hotel Sans-Souci. No dia seguinte, fomos
conhecer o colégio. No meu caso,
eu tinha vencido a distância de
um continente para chegar ali. Fiquei
boquiaberto coma beleza do lugar. Eu via
pela primeira vez aquelas montanhas, que
iriam fazer parte e emoldurar tantos anos
de minha vida. Impressionou-me o conjunto
de prédios: o ginásio (num
estilo belíssimo, europeu), o científico,
o ginásio de esportes, a escolinha,
as casas dos professores, os caminhos
de pedra entre os bosques, etc. Tudo bonito,
harmonioso. Eu estava acostumado com a
planície, com a beira dos rios
e igarapés. Para mim, tudo aquilo
era novo, diferente. Foi uma visão
inesquecível.
Meu
primeiro quarto foi no grupo II. A porta
de entrada, uma pequena papeleta informava
quem seria meus companheiros: Marco
Antonio, Felix e Epaminondas Gracindo.
Este último, o famoso Gracindo
Júnior, conhecido e aplaudido
em todo o país por sua atuação
como ator e diretor de TV. Aliás,
Gracindo tem dito o repetido que começou
a sua carreira no Clube de Teatro do
CNF. Quanto a mim, foi o inverso: tive
encerrada minha "carreira artística"
neste mesmo Clube de Teatro, como vou
contar adiante.
A
historinha se passou mais ou menos assim:
estava eu fazendo o papel de um cafajeste,
e contracenava comigo a Tânia
Castilho, filha do professor Mário
Castilho, que era o diretor do Clube
de Teatro. Em determinado momento, tínhamos
um dialógo áspero, que
culimanava com um tapa no rosto da personagem
que Tânia interpretava. Nos ensaios,
correu tudo direitinho: eu tocava levemente
na face de Tânia, que se encarregava
de cair no chão, fazer alarde,
chorar, espernear, etc. No dia em que
a peça estreiou, estava o auditório
repleto; alunos, professores, funcionários,
convidados da cidade. Muita gente teve
que ficar de pé, pelas laterais.
Resolvi dar um toque mais real à
minha interpretação, e
quem sabe, sair dali consagrado como
ator. No auge da discussão com
Tânia, e chegando o momento em
que eu devia fingir que lhe dava um
tapa, desferi na pobre moça uma
sonora bofetada, com toda a minha força
e convicção artística.Para
falar toda a verdade, dei-lhe uma porrada
sem igual. Tânia caiu no chão,
espantada, confusa, chorando como um
bebé. Estava no auditório
o Zeno Veloso (hoje professor de direito,
Deputado no Pará) que se levantou
gritando: "muito bem, bravo",
o que levou a todos os que lotavam o
auditório a me aplaudir, de pé,
e demoradamente. Surpreso, envergonhado,
eu não sabia se socorria a Tânia,
estatelada no palco, ou se agradecia
à pláteia. Até
hoje, não sei se o Zeno resolveu
me aplaudir por ser meu amigo, querendo
consertar o vexame que eu tinha dado,
ou pelo fato de ele ter alguma diferença
com a Taninha, e não gostar dela,
por alguma razão. O que eu sei,
desde aquele dia, é que o teatro
não é, exatamente, o meu
negócio
No
CNF, muitas coisas eram novidades para
mim. Ficava impressionado com as aulas,
dadas em salas-ambientes: ciências,
geografia, canto, história, t.rabalhos
manuais, matemática, fisica,
química, etc. Havia laboratório,
fazíamos as mais diversas experiências.
Nas salas, dispúnhamos dos mais
modernos instrumentos didáticos-pedagógicos.
Tantas décadas depois, não
sei se, por todo este imenso país,
haverá uma escola pública
ou privada com tantos recursos quanto
o nosso velho e querido Colegio Nova
Friburgo. Felizes as gerações
de brasileiros que tieram a ventura
e o privilégio de passar por
lá,
A
competência dos professores deve
ser ressaltada. Eles viviam na escola,
em casas próprias, com suas famílias
(alguns, poucos, eram recrutados na
própria cidade de Nova Friburgo).
Dedicavam tempo inteiro ao colégio.
Entre os professores e alunos havia
urna camaradagem, um companheirismo
um elo de amizade, de fraternidade,
dadas as circunstâncias. Muitos
deles eram chamados para dar cursos
no exterior. E, de todo o país,
vinham professores para fazer estágio
e praticar no CNF, aprendendo as mais
modernas técnicas de educação
e didática. Para usar uma frase
atual: era coisa de primeiro mundo.
Particularmente, ficavamos felizes,
e excitados (por que não confessar)
quando chegavam as delegações
de normalistas, recém-formadas.
Era uma beleza!
Os
momentos de alegria eram uma constante
no CNF. Triste mesmo, fiquei um dia, por
causa da morte de um nossos colegas Asdrúbal
Lavareda de Souza, que escorregou na cascatinha,
despencando montanha abaixo. Foi uma tragédia!
Não consegiu assimilar aquele acidente.
Aquilo não combinava com nenhum
de nós. Quando fui presidente do
Conselho de Alunos, nossa diretoria encomendou
uma pequena placa de mármore, que
fixamos na sala onde funcionava o Conselho,
fazendo uma homenagem ao Asdrúbal.
Até hoje, a placa está lá.
Na ocasião, isto nos fez, interiormente,
um bem enorme. Que Deus tenha em descanso
eterno a boa alma daquele nosso colega.
Passei
sete anos no Colégio Nova Friburgo.
Nos primeiros dois anos, fiquei observando,
assimilando, aprendendo. Aprendi muito
aprendi um pouco de tudo. Já
praticava esportes com certo desembaraço.
Já acompanhava o raciocínio
dos colegas que tinham vindo de centros
mais adiantados. Já era cogitado
para participar dos grandes momentos
da vida do colégio. E já
arriscava algumas molecagens, como fugir
para a cidade em pleno horário
de aulas. Algumas vezes e por corda
do Silvério Ortiz - para assistir
aos treinos da seleção
brasileira de futebol, a caminho da
taça "Jules Rimet".
Vi de perto, cumprimentei atletas imortais,
como Belini (do meu Vasco da Gama).
Newton Santos, Garrincha, Didi e o então
menino Pelé. Muitas vezes, eu
faltei a missa para assistir ao culto
protestante. Quem me levou foi o Antonio
Teixeira Júnior (o "Ceará",
prematuramente falecido), que não
era evangélico, coisa nenhuma,
mas ia ao culto dos protestantes porque
lá havia a distribuição
de biscoitos e chocolates. Deus me perdoe!
O
esporte,do CNF, era um capítulo
à parte. Coisa séria,
organizada. Pratiquei atletismo, voley,
basquete e futebol. Minha bandeira era
a azul. Fui campeão das Olimpíadas,
algumas vezes e considerado o melhor
atleta, em 1962 (puxa, trinta anos atrás....).
Não
era C.D.F, mas estudava bastante. Alias,
quem não estudasse bastante,
não aguentava o ritmo do CNF,
uma escola modelo e padrão. Corado
pela modéstia, devo contar que
uma das honras de minha vida foi ter
sido distinguido pela congregação
como aluno-excelente de 1964, recebendo
o prêmio "Saúde, Saber
e Virtude",
Há
muito e muito mais para dizer, para
relembrar, para contar, e isso pode
ficar para outros artigos.
O
Fernando Pessoa, em passagem famosa
e repetida, ensina que "tudo vale
a pena, se a alma não é
pequena". O CNF não só
valeu a pena, como abriu a nossa alma
para os grandes espaços da vida
adulta.
Abril
2005
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O
Absurdo
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Afonso
Brito Chermont
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Observando,
no site, as fotos dos desfiles do CNF,
vejo um instrumento que em mim desperta
bastante atenção: é
aquele surdo maior que todos, aliás,
são dois e vêm, na banda,
logo após os bumbos e são
de tamanho fora do comum.
Estávamos
no segundo semestre de 1962 e os preparativos
para o desfile de sete de setembro já
estavam acontecendo. O Prof. Talvane
era o coordenador para fazer a banda
funcionar e, a partir dele e de meus
caros amigos Paulo Souza (Perobo), Caio
Ortiz, Rogério Mussi, Zeno Veloso
e outros, que serão personagens
nessa minha divagação
pelos idos de minha juventude no CNF.
Vivíamos
ali no ginásio de esportes em
um anexo onde estavam guardados os instrumentos
da banda. Naqueles dias começávamos
a retirá-los de um conjunto de
prateleiras os tambores, as cornetas
e outros apetrechos que eram lá
guardados. Havia a necessidade de que
fossem recompostos os instrumentos:
os couros deveriam ser trocados; o símbolo
do dragão deveria ser pintado;
nas cornetas passavam um produto que
as deixavam brilhando... Claro que vez
por outra ocorria uma guerra de tinta,
mas tudo muito rápido, pois o
Mestre Talvane, era o nosso amigão,
mas não nos perdoaria se nos
flagrasse pintando um ao outro.
Confesso
que não gostava muito do ambiente
dos ensaios por limitações
minhas mesmo: eu não tinha ritmo,
tocava a corneta com muita dificuldade
muita força para um som que não
me agradava. Gostava de uma molecagem
e tinha um talento enorme para identificar
um "pele" e um desses era
o Humberto Cezar Coelho, conhecido como
o Conde de Ducaja. Sei que ele gostava
do apelido, pois se referia a nobreza,
mas de nobre ele não tinha muita
coisa. O que ele queria era sair na
banda e fazer média com as garotas
da cidade, acontece que o Prof. Talvane
não gostava muito dele e não
o queria vê-lo na banda sob qualquer
hipótese. Seria uma ótima
oportunidade de aproximar aqueles opostos
e tirar proveito de alguma situação
engraçada.
Alguns
instrumentos estavam imprestáveis
e sugeri ao Prof. Talvane que caso um
daqueles fanáticos pela banda
os recuperasses teria do direito fazer
parte do desfile. Lembro que o Ducaja
saiu em busca de solução
para consertar uma velha caixa que era
o instrumento de menor demanda. Certa
hora, eis que ele aparece com o tambor
totalmente restaurado, com a pintura
do dragão bem feita, o couro
esticado e um som bem razoável.
Talvez fosse possível ele sair
na banda bastava a permissão
do mestre e ele logo estaria realizando
um dos maiores sonhos daquela época.
Lembro de seu estado de nervosismo para
se apresentar ao mestre Talvane e obter
a liberação tão
cogitada.
Acertamos
com o Professor que ele não seria
aprovado desde a primeira oportunidade
e que ele deveria ficar encarregado
da recuperação de outros
instrumentos. Notei na fisionomia dele
uma profunda decepção
e o pior era que nós ainda gozávamos
o infortúnio do nosso colega.
No final ele acabou desfilando e fazendo
parte daquilo que desperta, ainda hoje,
enorme alegria nos desfiles do CNF.
O
Conde de Ducaja nunca esqueceu a minha
atitude de gozação com
ele e, quarenta anos depois, me pegou
desprevenido: não faz muito tempo
estava trabalhando quando uma pessoa
entrou em minha sala e disse que o Sr.
Mário de São Paulo queria
falar comigo. Não tinha em mente
conhecer nenhum Mário, mas como
o telefonema vinha de São Paulo
fui logo atender e o diálogo
foi esse:
-- Chermont, aqui é o Mário.
-- Perguntei. Que Mário?
-- Aquele que te comeu atrás
do armário.
Ele
me confessou que aquilo tudo era vingança
dos tempos que eu não o ajudei
a tocar na banda e ainda incentivava
o Prof. Talvane a não permitir
seu desfile.
Aceitei
resignado a desforra. Ele tinha razão
eu é que deveria ter sensibilidade
para saber ou reconhecer os valores:
a importância que desfilar na
banda significava para cada um de nós.
Outro
que me lembro de penar para entrar na
banda foi o meu amigo Paulo Eurico.
Um dia o seu pai subiu ao colégio
para interceder junto ao Prof. Talvane
para que o filho tocasse um instrumento.
Eu não participei diretamente
dessa, isso pode ter sido coisa do Zeno,
do Perobo, ou do Caio ou do Mussi. Não
é que o Paulo Eurico ficou entusiasmado
com a função de carregador
de baqueta. Seguinte, orientou o Prof.
Talvane: você vai com o uniforme
da banda, com dragão e tudo e
se alguém que estiver tocando
no desfile tiver sua baqueta quebrada
você imediatamente a substitui.
Ainda ouvi-o afirmar: você tem
uma das mais importantes funções
a de não deixar a banda parar.
Eu fiquei indignado com aquela função,
mas eu percebi que o Paulo havia sido
orientado que se desempenhasse bem sua
função, no ano seguinte,
poderia passar para outra de maior destaque.Valia
a pena esperar um ano, e quem sabe tocar
a caixa velha recuperada pelo Ducaja.
E
os instrumentos, melhor, da hierarquia
dos instrumentos na banda: na frente
os bumbos com o bumbo mor; depois os
surdos; as caixas tarol (o máximo!
Só as tocavam os caras "bãos"
- Silvério, Mussi, Lopinho, Perobo);
os tarois; as caixas. O cara que tocava
o bumbo mor deveria ser forte e resistente
para agüentar o ritmo - no meu
tempo era o Rui Seligman (Maria da Toka),
o Hiltom (The Best,) o Paulo Rufino
(Paulista) . Os que tocavam caixa tarol
eram bateristas de primeira categoria
e os dos tarois eram os "primeiros
perus", aspirantes àqueles
e, na última escala hierárquica,
os das caixas eram os que apenas eram
razoáveis.
No
encontro de 2003 o Davis Tendler me
fez ver que trazia, no seu automóvel,
seu instrumento uma caixa tarol especialmente
comprada para o desfile. Estava muito
bem tratado, brilhando, afinadíssima
fiquei pensando na importância
da banda para muitos de nós.
Havia
um corneteiro mor função
que ocupei por um ano e passei com merecimento
para o e Zeno que passou para o John
Aune que eram, ambos, muito melhores
que eu. O Prof. Talvane percebeu minha
indisposição, quase preguiça,
para aquela coisa que me colocou para
desfilar com o símbolo do dragão
na frente do colégio. Lembro-me
da conversa dele dizendo: você
é quem abre o desfile; não
se distancie muito do pelotão
da banda; mostre garbo, entusiasmo...
era uma conversa estimulante bem parecida
com a que o Paulo Eurico foi enganado.
Sim,
um dia o Prof. Talvane se vira para
sua equipe de comando e nos convoca
para uma viagem até o Rio para
comprar novos instrumentos para a banda
do CNF. No dia seguinte, cedo pela manhã,
lá estávamos a postos:
Zeno, Perobo, Caio, e eu. Fomos no Jeep
Willians Overland do colégio
que estava à disposição
do Prof. Talvane. Ainda, na saída
de Friburgo fomos detidos por um guarda
rodoviário que nos pediu documentos
e nem nós alunos nem o mestre
tínhamos qualquer tido de identidade.
Lembro-me de um telefonema salvador
para o prof. Amauri que falou com o
guarda e disse da importância
de nossa missão e fomos liberados.
Continuamos
viagem sempre em velocidade superior
a que era permitida na estrada Rio-
Friburgo e os comentários do
Zeno começaram a ser feitos pedindo
que fossemos mais devagar. Nas cidades,
fomos via Niterói, não
foi obdecido nenhum sinal e o mestre
dizia: -- esse sinalzinho aqui nos vamos,
assim, como quem não quer nada
e ia passando em frente. Zeno não
se sentia bem e eu achava que estando
com meu caro professor, meu amigo, nada
poderia acontecer, como, aliás,
não aconteceu.
Chegamos
e estacionamos em frente às barcas
da Cantareira e o Prof. Talvane recomendou:
eu vou ao banco tirar dinheiro para
as compras e devo demorar em torno de
uma hora. Uns cinco minutos depois Zeno
disse: vamos dar uma volta de Jipe pelo
Castelo, fazer um lanche no Bob's, o
Chermont dirige. Concordei, com certo
receio de ser surpreendido com a chegada
inesperada do Prof. Talvane, mas lá
fomos nós para uma grande aventura.
Lembro
que emparelhamos, nós, quatro
moleques sem muita responsabilidade
em um jipe sem capota, com um Mercedez
Benz e, evidentemente, todos nos viramos
para ver quem estava naquele carrão.
Era um japonês que parecia um
embaixador, sentado no banco de traz,
com um detalhe que ele estava com o
dedo no nariz e percebi logo o comentário
do Zeno: - porra Japonês tu de
Mercedes metendo o dedo no nariz; onde
é que tu vais passar essa meleca;
passa aqui no nosso Jipe, porra!
Chegamos
a tempo, antes do mestre Talvane e tudo
deu certo e lá fomos fazer as
tais compras para a banda. Entramos
em uma loja no centro da cidade e começamos
a escolher peças comuns das fanfarras.
Em um certo momento vi o mestre empolgado
com um tambor (surdo) que tinha um tamanho
avantajado. Participei da negociação
indagando quem tocaria um surdo daquele
tamanho. A resposta foi imediata: Rui
Leão. Alguém disse: -
então tem que comprar dois, para
que forme um par, o outro será
tocado pelo Gilberto Leão. Todos
concordaram e aquelas peças foram
o grande sucesso da operação
compra de instrumentos.
Sim,
seguimos viagem de volta para Friburgo
e, na Av. Brasil, Zeno se vira para
o Prof. Talvane e, com a intimidade
proporcionada por quem passou um dia
de viagem, reclamações,
compras de surdos e absurdos, pede:
- "Tata", vamos dormir no
sítio do Paulo Perobo, nós
estamos cansados, vamos pegar uma estrada...
O nosso íntimo Tata fez a curva
no primeiro retorno que viu e lá
fomos nós para Campo Grande onde
Perobo, Caio, Zeno, Mussi, eu e Tata,
jogamos sinuca, tomamos banho na piscina,
comemos uma galinha preparada pela esposa
do caseiro, enfim fizemos uma farra
completa bem ao gosto de uma saudável
juventude!
Chegamos
ao CNF e na primeira reunião
da banda foram distribuídos os
talabares, baquetas, couros, tambores,
etc. com a liderança do Tata,
não do prof. Talvane. E, os dois
surdos foram passados aos irmãos
Leão. Como tudo no CNF, os instrumentos
ganharam logo um apelido - absurdo -
e, no primeiro ensaio, o assunto dominante
foi observar aquela combinação
perfeita dos absurdos e os Leões.
Rui
Leão esteve no encontro de setembro
de 2003 vindo do Paraná onde
reside ainda hoje, e, no desfile, quarenta
anos depois, estava tocando seu absurdo
com todo entusiasmo. Como eu estava
na guarda de honra, vez por outra, eu
me virava para ver as reações
de Rui. Seus filhos o aplaudiam e quando
havia uma parada eles se aproximavam
e se abraçavam emocionados. No
meu pensamento veio o Gilberto Leão,
bom amigo, cnfino de primeira linha,
conversa agradável onde predominava
o automóvel -, a indústria
automobilística no Brasil estava
iniciando naquela época. Rui
comentou comigo sobre a morte prematura
de Gilberto - o coração
o traiu - ficou a lembrança de
pessoa terna, amiga e, com certeza,
a de exímio tocador de absurdo.
Abril de 2005.
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Robert
Henry Grossmann
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Afonso
Brito Chermont
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Os
Irmãos Grossmann, todos louros,
com cara de ingleses, eram chamados por
nós de Grossmann, porém
quando o diálogo era direto nós
os chamávamos de John, Bob e Grude
(esse apelido era porque seu irmão
o chamava, com sotaque, de Rudy), respectivamente,
do mais velho para o mais novo. No Colégio
Nova Friburgo era sempre assim: chegavam
os irmãos e uns eram tratados pelo
sobrenome outros pelo apelido.
Fomos
companheiros no CNF de um mesmo período.
Jogávamos basquete e participávamos
da vida do CNF em tudo.Bob serviu o Tiro
de Guerra comigo. Grude, o mais novo,
fez uma ponta numa apresentação
no clube do teatro do Professor Mário
Castilho que resultou em um acesso de
riso que não pode mais ser contido
prejudicando o andamento da peça.
O riso contagiou e contaminou (para ser
mais preciso) a todos que estavam na platéia
e o espetáculo teve de ser interrompido.
John,
o mais velho, no basquete, jogava somente
na defesa. Dizia que seu maior prazer
era não deixar que os outros fizessem
cestas e, por isso, sempre discutíamos
nas nossas intermináveis peladas
que realizávamos na permanência
(aquele período que os que não
eram que ficávamos no colégio
por morarmos longe).
Convivi
muito com os irmãos, um pouco mais
com os dois mais novos. Eles me diziam
que não eram Ingleses e sim, tinham
descendência de Suíços.
Moravam em Matão, Estado de São
Paulo, da mesma terra do Irso Lunardi.
O pai deles, acho que era agrônomo,
trabalhava para uma grande fazenda do
Grupo Rockfeller. Causava-me espécie
quando eles me explicavam, que naquela
época, final dos anos cinqüenta,
a fazenda era toda mecanizada. Tudo era
feito de forma planejada e automatizada.
A produção era função
do mercado.Concluo, hoje, que o que falamos
em tecnologia deveria estar sendo utilizado
naquele momento. No meu pensamento, à
época, ficava um conflito: como
o Marajó consegue ter uma pecuária
produtiva quando nada era planejado, não
havia automação, os pastos
eram naturais, o gado andava distâncias
enormes para procurar capim, etc.
Diziam-me
que eram bolsistas do grupo Rockfeller
e que o Lunardi também o era. Ele
passou em um concurso e pôde ir
estudar no CNF.
Recordo-me
dos ensaios da banda: O John tocava surdo
o Bob caixa e o Grudi não tocava
porra nenhuma. Na condição
de mais novo acho que sempre alegavam
que a família já estava
sendo privilegiada.
Estive,
um período mais próximo
a Grudi. Ele era meu professor de Inglês
e além de procurar me ensinar a
língua na hora da prova me dava
uma ajuda bem forte. Não
confesso que era cola por que tenho medo
que alguém queira retroagir e me
obrigar fazer uma segunda época.
Tínhamos
afinidades: uma delas era de trocar de
suéter para variar ao descer a
cidade e impressionar as meninas. Realmente,
Bob e eu, fazíamos isso com a convicção
de que as pessoas com que íamos
nos encontrar podiam estar pensando, no
mundo ingênuo que vivíamos,
que esse cara deve ser o bom
com vários suéteres!
Dentro
dessa perspectiva de afinidade lembro
de outra: usávamos um creme no
cabelo chamado Bill Creen. Não
era frescura não, todos aqueles
caras, com pinta de machão, passavam
esse creme ou a clássica brilhantina.
Dava um brilho no cabelo e fixava mais
o penteado. Sei que eu sempre pedia ao
Bob que me emprestasse um pouco do creme
e ele, sempre solícito, além
de colocar um pouco na minha mão
do produto me explicava como eu deveria
passar no cabelo (nas laterais da cabeça)
e como eu deveria me livrar na gordura
que ficava nas mãos: - V. lava
bem com sabonete e enxugue bem com uma
toalha.
Tanto
o Grude como o Bob me visitaram em Belém.
Estivemos juntos anos depois de estarmos
no CNF. Grudi, morava em uma fazenda em
Mato Grosso. Robert estava morando em
Salvador e, como engenheiro, estava procurando
negócios ou outras oportunidades
para si.
Lamento
muito o trágico falecimento do
Bob como nos comunicou John.Quando comecei
a escrever tive a idéia de homenageá-lo
e acabo tendo recordações
muito alegres de nosso passado Cenefefista.
Então, com a alegria dessas agradáveis
recordações me despeço
de Bob.
Fevereiro 2005
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Rio
de Janeiro, 1958
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Afonso
Brito Chermont
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Lembrei
1958. Saí do Pará em companhia
de meu pai Rodolfo Chermont meu irmão
Paulo Chermont, estavam conosco, um amigo
de meu pai Atreu Baena e seu filho Emílo
Baena. Descemos no aeroporto do Galeão,
após voar por seis longas, horas
no super G Constelition da Panair do Brasil,
vindos de Belém . No Rio, fomos
procurar hotel. Naquela época não
se podia fazer reserva pois um telefonema
levava em média seis horas para
ser completado.
Lembro
que era um táxi, tipo camionete,
e cabiam todos. Foi à primeira
vez que fui ao Rio e tudo para mim era
deslumbrante: Era verão e os hotéis
estavam lotados. Procuramos vagas em toda
orla e não conseguimos.
As
idas e vindas de em torno de Copacabana
foram longas, mas confesso que foram extremamente
prazerosas visto a beleza do lugar. Tudo
era muito harmonioso: A montanha entrando
no mar, a praia, os casarões, os
modernos edifícios e , acima de
tudo, a beleza das pessoas, especialmente
as mulheres,que as observava melhor, é
claro, todas bronzeadas e exibindo esculturas
privilegiadas.
Não
havendo vaga, fomos para o Flamengo e
conseguimos encontrar acomodação
no Hotel Novo Mundo. Era um hotel bom!
Ficava na Praia do Flamengo, esquina da
Rua Silveira Martins. Do outro lado da
rua estava o Palácio do Catete.
As pessoas que trabalhavam no Novo Mundo
diziam que se déssemos sorte poderíamos
ver o Presidente Getúlio Vargas
que ali morava.
Nesse
hotel vivia o cantor Caubi Peixoto e seu
fã clube, vez por outra, se reunia
lá e fazia algum barulho. Recordo
tê-lo visto, inclusive, usando uma
camisa gola canoa, com decote, que não
achei nada adequada para o uso de uma
simples pessoa vinda do Pará, com
preconceito e visão descompassados.
Tempos depois a usei, forçado pela
moda, não sem antes imaginar que
não haveria problemas de pensarem
que eu era bicha.
No
Novo Mundo se hospedava, também,
o time do Santos de Pelé, que ainda
não era conhecido pois o período
que me refiro era no início do
ano e ainda não havia sido jogada
a Copa do Mundo de 1958 que o Brasil foi
campeão e, assim, o Santos era
somente um bom time. Disputavam um torneio
Rio São Paulo. Lembro que fui assistir
um jogo no Maracanã por causa do
Santos que estava no hotel.
O
nosso primeiro passeio foi na direção
do Hotel Glória que fica a poucos
passos, dobrando a esquerda, do Novo Mundo.
Meu pai se hospedava no Glória
quando ia ao Rio e queria rever o hotel.Fomos,
parar na Colombo da cidade. Acho que era
na Rua do Ouvidor passando a Cinelândia.
Recordo meu pai recomendando que fossemos
de paletó justamente para que pudéssemos
entrar nesse restaurante. Aliás,
não era um restaurante, era uma
casa com decoração muito
fina e muito rica de detalhes rebuscados
que não sei bem definir o estilo.
Os garçons eram impecáveis
e serviam com muita dignidade. Tenho uma
foto, desse momento, tirada por um profissional
que se apresentou e disse que levaria
dois dias depois o retrato quando seria
pago. Tenho a foto e quando achá-la
vou disponibilizar para o site CNF.
O Rio era deslumbrante: a beleza natural
e as construções que abrigavam
a Câmara, Senado... era a capital
da república e assim tudo muito
bonito e muito bem tratado.Os bondes ainda
eram um importante meio de locomoção
faziam parte e compunham o desenho mágico
da cidade.
Isso
tudo era muito bonito mas eu queria voltar
para Copacabana para ver as moças
e, isso, ficou claro para o meu pai e
o do Emílio Baena. Inclusive argumentávamos:
daqui uns dias nós vamos para Friburgo,
para um colégio interno, e não
teremos mais muitas oportunidades de ver
a praia.
A
generosidade de meu pai foi grande: falou
com uns amigos e pediu que disponibilizassem
uma pessoa mais jovem para que pudesse
mostrar uma outra parte do Rio. Certo
dia aparece o Sr. Lucas, um jovem, uma
pouco mais velho que nós, e sugere
que déssemos uma volta por Copacabana
e que, posteriormente, nos levaria a um
lugar muito especial.
O
programa começou cedo, no início
da noite, justo por Copacabana. Pelo horário
as moças com maio duas peças
(meu maior sonho para o momento) não
mais estavam com essa e traje, mas observei,
no calçadão, nos bares,
que elas mostravam o bronzeado com decotes
que permitiam ver a sua cor natural e
o moreno trabalhado pelo sol.
Eu
ficava pensando no privilégio que
era o Rio de Janeiro uma cidade
lindíssima, servindo de moldura
para pessoas bonitas e alegres com a vida.Pensei
dentro de mim: o Brasil é tão
grande e tu vais nascer lá no Marajó!
Bom,
e o outro lugar que seria muito especial?
Será que poderia ser melhor do
que o que eu estava vivendo em Copacabana?!
Lá
fomos nós Paulo, Emilio, eu e o
nosso anfitrião Lucas. No táxi
observei que ele falou ao motorista: Rua
Alice, 500, Laranjeiras. Eu não
entendi nada. Lá chegando vislumbrei
um casarão de vários andares.
Entramos pela porta principal e demos
de cara com moças belíssimas,
bem vestidas, cheirosas (só senti
depois).
Pensei
que era uma festa de aniversário
e que iríamos fazer parte dela...
fizemos parte, sim, de outra coisa! O
Rio me parecia cada vez mais bonito!
No
dia seguinte recebemos um telefonema do
pai do Emílio perguntando se sabíamos
onde ele estava? Não, não
sabíamos. Somente muito mais tarde
Emílio voltando ao hotel disse
que estava na Rua Alice! Foi absolvido.
Meu
pai,o pai do Emílio e ele próprio
são falecidos. Emílio esteve
em minha casa, faz uns cinco anos atrás,
dizendo que queria ir ao nosso encontro
de setembro e queria combinar para irmos
juntos.Concordei, é claro, e até
sugeri que fossemos visitar Copacabana
dispensaríamos ir a Rua Alice visto
não mais haveria razão para
tanto e, mesmo porque, provavelmente,
não mais existiria casa com essa
especialidade de serviços.Iríamos
ao Bobs ao Mac Donald no máximo.
A praia não teria muito sentido
por causa do calçadão que
levou o mar para distante e as moças
ficaram velhas e não mais usam
duas peças.
Janeiro
de 2005
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Dirceu
Bonacim (Negão)
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Afonso
Brito Chermont
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Faz
pouco tempo que o colega Sérgio Pacheco
colocou na Internet - Rede CNF - uma foto
da 4º "A" e, depois, com as
intervenções do Márcio
Dorneles, Silvério Ortiz e outros,
me despertou a idéia de fazer a algo
idêntico com a fotografia que antecedeu
um jogo de basquete que fizemos, em uma rápida
preliminar, com o time do Flamengo. Naquela
altura, o maior time do Brasil onde pontificava
a figura máxima do Algodão,
atleta da seleção brasileira
e de muitas glórias nessa modalidade
de esporte que, era, de longe, depois do futebol,
o esporte mais popular no Brasil. Aliás,
o Gerazime Bosiks (Grego), ex-aluno do CNF
e, hoje presidente da Confederação
Brasileira de Basquete, deve ter isso bem
em mente.
Estivemos,
remoendo nossas lembranças no intuito
de recordar os nossos colegas que jogaram
aquela partida. Lembramos que a emoção
era tanta que no início do jogo o juiz
deu a partida e eu pulei, rapidinho, atrás
da bola, querendo ser esperto, e a toquei
antes que o enorme pivô, de dois metros
de altura, Waldir Borcado, o fizesse. A bola
caiu na mão do Márcio que rapidamente
partiu para cesta deixando lá dentro,
O juiz, que acompanhava a delegação
do Flamengo, logo, interrompeu o lance anulou
a cesta e se virou para o Márcio e
disse: - Você tem que atacar sempre
para o lado em que você estava aquecendo.
Foi assim o lance da cesta contra, inédita
no mundo, que o Silvério sempre se
refere enchendo o saco do Márcio.
No
nosso time jogava o Dirceu Bonacim, a quem
carinhosamente chamávamos de Negão.
Esse apelido surgiu pelo fato de que a todos
ele tratava de Negão. Recordo que ele
incentiva: vai Márcio, volta Chermont,
boa Silvério,...! Deduzo que assim
ficou, pois seu tipo brancão, tipo
paranaense, não sugeria qualquer outra
conotação.
Negão
era do Paraná. Acho que de Londrina
embora em me lembre que ele falava das terras
de Andirá, quando conversávamos
sobre agricultura ou pecuária. Além
de basquete falávamos de nossas regiões.
Sei que sua vocação se voltava
para a terra. Isso se tornou realidade, pois
que estudou Agronomia e se tornou em técnico
de renome no Paraná.
Uma
ocasião fomos jogar em Minas, em Viçosa.
Como nosso adversário jogou um ex -
colega, meu prezado amigo Helvécio
Mattana Saturnino (Mineiro) com quem encontro,
vez por outra, e, com imenso prazer, recordamos
das coisas do CNF. Acho que alí, Negão
deve ter tomado a decisão de estudar
na Universidade de Viçosa associando,
então, sua vocação pelo
trabalho com a terra. Deve ter ajudado nessa
decisão o fato da universidade oferecer
excelentes condições para a
prática de esporte, outra sua paixão.
Negão
era aluno de ponta, amigo, vibrante em tudo
que fazia, demonstrava sempre uma enorme alegria
pela vida e a tudo tratava com seriedade,
Dava para perceber, naquela época,
que ele seria um homem de sucesso na vida.
De
fato: uma ocasião, já nos anos
oitenta, eu tinha com algumas pessoas uma
empresa de mecanização agrícola
que por acaso o Silvério conheceu quando
esteve comigo em Belém. A interesse
dessa firma fui ao Banco da Amazônia
em busca de elementos que fizessem com que
a empresa pudesse desenvolver suas atividades
ligadas à agricultura e pecuária.
O técnico que me recebeu no BASA sugeriu
que eu conhecesse um empreendimento que estava
sendo implantado no Maranhão, próximo
de Santa Inês e Santa Luiza. Disse-me
que um grupo de agrônomos do Paraná
estava fazendo uma exploração
apoiada em tecnologias modernas que sugerem
o melhor aproveitamento da terra e citou o
nome de algumas pessoas que devia procurar
para conhecer o empreendimento, dentre as
quais, o agrônomo Dirceu Bonacim.
Fiz
alguns contatos e, dentro de pouco tempo,
estava eu no Maranhão para conhecer
o empreendimento e encontrar o meu prezado
amigo Negão. Recordo do nome de um
sócio do Dirceu que se chamava Francisco
Simeão, conhecido por ter sido Secretário
de Agricultura do Paraná e ser empreendedor
na Amazônia.
Na
primeira oportunidade indaguei sobre o Dirceu
Bonacim. O Sr. Simeão me respondeu
que o meu amigo havia falecido em circunstâncias
terríveis.
Helvécio me conta que Dirceu saiu de
Andirá, para celebrar 10 anos de formado
na UFV, em Viçosa, MG, com sua mulher
Eneida, pilotando o avião do seu grupo
e a fatalidade de um desastre, decorrente
de um temporal, roubo-lhe lhe a vida.
Helvécio
conta, ainda, que os filhos de Dirceu já
formados, irmão e irmãs vivem
em Curitiba e que foi ele um dos precursores
na introdução do sistema Plantio
Direto no Brasil, participou de trabalhos
pioneiros em Andirá, no final dos anos
60. Esse sistema evoluiu em todo o Brasil
e constitui-se no existe de mais relevante
em cumprimento de compromissos internacionais
expressos na AGENDA 21, sendo hoje motivo
de orgulho brasileiro e de atenções
de vários organismos internacionais.
E o nosso grande Negão, do teatro,
do basquete, do nosso CNF, foi um dos partícipes
no início dessa fantástica saga.
Também, como pioneiro, ele já
empreendia no Sul do Maranhão.
Em
um desses nossos encontros de setembro o Evandro
Pinto comentou comigo: - Chermont, e o Negão
que não aparece? Relatei a circunstância
deixando o meu amigo Fifico perplexo.
Concluí,
com a indagação do Evandro,
que o Negão não poderia faltar
aos nossos encontros. Justifiquei sua ausência
e peço ao Silvério, Marcio,
Limonada, Paulo Aurélio, Fifico, Lunardi,
Assis, Carlinhos, Maurício Vieira enfim
todos que estão naquela foto, do jogo
do Flamengo, que abonem a falta do Negão.
Estou certo de que nosso inesquecível
amigo estaria presente no nosso meio transmitido
sua força, garra, sabedoria que, em
outras palavras, significa: saúde,
saber e virtude.
Helvécio
Matana Saturnino - colaborou com sobre o Dirceu
Bonacin a quem agradeço.
Janeiro
2004
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Xingu
e Umas Coincidências
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Afonso
Brito Chermont
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Lembrei
de um dileto amigo que fiz quando estava
no CNF. Trata-se do prezado Artur Alvarez
Junior Xingu para o cenefistas.
Era o goleiro do time de médios
e, depois, do scratch (era assim que nós
nos referíamos às seleções
do colégio). Após o CNF
/ Friburgo continuamos a nos visitar e
tivemos intenso convívio, ele morando
em Manaus e eu em Belém. Construímos
uma sólida amizade a qual orgulhávamos,
ao dizer para os outros, que datava desde
nossa longínqua infância.
De fato, o conheci em 1958 quando ingressamos
no CNF e, desde essa época, mantivemos
um laço que só foi desfeito
com a morte prematura o coração
o traiu de uma pessoa que lembro,
sempre, pela sua alegria, bom humor, brincadeiras,
etc. Foi muito bom tê-lo como amigo,
sinto uma enorme falta do seu convívio.
Lembrei
dele porque tive de ir a Manaus e marquei
um vôo que chegava pela manhã
marcando, minha volta, logo, para o
final da tarde. O que eu ia ficar fazendo
lá se não mais tinha mais
meu amigo para conversar e me divertir
com as lembranças de nossa infância
juventude no CNF? Nesse dia telefonei
para o Leo, seu filho, e conversando,
revelei minha imensa saudade de meu
dileto e caro amigo.
Uma
vez Xingu estava em Belém e eu
contei um caso de um piloto da Tansbrasil
que voando de Brasília para Belém
pousou no aeroporto errado. O imenso
avião aterrizou no aeroporto
destinado a aeronaves pequenas que fica
muito perto do aeroporto principal que
recebe os vôos de carreira normais.
O piloto foi chamado atenção
por um deputado federal que viajava
na primeira fila e, acostumado a fazer
essa viagem, percebeu logo o inusitado.
O piloto admitiu o erro e, na mesma
hora, levantou vôo e, dois minutos
após, pousou no aeroporto certo.
Esse fato foi comentado na imprensa:
uns cogitavam de gravidade do problema;
outros, do desconhecimento do piloto;
e, alguns, diziam, sim, da sua habilidade
em pousar e decolar em uma pista muito
curta.
Xingu e eu comentamos um pouco mais
sobre o assunto e demos o caso por encerrado.
Muito
tempo depois, um belo dia, recebo um
telefonema de Manaus. Do outro lado
estava o meu caro amigo Xingu. Falou-me:
lembras da história do piloto
que pousou na pista errada? Esse cara
está aqui na minha frente. Ele
voa em uma companhia cargueira e veio
a Manaus para entregar-me um lote de
mercadorias para minha empresa. Achei,
eu, interessante a coincidência.
Xingu acrescentou que as coincidências
não ficavam por aí: o
piloto era de família de Nova
Friburgo, conhecia o CNF e era parente
da esposa do Maurício Ruiz (Maurição),
de quem sou muito amigo, também,
desde essa nossa época de Friburgo.
Mais precisamente era primo de Marga
esposa do Maurício. Falei com
o comandante e lhe desejei boa sorte
e que pousasse sempre no lugar certo.
Ainda, no mesmo telefonema, falei com
Xingu e pedi para que tomasse umas por
todos nos sem os limites que nós
nunca impusemos aos nossos organismos.
Pois
é! Mas, esse episódio
do piloto, que marcou nossos pensamentos
(do Xingu e o meu), não se encerrou
por aí. Verdade, em setembro
de 1999, fui ao encontro do CNF, como
sempre tenho feito nos últimos
vinte anos. Vou, normalmente, na quinta
feira e retorno no domingo direto para
Belém em um vôo que saí
no início da noite. Combinei
de descer para o Rio com o meu amigo
Paulinho Souza (Perobo), antes, sugeri
que passássemos no sítio
do Maurição e Marga, fica
na estrada que vai para Teresópolis,
que eles estariam, como sempre fazem,
oferecendo um churrasco para quem de
nós, ex-alunos, quisesse participar.
Fomos
muito bem recebidos pelo casal de amigos
e em dado momento Maurição,
de forma muito cortez, me apresentou
uma pessoa dizendo ser piloto e que
viajava bastante para o lado de
tua terra. Comentei com o Perobo
a história e disse que tinha
quase certeza de que se tratava da mesma
pessoa que pousou no aeroporto errado
e que havia se encontrado com o Xingu
em Manaus...
Combinamos,
Perobo e eu, de nos aproximar do cidadão
e, na conversa, fazermos algumas perguntas
para ver se tudo se confirmaria. Sentamos
na mesma mesa e começamos um
processo interrogatório para
satisfazer àquela curiosidade.
As evidências já estavam
postas à mostra, não havia,
no campo teórico, qualquer dúvida
e a confirmação poderia
acontecer com umas poucas perguntas
do tipo: E aí amigo, tem voado
muito para Belém? E Manaus? Você
é parente da Marga? Como?...
Deu
tudo certo! Ele respondeu que havia
sido piloto da Transbrasil e que voava
diariamente para Belém, depois
saiu e foi trabalhar em uma empresa
de aviação cargueira e
que viajava muito para Manaus, trazendo
e levando produtos da e para a zona
franca de Manaus. Seu parentesco com
Marga ocorria realmente, eram primos,
e moravam na mesma cidade Cantagalo
(quem vem do Rio fica a poucos quilômetros
logo depois de Friburgo).
Cheguei
a Belém e pensei em telefonar
para o Xingu como fazia com certa rotina
no passado. Não pude mais fazê-lo,
o meu amigo já tinha ido. Estava
em outra. Acho que está, gozador
como ele só, se divertindo às
minhas custas porque fico pensando em
coincidências, aqui e ali, para
me permitir lembrar dos meus amigos,
diletos e caríssimos, forjados
na escola cenefista que a vida nos concedeu
em quantidade e qualidade.
Fevereiro
/ 2002
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Grande
Gastão
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Afonso
Brito Chermont
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Estava
eu, um dia, em minha casa usando uma camiseta
com o símbolo do CNF, desenhado pelo
Clóvis Cavalcanti, que eu havia comprado
em um desses encontros de setembro, quando,
um telefone toca e, do outro lado, uma pessoa
se identifica como um ex-aluno do Colégio:
eu sou o Gastão Guimarães; fui
seu contemporâneo na Fundação;
eu era da turma do Branco, do Gondim da Fonseca,
do Zé Pedro etc. Localizei-o no tempo
tive a sensação de que o tinha
na minha lembrança.
Pensei,
comigo, deve ter sido a camiseta que atraiu
alguém do colégio para um bate
papo.
Gastão
e eu conversamos sobre aquela época:
os amigos, a escola, os professores, as molecagens.
De repente ele disse que ia me contar uma
que não havia esquecido. Aconteceu
quando de uma descida para casa em um fim
de semana prolongado. O ano acho que poderia
ser 1962. Gastão e alguns amigos, resolveram
ir a um bar (acho que era o Sain Tropez que
ficava em uma esquina oposta ao Alkasar) na
Avenidas Atlântica em Copacabana na
beira da praia, não havia, ainda, o
aterro com o calçadão. Estavam:
Gastão, Branco e outros, todos muito
novos e iniciaram uma farra com direito a
chope, batata frita, e tudo que uns garotos
de 16, 17 anos tinham direito.
No melhor da festa resolveram consultar quanto
dispunham para pagar a conta que, aquela altura,
já devia estar bem alta. A surpresa
foi grande ao perceberem que não tinham
dinheiro suficiente para pagar a já,
então, enorme conta. Um estava confiando
no outro e só cogitaram de fazer as
contas quando a situação estava
irremediável. Aquilo que afigurava
uma farra sem precedentes, histórica,
começou a preocupá-los e, inocentes,
deram a entender ao garçom o que estava
acontecendo que, por sua vez, lhes transmitiu
de que as conseqüências daquilo
poderiam ser bem graves.
Pensaram
em sair correndo mas, perceberam que a segurança
do bar já havia tomado as providências
de escapar daquele calote. O que vamos fazer?
Perguntavam um para o outro. Era gravíssima
a situação. O que nos vamos
fazer? Não havia solução!
Conta
o Gastão que no meio daquela circunstância
aflitiva eu apareci andando por Copacabana
em frente ao bar. Fui saudado efusivamente.
Gritavam: Chermont, surgiu um anjo, o nosso
salvador, viva! estamos salvos!...Graças
que eu tinha algum dinheiro, também
não era muito, pude pagar a conta e
por fim no drama que meus colegas, mais novos,
estavam passando.
Contou-me
Gastão, ainda, que quando subimos para
Friburgo eles fizeram uma reunião formal
e foram em comissão me ressarcir o
prejuízo. Disse-me que não aceitei
o pagamento e propus que fizéssemos
uma outra farra para que tudo ficasse em dia.
Não
me lembro de que isso tudo tenha acontecido.
Ligo alguns fatos e como tenho estado com
o Branco nos encontros de setembro da Associação
vou pedir outras informações
e detalhes. Acho que ocorreu tal qual o Gastão
contou-me pois Branco sempre me trata com
uma consideração especial: faz
dois anos ele me deu de presente uma foto
de 1963 do time de futebol do colégio.
Aliás, melhor, vou pedir para que eles
me paguem as despesas numa próxima
farra quem sabe no próximo setembro.
Gastão,
no mesmo telefonema, me contou outras travessuras
da época me contou das tristezas também.
Me disse que somente está vivo por
causa de duas pessoas e respectivas habilidades:
do amor de Maria Cláudia, sua mulher
e pelo Dr. Paulo Niemayer que o operou. Ele
teve conseqüências graves dessa
operação e a sequela maior foi
a que o deixou cego, em definitivo.
Maria
Cláudia, que é médica,
o ajuda viver e devota ao nosso Gastão
todo o carinho do mundo. Lê e interpreta
os escritos que estão publicados no
site do CNF, ela nos conhece, a todos do CNF,
pelas fotos e transmite a impressões
ao seu marido.
O
exemplo de vida do Gastão, muito ligada
ao Cnf, me emociona. Toda vez que ele fala
com um ex-aluno ele me transmite o encontro,
a conversa. Mandou-me uma foto em que aparecem:
ele, Maria Cláudia; Fernão Gondim
da Fonseca e esposa Vera; e Sérgio
Fernandes Rodrigues e esposa Maria Regina.
Contou-me que foi recebido em um almoço
pelo Sérgio na sua Fazenda em Barra
do Piraí e descreveu a casa sede como
uma construção antiga e muito
bonita. Somente uma pessoa cheia de sensibilidade
pode fazer tal descrição!
Gostaria
de poder aparecer novamente perto de Gastão,
como um anjo, como um salvador, igual aquele
do bar Sain Tropez e de lhe tirar de uma outra
situação de embaraço.
Infelizmente nossos poderes ficaram reduzidos,
quem sabe, porque nos falta a juventude daquela
época dourada. Vou propor ao Gastão
que no próximo setembro nós
nos reunamos. Vamos a um bar e não
vamos levar dinheiro, vamos tomar uns, muitos,
chopes e batatas fritas. Vamos fazer uma farra
sem precedentes, histórica. Vamos exigir
tudo que os jovens cinqüentões
têm direito.
Evidentemente
não será saindo na corrida,
não somos mais jovens para tanto, que
resolveremos o problema, mas, com certeza,
a nossa sabedoria haverá de dar uma
solução. Se não houver
uma saída vamos ter que pagar mesmo,
mas seremos compensados com nossas conversas,
atualizaremos nossas idéias, falaremos
de amizade, de camaradagem e lembraremos dos
anos vividos no CNF.
Janeiro de 2001
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CNF
- Uma Visão Sistêmica
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Afonso
Brito Chermont
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Tenho,
no meu pensamento, tentado identificar o que
está por trás e o que envolve,
nos dias de hoje, o antigo CNF e seus convivas
professores, alunos e funcionários.
O que faz permanecerem unidos numa convivência
que parece definitiva? Nos vinte e sete anos
de existência do Colégio Nova
Friburgo (inaugurado em 1950 e fechado em
1977) passaram muitas pessoas, muitos alunos,
que receberam um treinamento muito especial
para a vida , esse treinamento é o
que acredito ter sido o fator que unes a nos
todos. Um curso ginasial e científico,
ou de 1º grau, como se diz na linguagem
da educação de hoje, é
mais importante que o ensino superior, por
várias causas: primeiro, porque, ocorre
na mesma época em que o jovem está
em plena transformação física
e mental, passando para adolescência,
o que é uma significativa mudança
na sua vida; depois, porque, a juventude atravessa
o complicado processo de definição
daquilo que está querendo ser como
comparticipe da sociedade.
É justo nessa fase que os jovens, que
se transformarão nos homens de influência
na sociedade, precisam de melhor atenção
e cuidados especiais. Qualquer deslize, nesse
período, poderá ser fatal na
formação de suas personalidades.
Considerando esse aspecto é que consigo
entender como o CNF foi importante na nossa
formação. Os que hoje comparecem
e se confraternizam, nos encontros da associação,
estão a clamar e ressaltar a educação,
sem deslizes, que lhe foi concedida no momento
da plenitude do Colégio Nova Friburgo.
Esse aspecto é relevante mas, não
foi só isso, o CNF nos deu muito mais.
Nos deu uma visão sistêmica do
país. Lembro que logo que cheguei me
sentia com cara de búfalo do Marajó.
Ficava pensando como era possivel eu estar
falando a mesma língua, com diferentes
sotaques é claro, com um cara de Santa
Catarina, do Paraná, etc. Eu olhava
para os paulistas, com certa desconfiança,
porque diziam que eles eram imperialistas
e que dominariam o Brasil logo-logo. Os nordestinos,
(grandes figuras!) eu os imaginava, na minha
ignorância infantil, uns caras bravos.
Lembravam-me a figura de Lampião (um
dos raros filmes, nacional, que eu havia assistido
até então) e me assustavam com
uma valentia, talvez, desnecessária.
A minha vingança é que eu achava
a Maria Bonita uma merda de mulher e, então,
eu generalizava: vão todos ter que
se contentar com as suas feias Marias Bonitas.
Eu vou querer para mim uma cabloca, cor de
jambo, linda, brejeira, perfumada com cheiro
de açucena ou, quem sabe, uma alemã
( tipo Vera Fisher ) que estaria alí,
por Murí, perto de Friburgo e, não
menos cheirosa.
A visão sistêmica a que me refiro
não se restringe ao aspecto das características
do nosso povo, na minha visão ingênua
e singela. O CNF me ensinou, com a convivência
com pessoas das diversas regiões do
Brasil, e eu passei a entender que as diferenças
existiam mas poderiam ser diminuídas,
que todos pudéssemos nos sentir, de
forma homogênea, brasileiros; que o
nosso nível de conhecimento poderia
ser mais próximo; que as nossas oportunidades
fossem definitivamente equivalentes. Adquirimos,
sim, uma visão orgânica do Brasil,
ficou dentro de nós um objetivo sistêmico.
No fundo aprendi que somos todos iguais e
que podemos conviver dentro de uma certa igualdade.
O CNF me ensinou, melhor, nos ensinou, a todos,
que poderíamos viver uma democracia.
A demonstração permanente de
congraçamento entre professores alunos
e funcionários apontava para essa direção.
Havia autoridade, sem autoritarismo. A solidariedade
existia como um laço ou vínculo
recíproco entre nós. As lideranças
se forjavam como que por imposição
do próprio
grupo dependendo, diretamente, da atividade
que se estava desenvolvendo. Não havia
o chefe havia o líder com a noção
perfeita da distribuição eqüitativa
do poder.
O ensino no CNF fugia do tradicional: não
havia a sala de aula e sim as salas ambiente
que os alunos se deslocavam -- verdadeiros
laboratórios com equipamentos e ilustrações
específicas a cada matéria --
o que dava um caráter inovador e diferenciado
de todos os educandários existentes;
havia as atividades extra classe que proporcionavam,
aos alunos, uma visão global das diversas
áreas do conhecimento. Era possivel
se ter uma boa noção das artes,
sendo um aluno vocacionado para as ciências
exatas. Era possivel ser um estudioso em matemática
sem desconhecer a importância da música,
por exemplo. Era possivel ser bom de estudo
e de esporte. Como hoje, na moderna sociedade
do conhecimento, a pessoa não pode,
ser apenas um
especialista, o saber específico dá
lugar a algo mais geral. Também, como
na indústria, não se produz
mais um bem, se cria, sim, um processo. O
nosso CNF, já, naquela altura, insinuava
isso tudo !
Então, visão sistêmica,
democrata, generalista, e, com um certo tipo
especial de liderança, isso tudo, faz
parte do conteúdo do ex-aluno CNF aliás,
muito bem definido em nosso símbolo
saúde, saber e virtude.
Em uma certa ocasião, muito anos após
termos passado pelo CNF, identifiquei essa
situação: estava em Brasília
e, por acaso, soube que o Márcio Braga
estaria tomando posse na Secretaria dos Esportes
no Ministério da Educação.
De imediato, fiquei interessado em prestigiar
a cerimônia. Cheguei um pouco atrasado
mais ainda ouvi o discurso do caro Márcio.
Claro, que ele se referiu ao Flamengo com
entusiasmo e, na mesma intensidade revelou
sua gratidão pela escola da Fundação
Getúlio Vargas Colégio
Nova Friburgo, onde ele aprendeu, entre tantas
outras coisas, que a educação
está intimamente ligada ao esporte,
tratando-se, pois, de segmentos indissociáveis.
Dentro de sua linha de raciocínio Márcio
disse que estava na primeira fila do auditório
um seu ex-professor do CNF e que confirmaria
àquela sua afirmação,
referindo-se ao colégio como uma entidade
modelar. O meu testemunho não foi solicitado
porque eu não havia me apresentado,
o fiz logo após o encerramento da cerimônia,
quando, na presença de algumas pessoas
ligadas à educação e
ao desporto, sublinhei àquelas suas
palavras. Márcio, em ato, me confessou
ter duas paixões: referiu-se ao Flamengo
e, evidentemente, ao CNF.
Nesse meu texto queria prestar uma homenagem
aos professores, alunos, e funcionários
do nosso CNF e, o faço, citando o Márcio,
apenas ele, mas, em nome de todos nós,
porque, ao reunir a todas as qualidades --
saúde, saber e virtude --, foi ele,
com sua liderança, que iniciou os encontros
anuais em Friburgo e, agora, temos a associação,
fortíssima na sua visão sistêmica
e seus pressupostos de democracia, que haverá
de transmitir, para outras gerações,
esses preceitos.
Belém
/ PA, Julho de 2000
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Túlio
Roberto Cardoso Quintiliano
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Afonso
Brito Chermont
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A
imprensa tem noticiado, bastante, sobre
a prisão de Pinoche. Em uma reportagem
na TV ouvi sobre assassinatos de presos
políticos e, em dado momento ,
quando se falava de cada brasileiro morto
um mereceu, de minha parte, uma especial
atenção: Túlio Roberto
Cardoso Quintiliano.
Conheci
Túlio no CNF, em 1958, ele era
de uma turma onde estudavam: Silvério,
Langoni, Adilson(que esteve conosco
no último encontro, justo, na
hora do desfile), Magalhães...
O Silvério deve se lembrar, também.
Claro que mantínhamos, no CNF,
uma convivência muito fraterna.
Lembro do Túlio jogando futebol(ouvia
do Prof. Danni, que gostava muito de
futebol, que ele era um craque), no
meio de campo, com as meias abaixadas,
cabeça em pé, passando
certo. Como aluno ele era muito interessado:
tinha um poder de se concentrar muito
grande. Uma vez, Silvério fez
um comentário comigo que guardei,
até mesmo, como um ensinamento.
Dizia: que o importante nos estudos
é a concentração!
" olha o Túlio quando
ele está estudando v. pode chamar
que ele não te escuta".
De fato, o que se discutia, no nosso
pensamento quase infantil, era o poder
da mente e sua ilimitada capacidade.
Bem
depois, em 1961 ou 1962, recebi um telefonema
do Túlio que estava em Belém
visitando seu pai, o jornalista Airton
Quintiliano, que escrevia aqui em um
jornal que se chamava Folha do Norte.
Fui ao seu encontro no hotel onde estava
hospedado Grande Hotel ,
lembro-me bem que era no final de tarde
e falamos muito sobre o cnf, os amigos,
futebol, as mulheres daqui e de Friburgo,
recordo de ter-lhe explicado as coisas
da política no Pará. Era
o papo da época! No dia seguinte
saímos para um passeio, eu tinha
um jeep Willis e o conduzi a alguns
pontos de Belém. Túlio
era muito detalhista, tudo para ele
tinha uma explicação lógica.
Também, disse-me que havia tomado
açaí e que gostara mas,
da farinha que complementava essa bebida
paraense, não havia gostado.
Quando eu ri dessa afirmativa, revelando
minha indignação, pois,
para mim, açaí com farinha
de tapioca era uma de minhas comidas
preferidas, tinha tanto valor quanto
a rapadura para o Nordestino, ele justificou:
sim, aquelas bolinhas brancas não
tem gosto de nada.
Túlio
era acima de tudo um boa praça.
Na TV, quando da reportagem dos assassinatos
dos presos políticos no Estádio
Nacional de Santiago, saiu uma foto
sua e pude rever seu olhar de um autêntico
cenefinno, bom de cuca, bom de caráter
e que o radicalismo daquele general,
nos privou de sua convivência.
Outubro
de 1998
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Íntegra
da última carta de Túlio
aos familiares, escrita em agosto
de 1973.
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Santiago,
Chile. Agosto de 73
Mamãe,
mamãe Marieta, Seniro e demais,
como vai você? Aqui nós
vamos vivendo como podemos. A situação
vem se tornando cada vez mais difícil.
Há uma crise econômica
bastante séria, com uma inflação
cada vez maior. O Chile está
sendo boicotado tanto externamente como
internamente. Esta situação,
patrocinada pela direita, vem se desenvolvendo
e com perspectivas de gerar uma crise
política. Alguns setores já
estão se articulando para tentarem
uma saída através de um
golpe militar. Bem, se juntarmos a tudo
isto a falta de alimentos e a dificuldade
de consgui-los, faz com que não
possamos ter segurança total
para os próximos meses. Guerra
civil e uma perspectiva que se comenta
em cada esquina, em cada diário,
em cada boca de chileno. Para aumentar
nossos problemas, acabamos por perder
nossa empregada e o difícil agora
é conseguir uma com a mesma confiança
que tínhamos na que perdemos.
Tive que pedir alguns dias de folga
no trabalho para superar as dificuldades.
Tomando em conta que Naná está
em época de provas na universidade
e que não pode perder o semestre,
para não atrasar ainda mais sua
formatura, e que não pretendemos
que ela abandone os estudos, decidimos
discutir bastante e resolver algumas
coisas. Uma delas foi a de mandar provisoriamente
Flavinha para o Brasil. Ela irá
com a mãe de Naná que
veio passar alguns dias aqui e vai aproveitar
a viagem para fazer um exame num mianjioma
(não sei se é o nome é
este mesmo) que tem na cara. Vai ser
examinada por médicos em S. Paulo
e que são autoridades no assunto.
O tempo de permanência de Flavinha
no Brasil será determinado pelo
tratamento e pela melhora da situação
aqui no Chile. Nós não
queremos nos afastar dela, já
conseguimos superar uma fase difícil,
que foi criá-la até um
ano, e se vamos nos separar nesta fase
é porque racionalmente vimos
e pesamos as dificuldades que ela poderia
passar, tanto materiais, como assistenciais.
Mamãe Marieta e Tania se ofereceram
para cuidá-la. Vou discutir com
Naná e ver o que podemos fazer.
No momento atual vai ficar com a mãe
de Naná, o que vai ser facilitado
inclusive pela estada dela no Chile
e irá levá-la pessoalmente
para o Brasil.
No mais, Flavinha está bem, um
pouco resfriada, mas bastante esperta,
embora não esteja andando ainda,
muito mais por culpa nossa que não
conseguimos um sapatinho apropriado
para ela, já que possui bastante
equilíbrio e poderia estar andando.
Fala bastante, embora numa língua
que ninguém compreende. Fala
papá, mamá, tchau, e outras
besteiras. Papá e mamá
ela fala mas parece que não compreende
totalmente o significado.
Com respeito ao envio de coisas, pode
parar de enviar fósforo e cigarro.
O principal é mandar arroz e
pasta de dente e como passaremos a comer
a maior parte das vezes fora de casa,
não necessitaremos mais de outras
coisas. Qualquer necessidade mandaremos
dizer. Eu vou telefonar para casa de
mamãe Marieta no dia 6 de setembro,
como combinei com ela. Aguardem.
Tania me telefonou e foi para mim uma
grande alegria já que não
ouvia sua voz há muito tempo.
Parece que está bem e já
me deu seu endereço em S. Paulo.
Mamãe, soube que você fez
uma plástica. Como está
passando? Ficou bem.
Mamãe Marieta, como vai a clínica
e S. Conrado?
Seniro, como vai o Flamengo e as peladas?
Um
beijo,
do Tulio.
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Encontro
de 1998
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Afonso
Brito Chermont
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Na
verdade, o encontro da Aexcnf, começa
bem antes: nos contatos que antecedem a sete
de setembro; na reserva de local para ficar;
na carona para Friburgo ; e, na permanente
ameaça do Tof-Tof contando os dias
que faltam. Esse ano, para mim, tudo aconteceu
a contento. Tanto na ida como na volta não
tive atropelo. A volta sempre é mais
difícil, não só pelo
fato inexorável da despedida, como
pelas preocupações de trânsito
congestionado na estrada pelo fim de semana
prolongado, como pelo horário do avião
poucas horas após o desfile.
A
começar pela Majórica, na sexta
feira, tudo tem uma motivação
muito especial. Esta reunião tem, sempre,
um sabor muito agradável: significa
o reencontro; significa dizer que estamos
vivos e prontos para o que der e vier; fica
claro o prazer de rever os amigos diletos
e reviver os tempos de coleguismo no CNF.
No
sábado, com muita ressaca, a solenidade,
na praça em frente a Matriz, organizada
pela prefeitura foi bem interessante. A secretária
de cultura da prefeitura de Friburgo, logo
após o encerramento, disse a um grupo
que estava conversando que se lembrava de
nós nessa ou naquela circunstância.
Eu quis retribuir às palavras carinhosas
que Lúcia, esse é o seu nome,
estava dirigindo a nos e disse que também
tinha uma lembrança sua: lembrava-me
que se chamava Lúcia, estudava no Modelo
e tinha as pernas grossas. Juno, que estava
na roda, logo comentou que esta era a melhor
e mais importante referência.
Logo
depois, no ginásio de esportes, me
lembrei de muitos campeonatos que disputamos
e , minha maior alegria foi ver o Paulo Aurélio(
Macaco ) em plena forma no futebol e, do Silvério
que sozinho conseguia fazer mais barulho que
o Maracanã lotado . Havia combinado
de jogar basquete, mas fui salvo pelo convite
que me fez o The Best (presidente) para almoçar
com o reitor da UERJ. O almoço foi
bom quando, claramente, percebi da intenção
do reitor de não causar qualquer problema
para um grupo tão unido.
Na
solenidade da assinatura do convênio,
tudo era emoção: a fala do presidente;
o improviso emocionado do Márcio Braga,
que se refletiu em algumas lágrimas
de todos os presentes; a autoridade do reitor
em nós conceder um espaço, até
entendendo a importância, o significado
daquilo para nós. Nesse momento senti
a falta de um muito dileto amigo: O Lopinho,
que nunca falta, e que tem seu nome ligado
à criação do CNF. Soube
que ele estava na Europa e, só por
isso, o desculpo pela ausência.
O
Humberto, um cabeludo que estudou no colégio
nos anos de 59 e 60, era, e ainda é,
amigo do Evandro (Fifico). Nessa fase de reencontro,
só o vi uma vez. Ele nunca aparece
mas, comparece sempre com o queijo e o vinho
e isso, faz a festa do sábado a noite.
Lá estava o Conjunto Papoula, com os
titulares: Silvério, Mussi, Paulo Eurico
e, agora, o Dolabela. Houve também
a participação de artistas periféricos
e alternativos: o Aloisyo Goiabada, cantando,
inclusive, musica nordestina; um baixinho
que tocava violão e sua irmã
cantava músicas românticas .
Lembro do Fifico contando piada de tempo em
tempo. Uma hora eu o vi tentando dançar
de joelhos, com a Lola, (amiga de Sônia
Barroso, que está cada vez mais bonita),
com segundas e terceiras intenções.
Lembrei,
que quando organizávamos as festas,
naquela época do colégio, tínhamos
uma preocupação grande com a
camioneta que traria as meninas. Havia um
horário especial para que elas subissem
e, quando o barulho do motor anunciava a chegada,
alguém encarregado comunicava: chegou
a camioneta das "mulheres". A festa
estava salva.
No
churrasco, sábado, estavam muitos ex-alunos,
pessoas que já não via há
anos. Assisti o encontro do Marcelo (Palavrinha)
com o Talvane, mais piadas do Fifico, e do
Malandro Marcondes ). O papo com o Julo, Paulo
Viana, Bela, Paulo Perobo. Senti a falta do
Silvério, que me disseram depois que
teve que retornar para São Paulo. Notei
as ausências de: Parkinson, Avelino
e Solange, André Cabeleira, Barata,Feijão,
Luz, Márcio Dorneles, Neville, Nuno,
Zé Meleca, Belinha, Longo, Paulista,
Barata, Batatinha.
O
desfile da Aexcnf que encerra, não
só o próprio, mas, também,
nossa participação no encontro
do ano. Tudo foi muito interessante; Nós
sabemos transformar as coisas simples e singelas
com algo de muita beleza.
Sempre
desfilo junto com Lulu, Fifico e desses vejo,
sempre, uma vibração que não
consigo explicar. O Fifico chora e quando
percebe que estou lhe observando diz que está
" tremendo que nem Toyiota em ponto morto".
Vi o entusiasmo do Clóvis Cavalcanti
que, sempre de passo errado, conduzia uma
velha bandeira cheia de frufus e piduricalhos
que, até agora, não entendi
o que ela significava. Explico: a guarda de
honra conduz as bandeiras do Brasil, do RJ,
de Friburgo e do Cnf. Só perguntando
à Maria Alice Antunes que é
a encarregada dos bandeiras. Aliás,
minha prezada amiga, estou a sua disposição
par ajudar na recuperação das
bandeiras mas sugiro, desde logo, que joguemos
fora aquela que o Clóvis levou, com
muita dignidade, é claro, por não
termos identificado nela, nenhum significado.
Outras
circunstâncias do desfile que me entusiasmaram:
a viva emoção da Ana (mulher
do Tof) que revelou que todo ano ela fica
nervosa pensando que o desfile da Aexcnf não
vai dar certo, mas, quando a banda começa
a tocar tudo se realiza satisfatoriamente;
conheci uma senhora, através de Sônia
Barroso, não me lembro o seu nome,
que se identificou à mim, como esposa
do Júlio Éboli e irmã
do Vilas ( um colega nosso que foi Diretor
da Petrobras) e me contou do falecimento do
Júlio; do abraço amigo: do Leonardo,
do Chimbica que chegou da Coréia, do
Irso Lunardi, que finalmente reapareceu; da
quantidade de autógrafos que o Dolabela
distribuiu; da empolgação dos
que tocam na banda: Tof, Perobo, Mussi, Suen,
Hilton, Bork, Reinaldo Henriques, etc., dos
corneteiros; Chevrant, Waldir Costa,( aliás
me lembro que quando ainda estudante, de tanto
tocar corneta fiquei com os lábios
inchados que não dava para beijar minha
namorada após o desfile e, por essa
causa, mais que justa, encerrei minha participação
como tocante( segundo o Demóstenes)
da banda, iniciando uma definitiva participação
na guarda de honra ).
Comentei
com o Talvane da vibração do
Paulo Eurico em tocar. Quando o Talvane era
o chefe da banda o Paulo Eurico tinha uma
função importante, segundo ele,
que era o de carregador de baquetas e, disso,
nunca passou. Hoje, como progrediu! Além
de tocar caixa-tarol, se for preciso, também,
poderá cantar. Esse ano o Viana não
foi porque estava desfilando com os ex-pracinhas
no Rio. Constatei essa terrível traição,
em uma reportagem do Caderno de Domingo do
JB.
Setembro
de 1998
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