Desde
que encontrei o site do colégio e me pluguei,
tenho recebido mails de amigos da minha turma, de
colegas do meu tempo e mesmo de colegas que nem conheci
(!), anteriores ou posteriores ao meu tempo. Todos
se mostraram muito contentes com a minha entrada na
rede. Puxa vida, que ligação é
esta que se forma entre as pessoas que, mesmo distantes
no tempo e no espaço, não deixam de
manter uma afinidade carinhosa entre si? Será
que o ar que respirávamos em Friburgo tem algum
componente que estimula o carinho e o afeto entre
as pessoas? Ou será que o nosso isolamento
(quase!) do mundo nos aproximava, como se quiséssemos
nos proteger (de que?)? O fato é que senti,
pelo teor dos mails, que os nossos sentimentos em
relação ao colégio (espaço
físico), aos professores (espaço intelectual)
e colegas (espaço afetivo) eram e são
os mesmos, podendo ser traduzidos como SAUDADES.
Saudades
dos corredores (das correrias), dos dormitórios
(é bom nem falar!), do refeitório (das
goiabadas e marmeladas grudadas no teto e das guerras
de canelonis vulgos faraós quando
a luz apagava), das salas de aulas (verdadeiras fortalezas
medievais, protegidas à ferro e fogo), dos
laboratórios (aquele anfiteatro do laboratório
de ciências sempre me fascinou, aquele esqueleto
pendurado em um canto), dos ginásio de esportes
(até boxe eu lutei lá. Vocês podem
imaginar eu de luvas de boxe? Olhem as fotos da minha
turma de 60), da piscina (mais vazia do que cheia),
do campo de futebol (nunca me esqueço de um
gol que fiz no Grossmann do meio do campo! Minha intenção
era só dar um passe para o Mussi na entrada
da área!), do auditório (a guerra de
drops de anis! Também, quem mandou distribuir
drops de anis?), da biblioteca (quem não leu
A Carne do Júlio Ribeiro que atire a primeira
pedra!), dos bar do científico (dos bailes...)
e de cada canto, cada pedra, cada árvore...Saudades
do Ezequiel (professor de história)- uma vez
fomos à sua casa (dele!) fazer uma serenata!
E ele abriu a porta, pediu para não acordar
sua (dele!) mulher e caiu na cantoria; ou então
quando ele deixou o Japiassú em segunda época
só para encontrá-lo em fevereiro.
Eu
então pedi para ficar também e assim
nos reencontramos nas férias. Adivinhem se
alguém fez prova?; Saudades do Talvane (professor
de matemática)- num dos bate-pé
no auditório, no escuro, um aluno andando de
costas, pisou no pé dele! Não seria
quase nada se aquele pé não estivesse
enfaixado, resultado de uma disputa de bola com a
nossa turma, à tarde!; Saudades do Danny, professor
de filosofia aquelas aulas dos paradoxos do
Zenão o coelho e a tartaruga
ficaram para sempre na minha memória; Saudades
do Délio, professor de física, coordenador
do científico e um grande amigo; Saudades do
Amaury, diretor à época, que livrou
a nossa cara no episódio lamentável
da dispensa vide crônica do Japiassú,
que mesmo com muita fantasia, se aproxima da realidade;
Saudades do Barbosa, professor de Geografia que tinha
um coleção de discos estupenda. Mas
o destaque (meu, é claro) fica para a irmã
de um amigo nosso da Quarta série (desculpem,
me fogem os nomes) que era freira e veio de Campinas
nos dar aulas de religião (1961). Linda e de
uma meiguice que nos cativou à todos (mesmo
com o ciúmes do irmão!). Quando perguntamos
por que ela usava aliança, ela nos respondeu,
ruborizada, mas muito convicta: Sou casada com
Deus! Querem mais?Das Saudades dos amigos vou
falar em outra ocasião, depois que passar esta
emoção forte (não se preocupem,
amigos médicos, pressão 12/8 e estável!)
e depois que eu organizar o arquivo da memória
(da minha, não do meu PC!), com fatos que podem
até abalar os mais sólidos alicerces!!!Mas,
sem dúvida, aqueles anos juntos nos ensinaram
que as saudades podem ser doces (tá bom,
podem colocar uma pitada de sal!) e são e serão,
as nossas ligações com o passado que
está aí, vivo e passando muito bem!Beijos,
abraços, carinhos, afetos e, é claro,
SAUDADES!!!
Rato
Cunha
30
de janeiro de 2002.