O Almirante-de-Esquadra: Airton Ronaldo Longo passou, em 10 de maio último, o cargo de chefe do Estado-Maior da Armada ao Almirante-de-Esquadra Marcos Augusto Leal de Azevedo.
 
AGRADECIMENTOS, DESPEDIDA DO SERVIÇO ATIVO DA MARINHA E BOAS-VINDAS DO ALMIRANTE LONGO*

“Ter sido chefe do Estado-Maior da Armada foi uma grande satisfação e uma honra. O curto e rápido período de cerca de quatro meses em que exerci este expressivo cargo não impediu que o trabalho fosse intenso e profícuo, com participação significativa no aperfeiçoamento de documentos de alto nível da Marinha e do País. A maneira como a Marinha do Brasil é organizada tornou possível, em tão pouco tempo, adicionar contribuições doutrinárias, administrativas, estratégicas, orçamentárias e de controle financeiro em prol da Instituição.
Os sete anos e meio, ao longo da carreira que servi nesta grande escola de Marinha - Estado-Maior da Armada -, empenhado na elaboração dos principais planos, publicações e documentos da Marinha, permitiram-me dirigir com tranqüilidade os integrantes desta importante Organização Militar de Direção Geral da Marinha e dar o melhor de meus esforços para bem assessorar o comandante da Marinha. Agradeço ao vice-CEMA, Vice-Almirante Loesch, aos subchefes, Contra-Almirante Uzêda, Wiemer, Casaes, Newton, Pires Ramos e Palmer, aos oficiais, praças e funcionários civis do Estado-Maior da Armada o auxílio que me prestaram.

Da mesma forma, lembro a contribuição e atenção prestadas pelos titulares das Organizações Militares subordinadas, Vice-Almirantes Braga, na Seconcitem, e Lúcio, no Casnav, e Contra-Almirantes Juliano, na Comissão de Promoções de Oficiais, e Afonso, na Escola de Guerra Naval.

Também registro o convívio cordial com o Estado-Maior do Exército, da Aeronáutica e do Ministério da Defesa, com as secretarias deste Ministério e com as demais autoridades governamentais com as quais tratei assuntos de interesse comuns.
Dentro de poucos minutos estarei encerrando a chefia do último cargo que exerci em minha carreira no serviço ativo da Marinha. Foi uma longa jornada de mais de 47 anos, mas para mim também passou rápido!

Sem procurar fugir do “lugar comum” dos justos agradecimentos, peço, de antemão, desculpas pelos inevitáveis esquecimentos.
Ingressei no Colégio Naval em março de 1955, aos 16 anos de idade, compondo uma turma de pouco menos de 200 jovens, com muitos sonhos e algumas incertezas.
Superadas as dificuldades iniciais de adaptação, logrei a conclusão do curso daquele estabelecimento, passando, em seguida, ao desafio dos três anos da Escola Naval, e encerrei o período de formação acadêmica com a Viagem de Instrução no Navio-Escola Custódio de Mello, em 1960.

Este intervalo de tempo caracterizou-se pela lapidação do preparo técnico-profissional e pelo polimento de valores morais, os quais, graças à educação que recebi de meus pais, já encontravam-se completamente absorvidos. Mas a Marinha é atenta à formação de seu pessoal. Assim, além de pequenos cursos operativos e de manutenção, aperfeiçoei-me em Eletrônica e completei os Cursos de Comando e Estado-Maior e de Política e Estratégia Marítimas da Escola de Guerra Naval, ou seja, de Mestrado e Doutorado em ciências Navais. Em termos acadêmicos, ainda fui graduado como bacharel em Administração de Empresas.
Minha trajetória como oficial reservou momentos inesquecíveis como encarregado de Divisões a bordo de navios, em especial da de Eletrônica do Navio-Aeródromo Minas Gerais; instrutor e encarregado do Curso de Aperfeiçoamento de Eletrônica para Oficiais; comandante de três navios - o Patrulha Piraquê, o Rebocador Tristão e o Desembarque de Carros de Combate Duque de Caxias - e de Forças Navais - a Força de Apoio e o Comando do 8º Distrito Naval; chefia do Estado-Maior do Comando do 1º Distrito Naval e imediatice do Centro de Instrução Almirante Wandenkolk; promoção ao ciclo de almirantes, sendo o único representante da turma Elmo a ser promovido a almirante-de-esquadra; subchefe do Estado-Maior da Armada e do Comando de Operações Navais; titularidade de Diretorias Especializadas - de Ensino, de Aeronáutica e de Sistemas de Armas -, de órgãos de Direção Setorial - Diretoria-Geral do Material, Diretoria-Geral de Navegação e Comando de Operações Navais - e do órgão de Direção-Geral da Marinha, o Estado-Maior da Armada.

Tive, ainda, a oportunidade de, entre 1979 e 1982, representar o País como membro da delegação brasileira na Terceira Conferência das Nações unidas sobre o Direito do Mar, período para o qual reservarei um espaço especial em minha memória, mercê da importância internacional desse evento e da satisfação e orgulho pessoal de ter participado, tendo estado, inclusive, presente à histórica sessão em que foi votado o trabalho final, que se transformou em Convenção da Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a Convenção de Jamaica, e, entre 1981 e 1983, de servir no Comando da Esquadra do Atlântico da Marinha dos Estados Unidos da América.

Como comandante do 8º Distrito Naval, comandante de Operações Navais e chefe do Estado-Maior da Armada, pude estreitar o relacionamento com a comunidade civil e tive o privilégio de conhecer profissionais que são verdadeiros expoentes dentro das atividades que desempenham, além de cidadãos exemplares. Foi um prazer conviver com os Amigos da Marinha e, de maneira especial, com os Soamarinos do Estado de São Paulo e com integrantes da Sociedades Paulista.

A partir de um quadro heterogêneo e aparentemente desconexo, consegui uma formação eclética, servindo nos setores de Pessoal e Ensino, de Operações e Navegação, de Material e no Estado-Maior da Armada, o que me permitiu chegar ao mais alto cargo que poderia almejar como oficial do Corpo da Armada na ativa, com uma visão completa da Marinha. A Marinha ainda premiou-me de forma “mais que proporcional”, especialmente com elementos intangíveis. O Respeito a superiores e subordinados, sempre recíproco, o culto aos símbolos nacionais e o exercício diário de valores éticos e morais constituíram motivos de permanente aprimoramento pessoal, os quais, por características pessoais e por dever funcional, procurei transmitir aos mais jovens.

Deixo o serviço ativo com inúmeros motivos para orgulhar-me.

Somos detentores de um planejamento administrativo comprovadamente eficiente e eficaz, ancorado em alto grau de competência e criatividade e capaz de enfrentar e superar cenários crescentemente desfavoráveis.

No plano estratégico, prosseguimos com realismo e consciente audácia, mantendo objetivos finais e intermediários muito bem definidos. Isto, em parte, deve-se ao grande esforço empreendido no sentido de mantermos o nosso Plano Estratégico e documentos decorrentes atualizados e em estreita harmonia com os interesses do País e da Marinha. É um grandioso e permanente trabalho, discreto e anônimo, e que contribui para a consolidação dos principais sustentáculos de toda a Instituição.

A sorte também me fez companhia em diversos momentos, como por exemplo, na época em que estive à frente da Diretoria-Geral do Material da Marinha, quando participei de perto do retorno da aviação de asa fixa à Marinha, proporcionando os lançamentos e pousos de aeronaves AF-1 no NaeI, Minas Gerais, da aquisição do Navio-Aeródromo São Paulo, da modernização das fragatas da classe Niterói, do reparo do submarino Santa Cruz, da Armada Argentina, e do prosseguimento, com realismo, das atividades relacionadas no Projeto Nuclear. Da mesma forma, quando comandante de Operações Navais pude acompanhar as operações de aeronaves AF-1 no Nae São Paulo. Experimentei, nesse período, um sentimento de extrema realização profissional.

Dentro desse contexto, a presente cerimônia, na qual tenho a honra de receber nobres convidados militares e civis, antigos chefes, parentes e amigos, emoldura, de forma brilhante, um crepúsculo que, num primeiro momento, pode parecer nostálgico, triste e quase melancólico, mas que, na verdade, representa para mim a melhor maneira de despedir-me, no serviço ativo, de uma Instituição que me é e sempre será tão cara, e de relembrar o apoio e incentivo dos que não puderam estar presentes.

Agradeço aos membros do Almirantado o apoio e incentivo a mim prestados durante o período em que participei deste seleto colegiado. Foi um prazer trabalhar com todos os seus integrantes.

Agradeço também a presença do ministro da Defesa, Dr. Geraldo Quintão, neste importante evento de minha carreira. Ao comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Sérgio Chagasteles, apresento meu reconhecimento pela confiança, amizade e orientação com que sempre me distinguiu. Muito me honra vê-lo presidindo mais uma transmissão de cargo da qual faço parte, a oitava aos últimos oito anos. Sempre lhe dediquei minha total lealdade em todas as comissões em que fui seu subordinado direto.

Ao prezado amigo Almirante-de-Esquadra Marcos Augusto Leal de Azevedo, companheiro de longa data, e para quem pela segunda vez passo um cargo no Estado -Maior da Armada, formulo os mais sinceros votos de felicidade na importante chefia que ora assume, mais uma etapa de sua brilhante carreira.

Finalmente, renovo minha gratidão aos meus familiares. Ao meu pai, pela confiança e orgulho de ver seu filho atingir os mais altos postos de cargos da Marinha. É um homem bom! À minha mãe, pela orientação e incentivo, pelo pulso forte de fazer de todos os seus filhos bons estudantes, num dos melhores colégios existentes no Brasil nos anos 50, o Nova Friburgo, da Fundação Getúlio Vargas. Em decorrência, tive de ser responsável já a partir dos dez anos de idade. Mais uma vez peço desculpas aos meus filhos, Fernando, Eduardo e Maurício, por não ter podido estar presente em todos os momentos de suas vidas. Agradeço ao mais velho, Fernando, sua presença neste momento, representando toda a família.

É hora de homenagear uma pessoa especialíssima, companheira, amiga e que esteve ao meu lado desde os tempos em que admirava os magníficos “amanheceres” da Enseada Baptista das Neves, em Angra dos Reis, época em que já ocupava fortemente meus pensamentos. Com o passar dos anos, revelou me um apoio sempre crescente para eu alcançar tantas conquistas pessoais e profissionais.

Obrigado Lígia. Obrigado por me acompanhar neste último pôr-do-sol. Amanhã iniciaremos mais uma viagem (de mão dadas, como sempre fizemos), imersos em paz, felizes, prontos para receber o mais novo membro da família, Arthur, acompanhados da proteção divina que nunca nos faltou e na certeza de que, para a nossa história, não haverá ponto final...”

DESPEDIDA E AGRADECIMENTO DO ALMIRANTE LONGO
...”Suceder, neste Comando, oficiais exemplares que integram a galeria dos que alcançaram o ápice da carreira operativa, foi para mim motivo de honra, justo orgulho e um desfecho inimaginável para um jovem friburguense que aos 16 anos ingressou no Colégio Naval.”...**

*extraído da REVISTA MARÍTIMA BRASILEIRA, v.122 - nº 04/06, Abr./Jun. 2002, fls 293 a 296, com o nosso grifo para destaque.

do Serviço de Documentação da Marinha, com consentimento do Ilustre Almirante-de-Esquadra Airton Ronaldo Longo - R/R. - Rio de Janeiro, abril/2005.


**Da mesma forma, extraímos, das fls. 303/304, do exemplar supra citado, o teor, com o nosso grifo.

Saiba mais sobre a Turma Elmo no site: www.turmaelmo.kit.net