CNF, O Verdadeiro Legado
Mark Anthony de Mello
 
Às vezes fico pensando qual será o verdadeiro legado do CNF, da entidade que um dia existiu, que nos acolheu, e que de alguma maneira uniu nossos destinos novamente.

Uniu nossos destinos mais uma vez, graças aos louváveis esforços daqueles que criaram esta rede, criaram a associação, o museu, o recrutamento para 7 de setembro e os famosos Choppapos.

A entidade CNF cumpriu mais uma vez sua missão, unindo suas crias anos depois, como também as crias destas.

Estive visitando o colégio em 27/07/2002 com meu amigo e também ex-aluno, Sebastião Assis (Tião PC), junto conosco estavam meu filho de 13 anos e meu sobrinho de 12. Tião mora há 20 anos no exterior e há 15 não vinha ao Brasil. Meu filho e meu sobrinho ficaram fascinados, disseram que se o colégio estivesse aberto ficariam lá direto, nem voltavam para o Rio. Ao contrário das crianças, eu e Tião ficamos muito tristes com o que vimos, e depois ficamos paus da vida!

Fiquei conversando com Tião sobre o Legado do CNF, por que nos uniu novamente? A entidade parecia querer falar conosco, “olhem o que fizeram comigo! Olhem meus prédios caindo aos pedaços, meus vidros quebrados, minhas quadras cobertas com o tabuado sem trato, meus jardins, meus telhados, além de perder minhas crianças e sua algazarra musical, perdi meus mestres discípulos, fui doado a pessoas estranhas e ainda sou mal tratado, sinto-me um velho moribundo”.

Várias gerações passaram pelas salas do CNF, antes da ditadura, durante ela e uns poucos no seu final. Hoje são mestres doutores, médicos, escritores, artistas, políticos, cientistas, juristas, vendedores, corretores, empresários, engenheiros, professores, desempregados e mais uma centena de coisas, mas todos Brasileiros, sim Brasileiros que viram como um colégio de verdade pode ser! Segundo Tião, que é professor PhD nos EUA, a inspiração do CNF veio em parte do secular Eaton College Inglês.

Acho que devemos refletir sobre o verdadeiro Legado do CNF, o lazer e a confraternização ajudam a unir os espíritos, mas parece que a entidade quer mais dos seus filhos. Hoje não somos apenas alunos de ginásio e científico que um camburão do DOPS bota para correr quando sobe a ladeira, também não somos otários embriagados com o porre da democracia, para sermos passivamente vilipendiados por políticos em nossos direitos de cidadão. Será que vamos deixar fazer com nossa Pátria, o que fizeram com o nosso CNF?

Moreira Franco assinou o decreto passando o imóvel do colégio para a UERJ, bastou uma canetada, e até hoje algumas demãos de cal com corante amarelo no prédio principal. Quantas universidades possuem instalações como aquelas? Não tratam de nada, só sugam!

Confesso que pensei até em uma Ação Civil Pública.
Quanto a FGV que se gaba de formar gênios em administração, limito-me a dizer que não foi capaz de tocar o mais importante projeto educativo da América Latina nos últimos 50 anos.

Mais uma vez as eleições se aproximam, a situação do país não precisa ser mencionada e nós estamos aqui unidos novamente, será que podemos fazer alguma coisa? Lembram do aluno diretor?

Lembro-me quando desfilava na banda, sentia-me como parte de uma verdadeira tropa de elite, bravo, viril e pronto para qualquer missão, era 7 de setembro, o dia da Independência. Somos esta tropa de elite, hoje com patentes mais altas na vida, mais maduros e melhor posicionados.

Manifestação política em prol da nação, espírito pátrio e participação, o Fórum está aberto, participem, este é o verdadeiro Legado do CNF.