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Sistema
Previdenciário
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Paulo
Vianna da Silva
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Até
por volta da década de trinta, não
havia no Brasil nenhum sistema de aposentadorias;
o cidadão que fosse capacitado e ou previdente,
deveria adquirir ao longo de sua vida profissional
um volume suficiente de bens patrimoniais, ou
construir um negócio que se tornasse
rentável por si próprio ou através
da administração de seus filhos,
para garantir seu sustento na velhice.
Os que assim não procedessem, por desídia,
incúria ou incapacidade pura e simples,
deveriam continuar trabalhando até o
final de seus dias, para não precisarem
obter seu sustento através de seus descendentes
ou pela caridade pública, tendo como
alternativa a morte pela fome.
Naquela
década de trinta, as corporações
de ofícios atuais, estruturadas em sindicatos,
atentas ao problema de seus filiados começaram
a formar fundos previdenciários alimentados
por contribuições dos trabalhadores
associados. Formaram-se assim os IAPs, Institutos
de Aposentadorias e Pensões, identificados
pela qualificação laborial de
cada um: IAPB para os bancários, IAPM
para os marítimos, IAPETEC para os trabalhadores
no comércio, IAPI para os industriários,
e assim por diante. A aparente- mente eficaz
e honesta gestão daqueles fundos levou-os
à prosperidade, tornando-os em relativamente
pouco tempo gigantes financeiros da economia
brasileira.
O
golpe de 1964, contudo, levou ao poder um grupo
de militares que, além de ser por essência
despreparados para a administração
de uma sociedade civil, acostumados que são
à só gerência de quartéis,
onde o que conta é a hierarquia e a vontade
do comando, agravantemente acreditavam - por
motivos que não cabe discutir no momento
- que o inimigo do Brasil era seu próprio
povo, sendo os militares mesmos os únicos
patriotas (com esse pensamento, acreditando
que qualquer um que usasse ou exibisse as cores
ou os símbolos nacionais o faria exclusivamente
por sarcasmo ou desrespeito, foram capazes de
legislar a proibição de seu uso
pelo povo...). Assim, assustaram-se profundamente
quando se deram conta do poder econômico
e político que os sindicatos possuíam,
detentores que eram de enormes volumes monetários
e massa de pessoas. Para impedir sua "má
utilização", fecharam os
sindicatos, proibindo-lhes a ação,
e transferiram para a administração
pública (vale dizer, para o Executivo)
a administração dos IAPs, criando
assim o INPS, Instituto Nacional de Previdência
Social, que englobava todos aqueles Institutos
em um só.
Neste
ponto, é indispensável que se
diga - porque muitos até já não
se dão conta disso - que os recursos
amealhados pelos IAPs eram todos provenientes
da iniciativa privada, sendo parte descontada
dos salários dos trabalhadores e parte
doada pelos empregadores: nada era proveniente
de fundos públicos.
A
exemplo do que hoje volta a ser feito pelas
entidades de previdência privada, os sindicatos
administravam aqueles recursos procurando criar
um bolo rentável que, no futuro, propiciasse
rendimento suficiente para pagar os benefícios
necessariamente entregues aos que, completado
o tempo de contribuição, solicitassem
aposentadoria.
Assim,
se por exemplo um determinado sindicato possuísse,
entrados num determinado ano civil, duzentos
mil contribuintes, estes duzentos mil contribuiriam
durante trinta e cinco anos, mês a mês,
com importâncias que, ao final, criariam
recursos para pagar as aposentadorias de duzentos
mil inativos ou pensionistas. Se no anos seguintes
ingressassem no sistema trezentos mil trabalhadores,
estes outros trezentos mil trariam, de seus
salários, contribuição
suficiente para, findo o prazo legal, pagar
suas próprias aposentadorias, nada sendo
ligado às aposentadorias dos duzentos
mil ingressados anteriormente. Da mesma forma,
se por qualquer razão nos anos seguintes
o ingresso de trabalhadores fosse menor, por
exemplo cinqüenta mil ao ano, ninguém
se assustaria com o fato de que o ingresso de
recursos seria menor, porque o dinheiro depositado
só viria a ser utilizado trinta e cinco
anos depois, exclusivamente para o pagamento
das aposentadorias daqueles cinqüenta mil.
Este
é um sistema óbvio e simples,
facilmente explicável por qualquer professor
de matemática elementar e entendível
por qualquer aluno de curso ginasiano.
Contudo, os administradores públicos
de então, em sua arrogância e miopia,
entenderam que o poder que se outorgaram lhes
permitia fazer o que quisessem e, mais, lhes
dava o direito de subverter não só
a matemática como também o ordenamento
jurídico, e a partir de 1967 passaram
a desviar os recursos da Previdência para
outras finalidades, como as obras da Hidroelétrica
de Itaipu, a estrada Transamazônica e
a Ferrovia do Aço, em volumes contados
à razão de bilhões de cruzeiros
- que jamais foram repostos. A certeza da impunidade
também levou muitos a simplesmente descuidarem
das boas regras de administração
financeira, fazendo administrações
ruinosas dos fundos previdenciários e
deixando de cobrar contribuições
sonegadas, a título de "manutenção
da paz social", como por exemplo se viu
nos constantes perdões às dívidas
dos clubes de futebol, que se cobrados em seus
atrasos seriam levados à falência.
Quem poderia imaginar, num clima de panis et
circensis, a possibilidade de fechamento de
um Flamengo, de um Corinthians ou outro grande
clube brasileiro? Arrombada a porteira, por
onde passou um boi terminou passando a boiada
toda, e dentre as grandes empresas brasileiras,
a partir daí parece que só continuou
depositando o devido à Previdência
quem o desejou fazer.
O
passo seguinte dessa administração
calamitosa foi o ingresso de categorias profissionais
como os empregados rurais e as domésticas
que, se efetivamente merecem possuir um sistema
previdenciário, nunca poderiam tê-lo
de mão beijada - nem com o dinheiro de
outros trabalhadores, nem com dinheiro público,
que esse não é do governo, mas
resultado dos impostos pagos pelo povo. De fato,
consentir-se que qualquer pessoa ingresse num
sistema previdenciário e conceder-lhe
direitos de aposentadoria no dia seguinte, sem
nenhum carência, é o caminho mais
curto e seguro para a falência do sistema.
E isso é o que foi feito.
Note-se que, quando os IAPs foram confiscados,
estavam prestes a completar seus trinta e cinco
anos de coleta de fundos; não tiveram,
portanto, nem a oportunidade de demonstrar se
haviam administrado bem os fundos colocados
em suas mãos, ou se não.
Passados
mais trinta anos (1967 a 1997), atolados em
desvios de fundos, concessões ruinosas
e administrações temerárias
ou pior, sem nenhuma preocupação
com a criação de um fundo previdenciário,
o que temos? Uma política da mão
para a boca, em que a contribuição
do mês passado serve para o pagamento
dos benefícios do mês atual. Isso
obrigou a que inclusive as datas de recolhimento
e de pagamento fossem modificadas, de forma
a que o pagamento só se realizasse alguns
dias após o recebimento pela rede bancária.
De
fato, é de se perguntar: se um cidadão
contribui durante trinta e cinco anos para a
sua aposentadoria - compulsoriamente, hoje,
que isso o governo soube fazer - mês a
mês, com uma parcela significativa de
seu salário, findo esse prazo é
de se esperar que exista, nas mãos do
administrador, um volume suficiente de recursos
para garantir o pagamento de seus proventos
de aposentado. Se foram dois milhões
os que assim procederam, haverá obviamente
recursos para o pagamento das aposentadorias
de dois milhões. Assim, o que importa
que atualmente só existam quinhentos
ou mesmo cem mil jovens entrando no mercado
de trabalho? É claro que as contribuições
deles, necessárias para o pagamento de
suas próprias aposentadorias, só
deverão ser utilizadas daqui a trinta
e cinco anos, nada devendo ter com os recursos
hoje utilizados pelos dois milhões exemplificados.
Entende-se,
portanto, que a alegação do governo,
de que o menor número de contribuintes
se constitui em ameaça para a saúde
financeira do sistema, é mentira que
busca esconder a dura realidade: de que a ameaça
está exatamente nos atos daquele mesmo
governo, que mês a mês, durante
os últimos trinta anos, desviou e roubou
os recursos do povo.
É
interessante também perceber-se que,
se de um lado os administradores governamentais
não têm nenhum prurido em desviar
dinheiros dos cidadãos, por outro também
não se preocupam em impedir que os cidadãos,
enquanto empresários, também desviem
dinheiro de seus empregados ou paguem suas dívidas
com as instituições públicas
de fomento ao desenvolvimento. Assim é
que existe hoje uma dívida de R$10.000.000.000,00
(dez bilhões de reais) dos bancos junto
ao Imposto de Renda, enquanto seus fiscais despendem
tempo atormentando assalariados que não
preenchem corretamente suas declarações;
uma dívida de R$30.000.000.000,00 (trinta
bilhões de reais) de alguns com o BNDES;
de R$20.000.000.000,00 (vinte bilhões
de reais) junto à CEF; de R$50.000.000.000,00
(cinqüenta bilhões de reais) junto
ao Banco do Brasil; quando esses empresários
fazem lobby junto ao Congresso, querendo fazer
passar leis que perdoem suas dívidas,
o governo não sai a público para
dizer, com a veemência que dizem quando
se trata de catar caramingüás dos
salários de idosos aposentados, que isso
é roubo à economia nacional.
Em
nome da necessidade de repor R$1.200.000.000,00,
lançam toda essa intranqüilidade
no seio da sociedade, e jamais se lembram ou
nos fazem recordar que eles mesmos estão
desprezando mais de 200 bilhões em impostos
sonegados.
Cabe também lembrar que de 1975 até
1990 o Estado só contratou funcionários
sob o regime da CLT. Em 1990 o executivo, percebendo
a bola de neve que se formava - pela inexistência
daquele fundo de aposentadoria - ao invés
de criá-lo tomou uma medida insensata
para diminuir os custos com pessoal: tornou
todos os funcionários, novamente, "estatutários",
com a criação do Regime Jurídico
Único, ou seja: voltou a tratá-los
como categoria diferenciada, para se eximir
da obrigação de depositar seu
Fundo de Garantia de Tempo de Serviço.
Ora, o trabalhador vinculado à CLT, ao
se aposentar com aqueles valores ínfimos,
leva consigo o total do FGTS, que representa
um patrimônio aceitável. O funcionário
público não leva nada, a não
ser os valores de seus proventos de aposentadoria.
Isso,
a imprensa não divulga.
Podemos concordar em que não haja razão
para tratamentos diferenciados entre duas qualidades
de trabalhadores; nada prova que quem trabalha
para o Estado deve ser considerado diferentemente
de quem trabalha para um particular. Mas nosso
sistema legal trabalhista considerava. enquanto
o funcionário público era submetido
à CLT, que "a CLT deve ser aplicada
com reservas ao funcionário público,
porque o Estado não visa lucro";
em outras palavras, sempre que um benefício
era concedido aos empregados, o Estado estabelecia
um diferencial para o empregado público,
que sempre o prejudicava. Assim, todos os que
ingressavam na carreira pública o faziam
conscientes de que, apesar de seus ganhos salariais
serem menores, seriam compensados pela estabilidade
no emprego e pela aposentadoria integral.
Que
se mude agora o modo de pensar é aceitável.
Não se pode admitir é que essa
mudança pretenda atingir aos que já
têm direitos adquiridos, direitos esses
que foram concedidos pelo próprio governo
que agora tenta, vilmente, mudar as regras com
o jogo em andamento.
O
fato é que os aposentados não
configuram setor de pressão contra o
governo, porque nem greve podem fazer, e não
tendo força, ao invés de serem
objeto de proteção da instituição
que existe para proteger a comunidade - o Governo
- tornam-se alvo da cobiça e da covardia
desses que imerecidamente foram alçados
à posição de governantes
de nossa pátria.
E
eu ainda pergunto: será que ao menos
a imoralidade das pensões vitalícias
aos ex-governadores e ex-presidentes, extensivas
às suas viúvas, será também
confiscada em parcela de contribuição
previdenciária, ou para eles também
aí a lei é outra?
21
de Dezembro de 1999
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O
Câncer na Sociedade
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Paulo
Vianna da Silva
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O
organismo é construído
de forma a, em estado de saúde,
administrar todos os seus componentes
e funções, permitindo
que o corpo funcione em harmonia, de
forma a que o espí rito que nele
reside possa realizar suas mais altas
funções.
Seguramente,
o mais importante dos seus componentes
é o Sistema Retículo En
dotelial, SRE, que recobre cada célula
de todos os órgãos com
um tecido linfocítico, que são
as célu las encarregadas da identificação
e eliminação dos elementos
estranhos e potencialmente perigosos
ao organismo.
É
o mesmo tipo de células que compõem
as amígdalas palatinas e o apêndice
vermiforme do intestino, ali postadas
por serem as duas portas de entrada
aos dois níveis de entra da no
corpo: a orofaringe ou garganta, por
onde passa o ar e todos os alimentos
ingeridos, e o iní cio do intestino
grosso, aonde começa a absorção
dos nutrientes digeridos: qualquer elemento
noci vo que seja introduzido pelo nariz
ou boca é ali identificado, o
SRE aprende a produzir anticorpos contra
ele, e em seguida estes anticorpos o
destroem. Se algo escapar a esse controle
e ainda as sim não for destruído
pelo processo digestivo, ao chegar ao
final do intestino delgado, antes de
al cançar o local onde poderia
passar ao sangue e disseminar pelo sistema,
uma segunda porta de fis calização
terá oportunidade de combatê-lo.
O
SRE se compõe de células
sésseis, que se fixam diretamente
nos órgãos, e cé
lulas circulantes, que viajam pelo corpo
através dos líquidos
sangue, linfa e líquido intersticial.
Quando em algum local se apresenta uma
situação que exige combate
mais renhido, e as células sésseis
são insuficientes para tanto,
as circulantes se dirigem para aquele
local e reforçam as "tro
pas" combatentes. Se a agressão
é continuada, como por exemplo
no caso do pulmão de um fu mante
ou residente em ambiente poluído,
ou um intestino maciçamente infestado
por vermes, as células circulantes
terminam por se fixar no órgão
solicitado, aumentando o contingente
do SRE que defende aquela área;
assim como, numa área de uma
cidade onde a criminalidade seja maior,
o poder público determina o estabelecimento
de um policiamento mais intenso e, se
a marginalida de não puder ser
dispersada ou destruída, fixa
esse policiamento através da
construção de uma de legacia
ou posto policial.
De
uma célula original, o ovo, o
corpo humano termina composto por aproxima
damente um trilhão de células,
que por sua vez se multiplicam continuamente
embora cada teci do tenha sua
taxa própria de renovação.
Assim, o tecido nervoso tem uma taxa
baixíssima de reno vação,
enquanto a pele é trocada a cada
trinta dias. Em média, contudo,
podemos afirmar que a ca da sete anos
nosso corpo é integralmente substituído
por um novo. Fica fácil imaginar
a quantidade de multiplicações
celulares que acontecem nesse tempo,
embora seja realmente difícil
quantificá- -las. É fácil
também imaginar-se o quanto deva
ser comum a ocorrência de um equívoco
nessa mul tiplicação,
e o surgimento de alguma célula
diferente, em componentes e função,
da célula mãe.
No
corpo não existe aposentadoria;
uma célula que não tenha
mais condições de exercer
sua função morre.
Mas
o corpo está preparado, em decorrência
dos milhões de anos de evolução
e aperfeiçoamento, para essa
eventualidade: quando isso acontece,
o SRE identifica a adulteração,
e envia anticorpos para destruí-la.
No
corpo não existe criminoso ou
vadio, pois existe pena de morte: uma
célula que não execute
sua função, ou infrinja
as normas de sua conduta, é exe
cutada.
Quando
essa reprodução defeituosa
resulta em uma célula com características
cancerosas, ou seja, células
que não têm a função
para a qual foram originalmente projetadas,
e não respeitam o limite territorial
adequado para aquela estrutura
são invasivas é
fundamental que o corpo a destrua, e
isso acontece tão rotineiramente
quanto são formadas. Se, entretanto,
no momento desse acidente aquele organismo
sofreu um choque intenso notadamente
um choque emocional, que deprime o sistema
imunológico essa célula
pode não ser localizada ou combatida,
e se multiplicará. Chegado a
um determinado número de indivíduos,
mesmo a recuperação da
capa cidade de defesa pode ser insuficiente
para combater com eficácia o
inimigo, tornado poderoso por seu volume.
Identifica-se então a doença,
visível através da alterações
e perdas de função nas
áreas afetadas, e a cura é
muito mais difícil, porque demandará
o concurso de um número muito
maior de células de defesa e
o dispêndio de uma energia muito
acima do normal, que freqüente
mente não é disponível
naquele organismo debilitado. A ajuda
externa é, então, indispensável.
No
Brasil, parece estar acontecendo fenômeno
semelhante: em algum momento de nossa
vida como Nação, nossos
mecanismos de defesa entraram em choque,
deprimiram-se, e não foram capazes
de identificar aqueles elementos que
surgiram mal formados e deformantes,
os quais cresceram e se multiplicaram,
contaminando os tecidos vizinhos e impedindo
o desenvolvi mento de tecidos sadios
ao seu redor, que pudessem ao menos
isolar o foco infeccioso. Em sua fun
ção perversa e daninha,
protegeram-se destruindo os sistemas
de controle e policiamento, diminuin
do mais ainda a já deficiente
capacidade da sociedade de se defender,
e em seu núcleo enfermo só
permitiram o acesso a outras células
doentes. Assim, temos hoje um Congresso
no qual só são acei tos
como candidatos ao ingresso as pessoas
que comungam das más intenções
dos que já lá estão;
um Judiciário que permite como
juízes pessoas jovens, sem nenhuma
prática de vida para julgar coisas
e fatos que freqüentemente só
podem ser entendidas por quem já
tenha passado por expe riências
e vicissitudes; um Executivo que é
integrado por indicações
oriundas daquele mesmo Con gresso, e
não por pessoas preparadas e
competentes; uma Polícia que,
à custa de pagar salários
humilhantes, quase só encontra
como membros aqueles mesmos criminosos
que deveria estar com batendo; um Magistério
cujos mestres mal sabem aquilo que deveriam
estar ensinando; um corpo funcional
de Funcionários Públicos
que, apesar do instituto do "concurso
público", só atrai
incompe tentes, em razão dos
salários vis que oferece
quando não é composto
de subempregados tercei rizados.
Qualquer
patologista poderá dizer que,
num tecido canceroso, ainda se encon
tram células sadias misturadas
àquelas doentias. Não
há porque negar-se que, em nosso
tecido so cial, ainda encontramos, em
todas essas instituições,
pessoas honradas e competentes; mas
são, cada vez mais, raras, e
estão sendo envenenadas pelos
humores doentios da maioria.
Não
há dúvida: o Brasil está
canceroso.
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