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André Luiz Lace Lopes
CAPOEIRA, SANTERIA, JAZZ, ÓPERA E FUNK

Em Nova York, Nova Jersey e Washington D.C.
André Luiz Lace Lopes – E- mail: alace@alternex.com.br
Leblon, RIO - 19. abril. 2001
Estou chegando de mais uma volta do mundo, desta vez (e novamente),
passando por Nova York, Nova Jersey e Washington, D.C. Antes de
viajar, como sempre faço, tratei de solicitar uma assessoria
à Gomide Tour, organização totalmente informal
e amadora, sem fins lucrativos e - como acentua seu próprio
diretor e único empregado-não-remunerado - “absoluta-mente
epicurista”. Pobre de quem viajar, para qualquer lugar do
mundo, sem as preciosas “dicas” da “Gomide Tour”
(alerto, entretanto, que não sendo amigo do dono, não
haverá a menor chance de ser atendido). Por e-mail, acionei
também, em Nova York e em Washington, um serviço de
transporte local que passo a recomendar a todos. Mais barato, mais
seguro e mais eficaz; sendo que em Nova York, o serviço foi
feito por uma brava mineira, Silvânia Ribeiro (Tel.: 718 –
777.11234), cujos amigos elogiosamente afirmam que seu verdadeiro
nome é Trabalho, e o seu sobrenome, é Hora Extra.

Foto 1: Arly e André Lace,e Mestre João Grande

Foto 2: Daniel Dawson, André Lace e Mestre João Grande.
Nova York, mai/abr 2001 , ALLL e Mestre João Grande. Nova
York, 2001
Vamos ao resumo da viagem.
O clima do mundo está mudando. O verão acaba no Rio,
mas o calor, não. A mesma coisa em Nova York, o inverno já
acabou, mas o frio continua. Não acreditei, não levei
agasalho apropriado, paguei alto preço em remédios
e em limitações de programas. Até que um baiano,
generosamente resolveu repassar para mim o presente que recebera
de um amigo - um belíssimo e mais do que providencial casaco
italiano. Coisas da cultura da Bahia, coisas de um baiano há
trinta anos radicado em Nova York; baiano especialista em culturas
negras. O que nos leva ao meu programa inicial - clássico
e tradicional – sempre que vou a Nova York: visitar a Academia
de Capoeira do Mestre João Grande (Capoeira ANGOLA Center
- 104 West 14th Street, 3rd fl.- Tel. 212.9896975). Sendo que, desta
vez, além do prazer de rever Daniel Dawson, consultor do
Museu Americano de História Natural e um dos maiores “experts”
em Capoeira, recebi uma extraordinária aula particular de
Funda-mento do meu bom amigo e mestre João. Que resumo a
seguir, pálidamente, através de algumas frases que
anotei:

Mestre João e alunos. Nova York, abril 2001
“Capoeira é Natureza, são os
animais, os pássaros, os peixes, as montanhas, os ventos,
o mar...
- “Veja os peixes, eles não se chocam; veja os pássaros,
eles não se chocam...
- “As mãos do Capoeira são duas cobras...
- “O rolê são as ondas do mar...
- “Esta capoeira moderna tem veneno de uma cobra só,
a Angola tem o veneno de várias cobras”.
Disse muito mais o grande mestre, falou da maior facilidade das
meninas em jogar (e explicou porque), falou sutilmente de religião
(e, sabiamente, não explicou porque), falou de
Bahia e de Nova York, falou de existência e realização
sócio-profissional. A seu modo, pausada e baianamente.
Passando pela Globo TV NETWORK (909 3ª Avenida) sugeri, à
simpática jornalista que me atendeu, uma entrevista com o
nosso querido Doutor João Grande (recebeu o título
de Doctor of Humane Letters, do Upsala College). Sua academia é
uma espécie de Embaixada da Capoeira Brasileira nos Estados
Unidos, recebendo a todos, capoeiristas ou não, com extrema
fidalguia.Merece realmente uma reportagem, uma excelente idéia
também, sem dúvida alguma, para os demais órgãos
de notícias locais como o The Brasilians, Brazilian Voice,
Brazilian Times, Brazilian Press, The Global News, Canal Brasil-RTP-USA,
Jovem Pan, TV Brasil Comunitário etc.

Dr. Nii, André Lacé e Paulo Bispo. Museu de Newark,
New Jersey, 2001
Não ficou aí, desta vez, o roteiro
pela culturas africanas em Nova York ( Nova Jersey e D.C.). No Caribbean
Cultural Center (408 W 58th St.) Paulo Bispo, excelente figura humana
e eficaz coordenador do Centro de Recursos, apresentou-me o Sr.
Nii Otokunor Quarcoopome, natural de Gana, PhD , Curador da África,
Américas e Pacífico, do Museu de Newark, em Nova Jersey
(49 Washington Street), personalidade forte e bem humorada, pesquisador
atento e bom administrador. Visitamos rapidamente o museu que estava
sendo preparado para uma grande exposição sobre religiões
africanas. Claro, havia um espaço para o Brasil. Paulo Bispo,
em nome do Centro Caribenho, cedeu farto material e ainda foi o
responsável pelos arranjos sagrados nos espaços reservados.
Impressionante as informações e peças sobre
Santeria no Caribe, e Candomblé e Umbanda no Brasil, especialmente,
por motivos óbvios, as relacionadas com Xangô. Trouxe
várias lembranças do Centro Caribenho e da rápida
visita a Newark (rápida, mas suficiente para conhecer, também,
o comércio português e um excelente restaurante ibérico).
Valendo salientar um vídeo-tape, que recebi de presente,
magistralmente produzido pelo Caribbean Cultural Center, sobre as
culturas negras (“Jouney Into The African Diaspora –
na introduction to the african roots of the lusophone, hispanophone,
francophone, and anglophone Américas”). Vídeo
que contou com a participação genial do nosso cartunista
Redi (uma das ilustrações do vídeo é,
não por acaso, a própria capa do meu livro “A
Volta do Mundo da Capoeira”). Aqui no Rio, seguramente, terei
que passar esse vídeo, várias vezes e sempre com total
sucesso, para a velhos mestres de capoeira e alguns amigos da velha
guarda do samba.

Rachelle Ferrell. Linda foto feita por Beth Hershaft
No meio da semana fui a Washington D.C., viagem rápida,
passando pela Biblioteca da belíssima Universidade de Georgetown
(onde estudei) , pela Organização dos Estados Américanos
(onde trabalhei) e pelo famosíssimo Blues Alley, um “must”
para quem aprecia Jazz.
Qualquer noite no Blues Alley, por definição, vale
a pena, mas nesta minha única noite na capital, tive o prazer
de assistir de perto a Sra. Rachelle Ferrell, extraodinária
cantora jazzística, pianista e violinista, com vários
outros cursos de música. E não tive o prazer de ouvir
apenas a ela, ouvi também o seu irmão, Russ Barnes
( voz igualmente cheia de “blue note”. Fenômeno
que pode ser encontrado na Capoeira) e um conjunto que, de tão
virtuoso, mereceria até fazer um show a parte (Ricardo Jordan,
na bateria; Jef Lee Johnson, na guitarra; Byron Miller, no baixo;
e Phil Davis, no keyboards). Pelo garçon, enviei para a Sra.
Ferrell um exemplar do meu livro, com uma longa dedicatória
chamando atenção para a página 40 (“Drums
and Berimbau”), elogiando especialmente sua interpretação
em Individuality (“Can I be Me?”), e com a seguinte
observação final: “You are 100% Jazz and 100%
Capoeira Angola”. Se ela entendeu, não sei, mas um
mandingueiro recado foi dado.

Mestre Cobra Mansa, founder of the International Capoeira Angola
Foundation, plays the berimbau and sings at a Washington gathering.
(Sarah L. Voisin - The Washington Post)
Quanto ao Sr. Cenésio Feliciano Peçanha, mais conhecido,
internacionalmente, como Mestre Cobra Mansa, presi-dente da Fundação
Interna-cional de Capoeira Angola, FICA (com sede na capital norte-americana:
PO BOX 73205 Washington D.C. 20056 – 3205. T. 202-723-5566
or 202-723-5565),
infelizmente, não foi possível visitá-lo. Estava
fora da cidade, cumprindo um de seus inúmeros e sempre bem
sucedidos “workshops”. Como conso-lo fui presenteado
com a cópia de uma excelente reportagem (“Brazil Rediscovers
Its Culture
Poor Man's Cocktail, Martial Art Hip Among Middle Class”,
que menciona o bom trabalho de Cenésio Cobra Mansa, estudante
de antropologia e exímio capoeirista.
Voltei para Nova York, para o mesmo hotel na Rua 58 Oeste. Na beira
do Central Park Sul, pertíssimo do Lincoln Center; impossível,
portanto, não conferir o programa por lá. Coisa de
primeiro mundo, como se sabe, em uma mesma semana, quatro ou cinco
óperas, vários concertos, balé, palestras etc
etc. Afora restaurantes, livrarias, salas para seminários
etc. O grande Rigolleto, no Metropolitan Opera, é claro,
estava “sold out”, nos sobrou um lugarzinho no teatro
ao lado, o New York State Theater (segundo um policial da área,
“muitíssimo inferior ao Metropolitan”) para ver
a Boêmia. Parti para a ópera esperançoso, afinal
estava no primeiríssimo mundo; dava como certo que a Lúcia
(Mimi) não morreria ao final, pois uma ambulância chegaria
a tempo e o poderoso e eficaz governo de Nova York arcaria com todas
as despesas da emergência e do longo tratamento que certamente
adviria. Enganei-me, a ambulância falhou também desta
vez, o médico também não foi, e o medicamento
comprado com grande dificuldade pelos amigos de Mimi (especial crédito
para a Sra. Musetta) não serviram para nada.
Mesmo assim, valeu. Grande elenco, grande orquestra. Não
se podendo dizer o mesmo do cenário e da marcação
de palco que, sem dúvida alguma, sofreram influência
dos “especia-listas” de musicais da Broawday. Penúltimo
dia de viagem, segunda-feira, é dia de música brasileira
no Greenwich Village (no “The WHA?”). A brasileirada
jovem prestigia o evento, casa repleta, alguns nomes famosos (ou
filhos de gente famosa), boa música, bom conjunto de brasileiros,
de personalidade, boa seleção de música, muita
animação. Mas devo registrar minha surpresa e certo
desapontamento, quando o D.J. atacou com o último polêmico
sucesso oriundo do subúrbio do Rio de Janeiro, o funk que
fala de cachorra dominada, tigrão e outras bicharadas e baixarias.
Tudo bem, “guerra é guerra” como até o
nosso presidente reconheceu (depoimento na televisão sobre
o affairs “Vaca Louca & Canadá”). De certa
maneira, ponto para o subúrbio do Rio e para a velocidade
de atualização do D.J., mas o Brasil, particularmente
o Rio de Janeiro, tem coisa melhor para exportar, especialmente
na área musical.
Comentando o fato com o Paulo Bispo aproveitei para amortizar as
inúmeras gentileza recebidas dele (inclusive o casaco italiano)
e do próprio Caribbean Cultural Center presenteando-o com
um disco (“Mais Feliz”) de uma das importantes figuras
da música popular

Mestre João Grande e André Lace, Nova York abr/2001.

Elton Medeiros e João Fontes (também mestre de capoeira,
advogado e presidente da AMA-Leblon), Rio, set/2002. Observação:
Elton Medeiros (Paulinho da Viola e outros) esteve junto com João
Grande (Mestre Pastinha e outros) no histórico Festival Mundial
de Arte Negra, em Dacar (ver o livro “A Volta do Mundo da
Capoeira”). Quem sabe, Nova York não volta a reunir
essas duas extraordinárias figuras da cultura popular brasileira?
.João Grande esteve com Elton Medeiros no histórico
Festival de Dakar, em 1890. QUem sabe, Nova York reune os dois novamente?
brasileira, o grande poeta, compositor e administrador Elton Medeiros.
Além do disco, a seguinte “provocação”:
- Já pensou Elton Medeiros e o conjunto Galo Preto no The
Wha? (Village), em alguma sala no Lincon Center , ou ainda, no Blues
Alley? Com João Grande na platéia aplaudindo (e vice-versa!)
?
- “Why not”, foi a resposta sorridente e mandingueira.
Sobre o livro “A Volta do Mundo da Capoeira”
na Internet:
1. O home page André Luiz Lace Lopes
Observação: basta digitar André Luiz Lace
Lopes ou, ainda, http://andrelace.cjb.net
2. O “portal” www.novosuniversos.com.br . Clicar em
Esporte (aparecerá o livro “A Volta do Mundo da Capoeira”
parte I).
2.1 O “porta” www.novosuniversos.com.br . Clicar em
Contos aparecerá um livro de contos e poesias premiados,
de André Lace. Alguns trabalhos utilizando o tema da Capoeiragem.
3. O “portal” http://www.forumvirtual.com.br/ Clicar
em CAPOEIRA.
Sobre o livro “A Volta do Mundo da Capoeira”
em Nova York: The New York Public Library
- Biblioteca do Capoeira Angola Center of Mestre João Grande
- Columbus University, Main Library
- New York University, Main Library
- Biblioteca do Caribbean Cultural Center
- Biblioteca do Consulado do Brasil em Nova York
- The Newark Museum, Library
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