Pedagoga, Artista Plástica sem formação acadêmica. Participou de exposições nacionais e internacionaïs. Premiada pelas
Academias de Arte do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.É Membro da ABRAP e da UBAP.




TEXTOS E PREMIAÇÕES


 

A Viagem - 15 de abril de 2005
Maria Alice Antunes
 
Acabo de chegar de uma visita que fiz ao Professor Vianna.Encontrei lá, o Rogério Florence, que teve a mesma idéia que eu. Dar ao Mestre o nosso último abraço, antes da viagem que fará domingo, para João Pessoa.

Ao retomar o caminho de casa, deixei o pensamento voar...

Professor Vianna foi o segundo professor que me acolheu em sala de aula, no meu primeiro dia no CNF. Primeiro, foi o Professor Abreu Saber, que me designou a segunda carteira da primeira fila, do lado esquerdo da mesa dos professores.

Cheguei numa sala grande, escura, que ao bater na porta pelo Professor Daniel (Orientador Educacional), abriu-se em banda e de lá uma voz em tom engraçado aos meus ouvidos, recebeu-me e indicou-me um lugar próximo ao projetor de slides. Era uma figura baixa, que achei gordo, com uma voz forte , rápida e o que falava, eu pouco entendia. Pareceu-me estrangeiro. Aquela voz que cadenciava as palavras de uma maneira diferente ao que eu estava acostumada a ouvir (O Brasil para mim, era o espaço entre a casa dos meus pais no Rio de Janeiro e a casa e os amigos de Nova Friburgo . Todas as vozes diferentes que eu ouvia e que passeavam pelas minhas casas, eram de pessoas vindas de outros países, estrangeiros de fato.Naquela época, não conhecia nada além daquilo. Por isso, achei de pronto, que aquele baixinho, quase da mesma altura dos meus colegas mais velhos, de voz forte e carregada, era um estrangeiro). Assustei-me pelo escuro e pelo que vi através da luz que entrou, pela abertura da porta e os focos na mudança dos slides. Senti-me assustada e o Vianna percebeu quando ao terminar a aula, me conduziu até a porta da sala que antes tinham dito ser a minha.Naquele momento nascia a nossa amizade e a confiança que eu depositei nele, durante todo o tempo em que estive no CNF. Nosso reencontro aconteceu sem combinarmos nada. A emoção dos anos passados e já longe, aflorou em silêncio, num abraço longo, num aperto de mão firme , uma gargalhada forte dada por ele e em algumas lágrimas roladas de mim. Mensalmente, nos encontros do CNF em Copacabana, trocamos algumas confidências e lembranças...ríamos EM SEGUNDOS, sem que ninguém soubesse de quê...

Empurrada por um e-mail do nosso Presidente Gayer, comunicando-nos que o Professor Vianna viajará em poucas horas para sua terra natal, fortaleço-me e vou ao seu encontro.Quarenta e alguns anos depois...Nada como o dia de hoje... Oitenta e dois anos sendo completados e festejados com bolo confeitado de chocolate e guaraná...por amigos e familiares chegados de João Pessoa para acompanhá-lo na recuperação e viagem.

Daquele homem forte, alegre, baixo e troncudo, de voz grossa e forte, encontrei um homem gentil, frágil, menos alegre, mais magro, de voz calma e baixa, feliz por receber quase oitenta pessoas em sua residência pela passagem do seu aniversário. Recebi dele, o mesmo abraço, o mesmo aperto de mão e o mesmo beijo ..............e eu lhe dei de presente, o que de melhor eu tenho : - O meu abraço mais apertado, o melhor aperto de mão, o beijo mais estalado, a minha eterna amizade, a minha admiração e a minha gratidão. Despedi-me com uma boa viagem e volte logo, mas sei que entre nós existirá, aquela mesma distância que eu desconhecia quando menina e que agora, será impossível transpor.

Amanhã, quando o céu de domingo for rasgado por um avião partindo, ao ouvir o barulho dos motores, saberei que um Herói Brasileiro voltará para sua casa paterna, carregando as sua medalhas outorgadas e a saudade interminável de todos os seus alunos que ajudou a formar em pessoas do bem, muitos espalhados por esse país enorme e alguns, respingados no estrangeiro, sem dia para retornar ao nosso convívio. As lembranças do CNF e ele, viajarão juntos.

15 de Abril de 2005


 

_______________________________________________________________________________________

 

Entrega de Comenda à Maria Alice
Insigne Orden del "Collar de Los Grandes Libertadores de Las Américas
Outorgada pela Federação da Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo - FALASP", coadjuvada pela "Sociedade de Cultura Latina do Rio de Janeiro.

 

 
_______________________________________________________________________________________

 

Tudo é Fome (Título Provisório)
Maria Alice Antunes
 
Por você passo de tudo ... lhe quero demais.

Longe, sou bóia fria.

Perto, sou o Projeto Fome Zero unificado,

forte, atuante, consistente.

Longe, sou pouco, sou nada.

Sou terra seca, batida.

Sou mato sem chão.

Perto, sou rio que corre.

Sou safra, sou silo, sou produção.

Sou o alimento que se consome.

Sou substância .... Sou sacos de feijão.

Longe ...sou virtual, sem nome, sou solidão.

E você meu amor... é o alimento da minha fome.

 
_______________________________________________________________________________________

 

Ato ou Ação
Maria Alice Antunes
 


 

_______________________________________________________________________________________

 

Maria Alice (Curadora)
 
I°. Salão de Artes Plásticas - 50 anos de
Fundação do G / CNF - FGV de Nova
Friburgo - Setembro /2000

Palavras de artista

Para o ( a ) artista, o seu dia a dia é uma eterna PROCURA.

PROCURA a peça, o motivo, os pincéis, as cores, as tintas.

PROCURA o tempo, a imprensa, o mercado, o patrocinador, o
Espaço Espaço para expor.

PROCURA o desejo, a satisfação, as pessoas, outros espaços. Procura os acontecimentos...

PROCURA no chão, na natureza, nas construções, nos livros, nas
revistas, nas pessoas, no ontem, no hoje e no futuro.

PROCURA driblar o cansaço, o tempo de trabalho seguido e Diário.
PROCURA expressar o que vê e sente.

PROCURA como um garimpeiro, a expressão maior para o seu Trabalho: - O reconhecimento.

PROCURA Procura compartilhar com os visitantes a alegria e
O prazer de um momento mágico de uma exposição.

Muito Obrigado..... Sua presença é a nossa vitória.

 
_______________________________________________________________________________________

 

Se Amar é ....
Maria Alice Antunes
 
Se amar é ....olhar o céu e entender as nuvens ..eu amo.

Se amar é.... sentir o vento na sua intensidade....eu amo.

Se amar é ... ouvir sua voz no barulho do trânsito....eu amo .

Se amar é ... sentir sua presença na ausência... eu amo.

Se amar é ... pensar a todo instante....eu amo.

Se amar é ... desejar sem medir circunstâncias...eu amo.

Se amar é ... querer constantemente...eu amo.

Se amar é ... beber da sua sabedoria e ensinamentos...eu amo.

Se amar é ...sentir saudades, alinhavar poesia,

medir vontades... Eu amo.

Se amar é ... fechar os olhos, ver a imagem, sentir o perfume e o toque.......MEU DEUS!!!.... Eu o amo.

Largo do Maracanã – 1º Encontro de Poesia ao Ar Livre – 28/9/2002
Publicado na XII Antologia da Academia de Letras e Artes de Paranapuã/2002/03

 
_______________________________________________________________________________________

 

As Formas do Vento
Maria Alice Antunes
 
O Vento veio em forma de Anjo Humano ,

Daquela que invade e toma conta

Se espalhando lentamente.

Rápido como um furacão

Marcou como ventania em noite calma.

Suave como uma brisa, ocupou intensamente toda a forma e todo jeito, numa invasão permanente,

Como se o espaço fosse seu há muito tempo.

Na ausência, descobri a importância do vento.

Eu o quero em minha vida, todo o tempo.

O vento rasga,

revolve, espalha,

levanta, acorda,

sacode, derruba,

invade, renova,

limpa, recria,

envolve, acalma,

protege, toma conta.

Pode ser furacão, ventania ou brisa , não importa...

Quero senti-lo pela vida a fora.


Vila da Feira – Domingo – 22/9/2002
Publicado na Revista Informativa e Cultural da Academia de Artes e Letras de Paranapuã /2002

 

_______________________________________________________________________________________

 

A Acadêmica Agradece
Maria Alice Antunes
 
Caros Companheiros

Dia, 28/11, foi um dia único e incomensurável, pelo Ofício 7472 o Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro comunica ter sido aprovada a Moção em Sessão Plenária do dia 27/11/2001 - Eu, Maria Alice Antunes, Artista Plástica, Membro Efetivo / Artes da Academia de Letras e Artes de Paranapuã - ALAP, cadeira 17, patronímica de Doris Leão. Tornei-me "imortal".

Na minha vida existem cinco segmentos : a família que eu herdei, a família que eu constitui, a Comunidade do Morro dos Macacos que me acolhe, a Comunidade Cenefista e os Amigos.
A expectativa tomou conta do meu dia, desejei ardentemente, como egoísta, que o mundo parasse e todos os que eu amo estivessem comigo.

O mundo não parou.

Eu fui premiada, com muitas flores que enfeitaram a ala esquerda dos Neo - Acadêmicos. O carinho dos Amigos e EX - Colegas de G/CNF presentes à cerimônia, não me deixaram sofrer pela ausência dos não menos queridos, mas impossibilitados.

Márcio Braga, Ronaldo Lo-Bianco, Alberto Braune, Açocê, Professor Vianna, Tof-Tof, Julo, Juno, Gayer e Terezinha, Solomon e esposa, Fernando de Mello Freire, Paula Assunção, Ricardo de Barros ( Diretor UERJ -NF ) estiveram comigo de alguma forma. Agradecer é muito pouco por tudo que vcs. demonstraram.

Hoje eu reafirmo que a educação recebida no CNF foi co-partícipe do meu desenvolvimento e lastimo que a Instituição não tenha sido copiada.

Serei reconhecida e manterei os braços abertos para o abraço constante.

Maria Alice ( CNF - 58/60 )

 

_______________________________________________________________________________________

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TRABALHOS DA ARTISTA PLÁSTICA MARIA ALICE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Maior painel urbano na horizontal feito a pincel por um único artista - (186m2) denominado: 7 de Setembro , Uma Festa Popular,
Cívica e Patriótica. 2005
Pertence ao acervo do Museu Militar Conde de Linhares - São Cristovão/RJ"

 


 

 

 

 

Um Painel em quatro tempos - Tributo à Noel Rosa / Rio Joanna / Brinquedos e Brincadeiras / Fios e Estampas
Foi pintado no cruzamento das ruas Maxwell com Avenida Otavio Negrão de Lima em Vila Isabel-RJ em 2004