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ACERVO - ARTIGOS CNF

Era um domingo de maio

A arte do encontro

Afonso Chermont (*)

Era um domingo de maio, precisamente dia oito, já no cair da tarde iniciando à noite, meu pensamento estava voltado para segunda feira que teria de enfrentar, as dificuldades rotineiras do meu trabalho, as contas para pagar, etc., quando recebi um telefonema de um caro amigo de juventude, muito dileto, com quem tenho muitas e diversas historinhas para contar justo dessa fase de intenso viver.

Esse meu amigo Bene Mutran que eu já admirava pelo seu comportamento sempre correto, de muitos amigos, e que naquele momento já insinuava, pela sua liderança, que seria um grande homem. Realmente, hoje o respeito ainda mais pela sua capacidade empresarial. Bene recebeu de seu pai uma grande empresa que operava na exportação de castanha do Pará e soube multiplicá-la muitas vezes. Inseriu tecnologia, deixando de ser um extrativista, modernizando a atividade, tornando-se um industrial, processando o produto primário vindo da região de Marabá, no Pará, e exportando para os Estados Unidos e Europa. O meu caro Bene iniciou empreendimentos de pecuária tornando-se um grande Nelorista, possuindo um gado de primeira qualidade com alguns exemplares de magnífica linhagem. Mais uma vez, agora no campo pecuário, vi em suas propriedades modernas tecnologias sendo utilizadas: transplante de embrião, reprodução in vitro, produção de animais em quantidade e qualidade incomparáveis com a tradicional pecuária da qual sou oriundo na minha região do Marajó.

Tenho um orgulho interior por fazer parte de rol dos amigos de Bene e ser distinguido por ele em ocasiões especiais. Bene realiza um leilão de gado em uma chácara que possui nas proximidades de Belém e o ambiente, além do interesse comercial, tem o sentido da confraternização da convivência agradável de empresários e pessoas voltadas para o ramo do qual, hoje, o meu prezado amigo é figura nacional. Ainda outro dia revi o meu ex-colega, Mario Frota, estudamos em Friburgo nos anos sessenta, quando nos colocamos a falar do Colégio Nova Friburgo, dos nossos amigos...

Sim, recebi o telefonema do Bene que me disse ter estado com um amigo meu de Friburgo: Hugo de Aquino Filho. Manifestei minha emoção por ouvir que Hugo não se esqueceu da amizade que forjamos quando estudávamos no Colégio Nova Friburgo. Bene me passou os celulares e pediu para que eu telefonasse sem falta, pois Huginho (como eu o chamava) havia contado sobre a “máfia” do CNF, da amizade que mantínhamos, da saudade que nós estávamos envolvidos.

Imediatamente liguei para o meu irmãozinho Hugo. Não tive sucesso resolvi, então, ligar para o celular de seu filho Hugo de Aquino Neto com quem falei e me disse que já havia ouvido muito falar da minha pessoa e a relação de amizade que envolvia a mim e seu pai. Desliguei o telefone e, imediatamente, recebi o chamado do pai. Estava na linha o meu caríssimo Huguinho. Falamos ao mesmo tempo e confesso de minha emoção de ouvir uma pessoa marcante na minha juventude.Falamos de família, de colégio em Friburgo, lembrei de se seus pais e sua irmã, enfim falamos de amizade e saudade de quarenta anos que não nos víamos.

Certa vez estava eu no Rio e procurei outro dileto amigo Luiz Eduardo Simões Lopes (Lopinho). Sua esposa Cristina ofereceu um jantar para alguns de nós, seus amigos, lembro do Paulo Souza (Perobo), Paulo Rufino (Paulista) que estavam na ocasião. Em dado momento desse jantar chegou uma amiga de Cristina. Achei que a conhecia, mas não conseguia saber de onde. Aproximei-me dela e, num ímpeto de coragem, perguntei se ela era de Campos se conhecia Hugo de Aquino Filho. Disse-me que sim.Pronto: estava claro na minha cabeça.

Explico: Huguinho me convidou, isso quando estávamos no CNF, para ir a Campos e lá fomos nós passar um fim de semana. O chofer de seu pai vinha apanhá-lo no colégio e saímos de Friburgo para Campos. Chegamos à cidade os passeios foram intensos. Recordo que fui conhecer a fábrica do Conhaque de Alcatrão de São João da Barra, localizada numa cidade no litoral do estado do Rio chamada Atafona. Fomos a uma usina de açúcar que me impressionou pelo gigantismo da indústria, comparadas às usinas de minha região que eram de escala bem mais modestas. Tudo da família do Hugo era grandioso e bonito: a casa onde moravam, em elegante bairro, grande e confortável; a família extremamente amável e me receberam como um filho. Nunca esqueci o tratamento fidalgo e elevado que a mim foi dispensado.

Além de conhecer as empresas do meu prezado amigo Huguinho constou da programação a ida ao clube onde eles sempre freqüentavam. Fomos: a irmã do Hugo, Lia Miriam, e seu noivo, Hugo e namorada e para que eu não me sentisse só pediram para que me acompanhasse uma moça, amiga da família, que chamavam de Dininha, então, Dininha, era a moça que saí em Campos e que a encontrei, trinta anos depois, na casa do Lopinho e Cristina, no Rio.

Dizia o poeta que a vida é a arte do encontro embora haja muitos desencontros nessa vida. Não tenho mais tempo de fazer novas amizades na minha idade atual tenho que recrutar aquelas que foram construídas na juventude e alicerçadas em bases tão sólidas que nem o tempo consegue apagá-las. Estou muito feliz por reencontrar o meu dileto amigo Hugo e de ter recordações tão agradáveis.

Maio de 2005

(*) CNF 58 / 64



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