Nasceu do Velho
Jose Altino Machado
 
Dia quinze último, nasceu um menino lá em casa. Nome Marco Túlio.Um rapagão. Forte, sadio e enorme, como disse o pediatra Ronaldo Lacerda. Nos encheu de satisfação, orgulho e claro muita vaidade. A mãe dele, Soraya, nem com as dores do parto, perdeu simpatia e beleza.
Na sorte da vida, entrando na sala de parto, ainda nos desce um anjo negro, que atendia por Zenilda. Parece que foi por uma graça de Deus que Paulinho Chopila, conseguiu ser irmão dela. Enfermeira capaz, querida por todos, lá apareceu para ajudar e assistir a chegada do “pingo de gente”.

Saí da maternidade, satisfeito e tranquilo. Tudo correra para lá de bem. Fui para casa dormir, pois o que era meu de coração, estava muito bem guardado e resguardado.

Nem bem arrancara com o carro, um “amigo” passando, curioso, pergunta o que eu estava fazendo ali pela maternidade. Eu bem doido de vontade que alguém me perguntasse, me achando com a bola cheia, respondi atenciosamente, repassando até pormenores do acontecimento. Tais como, peso, medidas etc, etc.

Foi o bastante, para que ele, ao invés de aproveitar e curtir comigo aquele momento único, retrucasse surpreso, de como na presente idade, eu me permitia ter filhos. Ainda saiu com aquela “que qui é oh cara”!?

Fiquei meio passado, olhando a figura, sem saber se cantava a famosa “pedra noventa”, se entendia como elogio, ou se ficava calado fazendo de conta que não captara a mensagem. Resolvi optar pela última e fui embora sem responder. Quase que ele conseguiu me roubar um pouco de alegria, mas ao invés, entrei numa profunda reflexão:

Afinal, quem inventou ou estabeleceu regras e idades para que as coisas pudessem existir?

Quem fez da liberdade da vida, programa tão ortodoxo e rígido?

Menino ainda, já escutávamos muito de mãe, que éramos velhos demais, para alguns comportamentos travessos. Lá perto dos catorze, quinze, tínhamos em nossa cidade uma doçura de zona boemia. Se íamos para lá, na corrida da Polícia, esbaforido ainda escutava de meu pai, que era bem feito, que lá não era “lugar de menino”.

Santa incoerência da vida e confusos raciocínios. Para os prazeres da vida as idades se tornavam e sempre se tornam as avessas... e parece que tudo é assim mesmo.

Para o trabalho, nas solicitações publicadas, sempre discriminatórias, já chamavam apenas os jovens aptos dos dezoito aos trinta e cinco. Todo concurso era ou é assim. Sempre preocupado em os ler, quem sabe da necessidade do dia de amanhã,...dizia para mim mesmo, “to dentro”... Passadas algumas primaveras, só podia dizer to fora...e lógico ficar sempre surdamente xingando quem fazia tais idiotas e agressivas chamadas de “seleção”
Chegando aos cinqüenta, aventurando passar por eles, pós cinco ponto cinco, pouco nos desejam e nos tornamos chatos coroas, tidos como estraga festas e também chamados maldosamente de “titios”. Até em relação as mulheres, se reunir simpatia e gás para conseguir algum afeto, amor ou sexo bom, a surpresa é geral, podendo ainda ser atribuída a sorte, ou a triste e única questão de dinheiro.

Agora depois dos sessenta, a coisa até ofende. Tem moçoila, que diz, que “velho assim” tem ate cheiro. Lembranças paternas é possível... Alguns tanto criticam e se satisfazem “gozando”, que parecem que jamais chegarão àquele estágio e idade.

A própria lei é para lá de sacana. A aposentadoria é compulsória. Não interessa se é bastante experiente, se é bom de serviço ou seja lá o que for, a ordem é sair da frente que atrás vem gente. Desocupe...

Uma coisa, porém consola quanto a ter filhos na idade de avô. Imagino que se não fosse para tê-los, a certa altura da vida, Deus estragaria a ferramenta usada no plantio. Se ELE não fez ou faz isso, uma boa parte da responsabilidade é DELE mesmo...

Salve Marco Túlio, que seja um homem sábio, marcante, saudável e consiga fazer as mulheres felizes, sem contar tempo...

21/02/2005

 
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Acabou a Festa, Acabou o Sonho
 
Jose Altino Machado
 
Foram momentos de alegria e exaltação a chegada de Luiz Inácio “o Lula” ao poder. Para a posse, não deixou de comparecer o velho Rolls Royce, símbolo máximo do sistema aristocrático, conservador e principalmente capitalista. Meio todo aquele populismo achei de mau presságio aquela presença negra, que na ocasião me pareceu imprópria e sinistra. Comprovando isso, tal símbolo, reconhecido mundialmente como de alta qualidade industrial, enguiçou seu motor e acabou empurrado pelo povão, assim como o Brasil.
E agora “taí”, olha o que “qui” deu!

Por sua eleição para presidente, presume-se, lógico, que aconteceu a realização do sonho e manifesta esperança, de mais da metade dos eleitores brasileiros. Coisa que vinha de longa data. O Partido dos Trabalhadores explica e diz que é do tempo de sua criação, à maturação e espera para alcançar tal meta, mas com certeza é bem mais que isso. Desde o estabelecimento da República, jamais a natural vontade popular, sem nenhuma maldosa indução ou convencimento, havia assumido o poder.

Muita gente como eu, entretanto, acreditou. Se tudo desse certo, maravilha, senão, pelo menos modificaríamos a forma e cultura de oposição, que seria menos radical. Afinal, estava dada a oportunidade.

Não sou absolutamente um extremado esquerdista e muito menos um tresloucado populista. Apenas, sempre achei o país exageradamente voltado e até de modo parcialmente tendencioso, à direita. O caminhar para a pura, simples e violenta resposta, nas reações advindas por rebeldia pelas exclusões e negação de oportunidades, torna-se cada vez mais rápido e perigosamente mortífero à nossa vida, mostrando o acerto de meu raciocínio. O ruim, o violento, o bandido rico, o ladrão, o reles e conquistador traficante e o confronto deles com as organizações do Estado, estão se tornando cultura geral.

Transgressores estão presentes em todas as atividades exercidas país afora. Tão disseminada esta a impura intenção, que só um homem eleito por voto, participante de nosso Congresso Nacional, ao ser pilhado roubando, como tantos outros, provado mais tarde, para não cair sozinho, por vingança, entregou todo mundo. Sua particular revolta, pelo insucesso na desonesta “sociedade” com o dinheiro publico, terminou por levantar o manto que encobria o lixo e as pragas, que o sistema democrático permite existir. Maldição que o corroe, e faz muitos sonharem com sistemas totalitários.

Recaiam as culpas a qualquer dos lados ou “autoridades”, mas era e é, na melhor das idéias, gente demais envolvida com a falcatrua, para que se ficasse tanto tempo sem conhecimento do que se passava, chegando a ponto de depender do flagrado boquirroto. A ausência dos costumeiros políticos, arvorados como dirigentes da nação nas atuais sindicâncias, deixam claro haver comprometimento com tais costumes fazendo-os parecerem antigos, em todos os tempos e outros governos.

O resultado do que agora ocorre, me parece trágico. Queira Deus, que tais tristes questões, ceifem apenas os homens maus, dos caminhos da vida nacional, no que, lamentavelmente, eu mesmo já não sou tão crédulo. Embora discretamente, acho que vão parar por aí... Estou convencido que para eles, se tornou desastre apenas por chegar ao conhecimento público. E se forem esmiuçar, podem chegar ao império, com D. João VI.

Para eles, no momento, mais importante que a punição, é destruir o PT, e tudo que ele representa. Principalmente a descarada exposição de correção e honestidade que ostentava e exibia como se fora monopólio seu. Não era...

Pelo sucesso do projeto de chegada ao poder, os tinha como muito inteligentes. Também nem tanto...

Imagino que os opositores não desejam, absolutamente, afastar Lula da mágica cadeira presidencial. Nem por pensamento cogitam dar vez ao vice existente, que aguarda ansioso. Só se acontecer um clamor das massas, dizem, sua vontade será feita, que Lula apenas segure o lugar..

Lastimo muito o que tem ocorrido e com santa incoerência, o país esta até bem. Para os bancos então, lambem os beiços, com tais balanços e lucros...

Em nome da política, espertalhões de plantão, já estão fazendo até pesquisas eleitorais para um novo presidente. Um caso de polícia e que deveria dar cadeia, acaba por produzir, apenas, profunda alteração dos anseios da sociedade, na maior instituição nacional, a Presidência da República. Como se fosse novidade...

Andam falando em reforma política. Não vai dar lá muito certo. Serão trocados só os incompetentes que se deixaram apanhar... “Qui” coisa “sô!”

Sem falar dos filhos, “tô” com pena até de meus netos e as novidades que os esperam no futuro.

 

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Ambição, Mito e Eleição.
Jose Altino Machado
 
O Brasil sempre foi país de cabeças coroadas. Teve seu início com reis, príncipes, nobres, chegando a imperadores. E essa cultura, acabou transportada para a República a partir de 1889, na criação de eleições para escolha de representantes e mandatários. Também com ela surgiria nosso carma em provocar seleções de falsos desejos populares, supostamente de origem democrática. Tanto que nelas, mulheres não votavam, analfabeto também não e os candidatos seriam sempre aqueles que “democraticamente” a aristocracia política recém criada, apresentasse.

Os partidos políticos de então, alguns compostos com leves ou radicais tendências filosóficas, nunca chegaram a influenciar muito a população, seguindo sempre na garupa de outros, regidos de um lado pela elite intelectual da ocasião, de outro, por representantes da forte economia do campo. As disputas seguiam desta maneira, obedecendo sempre a ritmo de tolerâncias e alternâncias no poder. Quando algum deles cometia exageros em seu exercício, a resposta vinha sempre rápida e muito dura, sob a forma de ditadura. Mas, no geral os políticos vencedores respeitavam os perdedores e sua forma de oposição. Os vencidos por sua vez passavam a aguardar sua hora, trabalhando com afinco para tornar ou retomar ao poder. O importante é que existiam regras, não só escritas, mas também nas condutas pessoais e nos grupos políticos, com as forças convivendo e buscando respeitosamente acomodar seus interesses.

Mudanças surgiram quando completávamos 98 anos de República e outro tanto e vezes de votações, já contando com votos femininos. Explodiu na lei, um plano vintenário de poder e uma surpreendente vaidade pessoal atropelando todo o esquema, desarranjando completamente a estrutura das concorrências e suas alternâncias, que aconteciam com “bênçãos” de eleitores. Na presidência, um resolveu que poderia ser reeleito descaradamente, “ajeitando” para isso, mudanças na Constituição, coisa que nem os generais ditadores a seu tempo pensaram em fazer. Nada importou, em enterrar de vez, o decoro político e a tão carecida vergonha parlamentar do país. Bocado deles, congressistas, tornou-se mercadoria comprável.

Ele não imaginou, era que com o sucesso da pretensão, todas as outras lideranças na espera e marginalizadas, iriam começar uma operação surda e discreta de desmonte de seu governo e imagem. E foi para o desastre. Terminou seu mandato com a economia empobrecida, moeda de troca americana supervalorizada, chegando à casa dos quatro reais, a poupança popular representada pelas estatais vendida a preço vil, malha rodoviária liquidada e o retorno da inflação, atingindo fatídicos 25%. Acabou-se no tão querido e desejado segundo mandato, com altíssimo índice de rejeição. A vingança sobre o “usurpador” já enfraquecido e seu candidato à sucessão, foi o ajuntamento de todos em torno do costumeiramente perdedor sindicalista, o LULA.

LULA chegou com tais reforços... Em princípio, controlável, depois... Bem por este “depois”, toda a aristocrática política nacional já não gostou e quer o leme e a chave do cofre de volta. O que deveria ser fácil na presente eleição! Deveria, entretanto, complicou e muito. Os muito pobres, pobres e pouco ricos, razoável maioria, aprenderam e perceberam o tamanho de sua força, nem mais querendo saber o que é, e de que é feita sua liderança, ainda que possível fantasma de Antonio Conselheiro. E presidente, Lula com a coleira solta, bem esperto, o tempo todo fala o que o “povão” quer ouvir, restando aos outros, sem maiores ou melhores projetos, somente insistir na destruição da competência, da moral e do comportamento presidencial.

Estabeleceu-se agora, em primeiro turno, confronto direto entre tão diferentes culturas, pensamentos, posicionamentos e riquezas. O Brasil rico e os que se sentem seguros na prosperidade votaram pela substituição, a banda de pouca renda e baixa perspectiva, na permanência. Uma queda de braço e tanto!!

As urnas chamam novamente e eleição só depois de apuração, que se aguarde o resultado. Porém, seja ele qual for, temos que torcer para que o Brasil não seja o perdedor, que vencidos aceitem a derrota e somem para bem nacional, com qualidade e excelência na oposição. E que o vencedor, não se acredite infalível, inalcançável e superior a tão divididas forças, entendendo principalmente que não existe segurança e paz, se não com a justa participação e união de todos.

 

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Adeus às Armas
Jose Altino Machado
 
Em minha juventude, arma das boas para dar tiros nos outros, se chamava garrucha. Lembro-me até, que a mais famosa era uma francesa, cuja marca era La Porte. Meu vô Machado, não as admirava muito, por serem sempre de calibres menores, com fino acabamento. Dizia ele, que eram armas para “xibungos”, e completava manifestando sua preferência pelas 44, que todos consideravam o que havia de melhor, para uma parada de tocaia atrás do toco.

Os revolveres eram sempre Smith ou Colt. Havia um terceiro, mas bem desmoralizado e que só era usado por pistoleiro de segunda classe. Um tal de HO. Mascava tiro adoidado. Se não logo no primeiro, no terceiro “faiava”. O que fez alimentar o dito popular das boas qualidades na ajudância da vida. Todos afirmavam: -- “Revolver é Smith, caminhão é Chevrolet e geladeira é Frigidaire”. Para não ficar de fora e não parecer que esteja fraco de memória, ainda havia, nos qualificados e queridos bens de família a famosa Winchester, papo amarelo, também 44. Um tiraço, um balaço, um defunto.

Eram objetos, que até com carinho se misturavam aos “panos de bunda” e tradição de qualquer família brasileira. Longa participação e histórica união mantiveram com homens no desbravamento das gerais, caatingas, pantanais e pampas.

A grande diferença, em relação aos dias de hoje, é a qualidade dos homens que estavam atrás delas. Eram mais homens de verdade e na maioria das vezes, os que ficavam na frente tinham mais é que ficar. Eram bandidos bem merecedores. Como também, por vezes foram instrumentos de equilíbrio do fraco ante o forte.

Hoje a avacalhação é geral. Mata-se com uma facilidade e covardia Ímpares. Escreveu não leu, o tiro comeu e mais um morto na galeria das estatísticas do governo.

Bem por isso, conto com séria possibilidade de ser mais inteligente do que o Presidente da República e de muita gente com mandato. A não ser que todo mundo seja movido a interesses e conveniências ou só burrice mesmo, torna-se difícil aceitar, que imaginem o atual morticínio na sociedade brasileira como resultado da venda e comércio de armas. Não é possível!

Estão brincando de governar e abusando da boa fé de gente inocente, que bem acredita na poética idéia do desarme geral. Que outra explicação teria então, para ser tão complicado perceber que o emprego e o uso excessivo de armas signifiquem desagregação social, falência de educação e desajuste de comportamento por desigualdades em rendas e oportunidades? Já publicam descaradamente a queda em números, de vítimas de armas de fogo, sem dizer que muito aumentou se fazer morrer, com outras “ferramentas”, tal como faca e até cacetes.

Esta é uma triste realidade muito nossa. Estamos com muita gente raivosa e rebelde em nosso país. Piorando tudo, a droga com circulação garantida, pelo forte poder aquisitivo, das mais altas e educadas classes do Brasil, tem concorrido bastante na formação de bandidos ricos, aos quais, conseguir arma é coisa de espantosa facilidade. Transgressores, jamais haverão de adquiri-las em comercio legal, nem nunca iriam legalizá-las. O que por si só, traz um grande abismo entre a maior segurança deles e a muita desgraça que é só nossa.

Quem mais esta matando são homens, o mais, são tão somente instrumentos. A fé, o respeito e religiosidade estão desaparecendo. Tirar vida alheia tornou-se coisa sem maiores conseqüências. Parecem mesmo entender que Deus esteja de costas e sequer a Ele, tenham contas a prestar. Essa palhaçada de desarmamento é jogo para torcida, incautos, principalmente eleitores, à falta de apresentar melhor planejamento do que fazer. E a medida é bem eficaz, para os próprios bandidos, que haverão de denunciar às autoridades, residências que ainda disponham de armas, para em seguida, assaltá-las com maior facilidade.

A idéia também é cretina. Números, sempre números, mostram que a maior tragédia da morte, esta nos carros. Tanto que, podemos nos considerar sobrevivente deles, mas nem por isso, deixarão de ser fabricados.

O homem, mais que os esperados cavaleiros do apocalipse, já chegou, e é um animal difícil. Sua vida e seu espírito, além de se lhe dar maior respeito, precisa ser acalmada e amansada.
Só a imbecilidade não reconhece, que a violência sempre se acaba com melhor cultura, educação e justiça.

 

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Do Jogo à Procriação
Jose Altino Machado
 
Esse Robertinho Cortes tem cada coisa, que vou contar!! Como o “jovem” grisalho é difícil!! Sempre brigando ou contando vantagens das boas. Nunca perde em nada para ninguém; entretanto quase sempre no particular joguinho de buraco, eu com a mulher ou com o Paulo Chopila, estamos constantemente a sangra-lo. Porém, tem hora que ele com inteligente lucidez, externa raciocínio claro e objetivo. Ainda outro dia lá no Garfo Clube, local das continuas sangrias, ele doido para desviar o assunto do jogo onde não levava vantagem, começou a falar de politica. Logo no principio do falatório olhei enfastiado para ele com cara de quem diz, joga logo pô... porém ele não ligou e foi em frente:

– “Gente, não posso entender porque aqui no Brasil as pessoas nunca vão a origem dos problemas. Fica todo mundo passando remédio e pondo curativos nas mazelas do povo brasileiro e no entretanto, no motivo ou na causa ninguém cuida ou toca”. Jogo parado, ele foi continuando: –“Vejam vocês, ha coisa de 25 ou mais anos, durante o governo militar falou-se muito em controle ou planejamento familiar. O governo chegou a propor a questão em âmbito nacional com o apoio de muita gente, entretanto, lembro-me, que foi suficiente a Igreja e outras organizações se insurgirem em confronto a idéia, para não mais se falar no assunto.

Agora o resultado esta aí. Com a liberação originada na cultura de nossa gente, sem camisinha e sem dinheiro para pílula, a única safra que não nega fogo no Brasil é de menino. Todo ano é bocado bão, com bastante sobra nas ruas para governo e policia cuidarem.” Prestando atenção, fui aos arquivos de minha memória buscar o que eu pensava a respeito daquilo que ele dizia.

Nunca pude realmente concordar, diferente do adversário em jogo que foi direto à causa, é com as atitudes das pessoas responsáveis pela condução da nação. É um silencio para la de cretino, ainda mais que se sabe que a grande maioria de políticos também pensam como o Roberto, mas nada dizem por medo e receio de perder votos ou política, nas reações que podem surgir principalmente do lado religioso. Ficam inertes, calados como se nada fosse com eles.

Por meu lado, jamais responsabilizei nossa gente, e muito menos os pais de grandes proles por acontecer isso. Não se pode deixar de saber, principalmente, o constrangimento que eles sofrem na vida e no lazer, por serem mantidos em casa, por força de falência econômica. Uma transa no lar , pode não ser tão divertida ou prazerosa, mas é infinitamente mais barata que com a mulher da esquina, uma ida ao parque ou cinema. Ca entre nós, até desemprego traz aumento de natalidade, afinal, a manhã é quente, a cama e posição boa, já de pouca roupa, nada para fazer, a mulher alí do lado, ação e ereção são mais que naturais. Melhor fazer isso do que ficar se preocupando e pensando para que acordar. Marido à-toa dentro de casa é chinelada certa na patroa.. Por isso mesmo quem tem o que fazer, se ficar.. é só olhar o apagão de Nova York ou a enchente de 79 em Governador Valadares, nove meses depois...

No mais, na cultura latina já imaginam que o Estado é o grande patrão, e em nosso país a politica instituída e a eleitoral, se esforçam para dar-lhe também um cunho paterno. Por isso é válido imaginar, sem culpa para os pais, que o governo que com tal postura, participou como responsável, na obrigada sacanagem e posterior parição, seja também obrigado a instituir saúde, educação gratuita, seguro desemprego e Fome Zero.

Nosso hino já diz: –” Dos filhos desse solo és mãe gentil”... por isso sou convicto que, nós não somos naturais brasileiros, nós somos é filhos do Brasil, embora para uma boa maioria ele nem seja tão gentil.

O Brasil com sua cultura é bem problemático, mas no jogo o Roberto bem poderia melhorar... não é tão difícil, pisadura deixa marca.

 

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O Burro do Português
Jose Altino Machado
 
Ridicularizar a inteligência portuguesa é um hábito bem antigo do brasileiro. Segundo nosso folclore e banco de piadas, algumas até de mau gosto, eles além de pouco espertos, são “burros” mesmo. Fica, entretanto, a grande duvida, se é sacanagem nossa para com eles, porque eram os colonizadores ou se é verdade. Brincadeiras à parte e analisando fatos históricos e seus feitos, temos que mudar de opinião tão depressa, quanto eles mudaram o mundo.

Os ingleses eternos piratas, sempre arrotaram a vantagem de terem se tornado o único e grande Império, onde “o sol nunca se punha”. Assim procediam, por levarem em conta, sua britânica bandeira, que tremulava em todos os cantos do globo. Isso, porém, nunca foi uma sólida verdade. Quase cem anos antes, os portugueses já tinham pontos comerciais nos mais longínquos lugares e continentes. Aliás, os ingleses só conseguiram sucesso em navegação de longo curso, ao afundar um navio de “patrícios” e de lá roubar os portulandos, únicos mapas possíveis à época.

É de Portugal, a invenção das caravelas, que tão profundamente possibilitou o transporte marítimo em todo planeta. Nunca se teve muita curiosidade, em saber a grande diferença de caravela para os outros barcos que existiam. Correu muito tempo para que eu próprio soubesse, que ela adquiriu vida, com sua notável capacidade de navegar contra o vento. E quanto mais forte melhor. A descoberta foi classuda, e resolveu um problema que tinha a idade da existência do homem. E não ficaram só nisto.

De descoberta em descoberta, passaram de tratado a tratados, que nem sei porque tratavam, já que ninguém cumpria mesmo. Porém com eles, conseguiram empurrar os espanhóis, para o outro lado do continente sul-americano, ficando com tudo de bom que do lado de cá existia, isto é nós. O que hoje temos que reconhecer, não foi um negocio tão bom.

Mas, o interessante, é que na seqüência, um rei, também português, para eles João III, para nós o Iº João, ao perceber o vulto da conquista, viu logo que seria difícil a um país pequeno e de poucos habitantes, manter posse de algo tão gigantesco e maior centena de vez, que o velho “PortoCalle”. Esperto, mais que depressa, dividiu o colosso em regiões administrativas, (capitanias hereditárias), com “donos” submetidos à sua Coroa. Sua idéia era que se muitas dessem errado, social e economicamente, as poucas de acerto, assegurariam o patrimônio todo. Assegurou...

Mais tarde então, o Marques de Pombal, entrou “rasgando”. Pagava pontualmente, boa grana, para que acontecesse casamento de português ou gente aqui nascida, com os indígenas. Se Portugal tinha pouca gente, ele queria fabricar bastante aqui. Deu certo, mas como efeito colateral, a raça ficou um tanto indolente.

Sem que fosse percebido, pelo arranjo político, cada uma das divisões político-administrativas, adquiriu cultura, disciplina e desenvolveu vocações próprias, mantendo governo regional, com simpatia natural a cada gente do lugar. O único grande erro, ficou por conta da rica e bem desenvolvida comercialmente, região da nossa Minas Gerais. Sempre se pensou, que fôramos nós os grandes mineradores e descobridores das riquezas, o que nunca foi, entretanto, verdade. Os paulistas é quem faziam tais coisas nessas bandas. Nossos bons e mais cultos antepassados mineiros, só faziam política e com o objetivo voltado à tomada do poder. Tivemos até conterrâneos enforcados por causa disto. E ficou bonito na história!

Mas, eles, portugueses, alcançaram todas as suas metas. Até ao se livrar do Brasil, quando ele começou a dar muito trabalho e ficar caro. Quanto a nós que restamos, “muito mais inteligentes” que eles, estamos em dificuldade monstra, para administrar este filho deles, hoje, bastardo. Uma crise moral, política ou econômica, atrás da outra. Ainda convivendo sempre com a ironia, de que até quando tudo vai bem, facções contrárias, travam bom combate, para advir desgraça e com ela, então recuperarem o poder. Têm se tornado incompreensíveis, às intolerâncias e as extremas dificuldades, das atuais convivências e conveniências políticas.

Acho que, bastaria apenas reconhecer, que o Brasil é “multi- pluri-variável”, por herança e história. Por isso temos que conhecer bem nossa gente e o país que ocupamos, para melhor tomarmos conta da Nação que formamos.
Que coisa sô... E nós é que não somos burros...e se fossemos?

 

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O Estigma da Segurança
Jose Altino Machado
 
Faz parte da cultura de nossa gente, acreditar que coisa ruim, só acontece aos outros. Jamais importa muito, o que vai além do muro de suas casas ou além da fronteira de sua visão. Notícias de violências em outras cidades, o exagero da desordem social e total insegurança do bem material, parecem tão longe, que não faz muito a cabeça do brasileiro, preocupando-o com a tranqüilidade do conjunto.
Se o assunto então, é crime, homicídio, violência, drogas e outras coisas do gênero, pouco importa, desde que não lhes atinja o seio familiar. Está em nós, acreditarmos que a desgraça e o mau, só chegam à família dos outros ou no máximo ao vizinho. Somente filhos do alheio, sempre estarão ao alcance de tais desditas, os nossos, jamais, nunca! O assunto, por isso é difícil.
Até que acontece, e elas batem à nossa porta.
Segurança social e combate a violência no Brasil, cria tanto discurso, que se estabelece a ilusão, de que todos a entendem ao exagero. Extremamente complexas, não constrangem “especialistas”, que sempre aparecem sem se acautelar ao dar palpites, achando quem os escute. Talvez bem por isso, estejamos a andar em círculos, sem encontrarmos melhores caminhos e projetos para novas soluções.
Na reconstrução do Estado brasileiro em 1988, quando surgia uma nova constituição, um assanhado deputado do Rio de Janeiro, queria a qualquer custo a instalação da pena de morte no país. Nenhum sensato e ponderado arrazoado amenizava a radical idéia que tinha. Estava bem convencido, ha 18 anos atrás, que a pena capital seria o remédio único para deter o avanço forte da violência e desestabilização interna. Chegou a se cogitar em remeter a decisão de sua aplicação, aos estados da federação. A idéia não prosperou, ficou tudo como era e do jeito que estava apesar de sombrias projeções quanto ao futuro. Embora não sendo partidário de pena capital, reconheço ter sido a ultima idéia inovadora que se teve no Brasil para o setor. Depois disso, só bobagem!!
A intenção que parece mais comum é responsabilizar nossos aparatos de segurança, taxando-os de ineptos e com injuria, de totalmente corruptos, sem nenhuma observação ao desinteresse e descaso político, para soluções reais.
Há pouco, apresentaram como equação mágica, a unificações das polícias. Novidade moderna que seria única, se não fosse uma grandíssima besteira. Esquecem sem dúvida, que de similaridades, as polícias só têm o nome. No mais, tem funções totalmente diferentes.
As polícias civis estaduais, únicas processantes e com capacidade para prender alguém, tem ido devagar, quase parando, cerceadas pela falta de recursos e meios ao exercício de suas funções. Policiais se constrangem socialmente, pelos baixos salários recebidos e com a carência profissional exibida.
As polícias militares, no papel maior de força de segurança preventiva e ostensiva, foi apunhalada pelo vírus da política nacional e hoje, vão, lamentável e vagarosamente, sendo corroídas internamente, por inadequado código de ética, que tem regido seus quadros e comportamento. Um instrumento não muito ajustável aos objetivos de sua existência e a uma força armada
Outras forças e fiscais da legalidade têm feito das redes de televisão e imprensa geral, fieis escudeiros, substituindo os ritos, processual e judiciário por execração pública, que atropelam a justiça e que provocam revoltas. Um caminho perigoso esse de teatro com a lei.
Como agravante, em toda discussão, têm faltado sociólogos, professores e melhores bancos de escola, meios mais verdadeiros de se deter a operosidade das usinas fabricantes da marginalidade. O Brasil, mais que renda, precisa equilibrar sua educação e conseqüente cultura, uma vez que tudo é decorrente delas. Temos criminosamente ignorado crianças em ruas, talvez por também, não serem nossos filhos e não nos importarmos muito por estarem ali, o que só acontece quando elas nos trazem a violência.
O problema maior, é que um bom projeto de ordem pública, com toda a abrangência necessária, mesmo com recordes de implantação, leva anos ou praticamente uma geração. E isso, político daqui não faz, por ser algo, que não se traduz nos imediatos votos. É complicado...
 

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Olha o Circo aí minha Gente!
Jose Altino Machado
 
Senhoras e senhores, abrem-se as portas do maior, do formidável, incrível, bem brasileiro circo eleitoral. Daqui para a frente prepare seu coração e esqueça a razão, para as historias que haverão de contar.

Já nestes dias de março, estão todos a afiar inteligências e espertezas para os confrontos em urnas que acontecerão. A disputa agora será bem importante, afinal trata-se de ocupar a cadeira mais alta, de um município de grande relevância e orçamento. Invejável, sem medo de errar, podemos dizer, cobiçável.

É o tipo de cargo que atrai muita gente, principalmente quem já passou por ele, que mesmo prosseguindo carreira para mais altos cargos, alguns até valorizados como deputados estaduais, levam o corpo para a capital, mas o espirito e os olhos estão sempre voltados para trás. Parece mesmo morrerem de saudades dos tempos das venturanças prefeitiças.

Embora com obrigações nas novas ocupações, continuam sempre por aqui, naquela de casamentos, aniversários, festas de prêmio do colunismo social e num “trabalho político” para lá de macabro, velórios. Ainda costumam pegar em alças de caixão, na ajudança da marcha para o além, daquele que não vota mais, mas que deixa família e amigos com titulo de eleitor no bolso e em dia.

Poderão então agora, verificar o fruto de toda essa representação e sua utilidade na campanha que se aproxima. Antes disso, como toda politica não muito chegada à honestidade real, virá aquela fase de comportamento: “-Não, eu não queria ser candidato, nunca quis, mas o povo quer”. E continuam: -“Vou para o sacrifício pessoal, as pesquisas indicam que o povo e a cidade assim o querem e precisam de mim”. Tudo isso, lógico, depois de fazerem circular resultados de particulares pesquisas fajutas que agradam apenas seus interesses.

Do lado das promessas, as mais mirabolantes. Como todo mundo, principalmente os jovens, carece de emprego, evidente haverão de prometê-los aos milhares. Quanto ao setor de segurança publica, não darão tanta importância porque é perigoso para eles, ou para alguns pelo menos, sucumbirem recolhidos, numa melhor eficiência dele.

Quanto às industrias, mesmo sem jamais apoiarem as que aqui existem e outras que existiram e foram embora desenganadas, haverão de dizer que trarão outras imediatamente para o município. Esta é a melhor “mágica” do circo. Há uma tal de coqueria, bem falada por aí, até o Diário do Rio Doce e meu amigo Antor acreditaram, que já há cinco ou seis diferentes eleições ela comparece como “ industria eleitoral”, numa flagrante falta de inspiração até para enganar.
Aos meninos que votarão pela primeira vez ou no máximo uma segunda, haverão de se vender em sonhos e ilusões numa qualidade pessoal que jamais alcançaram.

Aos nossos pobres e carentes, iludirão com falas de os levar a dias melhores, e criar tão imaginosas, quanto falsas farturas.

Como de costume haverão de bater às portas das empresas que trabalham para o serviço publico, principalmente concessionárias do transporte, pedindo “dinheiro” para a campanha, ofertando a garantia de que uma vez vitoriosos , concederão aumentos de passagens compensadores, ou em renovar antecipadamente a concessão, mesmo sabendo que assim procedendo, transmitirão para os bolsos dos usuários delas, o custo de suas falcatruas.

Portanto, com tantas participações em pelejas da vida, pude acabar por concluir, que o maior poder de atração para o cargo de prefeito, não é bem político, nem só a capacidade de nomear os seus para bons empregos, mas sim aquele cofrão, de burra cheia que parece ser de ninguém, mas que está lá na prefeitura.

Que sejam fechadas logo as circenses portas de toda esta encenação, pois, nela, a única ocupação sempre reservada ao povo é a de palhaço...

Jose Altino Machado

28 - 12 - 2004
 

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Jose Altino Machado