Centro de Memória do CNF
Pedro Paulo Dantas Lomba
 
As fotografias, as páginas da natureza, os quadros de aviso, todos os eventos documentais do CNF tem dois significados.
Um, pessoal, saudosista, privativo do ex-aluno e do ex-adolescente que viveu e estudou no CNF. Outro, social, relembrando a experiência comunitária de professores, alunos e
funcionários que construíram, no dia-a-dia, as relações de trabalho e de solidariedade que fizeram do CNF uma realização
extraordinária da Educação Brasileira.
O Centro de Memória do CNF deve levantar o aspecto social da experiência educacional.O conselho de alunos, as atividades extra-curriculares livremente organizadas, a auto-disciplina refletida na palavra-de-ordem "Pontualidade, Ordem e Limpeza" (mais realista do que "Liberdade, Fraternidade e I-
gualdade"), a biblioteca, os alunos explicadores, o banco de alunos, as olimpíadas com as três bandeiras, a banda e conjunto Papoula, a PR-Chacrinha e o programa de auditório da era do rádio, o estudo dirigido, a correspodência internacional, os bailes,o teatro, os serviços voluntários dos alunos, que pintavam as paredes do ginásio e cenários teatrais, as provas globalizadas, o horário das camionetes - devem ser rememorados, expostos, constelados.
Nas relações intensivas, internas e externas, da comunidade do CNF, está o valor da grande experiência educacional realizada. Nunca houve projeto formal destinado a traduzir o CNF. O Centro de Estudos Pedagógicos, na realidade, nasceu dos valores gerados na vida diária do internato excepcional num país em que colégio interno era sinônimo de repressão e causava terror.
Se foi possível naquela época, porque não o será, ainda mais, hoje?

07 OUT 87