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Consultor
de estratégias corporativas, professor, palestrante e autor
dos livros
A Criatividade Corporativa na Era dos Resultados e Empreendedorismo
Criativo, a nova dimensão da empregabilidade
(www.lcm.com.br - www.newbooks.com.br - www. saraiva.com.br)
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Livros
Publicados
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Entrevista
RH.com
RH
- O senhor tem dedicado parte dos seus estudos
à criatividade no ambiente corporativo.
Que análise o senhor faz do cenário
organizacional brasileiro, frente ao potencial
criativo dos profissionais?
GFA
- Primeiramente, Patrícia, quero patentear
o orgulho que sinto em poder falar, diretamente,
para essa seleta comunidade que você,
tão criativamente, soube aglutinar ao
longo desses anos todos. Parabéns e muito
obrigado pela oportunidade. Em nosso novo Livro,
"Empreendedorismo Criativo, a nova dimensão
da empregabilidade", fazemos uma reflexão
sobre os ambientes laborais modernos e concluímos
que, nem por aqui nem em qualquer outro lugar
do planeta, os potenciais dos profissionais
engajados na maioria das bandeiras corporativas
são estimulados a criar. Via de regra,
o que vem acontecendo em relação
ao assunto nada mais é, e quando muito,
do que deslocar meia dúzia de talentos
para um departamento novo, dar-lhe um nome "marqueteiramente
criativo" e, a partir daí, intuir
a massa funcional para que aguarde, passivamente,
pelos dogmas que, como uma taboa de mandamentos,
lhes será impingida. Ou seja, a "Dona
Norma" e o "Seu Manual", respectivamente
a amante dileta e o solidário amigo de
Max Weber, travestem-se de uma falsa modernidade
por intermédio de expressões que
apenas "pretendem dizer" mas que continuam
a desestimular e a inibir os que procuram pensar
diferenciadamente: todos podem, e devem, ser
criativos, porém, desde que não
criem nada diferente do que já foi "criativamente"
estabelecido.
RH - A criatividade tornou-se a 'competência
das competências'?
GFA
- Infelizmente, Patrícia, estamos, uma
vez mais, vivenciando mais uma daquelas fases
de oba-oba, de modismo, de atuação
perniciosa dos espertos de ocasião e
que são tão lesivas para o entendimento
e solidificação da real importância
da área de RH, qual seja, a de ser a
mais estratégica dentro do contexto de
qualquer ambiente corporativo moderno. Não,
não é por aí. A criatividade
nunca foi competência. A criatividade
é dom inato de todo e qualquer ser humano.
É inalienável privilégio
da espécie Homo Sapiens.
RH - A criatividade está obrigatoriamente
ligada à genialidade?
GFA
- De jeito nenhum. A criatividade é primogênita
do conhecimento e caçula da não
reverência cega aos conceitos estabelecidos.
Tudo o mais é conseqüência.
E aqui entre nós, uma pergunta que não
quer calar: Heráclito, Platão,
da Vinci, Michelangelo, Allighieri, Shakespeare,
Camões, Garrincha, Pelé, Einstein,
Hawking, Gates ou Jobs foram - ou são
- personagens geniais ou, "meramente",
permitiram-se ser criativos?
RH - Afinal, que conceito o Senhor atribui à
criatividade?
GFA
- A criatividade não é um conceito.
A criatividade não pode ser encarcerada
em meia dúzia de frases feitas. Ela não
é manualizável, normatizável,
estática ou monolítica. A criatividade
se adequa, isto sim, ao que Mary Parker Follet
chamava de "Lei da Situação",
que por ser tão variável, acaba
por não se transformar em lei alguma.
Ou seja, a criatividade simplesmente é.
E está aí disponível para
quem se encorajar a exercitá-la. Em nosso
livro "A Criatividade Corporativa na Era
dos Resultados" procuramos abordar o tema
com seriedade e acreditamos que a sua leitura
possa servir de razoável parâmetro
para que cada qual defina, por conta própria,
para que caminhos direcionará seus estudos
e reflexões.
RH - A criatividade exige pré-requisitos
do profissional?
GFA - Profundo entendimento do que faz - a criatividade
é filha dileta do conhecimento -, compromisso
permanente com o autocrescimento - crescer é
uma decisão individual -, predisposição
para inserir-se em ambientes de constantes mudanças,
persistência nas reflexões, aprofundamento
nos experimentos e, last but not least, não
ter medo do erro e predispor-se a aprender com
eles.
RH - Um profissional especialista corre o risco
de se moldar a padrões e conseqüentemente
prejudicar o seu potencial criativo?
GFA
- Goethe (1749-1832) dizia que "o especialista
é o aleijão da história".
Hoje, com a pluralidade de alternativas e o
desaparecimento e surgimento de inúmeras
profissões em todos os segmentos de mercado,
essa verdade, de certa forma, ganha corpo. No
entanto, Patrícia, ao que Goethe talvez
se estivesse referindo era ao fato de que os
"especialistas" daquele período
pré-revolução industrial
nada mais seriam do que meros repetidores de
experiências que se haviam perenizado
através dos tempos em atividades tidas
e havidas como eternas. Assim sendo, se o especialista
de hoje tiver comportamento similar, a máxima
se cristaliza. Porém, se fizer de sua
especialização um trampolim para
a permanente busca de um modelo sucedâneo,
a assertiva se dissolverá nas ondas da
inovação. Cabe a cada qual, em
ponderada reflexão, a escolha de seu
próprio norte.
RH - Então, ser especialista ou generalista
não interfere na criatividade do profissional?
GFA
- Nem um pouco. Porém, a máxima
de Goethe serve tanto para um quanto para outro:
parar nos remos é remar para trás.
RH - A partir do momento que uma empresa abre
suas porta para a criatividade, a possibilidade
dos profissionais cometerem erros aumenta. Até
que ponto é saudável, permitido
equivocar-se sem correr riscos que comprometam
o negócio?
GFA
- Olha, Patrícia, nós acreditamos
exatamente no inverso: a possibilidade de erros
se amplifica, justamente, quando a organização
fecha as portas para a criatividade do corpo
funcional. Primeiramente, porque sem exercitá-la
continuarão sendo cometidos todos aqueles
equívocos que estão manualizados.
No mundo contemporâneo não há
nada mais fora de esquadro do que essas bulas
normativas. Você já teve oportunidade
de ligar para algum "fale conosco"
da vida? Pois é. Não é
que as pessoas sejam burras, não, a questão
é que foi definido que a única
coisa que é permitido dizer é
o que é dito. Não pense que elas,
após o término da ligação,
também não estarão tão
frustradas quanto você estará.
E nada compromete mais o negócio do que
isso. Tanto em relação à
ponta atendimento quanto em relação
à ponta cliente. O segundo aspecto é
o de que o Homem ainda não conseguiu
inventar o vácuo. Portanto, um erro será,
sempre, preenchido por outro. Não existe
sistema de segurança perfeito. Para o
que quer que seja. Então, já que
não errar é impossível,
vamos começar a errar com um pouco mais
de modernidade e, ao mesmo tempo, com muito
mais comprometimento em relação
às suas correções.
RH - Hoje, é possível imaginar
uma empresa competitiva sem a presença
de profissionais criativos?
GFA
- Na complexidade mercadológica do mundo
moderno, não existe expectativa de competitividade
para os ambientes corporativos que não
contemplem o aflorar da criatividade em todos
os níveis hierárquicos, que temam
o erro como Drácula teme a luz radiante
do sol e que não considerem a folha de
pagamento como o seu principal ativo. Fora dessas
verdades não há salvação.
RH - Equipes criativas exigem líderes
criativos?
GFA
- Claro que sim. A relação é
dialética.
RH - O trabalhador brasileiro possui peculiaridades
em sua criatividade?
GFA
- Assim como o japonês, o italiano, o
grego, o sul africano, o alemão, o canadense,
o chileno, o francês, o americano e o
neozelandês, o brasileiro também
pertence à espécie Homo Sapiens.
Portanto, Patrícia, no aspecto criatividade,
a diferença de peculiaridades é
zero. Não há mais espaço
para esse tipo de distinção ou
para qualquer outro tipo de filosofia segregacionista.
O planeta Terra virou um país.
RH - O 'jeitinho brasileiro' é um sinal
de que a criatividade está presente não
apenas no âmbiente corporativo, mas em
todos as esferas da nossa sociedade?
GFA
- Em nossa avaliação, Patrícia,
"jeitinho brasileiro" é o apelido
carinhoso que foi criado para a incompetência,
para o despreparo, para a falta de visão
estratégica. Não há a menor
correlação entre o tal do "jeitinho"
e a criatividade, até porque a criatividade
exige constância de propósitos,
estudo, observação, persistência,
avaliação e o recomeço
sistemático de todas essas etapas. Criar
é dom que exige esforço, dedicação
e conhecimento. De nossa parte, nunca tivemos
a oportunidade de constatar que alguma coisa
providenciada à toque do "jeitinho
brasileiro" tenha contribuído para
a melhoria ou aperfeiçoamento do que
quer que seja. É "quebra-galho"
para situações emergenciais, para
situações que não foram
devidamente avaliadas. Meramente isso. Mas você
tem razão, ele ainda permeia muitos e
muitos ambientes da sociedade brasileira. Incluindo-se
aí os organizacionais.
RH - O que falta para as organizações
brasileiras darem uma guinada definitiva no
aproveitamento da criatividade dos profissionais?
GFA
- Substituir o imediatismo míope, esclerosado
e capenga por uma visão estratégica
conseqüente que contemple a inovação
como principal meta.
RH - Falar em aproveitamento de potencial criativo,
sem mencionar a participação efetiva
do profissional de RH é um erro?
GFA
- Já tivemos a oportunidade de mencionar
que consideramos RH a área mais estratégica
nas organizações de ponta. No
entanto, Patrícia, não basta termos
um crachá de diretor, gerente, analista,
técnico ou especialista para acharmos
que, a partir de então, seremos capazes
de coordenar a implantação e o
acompanhamento de um processo sistêmico
de aproveitamento da criatividade do corpo funcional.
Mais que isso: se por um lado a importância
e responsabilidade dos profissionais da área
de recursos humanos nos modernos contextos laborais
tende a amplificar-se, por outro se constata
que muitos deles negligenciaram o manter-se
em permanente processo de reciclagem e encontram-se
bastante defasados frente a essa realidade nova.
E se a área de RH não conseguir
descer nessa onda com confiabilidade, sua existência
nas organizações ficará
seriamente comprometida. Isto porque, mais cedo
ou mais tarde todas as organizações
serão, compulsoriamente, instadas a pegarem
suas pranchas para irem surfar nas ondas da
modernidade desse processo que, registre-se,
é irreversível. As que não
estiverem com pessoal qualificado e equipamento
apropriado irão morrer na praia antes
mesmo de lançarem-se ao mar. O momento,
portanto, é de pouco oba-oba e de muita
reflexão.
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Entrevista
Revista SEU SUCESSO
RSS - Para começar gostaria que o senhor
conceituasse o empreendedorismo criativo?
GFA
- Inicialmente, Leonardo, permito-me expressar
o orgulho por estar "falando" para
essa comunidade tão seleta da Revista
SEU SUCESSO. Muito obrigado pela oportunidade.
Empreender é exercitar a capacidade de
imaginar, arquitetar, idealizar, planejar, projetar
e colocar em prática sonhos e projetos.
Empreender, enfim, é fazer acontecer.
Porém, tanto no "A Criatividade
Corporativa na Era dos Resultados" quanto
no "Empreendedorismo Criativo, a nova dimensão
da empregabilidade", fazendo uma reflexão
sobre os ambientes laborais modernos, concluo
que os potenciais dos profissionais engajados
na maioria das bandeiras corporativas não
são estimulados a empreender criativamente.
Via de regra, o que vem acontecendo, e quando
muito, nada mais é do que deslocar meia
dúzia de talentos para um departamento
novo, dar-lhe um nome "marqueteiramente
criativo" e, a partir daí, intuir
a massa funcional para que aguarde, passivamente,
pelos dogmas que, como uma taboa de mandamentos,
lhes será impingida.
Ou seja, a "Dona Norma" e o "Seu
Manual", respectivamente a amante dileta
e o solidário amigo de Max Weber, travestem-se
de uma falsa modernidade através de expressões
e gestuais que apenas "pretendem dizer"
mas que continuam a desestimular e a inibir
os que procuram pensar diferenciadamente: todos
podem, e devem, ser empreendedoramente criativos
desde que não criem nada diferente do
que já foi "criativamente"
estabelecido.
RSS
- O que faz um empreendedor ser criativo?
GFA
- Há uma variedade de motivos pelos quais
uma pessoa se permite deixar embalar pelo sonho
de ter o seu próprio negócio:
vontade de ganhar muito mais dinheiro do que
seria possível na condição
de empregado; desejo de sair da rotina e de
poder levar avante as suas próprias idéias;
pretensão de ser o seu próprio
patrão e não ter que dar satisfações
de seus atos para mais ninguém; necessidade
de provar que é capaz de "realizar"
e de obter sucesso em alguma coisa e a aspiração
de desenvolver algo que traga benefícios
não apenas para si, mas também
para a coletividade, são alguns deles.
No entanto, ser um vencedor é aspiração
legítima de todo e qualquer ser humano
e, em assim sendo, não há qualquer
vestígio de criatividade em alguém
que abraça um desses parâmetros
citados para iniciar um negócio (ou,
pelo menos, tentar isso).
Ser um empreendedor criativo, portanto, é
possuir um claro entendimento de que quanto
mais liberdade criadora tiver a equipe que faz
(ou fará) parte do empreendimento, mais
chances de êxito terá o negócio:
"uma andorinha só não faz
verão".
RSS
- Entrando no perfil de um empreendedor de sucesso,
gostaria de saber sua opinião sobre os
tópicos abaixo:
GFA
- Leonardo, você me deixa duplamente satisfeito:
por vê-lo ter-se aprofundado na leitura
do livro, ou seja, preparou-se para entrevistar,
e por demonstrar um aguçado senso de
oportunidade em suas perguntas. Parabéns!
RSS
- Autoconfiança: muitos entrevistados
que obtiveram sucesso empreendendo enfatizam
a confiança no seu caráter empreendedor
e produtor de resultados. São advogados
das suas idéias. Esse perfil não
duvida e parte para o jogo para ganhar.
GFA
- Quanto à autoconfiança há
dois aspectos a ponderar: se ela é produto
de uma auto-avaliação séria
e conseqüente - não o sentir-se,
mas, efetivamente, saber-se um produtor de bons
resultados, independentemente das situações
adversas já vivenciadas - ela é
mais que bem-vinda. Porém, se é
fruto de auto-avaliação de desempenho
em cenário de céu de brigadeiro,
na primeira turbulência de mercado, esse
empreendedor poderá ter sérios
problemas para conseguir manter-se no ar.
RSS
- Liderança: o empreendedor de sucesso
não se enxerga obedecendo a um patrão.
Ele tem fome de liderança e sabe motivar
e influenciar pessoas.
GFA
- O conceito da liderança moderna conflita
com o do binômio "manda quem pode,
obedece quem tem juízo". O verdadeiro
líder da atualidade é aquele que
consegue perceber as suas limitações
em relação ao todo e se permite,
de acordo com as circunstâncias, também
ser liderado. Os atuais profissionais de ponta,
em qualquer nível hierárquico,
não estão mais dispostos a serem
conduzidos por outros nos quais não reconheçam
suficiente competência para fazê-lo.
A "liderança messiânica"
perdeu espaço para o conhecimento.
RSS
- Inquietude: o empreendedor de sucesso se arrisca
no mercado e se aproveita do seu perfil inquieto.
Se relaciona, se informa e tem agilidade na
decisão.
GFA
- A inquietude é uma das principais características
dos seres que se permitem ser criativos (ser
criativo é uma opção e
não um dom).
Houaiss, no entanto, diz que a palavra arriscar
é sinonímia de "perigo; do
expor-se à boa ou má fortuna;
do sujeitar-se ao arbítrio da sorte;
do aventurar-se". E essa postura não
é salutar para nenhum profissional ou
negócio.
A inquietude é muito bem-vinda, se juntos
vierem os estudos de mercado, os precisos ajuizamentos
das implicações periféricas
das ações eleitas, as reflexivas
ponderações com a equipe - afinal
é ela quem faz o negócio funcionar
- e o saber escutar.
O empreendedor ousado é aquele que se
apercebe, antes dos demais, dos "pleitos
ocultos" da clientela e a eles se antecipa
frente à concorrência. Sempre,
no entanto, com inquieta cautela. Agilidade
de decisão, muito embora seja bom predicado,
não é sinônimo de boa decisão.
RSS
- Preparo: ele se prepara para empreender fazendo
um bom plano de negócios. Cria algo factível
e estuda se há clientes para o que pretende
lançar. Esse é até um traço
que o senhor usa para fazer um comparativo com
um casamento que possui um bom sexo.
GFA - Na questão preparo, o plano de
negócios, mesmo que o inicial tenha dado
bons resultados, é apenas o número
um de uma série de outros que a ele se
seguirão, indefinidamente. Assim como
nas relações conjugais modernas,
em nossa contemporaneidade também não
há ambiente mercadológico estático.
Presumir isso é parar nos remos. E parar
nos remos é remar para trás. Em
ambos os casos, registre-se.
RSS
- Desafio: o sucesso desse empreendedor vem
porque ele prefere o "sim" ao "não".
Ele, por exemplo, se afasta de quem cria limites
para fazer algo difícil. Sabe que negócios
fáceis não trazem bom retorno.
O sucesso está em descobrir negócios
árduos, trabalhosos.
GFA
- O sucesso corporativo frente ao desafio não
deve ser mensurado pela resistência a
limites, ao sim ou ao não, ao difícil
ou ao fácil, ao árduo ou ao suave,
ao trabalhoso ou ao simples. Não, não
é por aí.
Os grandes desafios do negócio contemporâneo,
seja ele de que tamanho for, concentram-se na
sustentação de um ambiente organizacional
que privilegie o exercício da criatividade,
que não tema o erro e aprenda com ele,
que valorize a opinião interna e externa
a respeito de seus produtos ou serviços,
que considere a folha de pagamento o seu principal
"ativo" e, last but not least, paute-se
por um comportamento impecavelmente ético.
Todo o resto é conseqüência.
RSS
- Pensar grande: dizem os empreendedores de
sucesso que o que os separam dos que não
chegam ao topo é que eles pensam coisas
grandiosas. São até considerados
megalomaníacos. Mas defendem que o pensar
grande os movem para resultados grandiosos.
GFA
- Leonardo, honestamente não consigo
identificar chão seguro nessas assertivas
escolhidas para o pensar grande. A ambição
demasiada, o orgulho desmedido ou o gosto excessivo
pelo grandioso não são bons conselheiros.
Moldam-se melhor ao espírito inconseqüente
dos aventureiros, dos imponderados que não
têm qualquer compromisso com a realidade
que os cerca ou com o dos afoitos que possuem
metas de curto prazo e nada mais.
Uma coisa é almejar ser o primeiro -
e isso é legítimo - outra coisa
é achar que o campeão está
no topo por acaso (até porque você
ainda não existia no mercado) e que no
primeiro confronto irá nocauteá-lo.
Isso é, no mínimo, muito infantil.
É postura que só encontra agasalho
no modismo da auto-ajuda, bem ao estilo de "Você
é um Vencedor e Não Sabia",
"Vai Fundo Que Você Consegue"
ou "Conta um Segredo Aqui Mim Que é
Pra Ninguém Mais Roubar o Meu Queijo,
o Papai Poder Ficar Rico e Nós Sermos
Todos Benzidos Pelos Monges".
Assim sendo, creio que seja bem mais eficaz
o pensar positivamente e o parceiro aglutinar
das forças internas em uma determinada
direção de forma a construir,
com segurança, um ambiente de crescimento
sustentado.
RSS
- Além do que já comentei, o que
mais o senhor acrescentaria nesse perfil? Até
dentro das companhias, o que fazem pessoas serem
mais bem-sucedidas que outras?
GFA
- Bob Nelson já disse que "o maior
erro que o profissional moderno pode cometer
é o de pensar que trabalha para uma outra
pessoa". E isso, efetivamente, é
o que faz toda a diferença. A fase da
dependência corporativa se está
exaurindo em si mesma e a da interdependência
equilibrada e negociação permanente
é a que chega para preencher essa lacuna,
uma vez que o vácuo só consegue
se fazer palpável enquanto conceituação
da lei da física.
Desta forma, não mais apenas o conhecimento,
mas sim o que fazer com ele é o que passa
a contar pontos. Ou seja, não mais o
saber, mas o saber o que se fazer com o que
se sabe é que é importante. Não
há mais espaço para o decoreba,
para o "experiente", para o tempo
de casa. A vez é dos inovadores e dos
renovadores. A vez é dos que, fora ou
dentro das organizações, adotarem
a postura de empreendedores de si mesmos.
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ENCONTRO
BRADESCO APIMEC
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ENCONTRO
BRADESCO, QUE FOI REALIZADO EM 23 DE SETEMBRO
NO HOTEL SOFITEL COPACABANA, TEVE POR FINALIDADE
A APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
REFERENTES AO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2008 DO MAIOR
BANCO COMERCIAL DA AMÉRICA LATINA PARA
A COMUNIDADE APIMEC - ASSOCIAÇÃO
DOS ANALISTAS E PROFISSIONAIS DE INVESTIMENTO
DO MERCADO DE CAPITAIS.
O
EVENTO, ALÉM DO EXPRESSIVO NÚMERO
DE ASSOCIADOS E INVESTIDORES, CONTOU, TAMBÉM,
COM MAIS DE 1700 PARTICIPANTES PELA INTERNET,
EM CONFERENCE CALL.
O
BANCO BRASILEIRO DE DESCONTOS, FOI REPRESENTADO
POR SEU PRESIDENTE, MARCIO ARTUR LAURELLI
CYPRIANO E PELO VICE PRESIDENTE SENIOR, MILTON
VARGAS.
TAMBÉM
PRESENTE O DIRETOR PRESIDENTE DA BUSINESS
TO MARKET, EIAL SZTEJNBERG, REPRESENTANDO
O IBEF, A APIMEC, O INI E OUTRAS ENTIDADES
DA QUAL PARTICIPA COM A AUTOR DO LIVRO "EMPREENDORISMO
CRIATIVO, A NOVA DIMENSÃO DA EMPREGABILIDADE",
GERALDO FERREIRA DE ARAUJO FILHO.
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NA
FOTO, DA ESQUERDA PARA A DIREITA, EIAL SZTEJNBERG, PRESIDENTE
DA BUSINESS TO MARKET, MÁRCIO CYPRIANO, PRESIDENTE
DO BRADESCO, O CONSULTOR DE ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS
GERALDO FERREIRA E O VICE PRESIDENTE EXECUTIVO MILTON
VARGAS, DO GRUPO BRADESCO.
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Empreendedorismo
Criativo
A
Hora e a Vez da Gestão Criativa
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Geraldo
Ferreira de Araujo Filho
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"As
reputações corporativas devem
ser cuidadosamente planejadas e entendidas como
sendo recursos vitais. As organizações
não são destruídas por
um vendaval adverso e inesperado, mas sim corroídas
lenta e gradualmente pelo descrédito
interno e do mercado."
Gaines-Ross
Gaines-Ross aponta cinco sinais de advertência
para a percepção de uma tendência
de má reputação corporativa
no mercado:
1)
Baixa moral do corpo funcional
2) Seguir o normativo interno é mais
importante do que a boa execução
do trabalho
3) Rotatividade dos principais executivos
4) A boa fama do principal executivo suplanta
a sua credibilidade ética
5) O corpo funcional passou a enxergar a clientela
como um estorvo
Já
Richard Sennett visualiza um claro contraste
entre os dois mundos do trabalho de hoje: o
da rigidez das organizações hierárquicas,
no qual o que importa é a cega obediência
ao manual normativo - que, em sua avaliação,
está desaparecendo - e o da flexibilização
criativa, que envolve muito risco e trabalho
de equipes que colaboram juntas durante um espaço
de tempo e onde o que importa é a capacidade
que cada qual possua de reinventar-se a todo
instante.
Ou seja, o que um profissional já possa
ter feito conta menos pontos do que ter suficiente
potencial para atender a novas e inesperadas
demandas.
Ora,
se é assim, não mais gerenciar
pessoas, mas induzir e estimular seus potenciais
criativos é o que nos parece ser a medida
adequada. Esgotou-se o espaço para o
tratamento linear, no velho e conhecido formato
de um come-e-dorme da Escolinha da Dona Teteca.
Os talentos individuais são diferenciados
e cada profissional tem seu tempo de amadurecimento
próprio.
Gente é gente, máquina é
máquina.
Na
complexidade mercadológica moderna não
existe expectativa de competitividade para os
ambientes organizacionais que não contemplem
o aflorar da criatividade em todos os níveis
hierárquicos, que não priorizem
a ética, que temam o erro como Drácula
teme a luz radiante do sol e que não
considerem a folha de pagamento como o seu principal
ativo.
Fora
dessas verdades não há salvação.
No
entanto, estimular a criatividade nas organizações
é tarefa que exige conhecimento, negociação
e atuação conseqüente por
parte de todos os detentores de função
gerencial, entendendo-se gerência não
como um cargo, mas sim como uma função
que, automaticamente, se agrega a todos os que
possuem responsabilidade de supervisão
em qualquer nível hierárquico
do presidente ao chefe de setor
posto que, a rigor, não existe gerente
de operações, mas sim o gerente
das pessoas que trabalham no departamento operacional.
Dessa
forma, cada vez mais se evidencia a relevância
dos profissionais de RH (Renovação
Humana, como, com maestria, Francisco Gomes
de Matos identifica a missão da área)
nos contextos laborais de ponta, ao mesmo tempo
em que lhes aumenta a responsabilidade de manterem-se
atualizados com novos processos tornando-se
deles os melhores porta-vozes e facilitadores
- de forma a poder orientar e estimular os efetivos
gestores dos talentos contratados a sustentar,
com objetividade, um clima gerador de satisfação
e propício para a construção
de um efetivo ambiente criativo.
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Crise
ou Oportunidade?
uma questão de entendimento
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Geraldo
Ferreira de Araujo Filho
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Não
há história consciente sem a consciência
da história.
Nelson Mello e Souza
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2008,
e não 2000, é o ano que, efetivamente,
entra para a História como o marco do
transpor dos portais do terceiro milênio
da era cristã.
É
a partir de então que começam
as profundas e irreversíveis transformações
que ao longo dos últimos dez séculos
decorridos vinham sendo aguardadas com um
misto de esperança, descrença
e, tanto em uma hipótese quanto em
outra - com maior ou menor intensidade - envoltas
por um ancestral temor: "de que forma
a Terra acabará na virada do milênio,
em água ou em fogo?"
De
toda sorte chegamos, agora, ao marco zero
de um porvir inédito. Há em
curso uma fortíssima sucessão
de radicais mudanças de conceitos,
parâmetros e, fundamentalmente, de percepções
filosóficas. Há um perfume de
inovação se espalhando com incrível
rapidez por todo o orbe e que, já há
algum tempo, é parte integrante do
quotidiano dos que possuem olfato mais apurado.
Alvin
Toffler, Steve Jobs, Domenico De Masi, Peter
Drucker, Francisco Gomes de Matos, Pietro
Ubaldi, William Gates, Leif Edvinsson, Pierre
Lévy e Nelson Mello e Sousa, são
alguns desses incontestes perfumistas que,
cada qual com sua fórmula aromática
específica, desde há muito vêm
borrifando a atmosfera planetária,
tornando-a mais salubre.
Um
mundo muito diferente de tudo que já
foi visto começa a emergir das cinzas
de uma civilização que contabiliza
registros de mais de seis mil anos de equívocos
e que, agora, em seu estertor derradeiro,
esgota-se em si mesma, vítima da incompreensão
de que a vaidade é o mais sedutor e
letal de todos os pecados.
Vamos
então a um retrospecto na busca de
determinados acontecimentos que marcaram o
último século desse período
de vários e vários milênios
e que, mesmo esvaindo os últimos grãos
de suas areias pela incorruptível ampulheta
do Tempo - afinal ele é o único,
dentre todas as demais dimensões, que
não nos faz concessões - bem
ou mal sedimentou, não mais agora importando
se através de inúmeros desacertos,
terreno propício para a construção
de um futuro que se posicionará de
maneira muito melhor estruturada, relativamente
aos atuais padrões sócio-morais
planetários.
E
isso já está acontecendo. Ou
seja, finalmente, chegamos ao começo.
Podemos
facilmente perdoar uma criança que
tem medo do escuro, porque,
afinal, a real tragédia da vida é
quando um homem tem medo da luz.
Platão
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No
segundo semestre de 2008 aflorou a maior crise
econômico-financeira de toda a história
escrita da humanidade. E isso não foi
conseqüência de uma fortuitidade
pontual, alvitre de alguma praga bíblica
ou, simplesmente, efeito de uma imprevisível
mudança de humor de algum dos deuses
dos olimpos que se espalham pelos credos de
todas as tribos do planeta.
Não,
não foi isso não.
Ela
é resultado de uma equação
perversa, cuidadosamente engendrada e aplicada
ao longo de mais de 50 anos pelos países
do dito primeiro mundo, que, como alunos aplicados,
de corpo e alma - mais de alma, até
- engajaram seus talentos a serviço
desse academicismo sinistro, exportando-o
com royalties - vale a ressalva. Ou seja,
América do Norte, União Européia
e Japão são os responsáveis
diretos por esse crash sem precedentes.
Porém,
e acredite quem puder, essa convulsão
é muitíssima oportuna e, definitivamente,
saneadora de vícios arraigados em caducos
entendimentos ancestrais posto que, concomitantemente,
transmuda-se em clareadora dos caminhos novos
que, para os mais antenados com a modernidade,
nitidamente, já vêm sendo pavimentados
pela argamassa de uma percepção
soberana, exclusivamente voltada para a valorização
das potencialidades morais do Homem.
E
assim sendo, tudo o mais que dela advirá,
e muito mais breve do que se possa presumir,
será mera conseqüência.
Os
problemas que o mundo de hoje enfrenta,
não são suscetíveis de
uma solução militarizada.
John Fitzgerald Kennedy
|
William
S. Cohen, ex-secretário de defesa dos
Estados Unidos da América no governo
de Bill Clinton, publicou em 2004 um romance
cujo título em português é
"Os Conspiradores". Nele, textualmente,
informa que a verba anual da defesa, a maior
dentre todas as demais do orçamento americano,
gira em torno de 500 bilhões de dólares
anuais.
A Casa Branca, em fevereiro de 2008, confirmava:
"Do total recorde de 3.1 trilhões
de dólares solicitado para o próximo
ano orçamentário - out/2008 -
set/2009 - o Pentágono receberá
515 bilhões de dólares para suas
despesas comuns, o que representa um aumento
de 7,5% em relação ao orçamento
de 2008 e um aumento de quase 74% se considerada
a evolução de 2001 para cá".
"Além
da situação no Iraque, a Casa
Branca inscreveu no orçamento regular
do Pentágono 20,5 bilhões de
dólares para financiar o aumento do
tamanho do exército e do corpo dos
marines nos cinco próximos anos. Assim,
os efetivos do exército serão
aumentados para 547.000 militares até
2010 e os dos marines passarão a 202.000.
Essa providência agasalhou-se na alegação
de que "não há como responder
a eventuais ameaças em outras partes
do mundo".
Isso
nada mais significa que a auto-proclamada
nação-xerife avocando, uma vez
mais, a responsabilidade de manter a ordem
no resto do mundo. Ou melhor, o seu personalíssimo
entendimento de ordem.
De
toda maneira, vamos aguardar pelas ações
concretas do recém eleito presidente
democrata Barack Obama, que sucede ao republicano
George Bush. De nossa parte, achamos que o
novo presidente irá fingir-se de morto
em relação ao assunto. Clinton,
por exemplo, ficou 8 anos e, também,
achou conveniente não se meter com
a ditadura militar americana.
Já o orçamento da OTAN gira
em torno de US$ 850 bilhões por ano.
A Organização do Tratado do
Atlântico Norte, criada em 1949 para
defender a Europa de um hipotético
ataque soviético, além de já
ter dado assistência logística
às tropas da União Africana
que tentavam "pacificar" a província
sudanesa de Darfur e, recentemente dispor
de, pelo menos, 43 mil solados combatendo
no Afeganistão (a Alemanha rejeitou
um pedido de Washington para que enviasse
mais tropas), em 1990 travava uma guerra dentro
da própria comunidade européia,
contra a Sérvia.
Ou
seja, América do Norte e União
Européia respondem, hoje, por algo
em torno de 75% do gasto mundial com armamentos.
Na
opinião de Paul Ingram, do Conselho
Anglo-Norte-americano de Informação
de Segurança, "seria mais produtivo
se os esforços para levar estabilidade
a regiões voláteis do mundo
fossem canalizadas através de ferramentas
civis como a diplomacia e a ajuda para o desenvolvimento".
"Mas
o problema é que, proveniente das "nações
guerreiras" - Estados Unidos, França
e Grã-Bretanha - há uma forte
pressão para aumentar o gasto de defesa
na Europa, posto que estão muito mais
preocupados com a capacidade militar do que,
propriamente, com a segurança. Os países
europeus se equivocam ao se decidirem imitar
os Estados Unidos", complementa Ingram.
Já
a militarização do Japão
é restringida pelo Artigo 9º de
sua Constituição, no qual renuncia
ao direito de declarar guerra ou ao uso de
força como meios para a resolução
de disputas internacionais. De toda forma,
sua despesa militar é a 4ª maior
do mundo, ajustada em um orçamento
de pouco menos de 50 bilhões de dólares.
Mas na mesma medida em que a Alemanha parece
ter-se auto-vacinado de suas aventuras militaristas
no século passado, o Japão,
contrariamente, ensaia alguns sinais de querer
introduzir alterações no texto
constitucional redigido por Mac Arthur em
1946, que ditou uma postura eminentemente
pacifista.
|
|
Não
busque por lucros desonestos.
Lucros desonestos sempre dão prejuízos.
Hesíodo
|
|
A
crise de 1929 foi resultado direto de uma superprodução
industrial, ou seja, as empresas começaram
a produzir acima da capacidade de absorção
do mercado. Isto porque a precificação
dos produtos foi irreal, tendo em vista que
os salários não haviam evoluído
de forma a garantir o escoamento daquela abundância.
A
máxima preferida dos maus empreendedores,
a lei do "ganhar, ganhar", estava
em um de seus auges históricos. Mesmo
que Henry Ford, façamo-lhe justiça,
anos e anos antes houvesse entendido e colocado
em prática que o "ganhar sem repartir",
desde o tempo dos sumérios, registre-se,
nunca funcionou.
Como
conseqüência direta dessa "esperteza"
- muito trabalho X precária remuneração
- alguns negócios principiaram a colapsar
devido à morosidade no giro do capital
e as concordatas, falências e demissões
começaram a fazer parte de um invariável
e repetitivo cardápio, acelerando o ciclo
em efeito cascata e gerando um empobrecimento
populacional sem precedentes.
Os
efeitos da "Grande Depressão"
foram sentidos em quase todo o mundo. Porém,
Alemanha, França, Itália, Inglaterra,
Austrália e Canadá os vivenciaram
com mais intensidade.
Na
contramão da crise, no entanto, em países
pouco industrializados como Argentina e Brasil,
por exemplo, esse evento veio carimbado pelos
dois símbolos do ideograma chinês
para "crise": "perigo" e
"oportunidade".
Foi
justamente nessa quadratura que ambas as nações
iniciaram a aceleração dos seus
respectivos processos de industrialização.
O
segredo não é correr atrás
das borboletas,
mas cuidar do jardim a fim de que elas venham
até você.
Mário Quintana
Em
1933, Franklin Delano Roosevelt, 32º presidente
americano, que governou a América por
quatro mandatos consecutivos, morrendo em abril
de 1945 em plena vigência do último,
lançou o New Deal, pacote de medidas
econômicas que, em 1936, foram racionalizadas
por Keynes em obra clássica.
O
pacote econômico ajudou a minimizar
a crise e os países atingidos iniciaram
lentos e graduais processos de recuperação.
Todavia, é importantíssimo que
se assimile a cronologia: já eram passados
quatro anos desde sua explosão em 1929.
Aqui
pelo Brasil, os estímulos a algumas
áreas, especialmente da indústria
extrativa, da agroindústria, da metalurgia
e da indústria de cimento foram expressivos.
Em fevereiro de 1931 estabeleceu-se a obrigatoriedade
da adição de álcool-motor
à gasolina importada e em março
foi proibida, por um prazo de três anos,
a importação de máquinas
destinadas a indústrias já instaladas
no país e cuja produção
fosse considerada excessiva.
Em
junho do mesmo ano o governo autorizou o Lóide
Brasileiro e a Estrada de Ferro Central do
Brasil a comprarem toda a produção
das companhias nacionais de mineração
de carvão, determinando ainda que os
importadores adquirissem no mercado nacional
pelo menos 10% do que pretendessem negociar.
Em
1933, a produção industrial
- que se destinava em sua quase totalidade
ao mercado interno - já havia recuperado
o nível de 1929 e o surgimento do algodão
como segundo principal produto de exportação
viria reduzir os efeitos da crise cafeeira
sobre o balanço de pagamentos.
Vale
a ressalva: a crise do café começou,
na verdade, em 1920, e deveu-se a um ininterrupto
e descontrolado aumento da safra. Para um
consumo mundial de 22 milhões de sacas,
o Brasil produzia vinte e um. Assim sendo,
em 1929 os fazendeiros ainda estavam exportando
a safra de 27.
Em
Outubro de 1929 - o mês do crash em
Wall Street- o Herald Tribune informava que
2/3 do café consumido no mundo inteiro
era produzido em São Paulo e que, sozinho,
representava 3/4 as exportações
brasileiras. Ou seja, o café brasileiro
nunca esteve a reboque do contexto daquela
derrocada americana. Aconteceu, meramente,
por falha nossa. Única e exclusivamente.
Foi
também nesse período que se
inaugurou a política do "pacto
social", ou seja, da colaboração
entre capital e trabalho através da
mediação do Estado, lançando
as bases da legislação que posteriormente
seria agrupada na CLT - Consolidação
das Leis do Trabalho, em 1943.
Entre
as principais iniciativas tomadas destacaram-se
aquelas referentes à organização
sindical e ao reconhecimento de várias
reivindicações históricas
do movimento operário anteriores à
década de 30.
O
New Deal tupiniquim portanto, foi "antecedente
ao original americano" de 1933 e funcionou
rapidamente, evitando que a crise chegasse
com maior intensidade: tsunami lá,
marola aqui.
Invariavelmente,
os Estados Unidos costumam fazer a coisa certa
depois de exaurirem todas as demais alternativas.
Winston Churchill
|
Na
América, e apesar de todos os programas
governamentais implementados, em 1940 cerca
de 15% da força de trabalho continuava
desempregada. Ou seja, um ano após o
início do 2º grande conflito armado
europeu do século passado.
Em
dezembro de 1941 os japoneses, burramente,
atacam Pearl Harbor e forçam a entrada
dos Estados Unidos na guerra. E a partir de
então, o Terceiro Eixo - Alemanha,
Itália e Japão - inicia a desconstrução
do sonhado "império de 1000 anos".
Economicamente
falando, a entrada da América na guerra
foi extremamente interessante: a produção
industrial cresceu drasticamente e as taxas
de desemprego despencaram. Ou seja, extinguiram-se
os efeitos da "Grande Depressão"
de 1929.
Perto
do final dos combates, em julho de 1944, foi
subscrito pelos 45 países aliados o
acordo de Bretton Woods com o objetivo reger
a política econômica mundial
do pós-guerra. Em linhas gerais, definia
que as moedas dos países membros passariam
a estar vinculadas ao dólar, oscilando
numa estreita banda de mais ou menos 1% e,
por sua vez, a moeda norte-americana estaria
atrelada ao ouro, este a 35 dólares
americanos a onça troy, medida equivalente
a 31,104g.
Para
que tudo funcionasse sem grandes sobressaltos
foram criadas duas entidades de supervisão:
o FMI - Fundo Monetário Internacional
- e o Banco Mundial. Após duas bombas
atômicas lançadas sobre o Japão
e mais algumas escaramuças em Berlim
e Roma foi assinada a rendição
do Terceiro Eixo. E ao final da 2ª grande
guerra, apenas 1% da força de trabalho
norte-americana estava desempregada.
Só
existe uma coisa mais dolorosa do que aprender
com a experiência:
não aprender com a experiência.
Archibald Mcleish
Durante
vinte anos o acordo de Bretton Woods funcionou
como previsto. Na segunda metade da década
de 60, no entanto, começa a degradação
das contas internas norte-americanas e o déficit
orçamentário é financiado
através da emissão de dólares
não lastreados. Resultado: a quantidade
de moeda americana que abastecia o mercado
excedeu o estoque de ouro armazenado em Fort
Knox e, em 1971, para cada 70 dólares
circulantes existia por lá apenas 12
em ouro.
Isso
passou a gerar sérios problemas para
os países membros do acordo pois aquelas
emissões também os obrigavam
a emitirem a fim de manterem a proporcionalidade
do cambio fixo e, conseqüentemente, criavam
pressões inflacionárias em suas
próprias economias.
Charles
de Gaulle, então, exige em ouro o que
a França possui armazenado em dólares.
A América rejeita a exigência
cometendo um nítido ato de bancarrota.
A situação fica insustentável
e em agosto de 1971 Richard Nixon, unilateralmente,
anuncia o fim do acordo de Bretton Woods e
extingue o padrão ouro ou seja, a obrigatoriedade
da conversibilidade do dólar em ouro.
Os
mercados mundiais fecham durante uma semana
e quando reabrem o dólar está
desvalorizado e os principais bancos centrais
intervêm em suas economias para controlarem
a situação.
Em
Dezembro, é estabelecido o Smithsonian
Agreement com um G-10 de onze - Bélgica,
Canadá, França, Alemanha, Itália,
Japão, Holanda, Suécia, Suíça,
Reino Unido e América - fixando as
novas referências cambiais.
A
essa altura o dólar já havia
desvalorizado algo em torno de 10%. E a pressão
sobre a desvalorização continuou
até fevereiro de 1972 quando, novamente,
os mercados foram encerrados, reabrindo apenas
em Março de 1973 com taxas de cambio
livres.
A deterioração da economia americana
a partir de meados de 1960, prendia-se ao
fato de estarem engajados em duas controversas
e dispendiosas frentes de guerra: a do Vietnam,
beligerância cara no que tange ao aspecto
material - e caríssima em relação
ao moral - e a da conquista do espaço,
onde gastaram rios de dinheiro para se manterem
a frente dos russos.
E nesse particular, de concreto mesmo, a romântica
constatação, "la terre
est bleue", e muito, mas muito, mas muito
dinheiro mesmo investido nisso. A bilheteria
desse pula-pula no recém batizado "Mar
da Tranqüilidade", no entanto, não
tardaria a apresentar o custo dos ingressos.
E a maré começou a ficar convulsa.
Entre o fim da 2ª Guerra e o final dos
anos 60, não obstante a forte desvalorização
da moeda americana, o ouro continuava a 35
dólares a onça troy e o preço
do barril de petróleo subia menos de
2% a.a., tendo passado de 2 para 3 dólares.
Mas
o Smithsonian Agreement, que embutiu a flutuação
do câmbio, fez com que em 1973 o ouro
chegasse a valer 120 dólares. Ou seja,
para comprar uma onça troy eram necessários
34 barris, uma desvalorização
em torno de 70%.
Havia
um acordo com a OPEP - Organização
dos Países Exportadores de Petróleo
- de que todas as transações
deveriam ser feitas em dólares americanos.
E como a América já podia imprimir
seu dinheiro sem armazenar o equivalente em
ouro, além de conseguir manter, mesmo
que artificialmente, sua moeda valorizada,
literalmente "comprava petróleo
de graça".
E
como Milton Friedman defende a tese de que
não existe almoço grátis...
Quem
gosta de abismos deve aprender a criar asas.
Nuit
Em
1973 o Rei Faissal, da Arábia Saudita,
avisou os Estados Unidos que caso a política
para o Oriente Médio não fosse
alterada o petróleo seria utilizado
como arma. A resposta americana foi a de estimular
a 4ª guerra Árabe-Israelense.
A represália veio em 1974: a OPEP impôs
um aumento de preço e o barril mais
que dobrou, passando de 4,31 para 10,11 dólares.
Em
79, com a deposição do Xá
do Irã, é criada uma república
islâmica comandada pelo Aiatolá
Khomeini e em novembro quinhentos estudantes
extremistas tomam a embaixada norte-americana
em Teerã fazendo 66 reféns durante
444 dias. Os Estados Unidos saem humilhados
da crise.
O Irã, que com mais de 5 milhões
de barris dia respondia por 18% da produção
OPEP, baixou-a para 10% e, nos 2 anos seguintes,
para 6%. Posteriormente nivelou em 13%. A
revolução iraniana fez disparar
novamente o preço do petróleo
e o barril ultrapassou os 35 dólares
no início de 1981.
Na linha de retaliação, o Iraque
começa a vender petróleo em
euros, quebrando a hegemonia dos dólares
americanos no setor petrolífero. Após
a segunda invasão daquele país,
a moeda de pagamento foi revertida para dólar
americano.
Opondo-se a intervenção americana,
o Irã contra-ataca e anuncia que seu
petróleo poderá ser pago com
qualquer moeda, menos com dólares americanos.
Por isso, vale o parêntese, a repentina
histeria em relação à
capacidade do Irã em fabricar sua própria
bomba. Nada a ver. É meramente pelo
fato daquele país mulçumano
haver retirado a escada, deixando a economia
americana pendurada na lâmpada. E lâmpada
acesa esquenta, registre-se.
Do final da 2ª Guerra para cá,
a América não parou de investir
em armamentos. A intenção era
impedir que a União Soviéticas
implantasse o regime ditatorial comunista
no resto do mundo.
Paradoxalmente, a partir de então,
tanto a Rússia - com Afeganistão
e Chechênia - quanto a América
- com Baia dos Porcos, Coréia e Vietnã
- não obstante a sofisticação
e modernidade de seus aparatos bélicos,
perderam, absolutamente, todas as guerras
nas quais se envolveram. E mais recentemente,
mesmo após a deposição
de Saddam Hussein, o Iraque continua inconquistável
pelos americanos.
Com o Muro de Berlim se transformando, literalmente,
em peça de museu, a partir de novembro
de 1989 diminuíram consideravelmente
os pretextos para o envolvimento americano
em qualquer tipo de luta armada.
E foi então, se é que ainda
existia alguma dúvida em relação
a isso, que a América constatou que
sua economia era movida a guerras. E como
a roda da fortuna não pode parar, foi
necessário inventar novos inimigos
da paz planetária.
O Oriente Médio volta a ser a bola
da vez. E do clima de ódio que - excitando
toda a comunidade islâmica - paulatinamente,
conseguem estabelecer, para o fatídico
11 de setembro de 2001, foi um pulo. E daquela
vez a humilhação americana foi
bem mais foi explícita: dois de seus
maiores ícones, Pentágono e
Torres Gêmeas, foram atacados com sucesso
pelos fanáticos comandados por Bin
Laden.
Em
nossa escalada para o poder, iniciada há
milênios com a invenção
da agricultura,
carregamos uma pesada bagagem de antigos instintos
primatas.
como resultado, vivemos numa civilização
do tipo "Guerra nas Estrelas", ou
seja,
dominada por emoções da idade
da pedra,
instituições com características
medievais
e tecnologias que nos dão o poder de
brincar com Deus.
Edvard O. Wilson
|
Aparentemente,
a economia neo-liberal americana, fundamentada em mercados
auto-reguladores, funcionava. Porém, com regras
hiper flexíveis. Afinal, era a raposa quem tomava
conta do galinheiro.
Sem
dúvida alguma, vale a ressalva, que não
cabe mais ao Estado moderno exercer papel intervencionista.
Todavia, para se justificar enquanto arrecadador de
impostos e condutor da pacificação social
não pode eximir-se, a que pretexto for, de
ser o grande regulador das questões que influenciam,
diretamente, o bem estar do cidadão, eleitor
e contribuinte. Não há espaço
para omissões.
O estouro da bolha imobiliária americana foi
meramente pontual e nada mais representou que uma
aleatória "bola da vez". Os deuses
do hemisfério norte devem ter decidido isso
no pôquer, nos dados ou na roleta. Afinal, a
quebradeira poderia ter começado por qualquer
outro setor da moralmente viciada economia americana.
Naquela
maré de ganhos fáceis, também
embarcaram União Européia e Japão.
Canadá e México, enquanto "estados
americanos" já faziam parte desse imbróglio.
A crise atual, portanto, afeta, diretamente, América
do Norte, Canadá, México, União
Européia e Japão. Indiretamente, todo
o planeta. Afinal, a aldeia é global.
Mas
a conta dessa concupiscência financeira, com
apenas a ponta desse iceberg sinalizando algo em torno
de 10 trilhões - estamos conversando em moeda
podre, dólares - é para ser cobrada,
apenas, dos que dela participaram e portanto, muito
em breve seus atores principais serão convidados
pelo mercado a abdicarem do podium.
E como o Homem ainda não conseguiu inventar
o vácuo, estamos assistindo ao início
da era pós-hegemônica norte-americana.
Daqui para frente, os hoje chamados países
emergentes ganharão força no cenário
político, financeiro e econômico internacional.
Estamos
assistindo a derrocada de um império e a ascensão
de seus ex-vassalos. Vamos torcer para que se estabilizem
em uma convergência e, a partir de então,
já sob a ótica de um juízo maior,
caminhem juntos rumo à solidificação
de um ordenamento ético bem mais profícuo.
A
América do Norte, é bom que façamos
o registro, foi o país que no menor espaço
de tempo mais contribuiu para o avanço tecnológico
planetário ao longo de toda a sua história
e, talvez, nesse nosso brevíssimo relato, possamos
estar dando a impressão de que não gostamos
do país irmão do norte ou da própria
União Européia. Não, não
é isso não.
O
que vimos procuramos alertar durante esse relato é
que, por conta do "estado de guerra permanente",
da mesma forma em que desenvolvia tecnologia de ponta,
na exata proporção, uma série
de valores morais iam sendo descartados e substituídos
por uma competição destrutiva, amoral,
viciada, desumana, predatória.
Por
conta disso, alcançou o status de ser a primeira
nação da história a conseguir
completar o ciclo de ascensão, apogeu e queda
no mais curto espaço de tempo até aqui
registrado: um século.
Entra
para o Guiness Books como recorde negativo. E sem
qualquer expectativa concreta de revertê-lo
para um grand finale, independentemente do colorido
do discurso do presidente que por lá estiver
de plantão.
A
atual débâcle do dito primeiro mundo,
e por mais que os analistas se esforcem para encontrar
substância nessa linha de raciocínio,
não é de origem econômica e, muitíssimo
menos, financeira: é, exclusivamente, sócio-moral.
|
Quando
os ventos da mudança sopram,
alguns constroem abrigos, outros, moinhos.
Claus Möller
|
Aqui
pelo Brasil, mais notadamente a partir de 2002, a área
econômica, não obstante todos os percalços
de trajeto, vem sendo conduzida com diplomacia, discrição,
firmeza e, fundamentalmente, muito bom senso. Nada de
rompantes nacionalistas. Nada de ameaças descabidas.
Nada de promessas que não sejam viáveis.
Nada de oba-oba.
A
partir disso, nossa economia vêm conquistando
sucessivos e expressivos resultados que, em efeito cascata,
alimentam recordes que se acumulam em todos os setores.
Não
se constrói um país da noite para o dia.
Nem se o quebra, como já observamos no transcorrer
dessa narrativa. O sucesso ou o fracasso, sempre, estão
atrelados ao entendimento, ou não, de que só
é possível haver êxito sustentável
a partir da deflagração de um processo
que contemple em seus fundamentos a ética, o
conhecimento, a disciplina e a persistência.
Não
há potes de ouro enterrados nas extremidades
dos arco-íris.
Os
inéditos números da atual conjuntura econômica
brasileira nos dão a tranqüilidade de entender
que, continuando pela mesma rota que já estamos
percorrendo, os incômodos desse ajuste de contas
do primeiro mundo consigo mesmo serão, por nós,
perfeitamente contornados.
Hoje,
as exportações brasileiras respondem,
apenas, por 13% do PIB. Há um mercado interno
pujante garantindo o crescimento sustentado do país.
Ou seja, a crise é lá. A crise é
de quem a vem embalando em berço de ouro desde
seu nascedouro.
O Brasil é a única grande economia analisada
no Indicador Composto Avançado da OCDE - Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
- que não terá uma forte desaceleração
de sua atividade econômica. Essa notícia
foi muito pouco divulgada pela mídia.
Aliás,
hoje, esta nossa sociedade pós-moderna, ou sociedade
da informação, é aquela em que
as coisas não são o que são, mas
aquilo em que se tornaram. Trata-se da sociedade-espetáculo,
à qual se refere Gilberto Dupas, onde há
muita circulação de informação
e baixíssima densidade reflexiva: a tecnologia
domina o cenário da informação
criando heróis e bandidos. Os jogos de imagem
definem a essência e constituem as coisas. Por
isso hoje, mais importante que o fenômeno em si
é a sua aparência na mídia.
Aqui
pelo Brasil não é diferente. Na contra
mão da história, e completamente descolada
do ambiente democrático, salvo raríssimas
e honrosas exceções existe uma mídia
tresloucada que, como se ungida por algum deus subalterno,
ignora os fatos e cria, acima do bem e do mal, versões
próprias, como se estivesse a soldo de partidos
políticos interessados em desestabilizarem a
equipe governamental a fim de ampliarem suas expectativas
de assumir o poder em 2010 ou a serviço do corporativismo
de determinados segmentos que pretendam, momentaneamente,
aproveitarem-se de falsas notícias pontuais,
em detrimento da tranqüilidade de toda a sociedade
brasileira.
Entretanto,
esses comportamentos nocivos não conseguirão
adernar o país. Tanto esses maus brasileiros
travestidos de jornalistas quanto os que deles se utilizam
para perpetrarem seus desígnios egoisticamente
perversos, acabarão afogados na marola de uma
crise que não chegará por aqui.
Serão
rechaçados por uma sociedade que não mais
tolera a charlatanice, a indignidade, a falsa devoção,
o jogo sujo, a hipocrisia, "o gosto de levar vantagem
em tudo, certo?".
Não
existe terra estrangeira. Estrangeiro é o viajante.
Robert Louis Stevenson
Essa
crise, muito benéfica ao contexto mundial se
a olharmos sob um prisma de médio para longo
prazo, se transforma em divisora de águas.
Destruindo
bezerros de ouro e templos que, ainda hoje, dependem
literalmente de sacrifícios humanos, possibilita
que, finalmente, emirja uma consciência planetária
mais ajustada com os anseios de uma modernidade que
se cunha nos contornos da disseminação
do conhecimento, do respeito pelas diferenças,
do trabalho produtivo, da remuneração
justa, do consumo parcimonioso, da eliminação
das ancestrais e caducas querelas territoriais e religiosas
entre os povos e do sumo entendimento de que, em momento
algum da história, houve algum registro de que
tenha sido bom ganhar sozinho.
Somos
animais sociais por excelência. E portanto, contrariamente
a lei da física, nas relações humanas
os opostos não se atraem. Assim sendo, quantos
mais iguais houver tanto melhor. E isso só é
plausível de ser conseguido na medida em que,
mais e mais, nações e pessoas consigam
inserir-se e usufruir das estupendas conquistas perpetradas
pelo Homem até então.
Nesse momento histórico para a humanidade, e
do qual somos todos protagonistas, ao empresariado brasileiro
sintonizado com a modernidade cabe não se deixar
levar pelas alarmantes notícias de uma mídia
irritadiça, nervosa, histérica ou, em
alguns casos, pior que isso, venal, e continuar gerenciando
seus empreendimentos com ética redobrada a fim
de não descolar os seus negócios de uma
massa consumidora interna que emerge pujante.
É
necessário que nos apercebamos que não
somos mais uma nação de vira-latas e que
a hora de crescer é agora. Ou melhor, de continuarmos
crescendo. Não há crise no Brasil. Pelo
contrário. O que há são inéditas
oportunidades.
Comungar
desse juízo, no entanto, é questão
de foro íntimo, é inalienável,
sagrado e personalíssimo entendimento de cada
qual.
A
avaliação final de sua vida não
será feita pela apreciação de quão
bem você viveu,
mas sobre quão bem, ou não, viveram outras
pessoas por causa de você.
William Henry Gates III
publicado
no site da ABEMPI - 2008
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