|
A
Arte na Escola
|
|
Maria
Cristina Farage Ferreira e Aragão
|
RESUMO
A
formação acadêmica e experiência
profissional me impulsionaram a escolher a área
da arte-educação como prioritária.
Procuro então, tratar de reflexões e teorias
de autores que fundamentam esta escolha. Considero que
a arte enquanto linguagem e comunicação,
através do fazer desencadeia processos criativos
ilimitados. Considero significativas as informações
trazidas pelo educando, traduzindo imagens guardadas
em sua memória, captados na sua vivência
e cultura. Considero também importante as dificuldades
deste educando quanto à expressão da linguagem
verbal, perante a linguagem imagética comunicativa.
Diante dessa realidade considero ainda, que a Metodologia
Triangular difundida por Ana Mae Barbosa da Universidade
de São Paulo - USP, e a experiência da
"Oficina de Expressão e Arte" são
subsídios para que a arte-educação
seja reconhecida na contemporaneidade, na dimensão
da sociedade inclusiva.
OBJETIVOS
-BREVE RELATO
O
trabalho que agora irei relatar é fruto de experiências
e observações acumuladas durante anos
de exercício do magistério. Faz-se necessário
então contextualizar o conhecimento adquirido
como professora nas aulas de pré-escola, alfabetização
e em todas as séries do ensino fundamental e
depois nas disciplinas de Metodologia e Prática
do Ensino de Artes e Imersão na Escola no Departamento
de Métodos e Técnicas da Faculdade de
Educação da Universidade Federal de Juiz
de Fora, UFJF.
Meus
primeiros contatos com a arte foram no Conservatório
Estadual de Música, onde estudei por 12 anos.
Mais
tarde, com formação técnica instrumentista
e licenciada em Artes pela UFJF , além de pós-graduada
em psicopedagogia procurei fazer da arte, minha paixão,
uma aliada na sala de aula.
A
princípio, trabalhar pessoas com dificuldade
de aprendizagem foi pura coincidência e a aplicação
da arte era apenas um método intuitivo, guiado
pela necessidade de renovação dos antigos
e ineficazes métodos de alfabetização
já impostos àquelas crianças. Anos
depois, já lecionando de 5ª à 8ª
séries fiz dos recursos da rede de informação
eletrônica e impressa um guia para que os alunos
adquirissem uma melhor leitura da realidade cotidiana
e uma melhor visão crítica do mundo real
e imaginário que se impõe pelos meios
de comunicação.
Muitas
leituras fizeram-se necessárias e quando fui
convidada a trabalhar com pessoas portadoras de necessidades
especiais acrescentaram-se aos conhecimentos de minha
área, conhecimentos sobre teorias de desenvolvimento
psicológico, social e cognitivista.
Portanto,
colocar parte do conhecimento sobre o papel foi fundamental
para que conclusões pudessem se efetivar e se
reconhecer naqueles que pensam igual. Trilhei por caminhos
já trilhados e tão brilhantemente defendidos
no Brasil por Ana Mãe. Além disso, elaborei
novos comentários, adaptados junto aos conhecimentos
sobre inteligências múltiplas, de Gardner.
Mesclando teorias e experiência própria
sobre o desenvolvimento do processo criativo e utilizando
memórias acumuladas durante todos os anos de
vida em que pude experimentar vivências artísticas
nas áreas de plástica, música e
dança.
O
objetivo deste texto é além de mostrar
a experiência, divulgar a metodologia, onde história
da arte, leia-se estética, leitura da obra de
arte e fazer artístico se interpõem, contribuindo
juntamente com a fundamentação teórica,
psicológica, construtiva e mediatizante para
uma significativa humanização das relações,
para o entendimento das imagens criadas, sejam arte
ou não, para a evolução humana
e para a formação consciente do cidadão.
O processo artístico mostra-se como um valor
universal, humanístico e perfeitamente adaptado
à sociedade inclusiva, na perfeita sintonia de
uma Escola para TODOS.
METODOLOGIA -ARTE, CRIAÇÃO, LINGUAGEM
E COMUNICAÇÃO
A
arte é inerente ao ser humano, que se educa no
contexto das manifestações culturais e
se humaniza e se emociona à cada experiência
ou vivência estética.
É
uma forma de comunicação muito poderosa.
Nos anos cristãos, uma das primeiras instituições
a perceber esse fato foi a Igreja Católica, quando
utilizou a arte como forma de propaganda de suas idéias,
atingindo o ápice de divulgação
da crença por volta de 1200 ªC. Descobertas
arqueológicas também apontam a arte como
necessidade, como pedra fundamental de desenvolvimento
dos povos.
É
certo que a arte transcende o homem. Todos os povos
, em qualquer tempo manifestaram-se artisticamente.
As inscrições rupestres, as danças
rituais, as músicas milenares tornaram-se prova
e espelho do tempo.
Inegavelmente
é através da arte que apreciamos e descobrimos
o que existe de mais significativo na história
do passado. O registro artístico tornou a distância
dos milênios uma barreira de fácil transposição.
É através dele que se lê a história
pessoal, contextual e neopsicossocial de cada povo.
A
imagem torna-se um referencial. Um espelho. Informa
como estamos, independentemente da intencionalidade
da comunicação. Lembrando que espelho
é revelação , traz a claro: reação,
instinto, intenção e história.
Partindo
deste princípio , o trabalho artístico
significa mais do que um processo criativo.Capta o indizível
e o invisível num momento único. O que
importa é a liberdade de pensamento. O fio que
conduz ao cálculo do acaso.
Não
se limita a ilustrar dominância,ao contrário...
tensão entre o espontâneo e o construído.Uma
soma de motivos particulares.Novas proposições,
a precedência da transformação.
A
arte, expressão privilegiada do universo subjetivo
muda sempre. Junto com nossas aspirações,
necessidades e projetos. Com as possíveis leituras.
Leituras
alheias não têm compromisso com a intencionalidade
do artista. Mais uma prova de sua independência.
A
transformação da sensibilidade e da razão,
duas forças presentes no processo criativo é
concomitante a realização da liberdade.
E é nesse estado que os limites desaparecem,
que as diferenças se transformam em uma soma
de particularidades.
A
linguagem não é apenas meio de expressão,
ela é condição indispensável
à organização da vida mental do
ser humano. Portanto, aprender a lidar com o material
artístico e transformá-lo em instrumento
de linguagem é sem dúvida dar acesso a
capacidade de expressão que todos nós
possuímos.
Valmaseda
(1995) aponta: "... a propriedade mais importante
da linguagem é seu potencial criativo. Conhecer
uma linguagem permite ao usuário elaborar um
número infinito de produções"
(p. 86).
E
é por meio dessas configurações
que se propõe o modo de comunicação
no contexto de uma linguagem. O processo de fazer arte
e se expressar é revestido de um processo de
aprendizagem, de crescimento , de amadurecimento na
mediação da capacidade de comunicação
do homem com o meio no qual ele se relaciona.
É
o encontro teoria aliada à prática. O
encontro da arte e da ciência. Da ciência
a filosofia. Um processo educativo completo e complexo.
Para
Fayga (1977) ..."o ato criador abrange, portanto,
a capacidade de compreender, e esta, por sua vez, a
de relacionar, ordenar, configurar, significar"
(p. 9).
Então,
assim comunicando, percebemos não somente as
transformações como nos percebemos agentes
transformadores.Reforçando Hegel, o criador interroga-se
sobre o sentido e o destino de seu trabalho.
Entendo
que a arte é capaz de fazer flexibilizar pensamentos
e relações onde o criador é sempre
capaz de conectar e mudar as interações
produzidas no mundo da imagem pré-concebida.
Percebe as transformações e se percebe
transformador. Ele se faz um solucionador de problemas
e é essa capacidade que o torna apto a criar
e a superar os seus próprios limites em seu processo
de tensão.
O
sujeito criativo supera a capacidade de imitação,
produz fatos e as conecta a outras relações.
As relações advindas estarão sempre
se conectando e formando novas tensões que o
alimentam para outras formações estéticas
e ou vivenciais.
Explico
que a questão estética se transporta para
a vida do sujeito preparando-o para o entendimento e
para a resolução, tornando-o cidadão,
consciente de si e espelho para o outro, utilizando-se
de sua iniciativa e poder de decisão.
O
comportamento humano está associado a sistemas
de integração básicos. Esses sistemas
quando interligados constituem aspectos associativos
de alto nível. Ouso dizer que só a arte
é capaz de integrar tais sistemas. Daí
a importância de confrontar-se as teorias cognitivas
de desenvolvimento humano utilizando-se a imagem referencial,
a cronologia, os estádios descritos por Piaget,
a influência do meio, o artifício, as teorias
revolucionárias de Gardner, o artifício,
o suporte matérico e os processos artesanais
de construção do SELF, a fim de provocar
uma mudança no paradigma ESTÁTICO DA EDUCAÇÃO
BRASILEIRA.
A INFORMAÇÃO ARTÍSTICA QUE O ALUNO
TRAZ
Ao
encontrar-se com o conhecimento formal de um curso de
arte, o aluno traz todo o conhecimento adquirido ao
longo de seus anos através de experiências
e informações que recebe na rua, em casa,
na instituição e na escola.
No
entanto, a dialética entre arte e educação
segue rumos diferentes: a primeira, suscita o pensamento
divergente, de natureza mutativa; a segunda, remete
ao pensamento convergente, de natureza conservativa.
Num contexto onde todas as informações
parecem estar em direções opostas e contrastantes,
a arte é um elemento unificador e pacificador
da aprendizagem.
Nas
ruas e em todos os ambientes externos encontram-se estímulos
para a aprendizagem. Letreiros, cartazes, rótulos,
cores e formas, a linguagem visual da cidade, a história
contada na sua arquitetura e a valorização
do patrimônio e da cultura. Todos esses elementos
interagem-se e através da leitura habilitam e
ampliam o seu conhecimento do mundo.Portanto, a leitura
é subjetiva, está somente no sujeito e
como tal pressupõe uma ação educativa
responsiva às necessidades e ao sentido fundamental
do viver harmônico.
Faz-se
necessário considerar que o necessário
e o harmônico são considerados pontos de
determinância. O que é necessário
para um não é fundamentalmente necessário
para o outro.
Em
sua casa, mesmo quando os estímulos são
poucos e a família intitula-se como a única
responsável pelo conhecimento e uso de suas habilidades
comunicativas há uma série de informações
literais ou implícitas, tais como a forma de
ocupação do espaço dos móveis
e como as pessoas se dispõem nos cômodos,
a vestimenta, os utensílios domésticos
e outros tantos materiais, a televisão e o rádio
que ligados fazem a interação com o mundo
externo.
Nas
séries iniciais das escolas, há o contato
com o material plástico, digamos artístico:
cola, papéis, tintas, pincéis, massa de
modelar, areia, tocos de madeira, brilhos, sucatas e
outros. No entanto, muitas vezes não há
uma ordenação ou assentamento da experiência
adquirida em função do desenvolvimento
da linguagem como forma de expressão permanente
e viva.
Para
Ferraz e Fusari (1993), "...a experimentação,
a criação, a atividade lúdica e
imaginativa que sempre estão presentes nas brincadeiras,
no brinquedo e no jogo, são também os
elementos básicos das aulas de arte..."
O
impulso lúdico não é apenas o equilíbrio
entre essas duas tendências divergentes: é
a transformação da matéria concebida
de forma livre, sem amarras. No "vir a ser".
Para
Pimentel (1989),
Arte
e liberdade devem andar de mãos dadas.
Arte
não gosta de amarras, de lições
de boas
Maneiras.De
ficar calado. De ficar inerte nos
Quadriláteros
do mundo.
Arte
é vôo sem limites. Rio sem margens.
Mar
sem ilhas. Arte é liberdade. Arte é voar.
A
atividade artística bem conduzida pelo professor
aguça a criatividade, incentiva a coragem, fragmenta
os bloqueios, possibilita a segurança e a desenvoltura,
mobiliza e conduz ao aprendizado.
No
entanto, a escola, organização social
que repete e amplia o modelo familiar e o torna institucional
dá ênfase ao processo ensino-aprendizagem
do conteúdo, utilizando-se primeiramente do veículo
oral e posteriormente a leitura e a escrita. É
aí que surgem as grandes dificuldades, pois como
diz Ana Mãe, alfabetizar não é
apenas fazer as crianças juntarem as letras.
A leitura verbal somente adquirirá sentido quando
a leitura do meio ambiente sob o ponto de vista estético,
sócio-cultural a tiver precedido.
É
imprescindível considerar que a ação
educativa advenha
da
leitura das relações entre a vivência
e a experiência.Uma resposta às necessidades
individuais e sociais.
Muito
bem se discutem os parâmetros curriculares nacionais
e os temas transversais. A educação através
da arte amplia o horizonte de muitos jovens brasileiros.
Leva-os através do fazer a aprender a ser, aprender
a se posicionar diante da sociedade. Aprender a refletir
sobre seu próprio desenvolvimento e espelhar-se
ampliando sua capacidade de execução e
ilimitando os seus possíveis fazeres.
No
entanto, não podemos nos esquecer dos 10% de
brasileiros, muitos ainda jovens e segregados por um
único motivo: a deficiência sob a ótica
dos "limitados".
As
artes neste caso, desenvolvem a discriminação
visual, estimulam o raciocínio lógico,
a aquisição de memórias, incentivam
a percepção e a motricidade e as capacidades
de decisão e comunicação. Aprende-se
visualizando, realizando interações entre
o real (contextual) e o imaginário através
do fazer artístico num processo triangular.
LEITURA DE IMAGENS E O MÉTODO TRIANGULAR
A
interseção da história da arte,
leitura da obra de arte (crítica e estética)
e fazer artístico num mundo cada vez mais ocupado
pela imagem e seus ícones é fator essencial
para o desenvolvimento cultural e para a formação
de pessoas mais capazes de pensar inteligentemente acerca
dos contextos. Relacionar arte ao seu meio ambiente,
investigar e explorar situações e relações,
formular hipóteses e realizar julgamentos se
justificam no processo de experimentação
e reflexão que a arte proporciona.
A
metodologia triangular, mais tarde designada por "abordagem",
corresponde ao que acima descrevi e utiliza como recurso
didático o vídeo (por sua capacidade de
multiplicar o processo e de trazer o mundo externo para
a sala de aula) é baseada no DBAE, isto é,
Disciplined - Based - Art Education, desenvolvido pelo
Getty Center of Education in the Arts, EUA, e que Elliot
Eisner (apud Barbosa, 1991, p. 36, 37) assim correlaciona:
"...
as quatro mais importantes coisas que as pessoas fazem
com a arte. Elas a produzem, elas a vêem, elas
procuram entender seu lugar na cultura através
do tempo, elas fazem julgamento acerca de sua qualidade."
A
função da arte na escola é formar
o conhecedor, fruidor e decodificador da imagem, seja
arte ou não.
A
produção artística traz muitas
interrogações, que somente são
respondidas através do olhar crítico,
preparado e amadurecido no contexto que a História
nos conferiu e argumentados nos julgamentos de valor
que a Estética nos discerne.
Segundo
Perniola(1997),
"...
Baumgarten, o fundador da estética como disciplina
autônoma, considera-a como a parte da gnoseologia
que se ocupa do conhecimento sensível... Schleiermacher
faz reentrar a estética na função
cognitiva, sublinhando o trabalho desenvolvido pela
arte no conhecimento singular; ...para Hegel a arte
é , como a religião e a filosofia, um
momento do espírito absoluto e...das mais altas
manifestações da verdade."
RESULTADOS - SOBRE A OFICINA DE EXPRESSÃO E ARTE
Ao
idealizar o projeto "Oficina de Expressão
e Arte" para o Serviço de Educação
Especial da Secretaria Municipal de Educação
de Juiz de Fora, não podia conceber o fazer por
fazer ou um fazer por lazer. Essa prática, fácil,
esvazia as possibilidades de continuidade e desenvolvimento
do trabalho.
Então,
a pergunta surgiu: o quê fazer com tanto potencial
escondido num portador de deficiência? Como dar
dinamismo à sua vida?
Sem
dúvida que as aulas de arte trouxeram momentos
de encontro com novas perspectivas e aprendizado. Momentos
de grande prazer e significado. E ainda, com vistas
à educação profissional.
O
trabalho artístico significou mais que um processo
criativo. O processo de fazer arte revestiu-se de expressão,
aprendizagem, crescimento e amadurecimento baseando-se
nos princípios da metodologia triangular.
Utilizando
gravuras e reproduções de obra de arte
- todos de boa qualidade -, observações
foram surgindo e experimentando as formas do mundo real,
dando lugar ao lúdico e ao imaginário.
Pessoas
consideradas até então incapazes no seu
raciocínio lógico-matemático, agora
são reconhecidamente consideradas capazes no
domínio dos materiais e dos conhecimentos em
arte. Freqüentam oficinas inclusivas.
É
preciso crescer sempre. Ampliar. Trazer a mídia
eletrônica, visitar museus, exposições,
viajar, trocar informações. Transformar!
Apoiados
no serviço da assistente social que nos acompanha,
pais, alunos, técnicos e simpatizantes caminham
rumo a Associação Arte-Nossa: organização
que prevê em seus parágrafos direitos e
mudanças de paradigmas capazes de romper com
o contexto estereotipado da deficiência, constituindo-se
assim um novo modelo de expressão regional capaz
de enxergar novos horizontes, intercambiando a competência,
a fomentação e incrementação
de planos, a formação de professores inclusivos,
a qualificação profissional, a defesa
dos direitos do cidadão.
No
entanto,a dimensão participativa da democracia
brasileira ainda está muito longe de conhecer
um desenvolvimento pleno.A Convenção Internacional
de Direitos Humanos contém dispositivos que nos
permitem trabalhar e compreender melhor essa questão.
Viver a cidadania não é somente viver
a solidariedade, como parece crer hoje um número
crescente de organizações. A vivência
pela cidadania passa , sem dúvida alguma, pela
ação em favor do bem em comum. É
preciso que esse ativismo seja democrático, isto
é, que envolva níveis crescentes de participação
e de autonomia por parte das diversas camadas da sociedade
e organizações.
Sabemos
que as pessoas portadoras de deficiência são
dotadas também de pensamentos, palavras , gestos
, ações e capacidade para o trabalho.
Paralelamente,
realizamos exposições em escolas da cidade
e locais públicos. Espaços municipais,
estaduais e federais. Damos apoio a artistas especiais,
estabelecemos parcerias, promovemos cursos de artesanato
em diversos pontos da cidade, buscamos voluntários,
comercializamos produtos feitos pelos alunos. A renda
é distribuída de acordo com a produção
e os estatutos da Apoiados no serviço da assistente
social que nos acompanha, pais, alunos, técnicos
e simpatizantes criaram a Associação Arte
Nossa: organização que prevê em
seus parágrafos direitos e mudanças de
paradigmas capazes de romper com o contexto estereotipado
da deficiência, constituindo-se assim um novo
modelo de expressão regional capaz de enxergar
novos horizontes, intercambiando a competência,
a fomentação e incrementação
de planos, a formação de professores inclusivos,
a qualificação profissional, a defesa
dos direitos do cidadão, hoje projeto apoiado
pela Unimed/JF, projeto Unimed-cidadã .
Sabemos
que as pessoas portadoras de deficiência são
dotadas também de pensamentos, palavras , gestos
, ações e capacidade para o trabalho.
Paralelamente,
realizamos exposições em escolas da cidade
e locais públicos. Espaços municipais,
estaduais e federais. Damos apoio a artistas especiais,
estabelecemos parcerias, promovemos cursos de artesanato
em diversos pontos da cidade, buscamos voluntários,
comercializamos produtos feitos pelos alunos. A renda
é distribuída de acordo com a produção
e os estatutos da associação.Temos como
próximo objetivo atingir a rede de
Comércio
Solidário.
Redimensionar
idéias e levantar desafios é objetivo
da Arte enquanto instrumentalizadora para a renovação
cultural de uma sociedade contemporânea.
DISCUSSÃO - REDIMENSIONANDO A ARTE NA ESCOLA
É
praticamente impossível redimensionar a arte
na escola sem que se conheça uma parte da história
do ensino da arte no Brasil.
A
arte era coisa de escravos. Serviço menor que
não necessitava de cognição para
ser executado. Depois, veio "A Missão Francesa".
Artistas importados, compradores na côrte, endinheirados.
Industrialização e desenho industrial...
chegaram as teorias, cognitivas, elaboradas por psicólogos
e rapidamente aplicadas na escola primária. Então,
livre-expressão, terapias, laissez-faire, processo
criativo se sucederam. Com a Escolinha de Arte do Brasil
em 1948, pela primeira vez a arte-educação
focou-se na capacidade de criação e na
estética. No entanto, fundamentou-se numa estrutura
frágil.
Ainda
agora, escolas carregam resquícios no seu ingênuo
desconhecimento frente a princípios teóricos
no ensino da Arte. Às vezes, conscientes de que
a arte é infinitamente reveladora e que processos
cognitivos e desenvolvimentistas a acompanham, contrariamente
a transformam em disciplina secundária.
Nestas
escolas a educação se constrói
e se fundamenta no ensino e na aprendizagem de conteúdos
que - no oposto dos direitos humanos - segregam. Baseiam-se
no direito da avaliação quantitativa.
Na repressão ao excluído.
Ora,
a escola e o professor devem exigir-se minimamente a
contemporaneidade. Barbosa (1975) diz:
...
antes de ser preparado para explicar a importância
da Arte na Educação, o professor deverá
estar preparado para entender e explicar a função
da arte para o indivíduo e para a sociedade.
(p. 90)
A
função da arte transcende o homem. Ele
necessita da sua linguagem e a utiliza como instrumento
de expressão. Vivências artísticas
e estéticas se mantiveram sempre presentes. Necessidades
do homem organizadas segundo seu próprio contexto.
Hoje,
a arte está na imagem. Aparelhos eletrônicos,
mídia, tecnologia de "alta resolução".
O contexto a que me refiro está onde a imagem
faz referências a padrões, espaço,
tempo, significados.
Na
escola, é necessário ensinar a ver, a
analisar, a especular e a investigar. Ser contemporâneo.
É imprescindível o fazer... fruir, refletir.
Argumentar.
À
escola contemporânea, resta estar aberta a TODOS.Ser
inclusiva.
Ao
professor: adotar metodologias inclusivas.
Penso
que o professor não deve prescindir de sua própria
condição de criador pois há de
refletir sobre interesses, vivências, linguagens
e modos de conhecimento em arte e práticas de
seus alunos.
Tenho
certeza de que é fundamental ao professor, conhecer
a quem seu conteúdo se dirige e também
as teorias do desenvolvimento humano. O domínio
do conteúdo específico de sua disciplina
é fundamental para a realização
de uma prática tranqüila e viabilizadora
de uma sociedade inclusiva. É preciso ainda reconhecer
procedimentos pedagógicos que auxiliam as manifestações
estéticas e reflexivas.Faz-se necessário
utilizar recursos avaliativos interessados na qualidade
e na excelência no ensino da arte.
A
Escola para TODOS é a escola líder, espectadora
de sua própria audiência.
É
preciso que forme indivíduos de natureza livre,
libertários, e em liberdade.
É
preciso que a Escola para TODOS - via inclusão
-social e democrática, sem aforismos, encontre
o seu termo. Mediador, consciente, aditivo, sábio.
Aliás,
sábio vem de saber, e no papel da escola atual
o professor é o sábio, aquele que sabe.
Afinal
de contas ? O quê ele sabe ?
Ele sabe de seus alunos?
De seus colegas ?
Dos seus hábitos ?
Das suas preferências ?
Das suas paixões ?
Dos seus vícios ?
A
Escola para Todos também não pode perder
de vista que pelo menos 25% do trabalho oferecido ocupa-se
da arte direta ou indiretamente e que pessoas mais sensíveis
encontrar-se-ão mais bem preparados para o mercado
de trabalho ou para práticas criativas e felizes.
Também, criam-se possibilidades e alternativas
em torno da geração de renda e melhoria
das condições de vida.É claro,
sem gerar mecanismos de desenvolvimento capitalista.
É
preciso repensar a prática do professor e da
escola...
É
preciso repensar a posição do Ministério
da Educação. Seus méritos, seus
créditos... mas ... o professor é desrespeitado.
Ele não é ouvido.
À
princípio, não há uma regra geral
que direcione a educação brasileira.
Muitas
são as dificuldades. Os direitos econômicos,
sociais e culturais ainda são tema de debate...a
multiculturalidade, um fator positivo, devido à
dimensão territorial do país encontra
como barreira a dificuldade da formação
continuada das pessoas e professores envolvidos no processo
educativo.
É
preciso agir com cautela, mas fundamentalmente com responsabilidade
social.
hes
compete analisar o aspecto formal das leis; aos jornalistas
não lhes cabe tampouco a função
de estudar as explanações teóricas
dos candidatos ao título de jurisconsulto, a
menos que as aberrações lingüísticas
mereçam algum destaque, como as dos candidatos
aos exames da OAB.
Já
me referi, em outra ocasião, às decisões
judiciais contraditórias ou discutíveis
que, vez por outra, nos surpreendem, como, só
para ilustração, os dois casos seguintes:
no dia 21 de maio de 1996, a 2ª turma do STF absolveu
o encanador Márcio Luiz de Carvalho, de MG, acusado
de ter estuprado uma menina de 12 anos, em 1991. O relator
do processo, o ministro Marco Aurélio de Mello,
disse, na época, que "nos nossos dias não
há crianças, mas moças de 12 anos".
No dia 22 de outubro de 1996, ou seja, menos de seis
meses depois, o STF confirmou a condenação
de Claudinei Hacker, de Santa Catarina, acusado de estupro
de uma garota de 13 anos. Vale dizer: estuprar uma menina
de 12 anos não é crime, mas estuprar uma
de 13 anos pode dar seis anos e três meses de
prisão, pena a que foi condenado o infeliz catarinense.
Essas contradições existem por culpa do
sistema, que permite a qualquer detentor do diploma
de bacharel em direito - tenha ou não titulação
acadêmica - a dignidade de ministro da maior corte
do país, desde que seja amigo do "rei".
Mas
o que pretendo comentar aqui são os erros chambões
ou as tropeçadas lingüísticas inadmissíveis
em quem tem obrigação histórica
de zelar pela língua, e não a parte técnica
ou jurídica das decisões judiciais ou
das nomeações de juízes e ministros.
Afinal, não sou advogado e não pretendo,
já sexagenário, abraçar a carreira
das leis, ainda que a ache fascinante, maravilhosa e
a mais gratificante, promissora e diversificada de todas
as profissões de nível superior do mundo.
Deixarei
de comentar as bobagens escritas em latim, como "a
grosso modo" ou "a contrario sensu" ou
"status quo", por exemplo (as formas corretas
são grosso modo e contrario sensu, sem a preposição
a inicial, e statu quo, sem o s final, porque é
ablativo, parte da expressão in statu quo ante),
porque o latim, infelizmente, embora cultuado não
por amor à cultura clássica, mas por exibicionismo
pessoal, no exercício barroco do estilo jurídico
tradicionalmente empolado, deixou há muito de
ser ensinado nas escolas brasileiras e há muito
deixou também de ser matéria do vestibular
de Direito. Pretendo ater-me aqui aos desvios lingüísticos
e às inovações que agridem a nossa
língua portuguesa em seu nível formal.
O
Novo Código de Trânsito (Lei nº 9.503/97)
é uma antologia de calinadas e de atrocidades
lingüísticas, algumas dignas de apedeutas
engravatados. Só para ilustração,
eis algumas delas, escolhidas aleatoriamente:
l.
No Art. 302, § único, lê-se: "...
se o agente: (...) II - praticá-lo..." (Desde
crianças, aprendemos que não existe ênclise
com futuro; "praticá-lo" é futuro
do subjuntivo com o pronome enclítico. É
como se alguém pudesse dizer "se quisé-lo",
"se pudé-lo", "se fizé-lo".
Aliás, não há ênclise tampouco
em orações subordinadas desenvolvidas,
porque a conjunção atrai o pronome clítico.);
2. no Art. 231, inciso V, lê-se mais de uma vez
o número mil escrito por extenso com um antes:
"um mil" (Pena que tenha faltado o h inicial
para ornamentar a calinada!);
3. no Art. 46, Contran aparece escrito adequadamente,
apenas com a inicial maiúscula; em quase todos
os outros artigos em que aparece, o nome Contran vem
grafado com todas as letras maiúsculas (os acrônimos,
isto é, os nomes formados com a primeira letra
ou com a sílaba ou sílabas iniciais de
várias palavras, se escrevem com minúsculas,
exceto a primeira, se se tratar de nome próprio,
como: radar, Petrobras, Ufes, Arena, Varig, Vasp, laser,
Bradesco, etc. As siglas - que não formam novas
palavras na língua - é que se escrevem
com todas as letras maiúsculas, como PMDB, STF,
IPTU, UFRJ, BCG, etc. Se o acrônimo tiver menos
de quatro letras, todas se escreverão em versal,
como as siglas, como, por exemplo, TAP, ONU, TAM, etc.
Esse erro é desculpável, já que
nas duas primeiras edições do Aurélio
se grafou aids com todas as letras maiúsculas:
AIDS. A nova edição corrigiu as anteriores,
mas cometeu erro idêntico ao grafar SIDA no verbete
próprio. O que não é desculpável
é a falta de uniformidade: Contran/CONTRAN.);
4. no art. 148 § 3º lê-se: "A carteira
Nacional de Habilitação será conferida
ao condutor no término de um ano, desde que o
mesmo não tenha cometido nenhuma infração
(...)" (Grifo nosso.) (Se se dessem o trabalho
de consultar o Aurélio, no verbete mesmo, os
legisladores teriam evitado esse uso inadequado de o
mesmo, em lugar do pronome pessoal ele.);
5. no Art. 21, inciso XI; no Art. 22, inciso XII; no
Art. 24, inciso XV, lê-se a mesma bobagem: "promover
e participar de projetos e programas" (Ora, qualquer
aluno de 2º grau sabe que dois verbos de regência
diferente não podem ter o mesmo complemento.
Diz-se promover algo e participar de algo; um mesmo
termo não pode ser simultaneamente objeto direto
e objeto indireto, até mesmo pelo princípio
lógico da não-contradição:
uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo
tempo.);
6. no Art. 116, o verbo obedecer, que é transitivo
indireto, aparece na voz passiva, numa construção
que, embora usual e encontradiça até em
bons escritores, a grande maioria dos gramáticos
rejeitaria, com base na regra de que só os verbos
que têm objeto direto na voz ativa admitem construção
passiva, porque é o objeto da ativa que vai ser
o sujeito da passiva.);
Não
quero estender-me mais nessa aberração
lingüística que é o Novo Código
de Trânsito, espelho do preparo (ou despreparo)
cultural dos nossos legisladores. Passemos a outro documento
legal, aleatoriamente escolhido. Por exemplo: a Lei
nº 9.279/96, que é o Código de Propriedade
Industrial. O Art. 195, só para ilustração,
nos incisos XI, XII e XIV, apresenta repetidamente duas
tolices grossas: o uso do mesmo complemento para verbos
de regência diferente e o uso da ênclise
em oração subordinada desenvolvida: "Comete
crime
de concorrência desleal quem divulga, explora
ou utiliza-se (...) de conhecimentos..." Não
é um belo exemplo de incompetência lingüística?
Até
mesmo a Lei de Diretrizes e Bases que deveria primar
pela correção lingüística
apresenta bobagens como, por exemplo, opor sistematicamente
jovem a adulto, como se um adulto não pudesse
ser jovem ou um jovem não pudesse ser adulto!
Deixemos
de lado os textos legais. Nem os deputados, nem os senadores
- nossos legisladores - foram eleitos por sua brilhante
inteligência ou por seu notório saber.
Passemos ao uso que da língua fazem os profissionais
do Direito.
Nos
poucos textos que tive a oportunidade de examinar, encontrei
as seguintes expressões ou termos inexistentes
ou inadequados:
l.
vez que (com o sentido de uma vez que);
2. a-histórico (por aistórico ou anistórico);
3. frente a, face a (Todas as locuções
prepositivas que são formadas com um substantivo,
à exceção, talvez única,
de graças a, têm sempre duas preposições:
uma antes e outra depois do substantivo, como a propósito
de, em nível de, em (com) relação
a, em função de, com respeito a, a respeito
de, em torno de, em favor de, em direção
a, etc. Portanto, o correto é dizer em frente
de, em frente a, em face de...);
4. posto que (com o sentido inadequado de porque; posto
que significa "embora", "apesar de que");
5. eis que (com o sentido de porque; eis que só
se usa no início de frases anunciativas ou no
início de expressões que indicam surpresa,
nunca com sentido causal);
6. inobstante (inovação desnecessária,
equivalente a não obstante);
7. supedanear (O nome supedâneo existe, mas o
verbo, não. Melhor seria a utilização
de verbos já existentes, como basear, sustentar,
alicerçar, apoiar e quejandos.);
8. pertine (A expressão adequada é ser
pertinente. Não existe na língua nenhum
verbo de que pertine possa fazer parte: nem pertinar,
nem pertiner, nem pertinir. Atente-se para o fato de
que a existência de um adjetivo - pertinente -
não nos autoriza a pressupor a existência
de um verbo de mesmo radical; existem os adjetivos irrespondível,
impossível e imperdoável, por exemplo,
mas não existem os verbos irresponder, impoder
ou imperdoar.);
9. exauriente, satisfativa, irresignado, improvido -
são algumas das inovações lexicais
mais comuns;
10. a teor de - locução prepositiva inventada;
11. implicar em - o verbo implicar se usa sem preposição,
com o sentido de pressupor, provocar: A implica B, e
não "em B";
12. deparar-se com - o correto, apesar da lição
espúria da 3ª edição do Aurélio,
é: A deparou B; deparou-se B a A; A deparou com
B.
13. sequer com sentido negativo (sequer significa "ao
menos", "pelo menos", e não tem
sentido negativo por si só: "Ele ganha pouco
mas sequer pôde comprar um carro importado.");
14. intime-se-o - (O correto é intime-se ele.
Quando se tem numa oração o pronome se,
o sujeito dessa oração é sempre
o primeiro substantivo ou pronome que aparecer sem preposição;
o o é pronome sem preposição, mas
é exclusivo da função de objeto
direto; por isso, se o é construção
inexistente na língua culta, exceto se o o é
pronome demonstrativo, seguido de relativo, como em
"Sabe-se o / que ele fez".);
15. A lei está vigindo - (Por "A lei está
vigendo". O verbo é viger, da 2ª conjugação.);
16. Nada importa que o requerente inclua... (Ora, o
sujeito de importa é a oração seguinte
e, ao mesmo tempo, o pronome nada. Em português,
é impossível que um sujeito com mais de
um núcleo não tenha esses núcleos
coordenados em sucessão. A bizarra construção
não levou em conta que nada não é
apenas uma negação, mas um pronome indefinido,
com função nuclear em qualquer oração
a que pertença.)
Fiquemos por aqui. Se é verdade que os bacharéis
recém-saídos da Universidade tropeçam
nos exames da OAB, não é menos verdade
que muitos profissionais, já em final de carreira,
ainda tropeçam na língua, e, o que é
pior, na ilusão de que a sabem.
É um erro pensar que a norma culta portuguesa
tenha sido sedimentada pela linguagem dos escritores.
O aprendizado da língua culta era adquirido pela
leitura de textos legais ou, às vezes, de textos
dos cronistas, nome por que eram conhecidos os "guardas
das escrituras" ou escrivães, contratados
pelos reis para contar as histórias e feitos
reais como suas testemunhas oculares. Os primeiros gramáticos
portugueses não citavam exemplos de conterrâneos
escritores, contemporâneos ou não. Foi
a tradição dos gramáticos latinos
que introduziu essa prática, justificável
pelo fato de só podermos saber como era o latim
culto pela observação do uso que dele
faziam os grandes poetas, como Ovídio ou Virgílio,
ou os grandes prosadores, como César ou Cícero.
Mas o objetivo de um escritor é ou deveria ser
o de subverter a norma, o de se valer de feitos de fala,
de desvios eufóricos, a fim de ser diferente
dos outros, e não como os outros. Por isso, comete
um erro de metodologia o gramático moderno que
abonar regras com exemplos de escritores. Os exemplos
deveriam ser colhidos em obras não-artísticas,
em que predomina a linguagem denotativa, isto é,
sem metáforas, sem figuras, sem intenção
estética, mas apenas ou quase exclusivamente
em sua função referencial.
Sabemos, pelos trabalhos lingüísticos de
Chomsky, que todos os falantes de uma língua
têm competência lingüística,
no sentido de que têm capacidade de dizer, entender
e reconhecer como de sua língua frases que nunca
ouviram antes. Mas a essa competência pragmática,
digamos assim, opõe-se a competência literária,
aqui entendida como a competência lingüística
no registro mais formal da língua. E é
essa que a muitos "sábios" acaba faltando,
sem que eles próprios se dêem conta disso.
A linguagem jurídica poderia voltar a ser a linguagem
padrão da elite cultural do país, e um
modelo de língua castiça a ser imitado
e louvado em todas as escolas. Mas o poder sobe à
cabeça, e a vaidade cega.
Infelizmente.
|