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ATUALIDADES - ARTIGOS DIVERSOS

Do Jogo a Procriação

Esse Robertinho Cortes tem cada coisa, que vou contar!! Como o “jovem” grisalho é difícil!! Sempre brigando ou contando vantagens das boas. Nunca perde em nada para ninguém; entretanto quase sempre no particular joguinho de buraco, eu com a mulher ou com o Paulo Chopila, estamos constantemente a sangra-lo. Porém, tem hora que ele com inteligente lucidez, externa raciocínio claro e objetivo. Ainda outro dia lá no Garfo Clube, local das continuas sangrias, ele doido para desviar o assunto do jogo onde não levava vantagem, começou a falar de politica. Logo no principio do falatório olhei enfastiado para ele com cara de quem diz, joga logo pô... porém ele não ligou e foi em frente:

– “Gente, não posso entender porque aqui no Brasil as pessoas nunca vão a origem dos problemas. Fica todo mundo passando remédio e pondo curativos nas mazelas do povo brasileiro e no entretanto, no motivo ou na causa ninguém cuida ou toca”. Jogo parado, ele foi continuando: –“Vejam vocês, ha coisa de 25 ou mais anos, durante o governo militar falou-se muito em controle ou planejamento familiar. O governo chegou a propor a questão em âmbito nacional com o apoio de muita gente, entretanto, lembro-me, que foi suficiente a Igreja e outras organizações se insurgirem em confronto a idéia, para não mais se falar no assunto.

Agora o resultado esta aí. Com a liberação originada na cultura de nossa gente, sem camisinha e sem dinheiro para pílula, a única safra que não nega fogo no Brasil é de menino. Todo ano é bocado bão, com bastante sobra nas ruas para governo e policia cuidarem.” Prestando atenção, fui aos arquivos de minha memória buscar o que eu pensava a respeito daquilo que ele dizia.

Nunca pude realmente concordar, diferente do adversário em jogo que foi direto à causa, é com as atitudes das pessoas responsáveis pela condução da nação. É um silencio para la de cretino, ainda mais que se sabe que a grande maioria de políticos também pensam como o Roberto, mas nada dizem por medo e receio de perder votos ou política, nas reações que podem surgir principalmente do lado religioso. Ficam inertes, calados como se nada fosse com eles.

Por meu lado, jamais responsabilizei nossa gente, e muito menos os pais de grandes proles por acontecer isso. Não se pode deixar de saber, principalmente, o constrangimento que eles sofrem na vida e no lazer, por serem mantidos em casa, por força de falência econômica. Uma transa no lar , pode não ser tão divertida ou prazerosa, mas é infinitamente mais barata que com a mulher da esquina, uma ida ao parque ou cinema. Ca entre nós, até desemprego traz aumento de natalidade, afinal, a manhã é quente, a cama e posição boa, já de pouca roupa, nada para fazer, a mulher alí do lado, ação e ereção são mais que naturais. Melhor fazer isso do que ficar se preocupando e pensando para que acordar. Marido à-toa dentro de casa é chinelada certa na patroa.. Por isso mesmo quem tem o que fazer, se ficar.. é só olhar o apagão de Nova York ou a enchente de 79 em Governador Valadares, nove meses depois...

No mais, na cultura latina já imaginam que o Estado é o grande patrão, e em nosso país a politica instituída e a eleitoral, se esforçam para dar-lhe também um cunho paterno. Por isso é válido imaginar, sem culpa para os pais, que o governo que com tal postura, participou como responsável, na obrigada sacanagem e posterior parição, seja também obrigado a instituir saúde, educação gratuita, seguro desemprego e Fome Zero.

Nosso hino já diz: –” Dos filhos desse solo és mãe gentil”... por isso sou convicto que, nós não somos naturais brasileiros, nós somos é filhos do Brasil, embora para uma boa maioria ele nem seja tão gentil.

O Brasil com sua cultura é bem problemático, mas no jogo o Roberto bem poderia melhorar... não é tão difícil, pisadura deixa marca.

Jose Altino Machado
zealtino@uol.com.br

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