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André
Luiz Lacé Lopes é jornalista e mestre
em Administração Pública pela Universidade
de Syracuse, em Nova York.
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Grande
João Pequeno 2007
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André
Luiz Lacé Lopes
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João
Pequeno & Itália & Pulo do
Sapo & Marraio
Em
1997 escrevi artigo com o título As
80 Voltas do Mundo de João Pequeno
(Jornal dos Sports, Rio 26.10.1997).
Dezembro passado recebo e-mail dando conta
que o título foi atualizado e aproveitado,
na Bahia, para denominar justo evento
comemorativo dos 90 anos do extraordinário
Mestre João Pequeno (75 de Capoeira!).
Com prazer e modestamente, daqui do Rio para
a velha e fascinante Bahia, enviei
exemplar do meu novo livro Marraio
Ferido Sô Rei de presente para
João Pequeno,
sem dúvida alguma exímio e mandingueiro
capoeira, mestre, amigo e exemplar chefe de
família.
Dezembro,
por motivos óbvios, é sempre
mês de muita correspondência,
aproveito
até esse espaço para genérica,
espaço para genérica, a todos
que enviaram
mensagem de Feliz Natal e Próspero
2008. Agradecer e retribuir.
Quanto
especificamente ao Mundo e a Vida da Capoeiragem,
que é a razão desse
espaço, eu destacaria interessante
novidade que nos chega da Itália. Refiro-me
ao
projeto que Mestre Coruja, presidente de uma
das federações italianas de
capoeira está ultimando. Simplesmente
um curso de Luta de Capoeira para uma organização
militar.
Para tanto, o economista-capoeira Edgardo
Coruja escreve solicitando subsídios
sobre a inesquecível e insuperável
capoeira utilitária de Agenor Sampaio,
o famoso
e saudoso paulista-carioca Sinhozinho.
Como o Mundo da Capoeira agora (finalmente)
sabe muito bem, foi no Rio de
Janeiro onde a capoeiragem foi mais bem praticada
como luta de verdade, sem
marmelada, sem fantasia, sem delírio
mítico ou mitológico, sem mercantilismo.
Do
Brasil Colonial ao Brasil República.
Começando com nomes como o moço
bonito
Juca Rei, passando por Manduca da Praia, Cyriaco,
Prata Preta, as famosas maltas
de capoeira, o malandro disfarce do Povo da
Lira, Sinhozinho etc etc.
Mas claro, sempre respeitando a Capoeiragem
praticada pelo Brasil afora
que, pouco a pouco, vai sendo descoberta pelos
quatro cantos, do Maranhão ao Rio
Grande do Sul, passando por São Paulo,
atravessando fronteiras e, para surpresa
de muitos, aparecendo na colonização
de vários outros paises, da América
Latina e
do Caribe, que utilizaram também mão
escrava africana.
Macaco quando ginga muito quer o
quê? perguntava Sinhozinho.
E ele mesmo respondia: chumbo!
De maneira mais literária o grande
Guimarães Rosa já sentenciava:
- O Sapo pula, não por boniteza,
mas por precisão.
Em seguida, Sinhozinho dava magistral aula
sobre a importância da ginga funcional
(passei tais ensinamentos para Mestre Coruja).
Fosse Guimarães Rosa cronista de capoeira
certamente afirmaria:
- Hoje dia, tem muito capoeira pulando
até bonito, mas sem precisão
(eficácia de luta) alguma.
Talvez por isso, consegui deixar um pouco
de lado essa apesar dos pesares
fascinante Capoeiragem, e terminei finalmente
o Marraio Ferido Sô Rei.
Trabalho que foi lançado em noite memorável
na Livraria da Travessa, no Shopping do Leblon,
aonde o livro pode ser adquirido daqui para
frente.
Apenas de raspão o livro menciona a
Capoeira, mesmo assim, alguns mestres de capoeira
prestigiaram o evento. Começando pelo
grande mestre Rudolf Hermanny, um dos melhores,
senão o melhor aluno de Sinhozinho
(Capoeira Luta), fazendo-se acompanhar do
grande Belisquete. . Ainda por ordem de idade
afinal roupa de homem não
dá em menino trazido por
seu aluno André Panesi, lá pelas
tantas apareceu
o grande Mestre Celso do Engenho da Rainha.
Apareceu Mestre Berg, aliás, personagem
do livro, dono de criativo bar místico
em Pilares, vizinho da Toca do Ratinho".
Mestre Ricardo Teco, que vai finalmente inaugurar
singular
Academia na Muda da Tijuca. Já ao apagar
das luzes saindo do seu próprio
coquetel de lançamento - Capoeira,
Jogo Atlético - chegou o professor
e contramestre Joel Pires, acompanhado de
quase toda família. Como manda a boa
tradição, fizemos troca solene
de livros.
Bueno,
Paz, Saúde, Prosperidade e, sobretudo,
Justiça Social aqui na Terra para os
capoeiras e para os não-capoeiras.
Que nesse Ano de 2008, os governos
municipais, estaduais e Federal parem
de desperdiçar dinheiro público
em eventos mercantis e efêmeros de capoeiragem
e ajude logo a realizar os dois únicos
projetos de vital importância
cada vez mais urgentes para os Capoeiras:
1. Atlas Estaduais e Brasileiro da Capoeiragem,
e 2. Memoriais Estaduais da Capoeiragem.
Pois sem Diagnóstico tudo vira
chutômetro ou festival comercial de
fantasia.
Fórum
Cultural dezembro 2008
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Entrevista
com Lacé
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Em
recente visita a Nova Friburgo, o grande mestre de capoeira
André Lacé concedeu uma entrevista exclusiva
ao A VOZ DA SERRA, em que fala sobre o papel que esta
modalidade esportiva ocupa atualmente entre os jovens.
André
Lacé está lançando seu livro
A Volta do Mundo da Capoeira, no dia 26 de no Country.
Como ex-aluno do Ginásio, mais tarde, Colégio
Nova Friburgo, o lançamento será promovido
pela Associação dos Ex-alunos do colégio,
A
VOZ DA SERRA - Fale um pouco sobre sua vida de
capoerista.
ANDRÉ
LACÉ São mais de 40 anos acompanhando
a prátrica da capoeira, inicialmente aprendendo
e ensinando e, mais tarde, como diretor nacional de
capoeira da Confederação Brasileira
de Pugilismo. Já escrevi mais de duzentos artigos
sobre o assunto, criei e apresentei dois programas
de rádio no Rio de Janeiro e todos anos faço
muitas viagens pelo Brasil e exterior, realizando
pesquisas e palestras.
VS
- Vocé poderia definir, em poucas palavras,
o objetivo de seu livro?
AL
- Não é um livro de bravatas nem de
fantasias sobre grandes mitos do passado. Apenas informo
e faço reflexões sobre o que chamo de
"processo de institucionalização
da arte afro-brasileira e capoeiragem, sugerindo
que todos façam o mesmo.
VS
- O que quer dizer capoeiragem?
AL - Como regulamentar e disciplinar esse fascinante
fenómeno popular livre como o vento",
cuja essência é a total liberdade de
movimentos.
VS
Qual seria a solução?
AL-
Está na hora das lideranças da capoeira
tornarem conhecimento, assumindo claramente suas posições.
É preciso tomar uma posição clara
em relação à Lei n 9.696, de
01/09/98, que praticamente joga a capoeira no colo
dos professores de Educação Física.
O ideal seria revogar esta lei, pois há riscos
dela até vir a exterminar a verdadeira capoeira,
a tradicional. Também precisamos combater um
projeto de lei que está no Senado e que pretende
também "paternalizar" a capoeira.
Valeria citar, ainda, o Regulamento Internacional
da Capoeira, que foi aprovado ninguém sabe
por quais países.
VS-
De que mais trata o livro?
AL-
Meu livro procura resgatar algumas verdades históricas
importantes para uma compreensão plena, sobretudo
da capoeira como esporte e da capoeira como luta.
VS-Como
assim?
AL-Há
vários exemplos, como as afirmações
magistrais feitas pelo mestre Bimba. Numa esclarecedora
entrevista que ele deu ao Diário da Bahia,
em 1936, ele já dizia que a polícia
iria regulamentar estas demonstrações.
Esta e outras afirmações similares provam
o conhecimento e a admiração de Bimba
pela capoeira praticada no Rio e que inspirou a redação
da capoeira regional.
Alguns
mestres e estudiosos da Bahia estão um pouco
enciumados e escabriados com esta aparente perda de
status e de poder Mas esta perda é apenas aparente,
pois a contribuição da Bahia, em todo
este processo, tem sido inestimável. Entretanto,
até os mais enciumados estão começando
a utilizar meu livro ( nem sempre mencionando a fonte...)
em suas aulas, palestras e artigos.
Personagens
ímpares da capoeiragem fluminense e carioca,
como Juca Reis, Manduca da Praia, Cyriaco, Zé
Galequinho, Camisa Preta, o grande e vitorioso Sinhozinho,
André Jensen, Luiz Ciranda, Rudolf Hermanny
e outros já começam a merecer a devida
atenção do mundo todo. Da mesma forma,
estudiosos, jornalistas, cartunistas e escritores
como Raul Perderneiras, Calixto, Zuma Burlamaqui,
Inezil Penna Marinho, Lamartine Pereira da Costa e
Luiz Sergio Dias também começam a ser
lidos e discutidos. Além de justa, esta revolução
é extremamente salutar para o entendimento
pleno do fenômeno capoeira.
VS
- Como será o lançamento do seu livro
aqui em Friburgo?
AL
- Será difícil para mim voltar a encontrar
uma união de forças tão positiva
e eficaz. A figura simpática e eficiente do
coordenador do Centro Cultural do Nova Friburgo Country
Clube, o conhecido Jaburu; o competente e objetivo
Henrique Cordeiro Correia, da Múlltipla; e
o médico André Freire, um velho amigo,
especialista em pediatria e cultura popular brasileira.
Vale lembrar, ainda, a grande receptividade do próprio
presidente do Country. James Lessa Alvarez; do Alexandre
"Anchieta (foi aluno do Colégio
Anchieta, grande adversário, no futebol, do
GNF...); do Renato Bravo, gerente do Sesc/NF; de Reginaldo
Andrade, o mestre Caroço, do Grupo Barravento;
de Leandro Luiz, o instrutor Gaúcho, deste
mesmo grupo; e, por ultimo, mas não em último
lugar, do meu querido colega do GNF, Sylvio Lago,
cujo livro, A descoberta da música..., absolutamente
surpreendente, deve ser lido por todos, pois é
uma obra-prima.
VS
- Qual seria o püblico alvo do seu livro? Ele
se dirige apenas aos mestres de capoeira?
AL
- Não, o livro se dirige a professores e alunos
de colégios, faculdades e universidades. Espero
atrair também a atenção do administrador
público e do empresariado. A capoeira é
um fascinante fenômeno multifacetado, polivalente,
que invade um sem número de áreas, especialmente
aquelas relacionadas com a música, a comunicação,
à história, sociologia, antropologia,
geografia, administração, saúde,
educação e até o direito.
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Bola
de Gude & Sociedade Secreta:
Entrevista com o autor de Marraio
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Jornal
A VOZ DA SERRA
Jornalista Girlan Guilland
Nova Friburgo/RJ/ BRASIL
29 de fevereiro de 2008
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No
último dia 24 de janeiro, A VOZ
DA SERRA publicou resenha de uma
crônica portuguesa sobre o livro
Marraio Ferido sô Rei, do escritor
e jornalista
André Luiz Lacé Lopes, lançado
em novembro de 2007, no Rio de Janeiro.
Mais uma excelente crônica
de André Freire, que morou e clinicou
longos
anos em Nova Friburgo até que os
fados o levaram a morar em Lamego,
Portugal.
Em função da boa repercussão
da matéria, tratei de ler o livro,
confirmando os elogios feitos por Freire
e procurando jornalisticamente ir mais
além. A obra de André Lacé,
para começar, é de difícil
classificação, muito
criativa, a maioria das páginas
com luz própria, mas formando um
conjunto
curioso, extremamente instigante, às
vezes misterioso, às vezes bemhumorado,
às vezes reflexivo.
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Do
título do livro ao
poema (premiados várias
vezes) da quarta-capa,
passando por Índice
extremamente atraente, Dedicatória
com uma segunda
parte em código (?),
poemas premiados e a
serem premiaos, participação
especial de Dilcéa
Maria (versos impressionantes),
uma conversa interminável
pelos bares do Leblon e de
Pilares, tudo terminando com
uma bela palestra
sobre Ética (professor
Nelson Mello e Souza).
Em suma, a resenha me levou
à crônica, que
me levou ao livro, o livro
me levou à convicção
da necessidade de, pelo menos,
uma entrevista com o
seu autor. O que foi feito.
A
Voz da Serra (AVS)
Por que o título Marraio
Ferido Sô Rei?
André Luiz Lacé
Lopes (ALLL) Explico
na introdução
do livro e voltei
a explicar ao André
Freire, mas sua pergunta é
muito oportuna, pois novos
dados estão chegando.
Essa, aliás, é
uma das vantagens de escrever:
com
sorte, você começa
a receber críticas
e sugestões formidáveis,
surpreendentes. Sua pergunta
inicial possibilita um bom
exemplo. Velho amigo
de faculdade, Alcides Rodrigues
Redondo, no dia seguinte ao
lançamento do
livro, mandou-me longo e-mail
apresentando informações
que desconhecia.
Marraio Ferido Sô
Rei não passaria
de uma corruptela de My
right fellow, I`ll
do so ray, expressão
utilizada por meninos ingleses,
filhos de empresários,
gerentes e especialistas em
tecidos que vieram para o
Brasil compor os
quadros de fábricas
localizas em Bangu, no Alto
da Boa Vista, Gávea
etc, no
Rio de Janeiro. Em tese é
possível, assim como
o nosso forró pode
ser uma
corruptela do For All,
festa que os gringos, lá
no Nordeste, patrocinavam
para
seus operários. Fica
faltando alguém explicar
como a marble
virou bola de
gude...
Essa informação,
entretanto, que fique claro,
não altera a apresentação
que procura associar o jogo
de bola de gude, da meninada,
com o Jogo da
Vida em geral.
AVS: Como o Marraio
veio parar em Nova Friburgo?
ALLL: Impossível
negar, pura generosidade do
médico-escritor André
Freire, aliás, exagerada
ao classificar a obra (Livro
revelação de
2007!) Mas
aproveito para registrar uma
outra coincidência que
me é muito grata. É
que eu
também morei nessa
cidade, pois tive o prazer
e a honra de ser aluno do
saudoso Ginásio de
Nova Friburgo (1951!). No
conto, com o qual abro o livro
Afinal, você roubou
ou não? faço
policialesca homenagem
a dois ex-alunos
do GNF, e, mais adiante, no
Capítulo em Espanhol,
faço homenagem ao
Sergio Rodrigues Bolinha,
outro ex-aluno, infelizmente
já falecido, e a sua
extraordinária esposa
Beth Rodrigues. Em função
desse meu passado, de vez
em quando visito Nova Friburgo,
sendo justo salientar o lançamento
do meu
livro A Volta do Mundo
da Capoeira, no Country
Clube (2000).
AVS:
Como você classificaria
seu livro?
ALLL: Aceito sugestões.
Particularmente entendo que
as fronteiras
literárias estão
caindo (as geográficas
também), não
tarda surgirá alguma
forma multifacetada unindo
som, cheiro e imagem. Eu mesmo
estou
preparando um DVD e um saite
para acompanhar o livro, pois,
como chamo
atenção na Introdução,
o texto ficará enriquecido
se for lido com as músicas
que cita de fundo. Há
muito mais, não creio
que seja possível escrever
uma
história moderna sem
incluir a Internet, daí
porque chego a transcrever
alguns
dados sobre corrupção
que tirei do Google.
AVS:
Você incluiria a Teoria
da Conspiração
nesse pacote?
ALLL: Bem lembrado,
por que não? Todo caso
de amor, não tenha
dúvida, tem como pano
de fundo, o eterno estado
conspiratório do mundo.
AVS: Seu livro, entretanto,
parece brincar com essa realidade...
ALLL: Ridendo
Castigat Mores. Mal
comparando, Cervantes, ao
escrever o seu genial Dom
Quixote não estava
tentando ridicularizar a figura
clássica da época
do Cavaleiro Solitário.
Não tenho dúvida
da respeitabilidade
e da eficácia, sobre
o ponto de vista da Fraternidade
e Prosperidade dos
Povos, da grande maioria das
sociedades secretas. Mas,
todas elas, são
gerenciadas por seres humanos,
por definição,
sujeitos a erros, a tentações,
a
pecados. Não cabe a
mim, nem foi propósito
do livro julgar como está
esse
saldo, se negativo ou positivo.
AVS: Por que o maior
foco na Sociedade Secreta
Skull & Bones?
ALLL:
Posso falar com muito prazer,
mas
tomará muito tempo,
é melhor ler o livro.
Bastando
lembrar agora que as coincidências
são instigantes:
o número de presidentes
dos Estados Unidos da
América que passaram
pela Universidade de Yale,
a Comissão que redescobriu
Machu Picchu,
patrocinada pela... Universidade
de Yale. Já a linda
e histórica Cidade
Templária de Tomar
foi mera
brincadeira, pura mesmo, homenagem
a um casal
de amigos que são de
lá e a Portugal de
maneia
geral, país admirável.
AVS: Como autor, como
pai da obra, você destacaria
algum ponto em
especial?
ALLL: Filho a gente
gosta por inteiro, não
é, evidentemente, uma
obra
madura (em que pese meus 69
anos...), ao contrário,
já estou me preparando
para dar outros vôos,
Mas, quase contradizendo a
mim mesmo, eu diria que o
espaço que dei à
Administração
Pública e as incursões
que fiz, o tempo todo,
na Música, especialmente
ao Samba, são os tópicos
que mais releio e que
estão sendo comentados
com mais freqüência.
Por exemplo, no conto (conto?)
Concurso Literário
pelos Bares do Rio, todo mundo
está comentando o lance
do protagonista encantar a
namorada com um samba do Elton
Medeiros, mas
dizendo ser ele o autor. Acho
que é o primeiro caso
de pirataria assumida e
impressa. Elton, bom amigo,
um dos maiores nomes da Música
Popular
Brasileira, que morou também
em Nova Friburgo, quando soube,
limitou-se a
rir. Creio que não
haverá processo.
AVS: Um comentário
sobre as duas substanciais
contribuições
que
foram adicionadas ao livro?
ALLL: É cedo
ainda, os comentários
estão chegando, sempre
enriquecedores. Essa Entrevista,
com toda sinceridade, foi
muito bem
conduzida, deve gerar muita
crítica e sugestões.
Mas posso, quero e agradeço
a oportunidade de elogiar
a inestimável contribuição
do meu amigo e professor
Nelson Mello e Souza e da
minha filha, Dilcéa
Maria Lacé Lopes. Ao
Nelson
pedi uma Apresentação
e recebi, de quebra e por
acaso, uma excepcional
palestra sobre Ética.
Nada mais atual. Quanto a
poeta Dilcéa Maria,
seus
versos são fortes,
vigorosos, desconcertantes,
surpreendem a quem lê
tanto
quanto me surpreenderam. Daí
a importância de lê-los
tendo de fundo a
emocionante área do
Rigoletto, Figlia...
Mio Padre. Dilcéa
Maria merece um
livro próprio.
AVS: É sua estréia
como escritor?
ALLL: De certa maneira,
sim. Esse é o meu sétimo
livro, mas o primeiro
exclusivamente de Literatura;
os anteriores, ou foram sobre
Administração
ou
sobre Cultura Popular Afro-Brasileira,
um desses, em versão
francesa, foi
tomado como base em palestra
que fiz em 2007, no Teatro
dos Oprimidos
(Boal!), em Paris.
AVS: Para finalizar,
onde pode ser encontrado o
Marraio Ferido Sô
Rei?
ALLL: No Rio, em quase
todas as Bibliotecas Públicas
e Universitárias.
Para comprar, na Livraria
da Travessa (filial Ipanema
e a do Shopping Leblon).
A Livraria atende também
pela Internet: www.LivrariadaTravessa.com.br
E quanto à Nova Friburgo,
pediria a você a gentileza
de encaminhar para cada
Biblioteca Pública
ou de Universidade, um exemplar
do livro.
29 de fevereiro
2008
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Marraio
Feridô Sô Rei
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André
Luiz Lacé Lopes
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O
mês de novembro dedicado a uma
das datas mais importantes para a comunidade
negra brasileira, o dia 20, data de Zumbi dos
Palmares não poderia chegar ao
fim sem esse acontecimento de tamanho significado.
Na noite desta quinta-feira, 29, na Livraria
da Travessa, no 2º andar do Shopping Leblon
(Rua Afrânio de Mello Franco, zona sul
carioca), o jornalista e administrador André
Luiz Lacé Lopes estará autografando
mais uma publicação de sua autoria.
O livro Marraio feridô sô Rei é
o sexto de sua carreira, primeiro romance do
autor. Lacé Lopes é considerado,
pela crítica especializada, o papa
da capoeiragem no país e por isso sua
atuação de fortes laços
com a cultura afro-brasileira.
Natural do Paraná, mas vivendo no Rio
há mais de 60 anos, André Lacé,
que tem mestrado na Universidade de Syracuse,
em Nova Iorque, já escreveu mais de 300
artigos e crônicas sobre administração,
cultura popular afro-brasileira e esportes em
geral, além dos seis livros publicados,
inclusive um em sua quarta edição
e com versão em francês.
Tendo sido redator da Rádio Roquette-Pinto,
superintendente administrativo do Clube de Regatas
do Flamengo, diretor do Escritório de
Assuntos da Juventude na Organização
dos Estados Americanos (OEA), em Washington
DC, EUA, e assessor técnico do Instituto
Brasileiro de Administração Municipal
(Ibam), já visitou 28 países,
na maioria dos quais vem realizando palestras
sobre cultura popular brasileira.
Marraio
Um livro singular, espécie de montagem
administrativa reunindo contos, poemas e ensaios
que formam uma história única.
Morro do Borel, por exemplo, um dos poemas
selecionados, já mereceu dois primeiros
lugares em concursos literários, um
deles no exterior. Um passeio pelos vários
bares do Rio do Leblon a Pilares
o livro aborda alguns aspectos da vida carioca,
brasileira e mundial, com ligeiras pitadas
conspiratórias, como confessa
o autor.
Com 180 páginas, dividido em quatro
capítulos, Marraio tem projeto gráfico
da Texto & Imagem, que, através
da capista Sisa Resende, conseguiu um resultado
admirável para a apresentação
da capa do livro (reprodução).
Europa
Entre suas 28 viagens ao exterior, André
Lacé traz a mais recente lembrança
de seu giro pela Europa. Foi em setembro passado,
quando esteve em Paris e Madrid, em ambas
as capitais européias para proferir
palestras sobre A Arte Afro-Brasileira
da Capoeiragem.
Dois
trechos de fino e verdadeiro sarcasmo
Caiu mais um perigoso aparelho de pessoas
honestas. Depois de horas de torturas todos
que foram apanhados em flagrante confessaram
estarem tramando contra a corrupção
e a falta de ética. Os subversivos,
com base na legislação em vigor,
foram imediatamente executados.
Segundo dizem, Paris tem muita livraria,
tanto ou mais do que, aqui no Rio, temos de
farmácias. O Leblon brilha neste quadro,
pois abriga um número de bares e restaurantes
muito superior à soma de suas farmácias,
livrarias e igrejas. Proporção
sábia se considerarmos que o bar, muitas
vezes, funciona como a farmácia da
alma, e muitos livros são vendidos
ou começam a ser concebidos em suas
mesas.
Novembro
2007
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Em
recente visita a Nova Friburgo, o grande mestre
de capoeira André Lacé concedeu
uma entrevista exclusiva ao A VOZ DA SERRA,
em que fala sobre o papel que esta modalidade
esportiva ocupa atualmente entre os jovens.
André
Lacé está lançando seu
livro A Volta do Mundo da Capoeira, no dia 26
de no Country. Como ex-aluno do Ginásio,
mais tarde, Colégio Nova Friburgo, o
lançamento será promovido pela
Associação dos Ex-alunos do colégio,
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A
VOZ DA SERRA - Fale um pouco sobre sua vida
de capoerista.
ANDRÉ
LACÉ São mais de 40
anos acompanhando a prátrica da capoeira,
inicialmente aprendendo e ensinando e, mais
tarde, como diretor nacional de capoeira da
Confederação Brasileira de Pugilismo.
Já escrevi mais de duzentos artigos
sobre o assunto, criei e apresentei dois programas
de rádio no Rio de Janeiro e todos
anos faço muitas viagens pelo Brasil
e exterior, realizando pesquisas e palestras.
VS
- Vocé poderia definir, em poucas
palavras, o objetivo de seu livro?
AL
- Não é um livro de bravatas
nem de fantasias sobre grandes mitos do passado.
Apenas informo e faço reflexões
sobre o que chamo de "processo de institucionalização
da arte afro-brasileira e capoeiragem,
sugerindo que todos façam o mesmo.
VS
- O que quer dizer capoeiragem?
AL - Como regulamentar e disciplinar
esse fascinante fenómeno popular livre
como o vento", cuja essência é
a total liberdade de movimentos.
VS
Qual seria a solução?
AL-
Está na hora das lideranças
da capoeira tornarem conhecimento, assumindo
claramente suas posições. É
preciso tomar uma posição clara
em relação à Lei n 9.696,
de 01/09/98, que praticamente joga a capoeira
no colo dos professores de Educação
Física. O ideal seria revogar esta
lei, pois há riscos dela até
vir a exterminar a verdadeira capoeira, a
tradicional. Também precisamos combater
um projeto de lei que está no Senado
e que pretende também "paternalizar"
a capoeira. Valeria citar, ainda, o Regulamento
Internacional da Capoeira, que foi aprovado
ninguém sabe por quais países.
VS-
De que mais trata o livro?
AL-
Meu livro procura resgatar algumas verdades
históricas importantes para uma compreensão
plena, sobretudo da capoeira como esporte
e da capoeira como luta.
VS-Como
assim?
AL-Há
vários exemplos, como as afirmações
magistrais feitas pelo mestre Bimba. Numa
esclarecedora entrevista que ele deu ao Diário
da Bahia, em 1936, ele já dizia que
a polícia iria regulamentar estas demonstrações.
Esta e outras afirmações similares
provam o conhecimento e a admiração
de Bimba pela capoeira praticada no Rio e
que inspirou a redação da capoeira
regional.
Alguns
mestres e estudiosos da Bahia estão
um pouco enciumados e escabriados com esta
aparente perda de status e de poder Mas esta
perda é apenas aparente, pois a contribuição
da Bahia, em todo este processo, tem sido
inestimável. Entretanto, até
os mais enciumados estão começando
a utilizar meu livro ( nem sempre mencionando
a fonte...) em suas aulas, palestras e artigos.
Personagens
ímpares da capoeiragem fluminense e
carioca, como Juca Reis, Manduca da Praia,
Cyriaco, Zé Galequinho, Camisa Preta,
o grande e vitorioso Sinhozinho, André
Jensen, Luiz Ciranda, Rudolf Hermanny e outros
já começam a merecer a devida
atenção do mundo todo. Da mesma
forma, estudiosos, jornalistas, cartunistas
e escritores como Raul Perderneiras, Calixto,
Zuma Burlamaqui, Inezil Penna Marinho, Lamartine
Pereira da Costa e Luiz Sergio Dias também
começam a ser lidos e discutidos. Além
de justa, esta revolução é
extremamente salutar para o entendimento pleno
do fenômeno capoeira.
VS
- Como será o lançamento do
seu livro aqui em Friburgo?
AL
- Será difícil para mim voltar
a encontrar uma união de forças
tão positiva e eficaz. A figura simpática
e eficiente do coordenador do Centro Cultural
do Nova Friburgo Country Clube, o conhecido
Jaburu; o competente e objetivo Henrique Cordeiro
Correia, da Múlltipla; e o médico
André Freire, um velho amigo, especialista
em pediatria e cultura popular brasileira.
Vale lembrar, ainda, a grande receptividade
do próprio presidente do Country. James
Lessa Alvarez; do Alexandre "Anchieta
(foi aluno do Colégio Anchieta, grande
adversário, no futebol, do GNF...);
do Renato Bravo, gerente do Sesc/NF; de Reginaldo
Andrade, o mestre Caroço, do Grupo
Barravento; de Leandro Luiz, o instrutor Gaúcho,
deste mesmo grupo; e, por ultimo, mas não
em último lugar, do meu querido colega
do GNF, Sylvio Lago, cujo livro, A descoberta
da música..., absolutamente surpreendente,
deve ser lido por todos, pois é uma
obra-prima.
VS
- Qual seria o püblico alvo do seu livro?
Ele se dirige apenas aos mestres de capoeira?
AL
- Não, o livro se dirige a professores
e alunos de colégios, faculdades e
universidades. Espero atrair também
a atenção do administrador público
e do empresariado. A capoeira é um
fascinante fenômeno multifacetado, polivalente,
que invade um sem número de áreas,
especialmente aquelas relacionadas com a música,
a comunicação, à história,
sociologia, antropologia, geografia, administração,
saúde, educação e até
o direito.
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Mandinga
& Zé Pilintra & Duende (ou Nova
York, Rio e Madri)
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André
Luiz Lacé lopes
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Noite
de quinta-feira, parto para a velha e ressuscitada
Lapa Boêmia com três
objetivos específicos: 1. Passagem rápida
pelo Quilombo de Mestre Arerê, para deixar
cópia de DVD sobre Dr. João Grande;
2. Passagem rápida pelo Bar do Ernesto
para
reservar grande mesa para, no dia seguinte,
assistir a mais uma antológica apresentação
de Lúcio Sanfilippo; e 3. Assistir, junto
aos Arcos, espetacular demonstração
do Jongo
da Serrinha, Tambores de Alma, 4 esquinas, Mariocas,
Boi-daqui, Cia da UFRJ, Ação
da Cidadania, 3 Marias e do Conjunto Pé
de Chinelo (Sra. Vanusa Maria de Melo -
http://www.pedechinelo.com.br/luciosanfilippo.php).
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Subestimei
a Roda do ilustríssimo senhor Eraldo
Teixeira da Silva (Arerê), no
Circo Voador, que, apesar de todos os percalços
previsíveis, capoeirísticos ou
não, vaise
firmando como ponto de encontro da capoeirada
do Rio e do mundo (como veremos
mais adiante). Era para entregar o DVD ao Seu
Arerê e sair batido, acabei ficando tanto
tempo que mal deu para assistir o final do Jongo
e reservar as mesas.
Mas valeu!
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Valeu
pelo momento da roda, e valeu pelo que virá
mais adiante, especialmente
a visita de uma universidade espanhola, prevista
para o mês que vem..
Comecemos pela Roda, que, mais uma vez, contou
com mestres visitantes
ilustres e com a excelente prata da casa. Dos
mestres visitantes quero e devo destacar
Mestre Rui (foto), meio desaparecido, mas que
chegou firme e forte, acompanhado de
sua esposa, historiadora, e relembrando alguns
de seus grandes mestres como Deraldo,
Zé Grande e o extraordinário Mário
Santos. Relembrou, também, as históricas
rodas
livres dos Mestres Artur Emídio e Zé
Pedro (claro, cada qual no seu cada qual).
Quanto à prata da casa, lamentando não
poder citar todos, volto a chamar a
atenção para dois nomes: Carlos
Firmino, o Cabeleira, e Danilo Foguinho. O primeiro
deveria ser contratado para correr o Brasil
e o mundo ensinando, com a sua
capoeira inteligente, o que é ter garra,
talento, vontade de viver e, obviamente, de
jogar
capoeira. O segundo é garoto ainda, mas
já impressiona pelo modo de treinar,
jogar e
encarar a capoeira.
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Ao
final da Roda, seguindo boa tradição,
Mestre Arerê apresenta seus convidados,
dá voz a cada um deles e fecha
a roda com seu discurso de sempre
inteligente,
engajado, sem hipocrisia, enfatizando
a importância da militância
social e da luta
diuturna pelos direitos humanos realmente
para todos. Arerê sempre aproveita,
também,
para louvar todas as capoeiras, todas
as correntes, todos os mestres, mas
deixando claro
a fundamental importância da capoeiragem
do Rio Antigo e do Rio de Hoje, exemplificando
com alguns casos de estilos e capoeiras
de outros estados que só alavacaram
para
o sucesso depois de passarem por essa
Cidade meio (completamente?) abandonada,
mas
ainda Maravilhosa.
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Foi
nessa fala final que Arerê teve
por bem resumir o convite a ele endereçado
por uma universidade espanhola. Um convite
impressionante, invejável e sintomático.
Impressionante pois revela o interesse
do mundo na prática da Capoeiragem,
não apenas como entretenimento
ou desporto, mas como valioso instrumento
de
conscientização e luta
pela cidadania plena. Invejável
pois dá para perceber o quanto
avançada está essa universidade
espanhola, em relação
aos bons aspectos da capoeira, e
como estamos nós, pelo menos
boa parte das lideranças, cada
vez mais mergulhando no
3
terreno pantanoso das mesadas públicas
e paternalísticas em troca de
apoio políticoeleitoral
completamente cego. E, finalmente, sintomático,
pois o interesse da
universidade espanhola, muito acertadamente,
se volta para trabalhos como o que
desenvolve Arerê.
Ou seja, já deve ser do conhecimento
do resto do mundo (mas, infelizmente,
muitos mestres resistem em perceber)
que a grande maioria dos programas de
inclusão
social pela capoeira não passam
de programas de exclusão
social para justificar
malversação de verbas
públicas ou privadas. Claro,
com raras e honrosas exceções.
A
distribuição de Cestas
de Alimentação, durante
essa ou aquela Roda ou Congresso
de
Capoeira, também é incontestável
exemplo de hipocrisia e manipulação
social. O pobre,
especialmente o pobre esfomeado quer
e merece a chance de um emprego, de
um
salário razoavelmente digno,
de programas de casa própria
(tecnologia da escassez!)
realisticamente financiável,
de bons hospitais e escolas públicas...
O pobre, sobretudo, não quer
migalhas eleitoreiras, quer uma solução
definitiva. E o Brasil é grande,
ousaria dizer sem medo de errar ou exagerar
que o Brasil
é rico, basta bem administrar
suas riquezas, a dinheirama tributária
que entra
diuturnamente nos cofres públicos
municipais, estaduais e federal.
Só isso, mas nada,
uma vez empregado, o pobre compra seu
próprio pão e, na medida
do possível, vez por
outra, carrega até a mulher e
filhos para uma seção
de cinema.
Mas, afinal, que vem essa universidade
espanhola fazer aqui no Brasil, no
Rio de Janeiro?
Claro, a Agenda vai além da Capoeira,
mas, em muito boa hora, os responsáveis
pela viagem, trataram de agendar visita
ao Quilombo do Mestre Arerê.
A Capoeira
agradece e, posso adiantar, o grupo
espanhol sairá satisfeito, pois
será muito bem
recebido, assistirá extraordinária
Roda e, o que é igualmente muito
importante, ouvirá
reflexões sociais e históricas
à altura da verdadeira Capoeira,
do Rio e do Brasil.
Esse é e sempre foi o discurso
natural do Mestre Arerê. Bem diferente
da
maioria dos mestres de capoeira que
prefere, pragmaticamente, uma política
de boa
vizinha eterna com todos os governos.
O importante, para esses, é pleitear
e conseguir
verbas para tocar seus respectivos projetos,
sem jamais criticar eventuais falhas
governamentais, sugerindo ações
sociais mais adequadas e oportunas.
Nesse momento, por exemplo, paira no
ar brasileiro e mundial, uma grande
crise
de valores
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Esse
é e sempre foi o discurso natural
do Mestre Arerê. Bem diferente
da
maioria dos mestres de capoeira que
prefere, pragmaticamente, uma política
de boa
vizinha eterna com todos os governos.
O importante, para esses, é pleitear
e conseguir
verbas para tocar seus respectivos projetos,
sem jamais criticar eventuais falhas
governamentais, sugerindo ações
sociais mais adequadas e oportunas.
Nesse momento, por exemplo, paira no
ar brasileiro e mundial, uma grande
crise
de valores éticos. Realmente
é difícil tomar posição,
mas, por outro lado, não se deve
fechar os olhos e fingir que nada está
acontecendo de singular. A julgar pelas
manchetes
de primeira página dos principais
jornais do país um festival de
pequenos e grandes
escândalos governamentais parece
não querer sair de cartaz. O
próprio Poder Judiciário
confirma também a existência
de tais escândalos. Pois muito
bem, se 10% do que se fala
for verdade, teríamos aí
um dinheiro para colocar um posto de
saúde e uma escola
pública em cada bairro brasileiro.
Funcionando, evidentemente...
Não haveria, então, necessidade
de tantas ONGs algumas fantasmas
recebendo verbas milionárias
e produzindo muito pouco ou mesmo nada.
E as Rodas e
simpósios de capoeira
poderiam esquecer essa preocupação,
mais marqueteira do que
efetiva, de distribuir meia dúzia
de cesta de alimento durante uma tarde.
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Avaliar
a vida sóciopolítica
de um país, mais do que nunca,
significa avaliar seu
desempenho ético. A grande
maioria das lideranças capoeirísticas,
especialmente da tal capoeira contemporânea,
reacionária por tradição,
não toma posição
a respeito de tais desmandos.
Dependesse de mim, em todas rodas
de capoeira, seria distribuída
uma cópia dos melhores artigos
que, quase magicamente, ainda estão
sendo inscritos sobre corrupções
e desmandos comprovados.
Como, por exemplo, o artigo A
verdade está na cara, mas não
se impõe, de
Arnaldo Jabor, publicado no jornal
O Globo, no dia 25 de abril de 2006.
Voltemos à fascinante Espanha,
não apenas das boas universidades,
mas de várias mandingas,
como o encantado mundo dos DUENDES.
Foi em memorável noite no restaurante
Andalusi (foto), em Madrid, ainda
não descoberto pelo turista
(não sabe o que perde), durante
conversa acidental, que descobri um
curioso parentesco entre a nossa mandinga
e os duendes.
O
termo (duende) vem do sânscrito,
significa Divindade. Assim como o
capoeira, às vezes,
fica tomado pela mandinga e joga como
ninguém, também os flamencos
recebem o DUENDE.
Segundo Carmem Romero, nesse
contexto, duende seria um estado
de exaltação que se
manifesta nos dançarinos de
flamenco, de modo inesperado e sem
duração mensurável.
Antonio Canales vai mais longe,
em entrevista jornal inglês,
solicitado a definir duende,
respondeu: Gods orgasm!
A
explicação, entretanto,
que mais se ajusta aos dois fenômenos
mágicos
mandinga e duende me foi passada
sem a precisão do autor (pelo
que peço desculpa
por sua não citação):
Duende é o sentimento
que conecta a alma à essência
da vida,
liberado devido ao intenso envolvimento
emocional com a música e dança.
É parte da
natureza humana, e se expressa de
várias formas. É um
estado de transe experimentado
durante uma performance que pode levá-lo
a gritar "Olé" (ou
IÊ!) inconscientemente."
Como a viagem terá caráter
marcantemente acadêmico já
foi adiantada a
sugestão de tópicos
básicos. Tópicos que
revelam bem a seriedade e a profundidade
da
visita, como por exemplo, reflexões
sobre a trajetória social no
Brasil nesses 20
últimos anos. Repito,
localizaram a pessoa certa, Mestre
Arerê, que tem consciência
plena do processo degenerativo, mercantil
e aburguesado que ronda a evolução
da
Capoeira, da tendência a um
embranquecimento excessivo
e preconceituoso, da sua
utilização indevida
por alguns governos, especialmente
os ditatoriais.
Tão pouco Arerê tentará
professorar sobre as culturas afro-brasileiras
sem citar
nomes e obras como Nei Lopes, Pepetela
e outros, e, sobretudo, sem cometer
o erro
crasso cometido por um famoso mestre
de capoeira contemporânea, que
foi a Angola e
voltou com a mania de homenagear,
nas camisas e nos apelidos de seus
novos alunos,
animais em extinção
na África. Esquecendo-se, simplesmente,
do principal animal em
extinção na África,
que é o próprio africano.
Permito-me aqui, um pequeno comercial,
voltando a sugerir a leitura, oportunamente,
do meu próximo artigo Receita
de
Angola.
Termino com rápido comentário
sobre o DVD que fiz, com base na filmagem
feita por mando de Mestre João
Grande, durante uma de minhas visitas
a sua academia
em Manhattan, em Nova York, verdadeira
embaixada brasileira da capoeiragem.
Filmagem
antológica pois, de maneira
despretensiosa, mostra como se deve
dar
uma aula, como se deve comandar uma
roda, como se deve recepcionar visitantes
e
amigos, como se deve louvar o próprio
mestre (Pastinha!), como se deve comemorar
um
aniversário de aluno e como
se deve fechar uma roda
dentro dos mais puros e
poéticos fundamentos de Angola.
Aproveitando a passagem de vídeo
para DVD incluí
mais meia hora de informações
(capas de livros chaves para o entendimento
pleno de
capoeira, fotos raras etc) e uma curiosidade,
um pequeno trecho de uma roda de
capoeira onde apareço, longas
décadas atrás, jogando
com o Mestre Preguiça. Tirei
dez
cópias para distribuir para
alguns amigos interessados, um deles,
o Seu Arerê.
Vale!
Leblon
30 de Abril 2006
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Registros
de um Presidiário
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André
Luiz Lacé Lopes
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Não
lembro dos detalhes, realmente não
sei. Talvez com os anos, eu comece a
lembrar. Dizem que é assim que
a banda toca, Um pouco por velhice,
um pouco pela cadeia. Muita solidão,
muita injustiça, muita maldade,
muita tristeza, a gente vai voltando
para a infância. Você sabe,
p`ra se esconder do presente o cara
corre p`ro passado, aí a memória
volta. O que a gente procura mesmo é
viver na memória, sem grade atrapalhando.
Mamãe
vivia dizendo que papai era mulherengo,
mas eu lembro dele mesmo é tocando
violão. Não entendo muito
de música, mas acho que ele não
tocava grande coisa, nunca vi ele tocando
com alguém. Sempre sozinho, dedilhando
o violão, às vezes fazendo
um ou outro solo. Tinha um chorinho
que ele tocava quase inteiro. Vez por
outra me chamava, eu sentia que ele
queria dizer alguma coisa, passar alguma
coisa, talvez, imagino agora, mostrar
que era um bom sujeito. Nessa hora sempre
tocava um chorinho que, um belo dia
confessou, tinha aprendido com
a rainha.
Quase
gelei, que história é
essa, compadre, o velho teria pirado!?
Nada
disto, depois entendi, era coisa de
santo, entende?
Rainha
Isabel de Aragão, uma santa que
acabei conhecendo e resolveu meu problema
na época. Aliás dois.
Veja você, eu, garotinho, sem
acreditar em ninguém, nem em
mim, acabei pagando pra santa que me
ajudou. O tempo todo ela ajudava, cara,
falava espanhol, salvo quando trabalhava
nas falanges de baixo, aí tome
cemitério e trabalho em encruzilhada.
Como rainha, operava, eu vi meu irmãozinho,
ninguém me contou, ou melhor,
vi pela metade, pois na outra metade
desmaiei, era muito sangue, dragão,
mas no final, a garota ficou curada.
Tinha nascido com dois sexos, não
sei se você saca isto, mas às
vezes acontece, a rainha cortou o peruzinho,
na maior, e tudo ficou certo. Ou acho
que ficou, pois, mais adiante, a rainha
morreu, morreu muito estranhamente,
sobre isto não posso falar, e
tudo parou por aí. Claro, até
me jogarem nesta pensão pública,
andei correndo gira, mas sem pressa,
sem guarda baixa, mas para ouvir o atabaque
e as meninas cantando. Coisa bonita,
sinto falta até hoje. Mas, conselho,
obrigação ou despacho,
nem pensar. A roça e o terreiro
estão que nem Brasília,
que nem a Casa Branca, que nem a ONU,
tudo armação, meu irmão.
De vez em quando, tem briga de cachorro
grande, e um deles vem se hospedar aqui
com a gente, malandro. É quando
o boião melhora.
Tudo
isto pra mim morreu, eu vivo agora pendurado
na saudade do amor, foi o que mais me
aconteceu de bonito, é isto que
me segura. Do amor em casa ao amor da
rua. Amar malandro, amar o tempo todo,
poucos amam de verdade, a maioria pensa
que ama, a maioria finge que ama, modesta
à parte, eu amei de verdade todas
vezes que eu amei. E tive sorte, muita
sorte, fui amado, também, por
todas mulheres que amei. . Coisa, bem
sei, sempre discutível, mas,
sou ousado, ouso dizer, fui amado também..
Digo e afirmo, sem medo de errar, muito
embora, fique sabendo, se estou errado
não tem a menor importância.
Ou melhor, não nego que o ideal
é amar e ser amado, mas, se tivesse
que escolher entre amar e ser amado,
não vacilaria, escolheria amar
a ser amado. Ser amado é bonito,
dá um sacode no ego, até
te lança como cafetão
na paradas da vida, mas não satisfaz
totalmente, Já amar é
soberano, manda nas coisas e nas almas.
Você caminha sorrindo até
pelo deserto, você vê na
escuridão, você sonha acordado,
lindos sonhos de amor. Você se
torna irmão da humanidade, cidadão
exemplar, galã do teu filme.
Muito
que bem, é hora de você
perguntar porque, então, estou
preso?
É,
eu bem que poderia te enrolar, tenho
estudo, sou andado, você sabe,
pra mim não é difícil
dar uma volta pelo Alaska, descer pela
Rocinha e aterrisar no seu pensamento,
mas prefiro ser direto e sincero: não
sei.
Leblon,
Janeiro 2005
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CUBA:
Hasta Siempre!
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André
Luiz Lacé
Lopes
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Viajei
para Cuba com uma
dezena de encomendas:
livros de José
Marti e Nicolás
Guillén;
cds de Pólo
Montanez, Compay
Segundo, Carlos
Puebla (Hasta Siempre!),
Pablo Milanês
e outros; e, naturalmente,
guayaberas, charutos
e rum "de sete
anos para cima".
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Volto
com muito mais do
que tudo isto, volto
com a certeza de
que a fascinante
e brava nação
cubana merece o
respeito e admiração
de todo o mundo.
Certeza, não
somente minha, mas
de minha mulher
e de minha filha,
duas maravilhosas
companhias nessas
voltas pelo mundo.
Tendo
em vista alguns
comentários
negativos sobre
Cuba, das duas uma:
ou são comentários
levianos, até
suspeitos, ou Cuba
mudou muito. É
evidente que não
nos limitamos aos
passeios programados
oficialmente para
os turistas (que
são muito
bons), andamos por
todo lado, conversamos
com um considerável
número de
pessoas, com ou
sem diploma superior...
Claro
que existem problemas,
não apenas
por um desumano
e contraditório
"Bloqueio Econômico",
mas, também,
por alguns ajustes
que, na minha opinião,
se fazem necessários
no comportamento
dos administradores
públicos
de médio
e alto porte. Mas,
onde, no mundo,
não existem
problemas sociais
graves?
A
tudo isto, o povo
cubano resiste heroicamente,
numa demonstração
única de
fibra e esperança.
Esperança
que o triste bloqueio
acabe, e Cuba, mas
do que Turismo,
possa negociar seus
extraordinários
avanços em
áreas sociais
importantes, como,
por exemplo, a área
da Saúde.
Tempos
atrás, morando
em Nova York, ouvi
de um amigo, autêntico
nova-iorquino: "você
vive em Manhattan
60 anos e, mesmo
assim, não
poderá dizer
jamais que conhece
bem esta ilha encantada".
Comentário
que, tranqüilamente,
serve também
para essa fascinante
ilha-nação
chamada CUBA. Com
cautela, pois, passo
a resumir esta minha
primeira visita.
Havana (dezembro
- fase inicial)
Ficamos
no Hotel Habana
Riviera, um dos
mais antigos da
Capital. Problemas
em relação
na reserva foi resolvido
com grande magnanimidade
e pragmatismo: ao
invés do
triplo reservado,
deram-nos uma suíte.
Arriscamos ver o
primeiro show -
Tropicana - no próprio
hotel, o que equivale
a ver um show de
samba no Plataforma,
no Leblon. Ou seja,
espetáculo
feito sob medida
para turista. Mesmo
assim, dá
uma idéia
razoável
da cultura musical
e dançante
local. Apesar de
vários bons
restaurantes e bares
do hotel, fomos
encontrar uma comida
extraordinária
no hotel ao lado
- o Meliá
Cohiba (Restaurante
Italiano, que recomendamos
a todos). Na própria
Tabacaria do Hotel
Riviera, tomamos
conhecimento de
um charuto (puro"
ou "havano")
muito especial:
Trinidad. Na primeira
"puxada"
percebi que estava
fumando o melhor
charuto do mundo.
Com todo respeito
ao Monte Cristo,
Partagás,
Romeu e Julieta
e, sobretudo, ao
Cohiba, mas este
Trinidad, é
imbatível.
Um
possível
problema de pressão
sanguínea
levou-nos ao médico
do hotel (existe
um posto médico,
24 horas, em cada
hotel!). Nada estava
errado com minha
pressão,
mas, "para
não perder
a viagem",
brasileiramente,
minha mulher aproveitou
para consultar sobre
um crônico
problema intestinal.
O resultado foi
absolutamente brilhante.
Após nos
ouvir, pacientemente,
o jovem médico
fez um resumo contemplando
cada uma das hipóteses
já detectadas
aqui no Brasil,
enfatizando a que
lhe pareceu a mais
provável.
Em função
disto, prescreveu
medicamento. Desde,
então, minha
mulher parou de
sentir as tremendas
dores que, quase
diariamente, era
obrigada a suportar.
Após recebermos
uma aula sobre o
sistema acadêmico
na área da
Saúde e a
mentalidade cubana
de curar o doente
(e não fazer
indústria
de cada doença),
deixei o consultório
pensando como seria
útil convidá-lo
para um intercâmbio
no Brasil. Bom para
ele e bom para o
Brasil. Considerando
que, embora com
fortíssima
base em Medicina
de Família,
o Dr. Jorge Lopes
Valdés está
especializando-se
agora, em geriatria.
Aproveitando minha
primeira consulta
com a famosa Dra.
Mariana Jacob, vou
sugerir convidá-lo
para algum tipo
de estágio
ou mesmo seminário.
A mesma sugestão
darei ao extraordinário
Dr. Fernando Vaz
na certeza de que
um estágio
em seu consultório,
daria ao jovem médico
cubano uma valiosa
experiência
na área de
Urologia.
Santiago de Cuba
|
|
Perto
da histórica
Sierra Maestra,
fizemos todas as
visitas principias,
valendo destacar
três: 1. Ao
túmulo do
grande poeta José
Marti onde, de meia
em meia hora, há
uma solene mudança
de guarda (não
é todo país
que ama e consagra
tanto seus heróis,
heróis de
verdade, como José
Marti é exemplo
perfeito); 2. Ao
Quartel de Moncada,
onde os buracos
de balas nas paredes
continuam preservados,
lembrando uma das
primeiras tentativas
de Fidel Castro
para libertar Cuba.
3.Restaurante Las
Gallegas (indicado
por um simpático,
bem humorado e quase
misterioso Señor
Juan Munné,
de Barcelona, durante
um encontro casual
na piscina do hotel;
senhor que, simplesmente,
sabia tudo a respeito
do mundo, chegou
a nos indicar alguns
livros sobre a Amazônia
e sobre Machado
de Assis.
Infelizmente,
houve uma decepção,
fomos a um complexo
esportivo para fazer
uma entrevista com
o diretor local
do Instituto Nacional
de Educación
Física e
Recreacion, INDER,
Senhor Pedro Garcia.
É que, embora
tendo chegado depois
de nós, um
famoso jogador de
beisebol, de fama
internacional, passou
a nossa frente.
Esperamos uma hora,
como o campeão
não saia,
saímos nós.
Afinal, para o Brasil,
seria sucesso garantido,
uma matéria
sobre os excelentes
resultados que Cuba
vem conseguindo
no chamado Esporte
de Massa e nos Centros
de Excelência.
Já o beisebol
brasileiro...
Varadero
|
|
O
mesmo senhor Munné,
implacável
- "O Pelourinho,
em Salvador, era
bom, agora parece
de plástico,
terrível"
- alertou que Varadero
não era mais
Cuba, estava muito
americanizada. Como
estava acertando
em todos seus comentários
críticos,
chegamos em Varadero
meio preocupados.
Passamos o Reveillon
por lá, com
um jantar sem gosto
e - o que é
muito grave - recebendo
um Kit Alegria,
constituído
de apitinho, máscara,
duas serpentinas
e um colarsinho
de havaiano. Saímos,
eu, minha mulher
e minha filha, diplomaticamente
do baile, com uma
garrafa de champanhe
debaixo do braço,
e fomos dobrar a
meia-noite, sozinhos,
na praia, jogando
flores no belíssimo
mar do Caribe, para
a Sra. Yemanjá.
"Em
terra de sapo, de
cócoras com
eles", vai
daí que alugamos
uma moto e saímos
rodando pelas lindas
praias de Varadero
e - é claro
- pelas tabacarias
e casas de rum.
Depois
de muita praia,
piscina e não
sei quantos extraordinários
mojitos e piñas
coladas, percebendo
que o ônibus
contratado no Rio,
chegaria muito tarde,
alugamos um táxi
e partirmos, novamente,
para Havana. De
vez em quando é
aconselhável
sair fora do planejado.
Havana
(janeiro, 2003 -
fase final)
 |
De
certo modo, era
nossa segunda
visita a Habana!
Com alguma experiência,
e ficando num
Hotel Inglaterra,
bem central, pudemos
voltar a percorrer
o Boulevard Obispo
(caminhada obrigatória),
bebericando pelos
bares onde, sabiamente,
Ernest Hemingway
bebericou. Voltando
para o hotel,
na última
noite, meio desorientados
de tanto andar,
perguntamos a
um casal que passava
onde ficava a
famosa La Bodeguita
del Medio. Ficava
meio longe, íamos
desistir, o casal
- Deus saberá
porque - ofereceu-se
para nos levar.
Era a sorte que
faltava, conversar
com um casal jovem
tipicamente cubano,
ele, Damian Fernandes,
biólogo
e cozinheiro,
filho de médico;
ela, Yudith Escalett,
jornalista e poeta.
|
|
Jantamos
na superfamosa
e superlotada
La Bodeguita,
recebendo
uma verdadeira
aula sobre
alimentação.
Um dos grandes
sonhos do
sonhador
Damian é
escrever
um livro
sobre Comida
Cubana.
Ao longo
da conversa,
minha mulher,
sempre charmosamente
participante,
resolveu
meter a
colher:
"cozinhar
é
detalhe!"
-
"Si",
respondeu
de bate-pronto
o jovem
cubano,
"pero
hay que
tener, tambíen,
sentimiento"
- Ora, se
você
tem o conhecimento
específico
e Yudith
é
jornalista,
o que está
faltando
para vocês
escreverem
um livro?
Perguntei.
Era
nosso último
dia em Cuba,
lembrei
que estava
ainda com
um exemplar
do meu novo
livro ("Capoeiragem
no Rio de
Janeiro
- Sinhozinho
e Rudolf
Hermanny").
Não
apenas o
livro, mais
um vídeo
do lançamento
no Clube
de Regatas
do Flamengo,
dois cds,
um de capoeira,
outro de
MPB (Elton
Medeiros,
por acaso,
também,
um grande
cozinheiro,
e outros),
e duas camisas
da AMA-Leblon
recebidas
do Dr. João
Fontes,
presidente
da Associação
(na realidade
é
o Imperador
do Leblon).
Fiz um pacote
e passei
para as
mãos
do simpático
casal, juntamente
com dois
artesanatos
feitos pela
Casa do
Capoeira
(São
Cristóvão,
RIO).
 |
Em
"contra-partida",
tiramos foto com
o conjunto do
Bodeguita, todos
amigos de Damian,
que fizeram um
pie forzado (improviso
musical) especial
para o Brasil;
assinamos na parede
do bar e comemos
dois dos mais
típicos
pratos de Cuba
(masas de puerco
fritas e pierna
de puerco asada
em su jugo). E
mais, ouvimos,
do casal, um relato
honesto e emocionante,
sobre a Saga do
Povo Cubano. Incluindo-se
aí comentários
inteligentes sobre
Ernest Hemingway,
Nicolás
Guillén,
Pablo Milanés,
Carlos Puebla,
José Marti,
Guevara, Cienfuegos
e, além
de outros, certamente,
Fidel Castro.
Como
para viajar, o
cubano deve seguir
certos trâmites,
a exemplo do médico
acima (Dr. Valdés),
também
aqui vejo dois
bons exemplos
de convidados
especiais. O primeiro,
para algum Festival
Internacional
de Comidas Típicas,
e a segunda, a
bonita e competente
jornalista Yudith
(de improviso,
escreveu uns versos
na famosa toalha
de papel da Bodega),
para algum Simpósio
sobre Jornalismo.
No caso do médico
e do cozinheiro,
pouco possa fazer
(alem da presente
sugestão),
no caso da jornalista,
pessoalmente,
levarei a idéia
à Associação
Brasileira de
Imprensa, ABI,
e ao Sindicato
dos Jornalistas
do Rio de Janeiro.
"Vienes quemando
la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la
Bandera
Con la luz de
tu sonrisa
Aquí se
queda La Clara
la entrañable
transparencia
de tu querida
presencia
comandante Che
Guevara"
Carlos
Pueblas (Hasta
Siempre)
Leblon,
RIO/Brasil
05.01.2003
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Jazz
& Músca Clássica
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André
Luiz Lacé Lopes
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Reencontrei
no outro dia, ocasionalmente,
Paulo Santos, produtor e
apresentador do primeiro
programa de jazz aqui no
Brasil. Estava sentado,
despojadamente, numa pequena
praça, no Posto Cinco,
em Copacabana. Conversamos
rapidamente, mas o suficiente
para que eu lembrasse e
elogiasse o seu antigo e
primoroso programa de rádio
e algumas outras de suas
notáveis realizações
como, por exemplo, o aluguel
de uma das barcas que fazem
o percurso Rio/Niterói,
para uma especialíssima
viagem pela Baia da Guanabara
ao som de vários
conjuntos de jazz. Sabendo
do interesse de Santos,
também, pela chamada
música clássica
(é o narrador de
uma da melhores gravações
de Pedro e o Lobo, de Prokofiev),
mencionei, nesse rápido
encontro, uma excelente
palestra a que tive oportunidade
de assistir sobre o tema
"Jazz & Clássico
- e vice-versa". Palestra
apresentada, em Nova Friburgo,
pelo jornalista Aristélio
de Andrade - extraordinária
figura humana! - em uma
das reuniões mensais
de um grupo de aficcionados
(e profundos conhecedores)
de Jazz.
Fiquei
de montar e enviar para
ele, Paulo Santos, um CD
com resumo da mencionada
palestra que se inicia com
o famoso Prelúdio
nº 1, gravado pelo
conjunto francês Swingle
Singers (Jazz Sebastien
Bach!), passa para o conjunto
não menos francês
Jacques Loussier Trio (Fuga
nº 5 em Fá Maior,
Plays Bach!), contempla,
como não poderia
deixar de contemplar, o
excelente tratamento que
Miles Davis teve por bem
dar ao Concerto de Aranjuez
(Rodrigo) e vai por aí,
terminando, como não
poderia deixar de terminar
(não fosse o Sr.
Aristélio), com um
leve toque político:
Red Square Blue!
Promessa
que só estou cumprindo
agora, juntamente com estas
linhas, por uma razão
muito simples: o trabalho
inicial foi enriquecido
pela contribuição
de Carlos Henrique Gomide
- médico, filósofo,
violonista, maestro e excelente
capoeirista! - que, não
podendo ir à palestra
do Aristélio, tratou
de enviar, a posteriori,
algumas excelentes sugestões.
Sugestões (CD especialmente
montado) que enviou juntamente
com observações
ligeiramente irreverentes
como é do seu estilo.
A maior parte do Cd está
ocupada com a versão
antológica que Barney
Kessel e seu conjunto fizeram
para a ópera Carmem,
de Bizet. Gomide termina
sua montagem fazendo, ele
mesmo uma curiosa composição
musical: com base no Concerto
de Brandenburgo # 3, cujo
segundo movimento Bach escreveu
apenas na forma de um tema,
em modo Frígio, para
ser improvisado (no melhor
espírito jazzístico)
pelos intérpretes,
deixou que seu computador
fizesse o improviso. Resultado
discutível, segundo
o próprio Gomide,
mas, sem sombra de dúvida,
bastante curioso...e irreverente.
Mas
o atraso do CD prometido
não se deveu apenas
à contribuição
gomideana, posto que, tempos
atrás, visitando
Washington D.C., recebi
do Sr. Cenésio Feliciano
Peçanha, mais conhecido,
internacionalmente, por
Mestre Cobra Mansa (Capoeira
Angola!), dois excelentes
álbuns duplos de
Cd: "Roots of the Blues"
e The Jazz Masters. Senão
ligados à música
clássica, seguramente
ligados à música
afro-brasileira, como veremos
mais adiante.
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Cinésio,
há décadas
radicado na capital
norte-americana, onde
é presidente
da Fundação
Internacional de Capoeira
Angola, FICA, aprecia,
também, o jazz,
especialmente na sua
forma mais antiga,
onde é possível
encontrar algumas
letras muito assemelhadas
às velhas chulas
da capoeiragem. Vez
por outra, assim como
eu (embora em freqüência
muito menor) Cenésio
freqüenta o Blues
Alley, um dos grandes
templos de jazz nos
Estados Unidos. Qualquer
noite no Blues Alley,
por definição,
vale a pena, sendo
bom exemplo, o espetáculo
que tive o prazer
de lá assistir
na recente visita
acima mencionada:
Sra. Rachelle Ferrell,
extraordinária
cantora jazzística,
pianista e violinista,
com vários
outros cursos de música!

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E
não tive o prazer
de ouvir apenas a ela, ouvi
também o seu irmão,
Russ Barnes (voz igualmente
cheia de "blue note";
fenômeno que pode
ser encontrado na Capoeira)
e um conjunto que, de tão
virtuoso, mereceria até
fazer um show à parte
(Ricardo Jordan, na bateria;
Jef Lee Johnson, na guitarra;
Byron Miller, no baixo;
e Phil Davis, no keyboards).
Na ocasião, pelo
garçon, enviei para
a Sra. Ferrell um exemplar
do meu livro, com uma longa
dedicatória chamando
atenção para
a página 40 ("Drums
and Berimbau"), elogiando
especialmente sua interpretação
em Individuality ("Can
I be Me?"), e com a
seguinte observação
final: "You are 100%
Jazz and 100% Capoeira Angola".
Se ela entendeu, não
sei, mas um mandingueiro
recado foi dado.
Pesando
e repesando este conjunto
mal alinhavado de informações
achei que poderia compor
um artigo, quando mais não
fosse para lembrar a todos
que conheceram o trabalho
de Paulo Santos que estamos,
todos nós, devendo-lhe
uma grande homenagem. Creio
que chegará na hora
certa.
Outubro
2002
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Futebol
Copa e Marmelada
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Ontem
o juiz sul-coreano Kim Young Joo jogou um bolão.
Será?
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"Tempo
de guerra, mentira como terra". Para confirmar,
bastará prestar mais atenção
aos noticiários unilaterais de algumas
"guerras" de hoje em dia.
O Esporte, especialmente a Copa do Mundo de
Futebol, é uma guerra. Uma guerra mundial,
uma guerra mercadológica de produtos,
onde se vende de tudo, inclusive patriotismo-eleitoral.
Há pouco tempo, o Poder Legislativo Federal
abriu duas comissões de inquérito
para apurar uma longa série de denúncias
na Administração do Futebol Brasileiro.
Uma no Senado, outra na Câmara Federal.
Grande parte do trabalho dessas comissões
foi transmitida pela televisão e transformou-se,
rapidamente, em líder de audiência.
Perplexo e revoltado todo Brasil tomou conhecimento
de pormenores da gerência do futebol brasileiro,
inquestionavelmente, condenáveis.
Pois muito bem, o que aconteceu?
Nada, absolutamente nada.
E nem poderia, correm a explicar alguns cínicos
de plantão, "pois é ano de
eleição, e político não
é louco de mexer com o ópio do
povo numa hora dessas".
Vão além, lembram que houve uma
combinação em Paris: "nós
perderíamos lá - como, misteriosamente,
perdemos - e nós ganharíamos a
próxima".
Arranjo altamente conveniente levando-se em
conta a importância, naquele momento,
da França vencer uma cópia e,
da importância no atual momento, do governo
brasileiro vencer uma COPA", completam
os fofoqueiros de sempre. Versão, sem
dúvida, tão terrível quanto
leviana. Mas, "caluniai, caluniai que alguma
coisa fica". Vai daí, pelos bares
da Vida, a Copa das Línguas Viperinas
já começou:
- "Ah, é por isto que o Felipão
está tão confiante".
- "Afinal, como um técnico escolhido
por um presidente acusado comprovadamente, por
uma comissão de inquérito, de
vários delitos administrativos e institucionais,
insiste tanto em bater na teclado bom-mocismo,
do jogador-escoteiro, da seleção-família?".
- "Faz sentido sim, está tudo combinado,
se o Tio Felipão voltar com o caneco,
o governo elege quem ele quiser". "Daí
porque tudo acabou em pizza".
Claro, claro, não falta, também,
quem reaja frente ao absurdo desta versão
perversa, pois, "como seria possível
combinar um resultado com todos os demais países,
com os demais cartolas, com os demais técnicos,
com os árbitros, e, sobretudo, com os
jogadores das outras seleções"?
Cresce a discussão:
- "Ora, ora, a História do Mundo,
particularmente a História do Esporte,
infelizmente, está cheia de exemplos.
Sabe-se, por exemplo, que durante muito tempo
havia uma espécie da máfia do
Box internacional, forjavam resultados e campeões,
ganhavam muito dinheiro com isto!".
- "Sendo que agora o interesse dos grandes
patrocinadores de uma Copa transformam a coisa
realmente numa guerra, certo!?"
- "Há muito dinheiro envolvido,
há muito interesse secundário,
uma vitória na copa pode perfeitamente
decidir uma eleição no país
vitorioso, é ou não é?".
"E quanto ao dinheirão envolvido?".
A discussão vai aumentando e, sem sombra
de dúvida, vai aumentar muito mais. Maledicência,
complexo de inferioridade, inveja e politiquice
barata é que não faltam. Polêmica
que está sendo potencializada pela Internet
por onde voltou a circular uma versão
muito especial para a der-rota do Brasil na
última Copa do Mudo de Futebol. Por oportuno,
vale a pena transcreve-la:
-----
Original Message -----
From: - To:
Sent: Wednesday, December 06, 2000 12:36 AM
- Subject: Futebol
SERÁ QUE É POSSÍVEL UMA
COISA DESSAS ????
Preço das Copas 1998/2002 ????
Talvez, isso explique a razão do Jogador
Leonardo ter declarado a seguinte frase: "Se
as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa
do Mundo, ficariam enojadas". Todos os
brasileiros ficaram chocados e tristes por terem
perdido a Copa do Mundo de futebol, na França.
Não deveriam. O que está exposto
abaixo é a notícia em primeira
mão que está sendo investigada
por rádios e jornais de todo o Brasil
e alguns estrangeiros, mais especi-ficamente
Wall Street Journal of Americas e o Gazzeta
delo Sport e deve sair na mídia em breve,
assim que as provas forem colhidas e confirmarem
os fatos.
Fato comprovado: o Brasil VENDEU a copa do mundo
para a Fifa. Os motivos: O Brasil (leia-se governo
brsileiro) precisa ganhar a próxima COPA
de 2002, justmente o ano de eleição
presidencial. A Fifa e a International Board,
sempre disposta a este tipo de composição,
concordaram com a estratégia.l.
Os jogadores titulares brasileiros foram avisados,
às 13:00 do dia 12 de Julho (dia do jogo
final), em uma reunião envolvendo o Sr.Ricardo
Teixeira (na única vez que o presidente
da CBF compareceu a uma preleção
da seleção), o Técnico
Mário Zagallo, o Sr. Américo Faria,
supervisor da seleção, e o Sr.
Ronald Rhovald, representante da patrocinadora
Nike. Os jogadores reservas permaneceram em
isolamento, em seus quartos ou no lobby do hotel.
A princípio muito contrariados, os jogadores
se recusaram a trocar um penta-campeonato mundial
na França por outro onde poderão
não voltar a ser convocados (muito embora
o "pacote" inclui a segurança
de nova convocação).
A aceitação veio através
do pagamento total dos prêmios, US$ 170.000,00
para cada jogador, mais um bônus de US$
400.000,00 para todos os jogadores e integrantes
da comissão, num total de US$ 23.000.000,00
(vinte e três milhões de dólares)
através da empresa Nike. Além
disso, os jogadores que aceitarem o contrato
com a empresa Nike nos próximos 4 anos
terão as mesmas bases de prêmios
que > os jogadores de elite da empresa, como
o próprio Ronaldo, Raul da Espanha,Batistuta
da Argentina e Roberto Carlos, também
do Brasil.
Mesmo
assim, Ronaldo se recusou a jogar, o que obrigou
o técnico Zagallo a escalar o jogador
Edmundo, dizendo que Ronaldo estava com problemas
no joelho esquerdo (em primeira notícia
divulgada às 13:30 no centro de imprensa)
e, logo depois, às 14:15, alterando o
prognóstico para problemas estomacais.
A sua situação só foi >
resolvida após o representante da Nike
ameaçar retirar seu patrocínio
vitalício ao jogador, avaliado em mais
de US$ 90.000.000,00 (noventa milhões
de dólares) ao longo da sua carreira.
Assim, combinou-se que o Brasil seria derrotado
durante o "Golden Goal" (prorrogação
com morte súbita), porém a apatia
que se abateu sobre os jogadores titulares fez
com que a França, que absolutamente não
participou desta negociação, marcasse,
em duas falhas simples do time brasileiro, os
primeiros gols. O Sr.
Joseph
Blatter, novo presidente da Fifa, cidadão
franco-suíço, aplaudiu a colaboração
da equipe brasileira, uma vez que o campeonato
mundial trouxe equilíbrio à França
num momento das mais altas >> taxas de
desemprego jamais registradas naquele país,
que serão agrava-das pela recente introdução
do euro(moeda única européia)
e o mercado > > comum europeu (ECC). Reafirmou,
também, ao Sr. Ricardo Teixeira, através
de seu tio, João Havelange, que o Brasil
terá seu caminho facilitado para o penta-campeonato
de 2002.
Por gentileza passem esta mensagem para o maior
número possível de pessoas, para
que todos possam conhecer as mazelas que rondam
o nosso futebol !
Prezado
amigos, não consigo aceitar uma combinação
tão perversa assim, mas, tenho que admitir,
"se non è vero è ben trovato".
Ainda mais se levando em conta o que acaba de
acontecer na área da famosa e poderosa
Fórmula-1. O que levou um cronista do
jornal O GLOBO (Ancelmo Góis) dar a seguinte
nota: "aliás, as denúncias
de corrupção contra Joseph Blatter,
presidente da Fifa, e a decisão de Jean
Todt, o diretor da Ferrari que mandou Barrichello
ceder a vitória para Michael Schumacher,
mostram que gente como Eurico Miranda - o craque
local do antijogo - floresce em todo lugar do
planeta.
Mesmo assim, estarei torcendo pelo Brasil em
todos os jogos, mas de olho nos cozinheiros,
de olho nos enfermeiros, de olho nos árbitros.
Mas do que nunca queremos uma Copa sem mácula,
sem diarréia generalizada na equipe adversária,
sem jogador misteriosamente baixando enfermaria,
sem juiz apitando um penalti que não
houve ou não apitando um pênalti
que houve. Tampouco verei com bons olhos se
a CBF convidar o Sr. Jean Todt para integrar
a Comissão Técnica da Seleção
Canarinho.
Vamos ganhar na bola, passando a bola por debaixo
das pernas dos adversários, e não
passando bola por debaixo do pano. Nosso futebol
não merece nem precisa disto.
P.S.
1.
Ontem o juiz sul-coreano Kim Young Joo jogou
um bolão.
2. Dapieve, O GLOBO (4.6.02): foi roubado sim,
e daí?
3. Zagallo, O GLOBO (4.6.02): apostei em Ronaldo
e acertei
- sem revisão -
2002
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Morro
do Borel
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Andre
Luiz LacéLopes
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Salve
Girlan,
Como adiantei no e-mail anterior, acabo de saber
que tive mais um trabalho premiado no concurso
literário da FESP/RJ. É o quarto
ano de premiações. Com vários
trabalhos publicados e alguns premiados começo
a montar minha própria coletânea
literária (poemas, contos e crônicas).
Durante a noite de autógrafo, aí
em Nova Friburgo - dia 26 de abril ! - quem
comprar o livro "A Volta do Mundo da Capoeira"
terá direito, também, a um exemplar
de uma das coletâneas literárias,
publicadas pela FESP, que inclua um dos meus
trabalhos (contos ou poesias).
By the way, a Revista Natureza, do Ginásio
de Nova Friburgo, publicou alguns versos que
fiz; terríveis, mas publicou.
A seguir, o "Morro do Borel" que tirou
o primeiro lugar no Concurso Literário
da FESP/RJ em l997 (oportunamente enviarei os
outros trabalhos: "Fasten your seat belt",
"Festa de Umbanda para um Homem só"
etc).
Morro
do Borel
Armado
de linha dez,
cabresto e rabiola
o menino fez da lua cheia
sua pipa arraia
E tentiou seus sonhos
como jamais até então
o fizera qualquer poeta
O
primeiro raio de sol,
entretanto,
como bala perdida (e cheia de cerol)
entrou no seu barraco,
cortou a sua linha
e sequestrou os seus sonhos
Pelo
correio "tradicional" estou enviando
o material prometido. Obrigado pelas informações
que enviou e parabéns pelo seu trabalho
(A nova Natureza e o Jornal dos Bairros).
Cordialmente,
André Luiz Lacé
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João
do Chapéu Imperial
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André
Luiz Lacé lopes
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Terminada
a noite de samba enredo no Teatro Opinião,
em Copacabana, fomos, eu, Nelson Sargento, Geraldo
das Neves e Silas de Oliveira para o Beco da
Fome, lá na Prado Júnior. O alvo
era o famoso caldo verde da Lindaura, mas acabamos
indo para o bar ao lado, entornar a tradicional
e interminável penúltima garrafa.
Eu e o Nelson na cerveja, assistindo Geraldo
das Neves, com grande ansiedade, submeter alguns
de seus sambas ao Mestre Silas que serenamente
ia bebendo sua água. A cada novo verso
do Geraldo, Silas, com a voz estranhamente arrastada,
apenas cantarolava:
- "Quero sentir nas asas do infinito, minha
imaginação".
Uma situação singular que apenas
agora, longas décadas após, por
causa do chapéu do João Fontes,
resolvi passar em revista. Para mim, lá
ao seu modo, Silas procurava mostrar ao novato
Geraldo, infelizmente já falecido, o
que seria um samba de verdade, já maduro,
cheio de talento: Na água do Rio, Heróis
da Liberdade, Aquarela Brasileira, Os cinco
bailes da História do Rio, Apoteose ao
Samba. Grande Mestre Silas sempre cercado de
excelentes parceiros!
|
|
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Quanto
à voz arrastada, só mais
tarde, ao levá-lo para casa, juntamente
com o Nelson e o Geraldo, é que
percebi a razão. Não era
água que o talentoso compositor
bebia o tempo todo...
Pensando bem, era uma noite de tristeza,
pois foi a noite em que Silas viu seu
samba enredo der-rotado, justamente, por
ser o mais bonito (parceria com Mano Décio).
Lógica que merece uma explicação.
É que se estava inaugurando naquele
ano o samba enredo mais embalado, mais
ligeiro, mais apropriado para o turista
entender e cantar. Extremamente poética
e com uma "levada" tipicamente
"sileniana", ou seja o samba
correria o risco de atrasar a escola e
atravessar o passo do turista-sambista-de-última-hora.
Vai daí que o estilo, a "escola"
Silas de Oliveira, infelizmente para o
samba e para o sambista de verdade, caiu
em desuso.
Em termos, pois renasce sempre em toda
roda de samba de verdade. Foi o que aconteceu
domingo passado no Feijão entre
Amigos, promovido pela Ala Recreativa
O Samba é Meu Dom, lá na
quadra do Esporte Clube Maxwell, em Vila
Isabel. Chamado para abrir a cantoria,
Wilson das Neves mandou um autêntico
Silas de Oliveira (juntamente com J. Ilarindo):
Meu Drama, mais conhecido como Senhora
Tentação. Foi o que bastou
para eu lembrar do Império Serrano,
escola querida também do Wilson,
e, conseqüentemente, lembrar do chapéu
do João. Afinal estávamos
naquele samba também para tirar
uma foto do João e do Elton devidamente
enchapelados. João com o seu chapéu
com as cores do Império Serrano,
e o Elton com seu chapéu neutro
homenageando, diplomaticamente, todas
as escolas de samba do mundo. O novo chapéu
do João era um presente do Elton,
daí a razão da foto, E a
razão do presente foi o desgosto
de Elton ao ver, algumas semanas atrás,
o João usando "galhardamen-te"
um falso chapéu de sambista.
|
|
|
-
"Parece chapéu de pescador de terceira
categoria", alertou o El-ton, sem grande
sucesso.
Vai daí que, na primeira oportunidade,
Elton Medeiros deu um pulo na Chapelaria Porto,
lá prás bandas da Central, e escolheu,
a dedo, um chapéu para o Mestre João.
Pessoalmente Elton orientou o Seu Almir, especialista
da casa (que não gostou muito, mas teve
que bater continência), nas fitas verde
e branca, e no talhe do chapéu.
O presente foi entregue, para curiosidades de
muitos, na calçada em frente ao Bracarense,
no Leblon.
Tendo acompanhado toda esta novela, incautamente,
sugeri ao João escrever uma crônica
para o chapéu. Vestindo sua roupa de
Imperador do Leblon, João sentenciou:
- Boa idéia, faça você.
Tudo bem Seu Imperador, manda quem pode, obedece
quem tem juízo, só que o Elton
estava sem o seu chapéu.
- Tudo bem, chega de atrasos, bastará
o meu chapéu, você dá uma
explicada e fim de papo.
- fim -
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"Fasten
Your Seat Belt"
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André
Luiz Lacé Lopes
Menção Honrosa (Poesia)
7º Concurso Literário, FESP / RIO
1998/1999
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I
Existem
alguns encontros, vivências, amores
tão
impressionantes, tão promissores,
tão
marcantes
que
parecem definitivos.
II
Quando
acabam
ficam
na lembrança
como
assunto não resolvido completamente
inviabilizados
que foram,
paradoxalmente,
pela
sua própria intensidade
III
Viajar,
lenço branco...
De
um lado um varandão difuso
Do
outro, uma pequena janela
hermeticamente
fechada
-
"De quem será
e
para quem será
o
adeus daquela janela ali na frente"?
IV
Decolagem
a
distância vai aumentando, vão surgindo
as primeiras nuvens de saudade
V
É,
se o coração fosse na barriga
eu
diria que o cinto de segurança seria
para não deixá-lo fugir.
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Capoeira:
Um CD de Natal
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André
Luiz Lacé Lopes
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O
cantador de capoeira, lembro sempre em meus
artigos e livros, é um cronista social.
Em função dos fundamentos do jogo,
sabe conduzir ou descrever a Roda e a Sociedade.
Não sem motivo, portanto, boa parte dos
cantos de capoeira buscou e busca inspiração
na literatura de cordel.
Rica
em cantoria, a Bahia, por exemplo, canta magistralmente
a sua capoeira, seus grandes eventos e suas
figuras históricas. Já o Rio antigo,
famoso por sua capoeira-luta, mas sem muito
berimbau e cantoria, chega, às vezes,
até a ser esquecido.
Os
legislativos carioca e fluminense, por exemplo,
já homenagearam um considerável
número de mestres relativamente jovens
de capoeira, mas silenciaram, até agora,
quanto às figuras extraordinárias
do Rio antigo.
Durante
longas décadas pelejei para mostrar esse
absurdo às lideranças capoeirísticas
do Rio e até mesmo a políticos.
Sem nenhum sucesso.
Eis
que de repente, entretanto, sou surpreendido
por um jovem capoeirista e uma de suas alunas
mestre Grilo e a professora Água-Viva
que me apresentaram um projeto de Cd
homenageando os bambas do Rio Antigo.
Ou seja, o que os mestres mais antigos teimaram
em ignorar, um mestre mais jovem resolveu consagrar.
Com muita habilidade e talento, sem esquecer
nem os mestres do Rio de Hoje nem os velhos
cantos da Bahia.
O encontro ocorreu No mês passado e, para
mim, foi um verdadeiro presente de Natal, posto
que boa parte do CD foi inspirada no meu livro
recentemente lançado, Capoeiragem no
Rio de Janeiro Sinhozinho e Rudolf Hermanny.
Pouco a pouco, portanto, esse novo livro vai,
realmente, sacudindo a mesmice em que vivia
o mercado editorial da capoeira. Em função
dele, veio o extraordinário livro da
Universidade Estácio de Sá (Coleção
Gente: Rudolf Hermanny), e agora esse marcante
CD. Para não mencionar algumas excelentes
entrevistas que estão saindo em revistas
especializadas aqui no Brasil, na Europa e nos
Estados Unidos.
A
rigor, o CD é um presente de Natal não
apenas para mim, mas para todo o povo da capoeiragem,
pois está apontando novos rumos para
essa importante parte rítmica e cantada
da capoeira. Incluindo-se aí, a exemplar
qualidade da gravação do CD (palmas
para Naldo Studio Produções Musicais:
24 canais digitais!) e para a inspiradíssima
composição da capa (palmas para
o projeto gráfico: Reginaldo Melo e o
próprio Mestre Grilo). Finalmente, sem
esgotar o assunto (voltarei a ele em breve),
palmas para o texto de mestre Evaldo Bogado,
presidente da Associação de Capoeira
Barravento e presidente da Federação
de Capoeira Esportiva do Estado do Rio de Janeiro.
O
Cd encerra, realmente, uma grande lição.
Na pressa de marcarem presença com um
disco próprio, excelentes mestres-cantadores
acabam produzindo cds terríveis: com
um péssimo coro, técnica de gravação
equivocada, cantos alienados e alienantes, capa
e contracapa sem sentido e de profundo mau gosto
e, sobretudo, textos cheio de lugares comuns
ou de mesmice crônica. O Cd em tela, não.
Por
absoluta falta de espaço fico impedido
de listar, como gostaria, todos os alunos de
mestre Grilo que participaram da gravação
(ritmo e canto), mas seria falta grave jornalística
não transcrever, pelo menos, a relação
das faixas do CD: 1. Rio Antigo (Autor: Gafanhoto
Intérprete: mestre Grilo); 2.
Macaco Velho (professor Gafanhoto); 3. Terra
de São Sebastião (instrutor Sapo);
4. Jogar com Manduca (instrutor Biriba); 5.
São Bento Ligeiro (Autor: professor Gafanhoto
Intérprete: mestre Grilo); 6.
Pernada Carioca (instrutor Sapo); 7. Tributo
ao mestre Sinhozinho mestre Grilo); 8.
Meu Santo é Forte (autor desconhecido);
9. Ditado Antigo (Gafanhoto); 10. Manduca da
Praia (Gafanhoto); 11. Chulas de Corridos de
Capoeira (domínio público); 12.
Agradecimentos com mestre Grilo.
O
Cd já foi lançado, com uma grande
festa, prestigiada por vários mestres,
estudiosos e jornalistas. Especialmente convidado,
o professor Rudolf Hermanny recebeu uma Placa
de Reconhecimento pelos extraordinários
serviços prestados à verdadeira
Capoeira-Luta.
No
próximo artigo vou transcrever o texto
da contra-capa do Cd, assinado pelo presidente
da FCDRJ. Vamos, também, comentar as
principais faixas do trabalho de Luiz Antonio
de Abreu, mestre Grilo, presidente da Associação
de Capoeira Arte Nobre (sede no Rio de Janeiro).
E
que 2004 seja um ano de paz, justiça
e prosperidade para a Capoeiragem e para o Mundo.
Já não será sem tempo.
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Dívida
Externada
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André
Luiz Lacé Lopes
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Você
abre o dicionário para procurar determinada
palavra, alguns longos minutos de-pois, descobre
que está divagando sobre várias
outras, completamente divorciadas do seu in-teresse
inicial. Biblioteca é ainda pior, você
entra para procurar um livro e termina folheando
vários outros sem nenhuma relação
com a sua visita.
Foi assim no outro dia, na Biblioteca Nacional
(RIO). Entrei para reler uma reportagem específica
sobre cultura popular brasileira; menos mal
que localizei e transcrevi a matéria,
mas, em seguida, resolvi garimpar na micro-filmagem,
a esmo, procurando não sei o quê.
Foi assim que acabei esbarrando nesta intrigante
manchete (Jornal Diário de Notícias,
quinta-feira, 3 de outubro de l931):
O
DIÁRIO DE NOTÍCIAS DEPOSITOU,
HONTEM, NO BANCO DO BRASIL, À ORDEM
DO GOVERNO FEDERAL, A IMPORTÂNCIA DE
95:875$800
Para o Fundo de Resgate da Dívida Externa
do Brasil
Estranhei
a falta de fotos e, sobretudo, a falta de
seguimento da notícia. Ou seja, nos
dias seguintes, semanas e meses, silêncio
absoluto sobre o assunto. Aí é
que está o grande erro, pensei. A nível
doméstico, todos nós sabemos
muito bem de nossas contas, de nossas des-pesas
mensais. Sobretudo sabemos sobre nossas eventuais
dívidas, sabemos a quem devemos, quando
se vencem, quando se acabam. Esta parte da
cidadania de cada um, portanto, está
razoavelmente sob controle. A outra parte,
não. Pois nada sabemos sobre a nossa
Dívida Externa, salvo que aumenta assustadoramente
a cada pagamento que ajudamos a honrar. Realmente
está faltando, e muito, transparência
popular e cívica. O Povo paga, paga,
paga e não tem o direito de saber o
quanto já pagou, a quem pagou e quanto
falta ainda pagar.
Está mais do que na hora, a bem da
justiça e da simples curiosidade popular,
de EX-TERNAR a nossa DÍVIDA EXTERNA.
Externar mesmo, nada de uma pequena nota num
pé de página de algum diário
oficial ou oficioso ou discursos suspeitos
em politiquês ou economês. Externar
com toda força publicitária
disponível. Detalhadamente, comprovadamente,
claramente, diáriamente. E sempre de
maneira absolutamente empolgante e envolvente.
Para tanto, toda a sociedade brasileira, os
governos (federal, estaduais e municipais),
as organizações não-governamentais,
todas as igrejas e roças (católicas,
afro-brasileiras, evangé-licas, mesquitas,
sinagogas, ecumênicas etc), as escolas,
os sindicatos, as universidades, os clubes
(especialmente os de futebol), as agremiações
carnavalescas, as associações
de moradores, a midia (jornais, revistas,
emissoras de rádio, televisões),
os nosso geniais marqueteiros, todos, enfim,
que amam o Brasil , seriam mobilizados.
Claro, nossas embaixadas, também, especialmente
aquelas ligadas às Nações
Unidas ()NU) e à Organização
dos Estados Americanos (OEA).
Mas, vamos com calma - muito embora a novidade
seja, em termos de cidadania, extremamente
excitante - que história é essa
de DÍVIDA EXTERNADA?
Muito simples, o brasileiro já nasce
duplamente no vermelho: com um intrigante
e, com todo respeito, injusto "Pecado
Capital" e com uma dívida externa
mais intrigante e injusta ain-da. A primeira
dívida, pouco a pouco, vai sendo resolvida
no Vaticano; a segunda, essa sim, cabe a nós
brasileiros resolver. Ou melhor, saldar.
A seguir, modestamente, alguns subsídios
para definição de uma estratégia
de ação para saldar logo esta
dívida misteriosa.
1. Quanto devemos afinal?
Ninguém sabe ao certo, o que é
um absurdo.O primeiro passo será saber
exatamente quanto devemos, o montante total
da dívida.
2. A quem devemos ?
Não apenas uma sigla ou o nome de uma
instituição multinacional, mas
o nome e a foto da pessoa que recebe o nosso
cheque, bem como a foto do próprio
cheque. E mais, o endereço e a foto
de toda a família do feliz recebedor
do nosso tão sofrido cheque. É
importante que o povo brasileiro tome mais
intimidade com quem, tão gentilmente,
emprestou-lhe tanto dinheiro.
3. Por que devemos e como aplicamos?
Aliás, nada mais natural, que o povo
brasileiro tome conhecimento dos motivos que
levaram o Brasil a pedir dinheiro lá
fora, e como este dinheiro foi empregado.
4. Quando acabará a Dívida ?
Bastante razoável esta pretensão
do povo brasileiro: após séculos
de sacrifícios, já haverá
uma previsão sobre quando esta Dívida
Externa será totalmente honrada?
5. Quanto cabe aos negociadores da dívida?
Será uma grande injustiça não
prestar, periodicamente, uma homenagem a esses
brilhantes e abnegados brasileiros.
Em
função deste levantamento preliminar
fundamental será extremamente fácil
criar e lançar uma "Campanha Permanente
Diuturna Externando nossa Dívida Externa".
Subsídios para a Campanha:
1. As parcelas poderiam ser trimestrais, honradas
em data pré-definida e em local público
com ampla cobertura da mídia, dos governos,
representações diplomáticas
e de todos os segmentos da sociedade brasileira;
Na semana que antecedesse a cada pagamento
haveria uma mobilização cívica
gigantesca, de norte a sul, de leste a oeste,
todo o Brasil estaria atento. Toda a mídia
daria amplo espaço para o ato heróico
exemplar: o cheque sendo preparado pelo tesoureiro,
o presidente da república assinando
o cheque (ou algum funcionário federal),
o cheque sendo entregue a "quem de direito"
(?); entrevista com todos os personagens envolvidos
no pagamento: o tesoureiro, o pagador, o recebedor;
entrevista de ruas com o povo, subnutrido,
doente, desempregado, sem teto, sem futuro,
mas orgulhoso de estar pagando a Dívida
Externa, de estar honrando o nome do seu País.
O cheque seria filmado e mostrado na televisão.
Os marqueteiros de plantão bolariam
incríveis camisetas (com textos em
várias línguas, patenteando
o "orgulho do brasileiro de, apesar de
pobre, honrar os compromissos que os ricos
fizeram"), flâmulas, chaveiros
etc que seriam fartamente distribuidos nas
escolas, nas universidades, nos sindicatos,
nas associações de classe, nas
associações comunitárias,
nos clubes, especialmente, os clubes de futebol.
2. Os principais comunicadores de televisão,
orgulhosos e emocionados, dariam amplo espaço
em seus respectivos programas, ao acontecimento
maior de uma nação endividada,
mas honrada. Jô Soares entrevistaria,
com sua genialidade e bom humor de sempre,
os principais atores desta linda peça,
convidando, inclusive, toda a família
do intermediário e do principal beneficiário
do nosso cheque. Da mesma forma, Silvio Santos,
Raul Gil , Marília Gabriela, Boris
Casoy, Liliana Rodrigues, Hebe Camargo, Ratinho
etc etc. Todos articulistas - Hélio
e Millor Fernandes, Veríssimo, João
Ubaldo etc etc - escreveriam brilhantes artigos
e crônicas emocionadas.
A GLOBO colocaria em todas as lindas praias
do Brasil e em regiões estratégicas
de nossas fronteiras, a exemplo do que fez
na virada do século, um placar com
as informações:
Montante Geral da nossa Dívida - $$$$$$$$$$
O pagamento de hoje: $$$$$$$$$$
Quanto falta pagar: $$$$$$$$$$$
Dia e hora do pagamento da última parcela
da nossa dívida externa: xxx/xxx/xxx
Dia e hora do pagamento da próxima
parcela da nossa dívida externa: xx/xx/xx
Fim do Pagamento (sem susto de surpresas):
xx/xx/xx
Telões
enormes seriam colocados nas principais praças
das cidades brasileiras e transmitiriam as
principais cerimônias relacionadas com
o pagamento periódico da Dívida.
Na semana do pagamento todas as escolas promoveriam
concursos cívico-literários
so-bre o vibrante tema "Estamos honrando
nossos Pagamentos". As universidades
tratariam de estimular seus alunos de pós-graduação
a escreverem teses e dissertações
sobre o mesmo tema.
Coincidindo o pagamento com o período
de Carnaval, o mote "Dívida Externa"
seria sugerido como tema único de todas
as escolas de samba, ranchos, blocos e bandas.
Toda disputa esportiva seria precedida de
algum tipo de homenagem ao povo brasileiro
bom-pagante-de-dívidaexterna, e aos
nossos amigos credores que, finalmente, estão
recebendo o justo que lhe é devido.
Até que um belo dia, os netos de nossos
tataranetos, com total orgulho, sairiam nas
ruas vestindo uma t-shirt com a estampa do
último cheque e o texto: "JÁ
NÃO DEVEMOS MAIS NADA"
No Maracanã, supondo que ainda esteja
de pé, um goleador levantaria sua camisa
oficial e, por baixo, o mundo veria uma outra
com a frase: "A DIVIDA ACABOU, GOL DO
BRASIL!".
Pensando bem, se uma campanha deste tipo realmente
for feita, se a nossa misteriosa Dívida
Externa for totalmente EXTERNADA, é
até possível que, ao invés
de ser totalmente paga, seja, simplesmente
ESTORNADA. Neste caso, uma operação
de emergência deverá imediatamente
ser posta em prática para evitar que
"os de sempre" comecem tudo de novo.
Leblon,
14 de fevereiro de 2002
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Futebol,
Copa e Marmelada
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André
Luiz Lacé Lopes
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Ontem
o juiz sul-coreano Kim Young Joo jogou um
bolão. Será?
André
Luiz Lacé Lopes
"Tempo
de guerra, mentira como terra". Para
confirmar, bastará prestar mais atenção
aos noticiários unilaterais de algumas
"guerras" de hoje em dia.
O Esporte, especialmente a Copa do Mundo de
Futebol, é uma guerra. Uma guerra mundial,
uma guerra mercadológica de produtos,
onde se vende de tudo, inclusive patriotismo-eleitoral.
Há pouco tempo, o Poder Legislativo
Federal abriu duas comissões de inquérito
para apurar uma longa série de denúncias
na Administração do Futebol
Brasileiro. Uma no Senado, outra na Câmara
Federal. Grande parte do trabalho dessas comissões
foi transmitida pela televisão e transformou-se,
rapidamente, em líder de audiência.
Perplexo e revoltado todo Brasil tomou conhecimento
de pormenores da gerência do futebol
brasileiro, inquestionavelmente, condenáveis.
Pois muito bem, o que aconteceu?
Nada, absolutamente nada.
E nem poderia, correm a explicar alguns cínicos
de plantão, "pois é ano
de eleição, e político
não é louco de mexer com o ópio
do povo numa hora dessas".
Vão além, lembram que houve
uma combinação em Paris: "nós
perderíamos lá - como, misteriosamente,
perdemos - e nós ganharíamos
a próxima".
Arranjo altamente conveniente levando-se em
conta a importância, naquele momento,
da França vencer uma cópia e,
da importância no atual momento, do
governo brasileiro vencer uma COPA",
completam os fofoqueiros de sempre. Versão,
sem dúvida, tão terrível
quanto leviana. Mas, "caluniai, caluniai
que alguma coisa fica". Vai daí,
pelos bares da Vida, a Copa das Línguas
Viperinas já começou:
- "Ah, é por isto que o Felipão
está tão confiante".
- "Afinal, como um técnico escolhido
por um presidente acusado comprovadamente,
por uma comissão de inquérito,
de vários delitos administrativos e
institucionais, insiste tanto em bater na
teclado bom-mocismo, do jogador-escoteiro,
da seleção-família?".
- "Faz sentido sim, está tudo
combinado, se o Tio Felipão voltar
com o caneco, o governo elege quem ele quiser".
"Daí porque tudo acabou em pizza".
Claro, claro, não falta, também,
quem reaja frente ao absurdo desta versão
perversa, pois, "como seria possível
combinar um resultado com todos os demais
países, com os demais cartolas, com
os demais técnicos, com os árbitros,
e, sobretudo, com os jogadores das outras
seleções"?
Cresce a discussão:
- "Ora, ora, a História do Mundo,
particularmente a História do Esporte,
infelizmente, está cheia de exemplos.
Sabe-se, por exemplo, que durante muito tempo
havia uma espécie da máfia do
Box internacional, forjavam resultados e campeões,
ganhavam muito dinheiro com isto!".
- "Sendo que agora o interesse dos grandes
patrocinadores de uma Copa transformam a coisa
realmente numa guerra, certo!?"
- "Há muito dinheiro envolvido,
há muito interesse secundário,
uma vitória na copa pode perfeitamente
decidir uma eleição no país
vitorioso, é ou não é?".
"E quanto ao dinheirão envolvido?".
A discussão vai aumentando e, sem sombra
de dúvida, vai aumentar muito mais.
Maledicência, complexo de inferioridade,
inveja e politiquice barata é que não
faltam. Polêmica que está sendo
potencializada pela Internet por onde voltou
a circular uma versão muito especial
para a der-rota do Brasil na última
Copa do Mudo de Futebol. Por oportuno, vale
a pena transcreve-la:
-----
Original Message -----
From: - To:
Sent: Wednesday, December 06, 2000 12:36 AM
- Subject: Futebol
SERÁ QUE É POSSÍVEL UMA
COISA DESSAS ????
Preço das Copas 1998/2002 ????
Talvez, isso explique a razão do Jogador
Leonardo ter declarado a seguinte frase: "Se
as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa
do Mundo, ficariam enojadas". Todos os
brasileiros ficaram chocados e tristes por
terem perdido a Copa do Mundo de futebol,
na França. Não deveriam. O que
está exposto abaixo é a notícia
em primeira mão que está sendo
investigada por rádios e jornais de
todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais
especi-ficamente Wall Street Journal of Americas
e o Gazzeta delo Sport e deve sair na mídia
em breve, assim que as provas forem colhidas
e confirmarem os fatos.
Fato comprovado: o Brasil VENDEU a copa do
mundo para a Fifa. Os motivos: O Brasil (leia-se
governo brsileiro) precisa ganhar a próxima
COPA de 2002, justmente o ano de eleição
presidencial. A Fifa e a International Board,
sempre disposta a este tipo de composição,
concordaram com a estratégia.l.
Os jogadores titulares brasileiros foram avisados,
às 13:00 do dia 12 de Julho (dia do
jogo final), em uma reunião envolvendo
o Sr.Ricardo Teixeira (na única vez
que o presidente da CBF compareceu a uma preleção
da seleção), o Técnico
Mário Zagallo, o Sr. Américo
Faria, supervisor da seleção,
e o Sr. Ronald Rhovald, representante da patrocinadora
Nike. Os jogadores reservas permaneceram em
isolamento, em seus quartos ou no lobby do
hotel. A princípio muito contrariados,
os jogadores se recusaram a trocar um penta-campeonato
mundial na França por outro onde poderão
não voltar a ser convocados (muito
embora o "pacote" inclui a segurança
de nova convocação).
A aceitação veio através
do pagamento total dos prêmios, US$
170.000,00 para cada jogador, mais um bônus
de US$ 400.000,00 para todos os jogadores
e integrantes da comissão, num total
de US$ 23.000.000,00 (vinte e três milhões
de dólares) através da empresa
Nike. Além disso, os jogadores que
aceitarem o contrato com a empresa Nike nos
próximos 4 anos terão as mesmas
bases de prêmios que os jogadores de
elite da empresa, como o próprio Ronaldo,
Raul da Espanha,Batistuta da Argentina e Roberto
Carlos, também do Brasil.
Mesmo
assim, Ronaldo se recusou a jogar, o que obrigou
o técnico Zagallo a escalar o jogador
Edmundo, dizendo que Ronaldo estava com problemas
no joelho esquerdo (em primeira notícia
divulgada às 13:30 no centro de imprensa)
e, logo depois, às 14:15, alterando
o prognóstico para problemas estomacais.
A sua situação só foi
> resolvida após o representante
da Nike ameaçar retirar seu patrocínio
vitalício ao jogador, avaliado em mais
de US$ 90.000.000,00 (noventa milhões
de dólares) ao longo da sua carreira.
Assim, combinou-se que o Brasil seria derrotado
durante o "Golden Goal" (prorrogação
com morte súbita), porém a apatia
que se abateu sobre os jogadores titulares
fez com que a França, que absolutamente
não participou desta negociação,
marcasse, em duas falhas simples do time brasileiro,
os primeiros gols. O Sr.
Joseph
Blatter, novo presidente da Fifa, cidadão
franco-suíço, aplaudiu a colaboração
da equipe brasileira, uma vez que o campeonato
mundial trouxe equilíbrio à
França num momento das mais altas >>
taxas de desemprego jamais registradas naquele
país, que serão agrava-das pela
recente introdução do euro(moeda
única européia) e o mercado
> > comum europeu (ECC). Reafirmou,
também, ao Sr. Ricardo Teixeira, através
de seu tio, João Havelange, que o Brasil
terá seu caminho facilitado para o
penta-campeonato de 2002.
Por gentileza passem esta mensagem para o
maior número possível de pessoas,
para que todos possam conhecer as mazelas
que rondam o nosso futebol !
Prezado
amigos, não consigo aceitar uma combinação
tão perversa assim, mas, tenho que
admitir, "se non è vero è
ben trovato". Ainda mais se levando em
conta o que acaba de acontecer na área
da famosa e poderosa Fórmula-1. O que
levou um cronista do jornal O GLOBO (Ancelmo
Góis) dar a seguinte nota: "aliás,
as denúncias de corrupção
contra Joseph Blatter, presidente da Fifa,
e a decisão de Jean Todt, o diretor
da Ferrari que mandou Barrichello ceder a
vitória para Michael Schumacher, mostram
que gente como Eurico Miranda - o craque local
do antijogo - floresce em todo lugar do planeta.
Mesmo assim, estarei torcendo pelo Brasil
em todos os jogos, mas de olho nos cozinheiros,
de olho nos enfermeiros, de olho nos árbitros.
Mas do que nunca queremos uma Copa sem mácula,
sem diarréia generalizada na equipe
adversária, sem jogador misteriosamente
baixando enfermaria, sem juiz apitando um
penalti que não houve ou não
apitando um pênalti que houve. Tampouco
verei com bons olhos se a CBF convidar o Sr.
Jean Todt para integrar a Comissão
Técnica da Seleção Canarinho.
Vamos ganhar na bola, passando a bola por
debaixo das pernas dos adversários,
e não passando bola por debaixo do
pano. Nosso futebol não merece nem
precisa disto.
P.S.
1.
Ontem o juiz sul-coreano Kim Young Joo jogou
um bolão.
2. Dapieve, O GLOBO (4.6.02): foi roubado
sim, e daí?
3. Zagallo, O GLOBO (4.6.02): apostei em Ronaldo
e acertei
- sem revisão -
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Sonho
de Quase-Consumo
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André
Luiz Lacé Lopes
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Menção
Honrosa (CONTO) 8º Concurso Literário
FESP/RIO - 1999/2000
Deixou
passar, deliberadamente, a semana de inauguração.
-
Muita gente, não se pode nem andar
direito, muito menos escolher bem as compras.
Aproveitou
o tempo para, em segredo, alimentar o seu
incrível sonho de quase-consumo. Finalmente,
partiu para o tal supermercado, o maior e
mais completo da América Latina, segundo
a propaganda luxuosa e extremamente estimulante,
distribuída apenas para um público-alvo
de grande poder aquisitivo. Tinha conseguido
o prospecto na casa do Dr. Charles Enrico
Gomyd, pelo nome, já se vê, autoridade
governamental ou algum manda-chuva de multinacional.
Ao
entrar, sem esconder sua disposição,
escolheu um carrinho com corrente e amarrou-o
a um outro. la começar pela seção
de eletro-doméstico, mas foi praticamente
impedido por um vendedor, tipo relações
públicas, da área da informática:
o Senhor não gostaria de conhecer nossas
promoções especiais?
Ora,
parecia até combinado. Aceitou a "provocação"
e começou escolhendo não apenas
um, mas dois computadores. Claro, tomou como
base a sólida opinião do Seu
Gomyd: "Quem tem apenas um, não
tem nenhum; a solução ideal
é ter um de mesa e outro para viajar
"
Vai
daí que foi logo apanhando um note
book, aliás um super note book (celeron
400, 64 Mb, HD de 6.4 Gb, CD-Rom 40x etc etc)
e um PC "de mesa" com todos os periféricos
possíveis e imagináveis "mesa
de ping-pong, meu camarada", (pensou
e riu para seus botões). Quase com
impaciência fingiu ouvir e entender
a longa e desnecessária explicação
decorada do vendedor. Mesmo assim ficou maravilhado
com a rapidez com que ele fazia aparecer uma
série infinita de lindos desenhos,
inclusive um sobre futebol de verdade, com
o Flamengo vencendo sempre. Gostou também
de saber que o computador tinha uma agenda
de endereços: Puta agenda, malandro!
Livre
do vendedor vitorioso (ou quase-vitorioso),
conforme seu desejo inicial, partiu para a
seção de eletro-doméstico,
na ala dos importados: Caramba, isto aqui
é mesmo um assombro!
Escolheu
um equipamento japonês, talvez o menor
de todos, mas, certamente, o mais completo
e o mais caro. Pudera, nunca vira tanto lazer
num só aparelho: TV a cores, DVD, VIDEO
LASER, tape deck, gravador de rolo...
O
volume quase que lota um dos carrinhos, mal
cabendo um mix incrível, recém-lançado,
que deixava todos os outros liquidificadores
no chinelo. Nas virtudes e, também,
no preço.
Quase
sem parar, ao passar pelos discos, escolheu,
entre outros até para o seu espanto
de velho pagodeiro - um CD com o trio Pavarotti-Carreras-Domingo
e um recém-lançado conjunto
dos principais momentos de Maria Callas:
-
Imagino estes três, mais a Dona Maria
Callas formando um grupo de puxadores de samba
enredo lá na Escola, queria ver a cara
do Walter Alfaiate mesmo com aquele vozeirão!
Era apenas um começo, mas algumas pessoas
já começavam a olhá-lo
com admiração.
-
Este sabe o que é bom!
Sem
nenhum roteiro prévio de compras, da
seção de eletro-domésticos,
passou para a de bebida. Chateau Mouton-Rotchschild
95 Pauillac: 1.000 reais, em promoção,
hun, deve ser um vinho razoáveL
Ato
continuo colocou duas garrafas no segundo
carro. Deu alguns passos, pensou melhor, lembrou
das sangrias que fazia com o vinho Sangue
da Terra (5 reais o garrafão), voltou
e pegou mais três garrafões.
Na
mesma prateleira, mais adiante, passou para
os uisques.
-
"Com menos de 21 anos, para mim não
serve ", lembrou a frase preferida do
Dr. Charles quando servia bebida para seus
amigos. Não os amigos da capoeira,
também queridos, mas, segundo ele,
sem "embocadura" para apreciar uma
bebida mais refinada.
Vinha
dai, aliás, através da apresentação
de Mestre Paulinho Botafogo (ou Paulinho da
Jussara), sua amizade com o Doutor, mais conhecido,
nas rodas de capoeira da Central e da Penha,
como Gomyd Angoleiro ou, ainda, Gomyd Anestesia.
Um dos poucos capoeiras com dois apelidos,
ninguém sabendo explicar muito bem
a origem de nenhum deles. Nem mesmo o Paulinho
da Jussara, extraordinária figura humana,
boêmio, filosófo, tocador de
cavaco, tremendo compositor (premiado!) ,
professor de português nas horas vagas
e, por esporte, dono de uma quitanda onde
arma um senhor pagode de mesa todas as sextas
("pagode em pé é coisa
de paulista almofadinha.t..).
-
"Este negócio de uísque
"di maior de idade" écoisa
mesmo de gente rica, mas tudo bem", filosofou
encerrando a divagação paralela
e retomando as compras".
Pegou três garrafas de Royal Salute,
"21 years old" e foi em frente.
Ainda no corredor das bebidas, reconheceu
um rum cubano (Siete Años) que tomara
certa vez com um colega de infância
que só falava em comunismo. Mais duas
garrafas. Talvez por associação
de idéias (Cuba), das bebidas partiu
para a tabacaria. Uma sala especial, temperatura
especialmente controlada, onde um cubano,
profundo conhecedor de "puros" e
extremamente simpático (Señor
Manuel) professorava sobre o assunto. Ficou
alguns minutos ouvindo, atentamente, as explanações;
tempo suficiente para decidir-se por duas
caixas de Romeo y Julieta, tamanho Churchill,
e uma caixa de Partagas, em sutil homenagem
a Ernesto Che Guevara (segundo o Señor
Manuel, Che Guevara preferia esta marca).
Seguiu em frente, levemente sorridente, lembrando-se
dos charutos que ousava enfrentar de vez em
quando: "mata-ratos da pior qualidade"!.
A rápida exposição do
cubano, entretanto, teve outros méritos,
pois lembrou, não apenas a importância
de um bom casamento entre um bom charuto e
um bom vinho, mas, também, o casamento
desta dupla, com um sem-número de "appetizers"
(tira-gosto, para os íntimos). Partiu,
então, acelerado, para a seção
de queijos, frios e iguarias afins.
-
Que torresmo que nada, que muela de galinha,
desta vez, teremos caviar páté
de foie gras. salmão e alguns quilos
de brie, emmental camembert, roquefort e outros
fromages ". Com todo respeito à
mortadela (partida a facão) e ao queijão
frito lá da quitanda do Paulinho da
Jussara.
Do
pensamento à ação, com
a ajuda do caderno de propaganda, quase lota
o segundo carro com cinco latas de caviar
russo, queijos franceses e vários outros
produtos desconhecidos ("se estão
nesta área só podem ser coisa
fina").
Analisando,
especialmente seu segundo carro, atentou para
uma falha: como servir as bebidas e as iguarias?
A
esta altura, orgulhoso, já estava trocando
idéias avançadas sobre a arte
de se viver bem com alguns outros clientes.
Nenhum, entretanto, com os carrinhos tão
invejavelmente cheios como os dele.
A
um destes, da maneira mais descontraída
que pôde teatralizar, perguntou onde
ficava a seção de copos e pratos.
-
Importados. é claro; quero apenas copos
de cristal Riedel e louças de porcelana
da China.
Conseguiu
um terceiro carro para abrigar seus cristais
e porcelanas; conseguiu. também, que
a gerência colocasse um auxiliar para
ajudá-lo com os três carros.
Estava chegando ao fim, faltava apenas mais
uma coisa, um pequeno detalhe, mas que não
abriria mão, em hipótese alguma
queria fazer seu banquete, ao lado da mulherzinha
amada (era aniversário dela, seria
uma surpresa), pisando num belo tapete persa.
Não foi fácil escolher, muito
menos - é, comprou um grande e um pequeno
-sobre os três carrinhos. Como escolher
quando a vontade é comprar todos? Acabou
optando por um hadzistan para o seu quarto
e um pequeno mossul para o banheiro ("por
que não"?).
Sem
pressa, escolheu a caixa com a maior fila.
Na fila foi virando celebridade: "Lindas
compras hem"? "Quem pode, pode,
né"!
Ao
perceber que estava chegando a sua vez, com
insuspeitável charme, pediu que olhassem
seus carros, pois tinha que dar um pulo no
banheiro. Generosamente, como se fosse um
adiantamento de gorgeta, deu ao garoto que
lhe ajudava uma nota de cinco reais, exatamente
a metade do que levava no bolso. Passou "batido"
pelo banheiro indo direto para o ponto do
ônibus que o levaria até a Central
do Brasil; de lá, com mais duas conduções,
finalmente, chegaria ao seu quartinho humilde,
num conjunto habitacional do extinto BNH,
na Baixada Fluminense.
Quartinho
humilde, distante léguas e léguas
do imponente e recém-inaugurado supermercado,
mas, diga-se, a bem da justiça e da
verdade, cheio de sonhos malandríssimos
de consumo.
No
caminho de casa, na venda do compadre Paulinho,
saindo da rotina (normalmente levava 150 gramas)
pendurou 400 gramas de mortadela - "afinaL
o presunto leva a fama, mas todo mundo gosta
mesmo é de mortadela - e um xarope
de groselha. Passando pelo cemitério
tratou de descolar, também, uma linda
flor para sua namorada aniversariante.
Que
adorou a rosa, mas ficou furiosa por não
ter participado da fascinante visita ao supermercado.
-
"Já pensou - completou meio zangada,
meio sonhando - aposentar o leite de rosas
e lotar mais dois carrinhos com altos perfumes
(começou a ler uma lista apanhada não
se sabe onde): bulgari, cacharet chanel, cartier.
christian dior, givenchy, guy laroche"...?!
Rio de Janeiro , 1 de janeiro
de 2000
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