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Artigo

 

Vírus: Os Mitos e Farsas
Walter Naslausky
 
Vírus são simplesmente programas ou instruções de macro escritas de forma a criar cópias de si mesmo atracadas a outros programas ou arquivos com macro. Existem apenas três formas de um vírus infectar e se disseminar por seu computador:

-Executando o próprio vírus ou um arquivo de programa infectado;
-Abrindo um arquivo ou programa infectado com macrovírus;
-Inicializando o computador a partir de um disco infectado.

Simples, não? Contudo, o desconhecimento dá abertura para que paranóias sejam alimentadas pela mídia e por pseudo-especialistas em busca de reconhecimento, que criam inúmeros mitos, boatos, farsas, superstições. Infelizmente, muitos acabam tomando procedimentos desesperados que normalmente são ineficazes. Conheça a seguir, os principais mitos e farsas do mundo dos vírus:

-Os vírus que infectam e-mail: Good Times e similares.
-Arquivos "apenas de leitura" (read-only) não podem ser infectados por vírus.

Os Vírus:
-se disseminam através de diferentes tipos de plataformas de computadores.
-podem ser contraídos apenas conectando-se à Internet ou à uma BBS.
-infectam disquetes protegidos contra gravação e CD-ROMs.
-infectam a memória C-MOS.

-Trojans Horse são um tipo de vírus.

Os antivírus tornam nosso sistema imune aos vírus.
-Os vírus são criados pelos próprios produtores de antivírus.

O Good Times e os vírus de e-mail
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Aqui seguem algumas informações importantes. Cuidado com um arquivo chamado Good Times.
Existe um vírus na America Online que está sendo enviado por e-mail. Se você pegou alguma coisa chamada "Good Times", NÃO leia ou baixe o arquivo. Isto é um vírus que irá apagar seu disco rígido. Passe esta mensagem adiante para todos os seus amigos. Isto talvez os ajude muito.
O FCC lançou uma advertência na última quarta-feira sobre um assunto da maior importância para qualquer usuário regular da Internet. Aparentemente um novo vírus de computador foi desenvolvido por um usuário da America Online sem paralelos em capacidade destrutiva. Vírus mais conhecidos como o Stoned, Airwolf e Michelangelo são simplórios em comparação aos prospectos desta mais nova criação, originária de uma mentalidade deformada.
O que torna este vírus tão terrível é o fato de que nenhum programa precisa ser enviado ao computador para infectá-lo. Ele pode se disseminar através dos sistemas de e-mail existentes na Internet. Uma vez infectado, consequências severas podem se suceder. Se o computador possuir um disco rígido, ele provavelmente será destruído. Se o programa não for detido, o processador do computador entrará em um nth - loop de complexidade binária infinita - que pode danificar severamente o processador se for deixado nessa circunstância por muito tempo. Infelizmente, a maioria dos usuários novatos não saberá o que está ocorrendo até que seja muito tarde.
Mensagens similares as apresentadas acima começaram a circular pela Internet e por sistemas de e-mail de empresas em 1994. Tornou-se uma eficiente corrente de mensagens inúteis que literalmente deu voltas ao mundo e que ainda hoje engana usuários leigos. Na ocasião, muitas vezes a mídia acabava apresentando a farsa como fato - o que acabou dando mais credibilidade ao boato. Arquivos que contenham apenas dados, o que inclui arquivos de texto simples (como o e-mail), não podem causar danos ao computador.
O FCC (Federal Communications Commission, dos EUA) é encarregado da regulamentação de rádios, TVs e outros meios de comunicação eletrônica, mas não Internet. A crença de que vírus podem se disseminar por e-mail simples, sustenta um dos maiores mitos da Internet: o Good Times e suas variantes.
Um vírus, assim como qualquer outro programa, precisa ser executado. Não existe e jamais existiu algum vírus capaz infectar arquivos de texto simples. Um vírus, pode, é claro, disseminar-se através de arquivos executáveis ou de arquivos com macro anexados (attachados) aos e-mails. Para se prevenir, basta checar o arquivo em "attach" antes de abri-lo ou executá-lo - alguns antivírus fazem isso automaticamente. Contudo, se o browser ou leitor de e-mail estiver habilitado para lançar automaticamente o aplicativo ao qual o arquivo anexado se refere, como o MS Word para abrir arquivos DOC, é altamente recomendável que tal opção seja desabilitada para evitar que arquivos com macros nocivas (vírus ou trojans) possam atacar o micro.
Mas enfim, o Good Times deu origem a um sem número de mitos e boatos similares, vírus de e-mail ou mail-bombs que se disseminariam perigosamente pela Internet. Boatos relativos à vírus chamados Irina, Deeyenda, PenPal Greetings, Ghost e Free Money são apenas variantes do mesmo mito. Uma das ironias do evento Good Times é que para alertar colegas, muitos colocavam "Good Times" no subject da mensagem.

Arquivos "apenas de leitura" (read-only) não podem ser infectados por vírus
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Este mito ainda persiste, apesar de ser muito antigo e ter surgido nos primeiros anos do PC. Supõem que podemos proteger nossos arquivos utilizando o comando do ATTRIB do DOS, tornando-os "somente para leitura", o que impediria a alteração e infecção por vírus.
Entretanto, a realidade é que o ATTRIB é um software e, o que ele puder fazer, um vírus ou outro software pode desfazer. O ATTRIB ou qualquer outro comando similar do Windows 95 são inúteis para nos proteger da grande maioria dos vírus.

Vírus se disseminam através de diferentes tipos de plataformas de computadores
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Um vírus ou trojan horse utiliza-se de instruções de baixo nível (nível da máquina), que necessariamente são específicas em relação ao sistema operacional e ao hardware. Assim, eles se limitam a uma família de computadores (por exemplo a família AT X86 : 286, 386, 486, Pentium) e/ou uma família de sistemas operacionais (DOS e Windows 95, por exemplo). Assim, podemos afirmar que um vírus projetado para infectar programas ou setores de boot de um PC não será compatível com um Macintosh - suas instruções provavelmente não serão reconhecidas pelo sistema do Mac.
Dentre os PCs temos inclusive exemplos de vírus que se "desatualizam", como o Brain e o Cascade. O Brain se tornou obsoleto pois infecta apenas os velhos disquetes de 51/4 formatados em 360K e o Cascade original utiliza-se de instruções específicas da arquitetura do chip 8088, extinta com o PC XT.
Mas é importante notarmos que existem atualmente aplicativos multiplataforma e emuladores. Com o software correto, um Macintosh pode rodar vários aplicativos do PC, e em alguns casos poderá também rodar vírus. E os macrovírus, ao contrário dos vírus que utilizam instruções de baixo nível, se disseminam utilizando recursos da linguagem de macro (WordBasic, por exemplo). Muitos aplicativos atualmente são multiplataforma (Word para Windows e Macintosh, por exemplo) e, desde que suas versões possam compartilhar macros, provavelmente poderão compartilhar vírus de macro.

Vírus podem ser contraídos apenas conectando-se à Internet ou a uma BBS
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O simples ato de conectar o computador à Internet ou à BBSs não pode gravar nada no seu disco - é o seu software de comunicação que executa essa tarefa. A transferência de arquivos perigosos para o computador ocorre apenas se alguém deixar este software fazê-lo.
A simples conexão à uma rede, seja ela a Internet, BBS ou mesmo rede local não sujeita necessariamente o computador aos vírus. A única maneira de se contaminar é executando um programa (ou arquivo com macro) obtido a partir da rede - o simples ato de downlodear um programa é inofensivo. Para consumar uma contaminação, o programa (ou macro) necessariamente têm que ser executado.
Além disso, os vírus de sistema (de setor de boot) não podem ser transmitidos via rede, apenas por intercâmbio de discos e disquetes. É interessante notar que infecções de vírus de sistema, como o Michelangelo, Stoned, Monkey ou Form, são muito mais comuns que infecções de vírus de programas (arquivos executáveis).
A Internet e as BBSs apenas contribuem na disseminação de vírus na mesma medida que facilitam a distribuição de programas e arquivos. Assim, o risco é apenas proporcional à quantidade de arquivos e programas obtidos por esse meio e que venhamos a executar ou abrir sem um procedimento de segurança.

Vírus infectam disquetes protegidos contra gravação e CD-ROMs
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Como os vírus podem modificar os atributos de arquivos "apenas de leitura" (read only), algumas pessoas acreditam que eles também podem modificar arquivos em disquetes protegidos contra gravação e CDs. Contudo, o drive de disquete, quando verifica que o disquete está com a trava ativada, se recusa a gravar qualquer coisa nele e, quanto aos drives de CD, a grande maioria dos drives sequer pode gravar um CD.
Mas é importante observar que isso não é um atestado de que o disquete ou CD estão esterelizados. O disquete pode ter se infectado antes da trava ter sido acionada ou durante um destravamento "temporário" para gravar ou alterar arquivos. CDs podem vir da fábrica com arquivos infectados - isso realmente ocorre de vez em quando, até nas melhores empresas.

Vírus infectam a memória C-MOS
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Os modelos do PC AT 286 e superiores possuem uma pequena bateria que mantêm uma memória CMOS. Essa memória guarda informações relativas à data, hora e configuração da BIOS do computador. Essa memória não é executada, apenas lida, e pode ser corrompida por bugs, falhas na alimentação da bateria e por vírus. A corrupção das informações contidas na memória CMOS pode, por exemplo, tornar inacessível o acesso ao disco rígido.
Quando isso ocorre, ela deve ser restaurada. Isso pode ser feito manualmente (para tanto, deve-se saber EXATAMENTE o que fazer!) ou quando possível, através de softwares. Alguns antivírus fazem um backup das configurações da BIOS a fim de restaurá-la quando possível.
Como as informações nessa memória não são executadas, vírus não podem infectá-la, ainda que possam corrompê-la. Também não existem evidências de vírus que infectem a BIOS baseadas em Flash RAMs (e não EPROMs) e se disseminem a partir delas. Contudo, existem vírus recentes (como o CIH, especificamente construído para o Windows95) que podem danificar severamente a Flash BIOS, chegando a impedir o funcionamento de todo PC.

Trojan horses são um tipo de vírus
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Trojan horses existem desde as folclóricas eras do Hacking no MIT e são criados com os mais diversos objetivos: capturar senhas e arquivos, destruir dados (bombas lógicas e bombas de tempo), pregar peças, derrubar sistemas, etc., sempre caracterizados por aquilo que o nome indica: "Cavalo de Tróia". Normalmente são introduzidos em um sistema sob uma camuflagem inofensiva para, após a sua entrada, concretizar o payload para os qual foi criado.
Alguns pesquisadores consideram o vírus um tipo particular de trojan horse cuja característica essencial é se auto-replicar "parasitando" uma outra entidade lógica do computador. De qualquer forma, apesar de ambos poderem conter um payload destrutivo, um vírus necessariamente se auto-replica, um trojan horse não.

Os antivírus tornam nosso sistema imune aos vírus
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Devemos ter sempre em mente que vírus e trojans horses são projetados para se esquivar dos antivírus. E que os antivírus são melhorados a partir da descoberta dos novos "truques" desenvolvidos pelos criadores de vírus. Nada garante que o nosso antivírus nos protegerá de um vírus ou trojan mais sofisticado do que aqueles para os quais ele foi programado para detectar e destruir, daí a importância das atualizações.
Do aparecimento dos macrovírus, citando um exemplo recente, até o lançamento de versões e upgrades para detecção e remoção deles, todos aqueles que possuíam antivírus estavam tão vulneráveis aos macrovírus quanto qualquer um que não tivesse um antivírus.
Além disso, os antivírus são softwares e portanto, como qualquer software, estão sujeitos à bugs de programação. É claro que um software antivírus é essencial para garantirmos uma boa segurança ao nosso sistema. Mas as pessoas cometem um erro ao não fazerem backups dos dados (que, aliás, não nos protegem apenas de vírus, mas de outros problemas que possam vir a ocorrer em nosso PC), confiando cegamente no antivírus. Bem, também não há nada de anormal nisso, já que também existem pessoas que creêm numa suposta invulnerabilidade e dispensam os cintos de segurança sempre que podem.

Os vírus são criados pelos próprios produtores de antivírus
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Muitas pessoas acreditam, ainda que sem nenhuma evidência, que as empresas de antivírus criem elas mesmas os vírus aos quais se destinam os seus produtos. Isso, defendem as pessoas partidárias dessa tese, objetivaria incrementar as vendas dos antivírus.
As empresas de antivírus não precisam se preocupar em produzir vírus - comprovadamente existem pessoas suficientes no mundo que, pela mais diversas razões, os produzem e os distribuem, garantindo um permanente mercado consumidor de antivírus.
Além disso, existem muitos pesquisadores, consultores e empresas independentes ligados à questão dos vírus e sistemas de segurança, garantindo uma constante vigilância no meio - certamente isso não incentiva atos que poderiam ser explorados de forma negativa por uma publicidade rival. Companhias de antivírus certamente dispendem seu tempo e capital no desenvolvimento de seus produtos e com marketing.

 
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